IDADE PATERNA E RISCO DE AUTISMO

O transtorno do espectro do autismo é um construto usado para descrever indivíduos com uma combinação específica de alterações na comunicação social e comportamentos repetitivos, interesses altamente restritos e / ou comportamentos sensoriais iniciados no início da vida. A prevalência mundial de autismo é de menos de 1%, mas as estimativas são mais altas nos países de alta renda (Lord et al., 2020). Vários genes estão implicados no desenvolvimento do autismo, dentre os quais:

Tentando entender a causa destas mutações cientistas apostam em uma hipótese: o envelhecimento. Em estudo da Universidade da Califórnia, em San Diego, Estados Unidos, foram analisadas oito duplas de filhos e pais em busca de uma relação nas mutações genéticas no DNA de crianças com autismo com as mesmas modificações no esperma dos pais. A pesquisa confirmou que as alterações estavam relacionadas e que elas tendem a aumentar com a idade do pai (Breuss et al., 2019).

A partir dos 30 anos, as mudanças começam a acumular anualmente, aumentando o risco de ter filhos afetados. O mesmo deve ser verdade para mães, mas é difícil coletar óvulos para o sequenciamento. Por isso, indica-se que pais com idade avançada procurem aconselhamento genético antes de terem filhos, explica o geneticista Alysson Muotri, especialista em neurociências e células tronco.

Além de pesquisas em relações às causas do transtorno, estudos são necessários para identificar as necessidades de longo prazo das pessoas com autismo, os tratamentos e os mecanismos por trás deles que podem resultar em maior independência e qualidade de vida ao longo do tempo. As famílias são frequentemente a principal fonte de apoio às pessoas com autismo durante grande parte da vida e precisam ser consideradas, juntamente com as perspectivas dos indivíduos autistas, tanto na pesquisa quanto na prática (Lord et al., 2020).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Divertículo, diverticulose e diverticulite - riscos e tratamento

Divertículos intestinais são pequenos sacos que projetam para fora do intestino grosso. Surgem nas áreas de maior fraqueza da parede intestinal. O termo diverticulose ou doença diverticular simplesmente descreve o fato do intestino apresentar divertículos. Pessoas com diverticulose podem permanecer assintomáticas por toda a vida.

Os divertículos podem inflamar-se e infectar-se, situação conhecida como diverticulite. A mesma é causada pela obstrução dos divertículos, tanto por fezes quanto por alimentos. Gera dor abdominal e frequentemente é acompanhada por outros sintomas como náusea, vômitos, constipação, febre, podendo inclusive causar a morte do paciente. Isto acontece porque a pressão interna dentro do divertículo pode ser grande o suficiente para romper a parede intestinal, derramando matéria fecal no abdômen. Dados dos Estados Unidos mostram que 9 de cada 10 pessoas que falecem devido a ruptura dos divertículos nem sabiam que tinham a doença.

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A presença da doença diverticular é mais comum em pessoas acima de 50 anos, surgindo em decorrência de características pessoais e estilo de vida, como dieta, atividade física e excesso de peso. A obesidade está relacionada com maior incidência de quadro de diverticulite e de sangramento (hemorragia) decorrente da presença dos divertículos, sendo estas as duas maiores complicações da doença diverticular.

Trata-se de um problema importante pela mortalidade resultante das suas complicações, onde se incluem a diverticulite, a formação de abcessos, a perfuração, a peritonite, as fístulas, a obstrução e a hemorragia. Estas complicações desenvolvem-se entre 10% a 40% dos indivíduos com diverticulose. Alguns estudos indicam cerca de 23.600 óbitos por ano, na Europa, por complicações da diverticulose. Além da mortalidade associadas às complicações e do respectivo impacto familiar, profissional e social, importa referir ainda os custos elevados desta doença.

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A dieta rica em fibras é considerada a melhor maneira de se prevenir o surgimento dos divertículos, principalmente quando associada a prática de exercício. Aproximadamente de 15 a 25% dos pacientes com diverticulose apresentarão uma crise de diverticulite, enquanto de 5 a 15% evoluirão com sangramento intestinal.

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O diagnóstico da diverticulose é feito por exames como a colonoscopia ou tomografia computadoriza de abdome. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. A melhor maneira de se evitar as crises de diverticulite aguda é manter uma dieta baseada em vegetais, pobre em alimentos industrializados e rica em fibras. Após a primeira crise de diverticulite, um terço dos pacientes permanecerão assintomáticos, outro terço evoluirá com desconforto ocasional, e o último terço apresentará a segunda crise de diverticulite. Após a segunda crise, apenas 10% dos casos ficarão livres dos sintomas de desconforto abdominal.

Fezes macias e lubrificadas passam facilmente pelo intestino grosso. Já pessoas com baixo consumo de frutas, verduras, leguminosas, sementes e castanhas possuem fezes pequenas e endurecidas. Isso faz com que o intestino precise fazer muita força para movê-las. Este acúmulo de pressão é o que causa os divertículos. O consumo de fibras recomendado para adultos é de 25 a 30 gramas ao dia. No Brasil, a média de consumo nacional entre adultos fica entre 12 e 15 gramas ao dia. Para saber se o seu consumo está adequado consulte seu nutricionista. As fibras são muito importantes na dieta, não só regulando o trânsito intestinal e prevenindo a diverticulite, mas também reduzindo o risco de diabetes, doenças coronarianas, úlceras e câncer de cólon.

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Os tratamentos para doenças diverticulares incluem fibras alimentares, tratamentos farmacológicos como antibióticos (rifaximin), medicamentos anti-inflamatórios (mesalazina) e probióticos, isoladamente ou em combinação, e eventualmente cirurgia. Apesar de ser eficaz no tratamento de doenças primárias, sua eficácia na prevenção primária e secundária de complicações ainda é incerta (Tursi et al., 2020).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Da compulsão à perda de peso

Todos nós somos comedores emocionais. O comer emocional é normal, nos une enquanto cultura. Temos recordações gostosas da infância que estão relacionadas aos alimentos. O que motiva o comer emocional não é a fome física, mas outros fatores. Podemos comer porque queremos um agrado, uma gratificação, um conforto, um carinho, uma distração.

Por exemplo, em uma festa geralmente comemos mais do que comeríamos em uma situação cotidiana. Isso pode acontecer no aniversário, na festa junina, no ano novo, no natal, na páscoa. A disponibilidade de alimentos diferentes e a presença de amigos pode aumentar a alegria e prazer de comer. Isso é normal. O problema é quando o comer é só emocional e a frequência é alta demais. Quando sempre queremos sedar emoções difíceis ou desagradáveis. E existem também as pessoas que usam a comida como forma de punição, por acharem que não merecem nada melhor que isso.

Como distinguir a fome física da fome emocional?

A fome física não é seletiva. Quando estamos com fome comemos o que estiver na mesa. A fome emocional vem de repente e é seletiva. Queremos neste momento aquele tipo de alimento específico (por exemplo, doces).

A fome física não é igual todos os dias. Tem dias que sentimos mais fome, tem dias que sentimos menos fome. Ela vai aumentando aos poucos, varia durante o dia e some após a ingestão de alimento. Depois da alimentação há uma sensação de tranquilidade e satisfação. Ficamos bem e prontos para realizarmos nossas outras atividades.

A fome emocional é doida, aparece de repente, ocorre em momentos de grandes emoções. Pode não passar mesmo após o consumo de uma caixa inteira de bombons. Após a refeição traz culpa , tristeza ou ansiedade.

Gatilhos da fome emocional

Várias são as situações que podem fazer comermos as emoções. Por exemplo, uma rejeição pode despertar vários tipos de pensamentos: “será que ele não gosta mais de mim?”, “será que conheceu outra”?, “será que ele não se importa mais?”, “será que está me achando feia/chata/gorda/sem graça etc?”. Estes pensamentos são interpretações sobre uma situação. Outra pessoa poderia interpretar a mesma situação de maneira totalmente diferente e ter uma reação totalmente diferente. Por exemplo, uma outra pessoa poderia pensar: “estamos brigando mais porque estamos mais cansados”, “estamos brigando mais porque estamos passando muito tempo juntos na quarentena”. A primeira pessoa provavelmente terá reações mais forte, emoções mais negativas do que a segunda pois seus pensamentos foram bem mais negativos.

Em uma situação de frustração uma pessoa vai buscar formas de lidar com estas emoções. E a forma como lidamos com o estresse varia também de pessoa para pessoa. Sua família sempre usou comida como forma de distração? Sua família conversava sobre as emoções ou simplesmente resolvia tudo com um pote de sorvete?

E o que sinto depois que como? Tomo o sorvete feliz pois sou merecedora dele ou me sinto mal pois não deveria ter feito isso, fico ainda mais triste e tomo mais três potes? Mais importante do que comemos é como comemos. Estamos prestando atenção ao que está acontecendo em nosso corpo e em nossa cabeça? Estamos refletindo sobre as situações que levam ao comer emocional? Estou prestando atenção aos meus incômodos? Aos meus sofrimentos? Estou tentando entendê-los? Estou pedindo ajuda? Estou falando ou estou só tapando tudo com comida?

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Quando não nos conectamos com nosso corpo e mente nos enchemos com essa falsa felicidade em forma de pizza ou pudim. E quanto mais comemos por motivos emocionais maior a chance de piorar a qualidade da alimentação e o relacionamento com o corpo e a comida. E durante a compulsão a tendência é escolhermos alimentos muito ricos em carboidratos simples, que matam a fome apenas por um curto período de tempo.Podemos ter o prazer do alimento favorito mas sem nos sedarmos, nem nos punirmos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/