Testes nutrigenéticos de venda direta ao consumidor

A nutrigenética estuda como variações genéticas individuais (SNPs) modulam a resposta aos nutrientes. Embora o mercado global esteja em rápida expansão, a aplicação clínica deve ser cautelosa, integrando os dados genéticos ao fenótipo e exames laboratoriais do paciente.

Nestas formações completas você terá todas as ferramentas necessárias à interpretação dos testes nutrigenéticos com aplicação clínica:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Genética e recuperação pós-AVC

O acidente vascular cerebral (AVC) constitui a segunda causa de mortalidade e a principal causa de incapacidade adquirida em adultos no mundo, com estimativa de 12,2 milhões de novos casos anuais. Apesar dos avanços em recanalizações agudas — trombolíticos e trombectomia mecânica — a maioria dos sobreviventes apresenta sequelas neurológicas persistentes, com custos humanos e econômicos expressivos.

Um paradoxo clínico bem estabelecido é a variabilidade de desfechos funcionais entre pacientes com perfis de lesão aparentemente similares. Dois pacientes com infartos de volume e topografia comparáveis podem apresentar trajetórias completamente distintas de recuperação motora, cognitiva e de linguagem. Esta heterogeneidade sugere a existência de determinantes biológicos individuais da neuroplasticidade, entre os quais os fatores genéticos ocupam papel cada vez mais reconhecido.

Genes envolvidos na neuroplasticidade pós-AVC

Por que pacientes com lesões cerebrais semelhantes podem apresentar recuperações tão diferentes?

A resposta pode estar, em parte, na genética da neuroplasticidade. Genes como BDNF, COMT, APOE e DRD2 estão associados a mecanismos que influenciam plasticidade cerebral, neurotransmissão, cognição e resposta à reabilitação.

🔬 BDNF Val66Met: pode modificar a plasticidade dependente de atividade e está associado a diferenças na recuperação motora e cognitiva.

🧠 COMT Val158Met: modula a disponibilidade de dopamina no córtex pré-frontal e pode influenciar a resposta ao treinamento cognitivo e motor.

🧬 APOE ε4: relaciona-se a maior vulnerabilidade cognitiva e pode influenciar a recuperação após o AVC.

⚡ DRD2: variantes relacionadas à sinalização dopaminérgica podem modificar a resposta a estratégias de reabilitação assistida por fármacos.

O próximo passo é integrar genômica + proteômica + metabolômica + dados clínicos para identificar, de forma mais precisa, quem pode responder melhor a diferentes estratégias de reabilitação.

Isso abre caminho para uma reabilitação personalizada de precisão em que intensidade, modalidade e estratégias terapêuticas sejam cada vez mais orientadas pelas características biológicas individuais.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Ciências ômicas e pré-eclâmpsia

As ciências ômicas constituem uma abordagem particularmente relevante para investigar a pré-eclâmpsia porque permitem estudar simultaneamente alterações em múltiplos níveis moleculares, em vez de analisar um único biomarcador ou via metabólica.

O ponto central

A pré-eclâmpsia não é uma doença molecularmente homogênea. Ela envolve uma interação complexa entre placenta, endotélio materno, sistema imune, metabolismo, angiogênese, estresse oxidativo e fatores genéticos/epigenéticos.

Um modelo simplificado seria: alteração placentária → hipóxia/estresse oxidativo → desequilíbrio angiogênico → inflamação e disfunção endotelial → manifestações clínicas da pré-eclâmpsia

As ciências ômicas permitem investigar cada etapa e, principalmente, as interações entre elas. A grande oportunidade: integração multiômica A abordagem mais sofisticada atualmente não é escolher entre genômica, transcriptômica, proteômica e metabolômica, mas integrá-las.

Por exemplo:

variante genética → alteração epigenética → alteração da expressão gênica → alteração proteica → alteração metabólica → fenótipo de pré-eclâmpsia

Isso é chamado de multiômica.

Na prática, pode-se comparar gestantes que desenvolveram pré-eclâmpsia com gestantes normotensas e coletar amostras em diferentes momentos da gestação. A integração dos dados pode revelar biomarcadores precoces, mecanismos fisiopatológicos e possíveis subtipos moleculares da doença.

Um ponto especialmente importante é distinguir pré-eclâmpsia de início precoce e de início tardio, porque elas parecem apresentar componentes fisiopatológicos parcialmente distintos. A análise multiômica pode ajudar a explicar essa heterogeneidade.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/