TDAH, estresse oxidativo e mitocôndrias: onde entra a nutrição?

Quando falamos em TDAH, é comum que a discussão fique concentrada nos neurotransmissores, nos sintomas comportamentais e no tratamento farmacológico. Porém, a neurobiologia dos transtornos do neurodesenvolvimento é muito mais complexa.

Entre os mecanismos que vêm sendo estudados está a relação entre estresse oxidativo, função mitocondrial e metabolismo energético cerebral. As mitocôndrias são estruturas responsáveis pela produção de energia dentro das células. No cérebro, que apresenta uma demanda energética elevada, alterações na produção de ATP podem ter consequências importantes para o funcionamento neuronal.

Pesquisas experimentais e clínicas sugerem que alterações relacionadas ao estresse oxidativo e à função mitocondrial podem estar presentes em diferentes transtornos do neurodesenvolvimento, incluindo o TDAH. Entretanto, isso não significa que o estresse oxidativo seja a causa do transtorno. Os próprios autores destacam que essas alterações podem representar tanto consequências quanto fatores que contribuem para a disfunção observada em determinados contextos.

O que é estresse oxidativo?

Durante o metabolismo celular, especialmente na produção de energia pelas mitocôndrias, são produzidas espécies reativas. Em condições fisiológicas, o organismo possui sistemas antioxidantes capazes de manter esse processo sob controle.

O problema ocorre quando a produção de espécies reativas supera a capacidade dos sistemas de defesa antioxidante, levando ao chamado estresse oxidativo. Esse desequilíbrio pode afetar lipídios, proteínas, DNA e estruturas celulares, incluindo componentes das próprias mitocôndrias.

No sistema nervoso, o interesse nesse mecanismo é particularmente relevante devido à elevada demanda energética do cérebro e à sua composição rica em ácidos graxos poli-insaturados, que são suscetíveis à oxidação.

E onde entram as vitaminas e a coenzima Q10?

A nutrição participa de diversas etapas do metabolismo energético e dos sistemas antioxidantes. As vitaminas do complexo B, por exemplo, atuam como cofatores em diferentes reações metabólicas relacionadas à produção de energia e ao metabolismo de carboidratos, lipídios e aminoácidos. A vitamina E apresenta função antioxidante, especialmente na proteção das membranas celulares contra a peroxidação lipídica.

Já a coenzima Q10 participa da cadeia respiratória mitocondrial e também apresenta atividade antioxidante. Na forma reduzida, conhecida como ubiquinol, participa do equilíbrio redox celular e da proteção contra danos oxidativos.

Isso ajuda a compreender por que existe interesse científico em investigar estratégias nutricionais voltadas para o metabolismo energético e o equilíbrio oxidativo em transtornos do neurodesenvolvimento. Mas existe uma diferença importante entre ter uma função bioquímica e demonstrar benefício clínico.

O que o estudo encontrou?

O trabalho publicado na Frontiers in Psychiatry em 2022 realizou uma análise retrospectiva de prontuários de 59 pessoas com diferentes transtornos do neurodesenvolvimento.

Os participantes receberam uma intervenção denominada pelos autores de “metabolic support therapy”, composta por ubiquinol, vitamina E e vitaminas do complexo B.

Após pelo menos três meses, os autores registraram melhora clínica em 45 dos 59 participantes, equivalente a 76,27% da amostra. As áreas nas quais foram observadas mais mudanças incluíram cognição, funcionamento adaptativo e motivação social.

Entretanto, esses números precisam ser interpretados dentro do desenho do estudo. A amostra era pequena e heterogênea, reunindo pessoas com transtorno do espectro autista, deficiência intelectual, atraso global do desenvolvimento, síndrome de Phelan-McDermid e TDAH.

E aqui está o ponto mais importante para quem trabalha com TDAH:

apenas três participantes da amostra tinham TDAH isoladamente.

Nesse grupo, apenas um dos três apresentou melhora registrada. Não houve melhora documentada nos domínios de atenção seletiva e sustentada ou hiperatividade entre esses três participantes.

Portanto, o estudo não permite concluir que ubiquinol, vitamina E e complexo B sejam eficazes para tratar TDAH.

Então qual é a relevância desse estudo para a nutrição?

A principal contribuição está na hipótese metabólica que ele ajuda a investigar. O cérebro necessita de uma produção energética contínua e eficiente. Para isso, depende de nutrientes envolvidos na síntese de ATP, no metabolismo celular, na manutenção das membranas e nos sistemas antioxidantes.

Isso reforça uma perspectiva importante na prática nutricional:

antes de pensar em suplementação, é necessário avaliar se a alimentação oferece os nutrientes necessários para sustentar o metabolismo energético.

Uma alimentação insuficiente ou pouco diversificada pode comprometer a ingestão de micronutrientes importantes. Em crianças e adolescentes com TDAH, essa questão merece atenção especial quando existem seletividade alimentar, baixo apetite, restrição alimentar, baixo peso ou uso de medicamentos que reduzem a ingestão alimentar.

O objetivo não é transformar vitaminas em tratamento do TDAH. O objetivo é identificar e corrigir inadequações nutricionais quando elas existem. Aprenda mais no curso nutrição no TDAH.

Alimentação, mitocôndrias e cérebro

Uma alimentação adequada fornece substratos e cofatores necessários para inúmeras reações metabólicas. Vitaminas do complexo B participam de vias relacionadas ao metabolismo energético. Minerais como magnésio, ferro, zinco e cobre também exercem funções essenciais em processos enzimáticos e celulares.

Além disso, frutas, hortaliças, leguminosas, cereais integrais, sementes, oleaginosas e outros alimentos vegetais fornecem uma grande variedade de compostos bioativos com potencial de contribuir para a defesa antioxidante do organismo.

Isso não significa que uma dieta rica em antioxidantes possa “tratar” o TDAH. Significa que a adequação nutricional é uma condição básica para o funcionamento fisiológico do organismo, incluindo o sistema nervoso.

E a microbiota?

Aqui existe uma conexão interessante com o eixo intestino-cérebro. A microbiota intestinal participa do metabolismo de nutrientes e da produção de metabólitos que podem influenciar processos imunológicos, metabólicos e neurológicos.

Pesquisas em TDAH vêm encontrando diferenças na composição da microbiota intestinal, embora os resultados ainda sejam heterogêneos e não permitam estabelecer uma assinatura microbiana única do transtorno. Uma revisão sistemática com metanálise de oito estudos encontrou alterações em alguns grupos bacterianos, mas também destacou a elevada heterogeneidade entre os estudos.

Assim, podemos visualizar o cuidado nutricional de forma integrada:

alimentação → nutrientes → metabolismo energético → função mitocondrial → sistema nervoso

e, paralelamente:

alimentação → microbiota → metabólitos → sistema imune e eixo intestino-cérebro.

Essas vias não funcionam de maneira isolada. Elas fazem parte de uma rede metabólica extremamente complexa. Aprenda a cuidar do intestino aqui.

Suplementar ou alimentar?

Essa é uma das principais perguntas na prática clínica. A resposta depende do contexto. Um nutriente pode ser essencial para determinada via metabólica, mas isso não significa que doses elevadas proporcionem benefício adicional em pessoas que já apresentam ingestão adequada.

Da mesma forma, um estudo retrospectivo que observa melhora após uma intervenção não possui a mesma força de evidência de um ensaio clínico randomizado, controlado e adequadamente dimensionado.

Os próprios autores do estudo destacam a necessidade de ensaios clínicos randomizados para cada transtorno do neurodesenvolvimento, justamente para determinar se esses compostos apresentam eficácia real e qual seria o tamanho desse efeito.

Por isso, a suplementação deve ser individualizada e baseada em avaliação clínica e nutricional, especialmente quando se trata de crianças e adolescentes.

O que fica para a prática?

A ciência está mostrando que o TDAH não deve ser compreendido apenas por uma única via neuroquímica. Neurotransmissores, genética, metabolismo energético, função mitocondrial, estresse oxidativo, inflamação, alimentação e microbiota podem participar de diferentes aspectos da fisiologia cerebral.

Isso não significa que todos esses mecanismos sejam causas do TDAH ou que possam ser modificados terapeuticamente da mesma maneira. Significa que existe uma complexa interação entre cérebro, metabolismo e ambiente. Na prática nutricional, isso reforça a importância de olhar além do consumo calórico.

É necessário avaliar qualidade e variedade da alimentação, ingestão de micronutrientes, seletividade alimentar, apetite, funcionamento intestinal, crescimento e composição corporal, além do contexto clínico e medicamentoso.

A nutrição não substitui o tratamento farmacológico ou as demais intervenções indicadas para o TDAH. Mas uma alimentação nutricionalmente adequada pode fornecer ao organismo os substratos necessários para que processos fundamentais, como produção de energia, síntese de neurotransmissores, defesa antioxidante e manutenção celular, ocorram de maneira adequada. Cuidar do cérebro também significa cuidar do metabolismo que sustenta o cérebro.

Referências

CUCINOTTA, Francesca et al. Efficacy and safety of Q10 ubiquinol with vitamins B and E in neurodevelopmental disorders: a retrospective chart review. Frontiers in Psychiatry, v. 13, 829516, 2022. DOI: 10.3389/fpsyt.2022.829516. Disponível em: Frontiers in Psychiatry. Acesso em: 2 out. 2026.

CORONA, Juan C. Role of oxidative stress and neuroinflammation in attention-deficit/hyperactivity disorder. Antioxidants, v. 9, n. 11, 1039, 2020. DOI: 10.3390/antiox9111039.

LIANG, Shun-Chin et al. Composition of the gut microbiota in attention deficit hyperactivity disorder: a systematic review and meta-analysis. Frontiers in Psychiatry, v. 13, 829710, 2022.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Psicoestimulantes e alteração da microbiota em indivíduos com TDAH

O tratamento do TDAH pode envolver medicamentos psicoestimulantes, como o metilfenidato e as anfetaminas. Esses medicamentos atuam principalmente sobre os sistemas dopaminérgico e noradrenérgico do cérebro, contribuindo para a regulação da atenção, do controle dos impulsos e de outras funções executivas.

Mas o que o tratamento do TDAH tem a ver com o intestino?

A resposta passa pelo chamado eixo intestino-cérebro, uma complexa rede de comunicação entre o sistema gastrointestinal, a microbiota intestinal, o sistema imune, o metabolismo e o sistema nervoso.

O intestino também conversa com o cérebro

A microbiota intestinal é formada por trilhões de microrganismos que participam de processos importantes para o organismo. Essas bactérias produzem metabólitos, modulam respostas imunológicas e influenciam a integridade da barreira intestinal.

Entre os compostos produzidos pela microbiota estão os ácidos graxos de cadeia curta, como acetato, propionato e butirato. Essas moléculas participam da regulação da barreira intestinal, da resposta inflamatória e de mecanismos envolvidos na comunicação entre intestino e cérebro.

Isso não significa que a microbiota seja responsável pelo TDAH. A relação é muito mais complexa. Pesquisas recentes sugerem que pessoas com TDAH podem apresentar diferenças na composição e no funcionamento da microbiota intestinal, mas ainda não está estabelecido se essas alterações contribuem para o desenvolvimento do transtorno, se são consequência de outros fatores ou se existe uma relação bidirecional.

E onde entram os psicoestimulantes?

Um estudo publicado em 2023 investigou o microbioma intestinal de indivíduos com TDAH e observou diferenças entre crianças que utilizavam medicamentos psicoestimulantes e aquelas que não utilizavam. Foram identificadas alterações na composição bacteriana e em funções metabólicas do microbioma.

Um dos achados chamou atenção para genes relacionados ao metabolismo e à síntese bacteriana de vitamina B12. É importante interpretar esse resultado com cautela. O estudo demonstra uma associação, não uma relação de causa e efeito. Não é possível afirmar que o medicamento provoque disbiose ou que as alterações encontradas sejam necessariamente prejudiciais.

Além disso, diversos fatores podem influenciar a microbiota intestinal, incluindo alimentação, estado nutricional, hábito intestinal, composição corporal, atividade física, sono, uso de antibióticos e outros medicamentos. Aprenda a cuidar do intestino aqui.

O tratamento pode mudar a alimentação

Alguns pacientes em tratamento com psicoestimulantes apresentam redução do apetite, principalmente em determinados períodos do dia. Quando isso acontece de forma persistente, pode haver redução da ingestão energética e também da variedade de alimentos consumidos.

E a alimentação é um dos principais moduladores do microbioma intestinal. Uma dieta pouco variada e pobre em fibras reduz a disponibilidade de substratos para diversas espécies bacterianas. Por outro lado, uma alimentação diversificada fornece diferentes tipos de fibras e compostos bioativos que podem ser utilizados pela microbiota.

Por isso, em pacientes que utilizam psicoestimulantes, a avaliação nutricional deve considerar não apenas o peso corporal, mas também apetite, ingestão alimentar, variedade da dieta, consumo de fibras, hidratação e funcionamento intestinal.

Cuidar do intestino não significa substituir o tratamento

Esse ponto é fundamental. Cuidar da microbiota intestinal não significa interromper ou modificar um medicamento prescrito, nem significa tratar o TDAH exclusivamente pelo intestino.

A evidência científica disponível ainda não permite afirmar que a modulação da microbiota seja um tratamento para o TDAH. O que podemos fazer é cuidar dos fatores que sustentam um ambiente intestinal saudável e isso começa pela alimentação.

Uma dieta diversificada, com presença regular de frutas, hortaliças, leguminosas, cereais integrais, sementes, oleaginosas e outras fontes de fibras, fornece diferentes substratos para o metabolismo microbiano.

Também é importante garantir ingestão adequada de água e observar o funcionamento intestinal. Em algumas situações, sintomas como constipação, diarreia, distensão abdominal ou alterações persistentes do apetite merecem investigação individualizada.

E os probióticos?

A relação entre probióticos, microbiota e TDAH é uma área de pesquisa crescente. Existem estudos avaliando probióticos e simbióticos em pessoas com TDAH, mas os resultados ainda são heterogêneos. Não existe, atualmente, uma recomendação universal de que toda pessoa com TDAH deva utilizar probióticos.

Isso é importante porque “cuidar da microbiota” não é sinônimo de tomar um probiótico. A microbiota responde a um conjunto muito maior de fatores, especialmente à alimentação habitual, ao estilo de vida e ao contexto clínico individual.

A escolha de um probiótico, quando indicada, deve considerar a cepa, a dose, a duração do uso e o objetivo clínico. Não basta escolher um produto simplesmente porque ele contém “bactérias boas”.

O intestino faz parte do cuidado integral

A ciência ainda está começando a compreender a dimensão da relação entre microbiota, metabolismo e cérebro. No TDAH, as evidências atuais apontam para uma interação complexa entre fatores genéticos, neurológicos, ambientais, comportamentais, alimentares e possivelmente microbianos.

Por isso, a abordagem nutricional não deve partir da ideia de que existe uma única bactéria responsável pelo transtorno ou de que é possível “curar o TDAH pelo intestino”. O objetivo é mais amplo.

É garantir que o organismo tenha condições nutricionais adequadas para funcionar bem, especialmente quando o tratamento medicamentoso interfere no apetite, na ingestão alimentar ou no funcionamento gastrointestinal.

Cuidar do intestino, nesse contexto, é cuidar da alimentação, da variedade alimentar, das fibras, da hidratação e do hábito intestinal. Não como uma alternativa ao tratamento do TDAH, mas como parte de um cuidado integrado. Aprenda a cuidar do intestino aqui.

Referências

STIERNBORG, Miranda et al. Bacterial gut microbiome differences in adults with ADHD and in children with ADHD on psychostimulant medication. Brain, Behavior, and Immunity, v. 110, p. 310-321, 2023. DOI: 10.1016/j.bbi.2023.03.012.

CARABOTTI, Marilia et al. The gut-brain axis: interactions between enteric microbiota, central and enteric nervous systems. Annals of Gastroenterology, v. 28, n. 2, p. 203-209, 2015.

INTERNATIONAL PROBIOTICS ASSOCIATION. Navigating ADHD: insights from gut microbiome research. International Probiotics Association. Disponível em: International Probiotics Association. Acesso em: 2 out. 2026.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Da evidência científica à prática clínica: como transformar genética em raciocínio clínico

A ciência está produzindo uma quantidade cada vez maior de informações sobre genética, epigenética, metabolismo e saúde. Todos os dias surgem novos estudos sobre variantes genéticas, risco poligênico, vias metabólicas, expressão gênica e interação entre genes e ambiente.

Para o profissional de saúde, o desafio já não é apenas encontrar informação. É saber interpretá-la e transformá-la em raciocínio clínico. É nesse ponto que a genômica aplicada começa a fazer diferença.

Saber que existe um SNP não significa saber o que fazer com ele

Imagine encontrar em um teste genético uma variante associada ao metabolismo de determinado nutriente.

  • O que essa informação realmente significa?

  • Qual é a força da evidência?

  • A variante está associada a uma alteração funcional?

  • O efeito é clinicamente relevante?

  • A pessoa apresenta outros fatores que modificam esse risco?

  • Existe uma intervenção nutricional ou comportamental respaldada por evidências?

  • E, principalmente: essa informação muda a conduta clínica?

Interpretar genética exige muito mais do que consultar uma tabela de variantes. É necessário compreender a relação entre variante genética, gene, proteína, via metabólica, fisiologia e fenótipo.

É aqui que a Genômica Visual entra

Uma das maiores dificuldades para quem começa a estudar genômica é visualizar como todas essas informações se conectam.

Gene | Variante | Proteína | Enzima |Via metabólica | Nutriente | Metabólito | Sinalização celular | Fenótipo

Quando essas informações são estudadas de forma fragmentada, a genética pode parecer uma enorme lista de siglas e códigos. Quando conseguimos visualizar as conexões, o raciocínio muda. A genética deixa de ser apenas um resultado de laboratório e passa a fazer parte de um mapa biológico que ajuda a formular hipóteses clínicas.

Genômica Visual não é decorar SNPs

O objetivo não é memorizar centenas de variantes. É aprender a pensar. Em vez de: “O paciente tem o SNP X. Qual suplemento devo prescrever?”, o raciocínio passa a ser:

  • “Qual função biológica está envolvida?”

  • “Qual é o impacto funcional dessa variante?”

  • “Que outros fatores podem aumentar ou reduzir esse efeito?”

  • “Quais dados clínicos e laboratoriais podem confirmar ou contradizer essa hipótese?”

  • “Existe evidência suficiente para justificar uma intervenção?”

Esse processo é muito mais próximo do raciocínio clínico do que de uma simples interpretação de genótipo.

Da variante ao fenótipo

Na prática clínica, o fenótipo não é determinado por um único gene. O que observamos é resultado da interação de múltiplas camadas:

Genética + epigenética + alimentação + metabolismo + microbiota + sono + atividade física + estresse + exposições ambientais + contexto clínico.

A genética pode indicar uma predisposição. Mas predisposição não é destino. Da mesma forma, encontrar uma variante associada a determinado desfecho não significa que aquele desfecho necessariamente ocorrerá. É por isso que a interpretação precisa ser contextualizada.

Por que profissionais de saúde precisam aprender esse raciocínio?

Porque a genômica já está entrando na prática clínica. Testes genéticos estão mais acessíveis, pacientes chegam às consultas com relatórios de DNA e a quantidade de informação disponível sobre genética humana cresce rapidamente. O profissional pode simplesmente entregar uma interpretação baseada em listas prontas. Ou pode desenvolver competência para avaliar criticamente essas informações.

Isso exige compreender conceitos como:

• variantes genéticas e seus efeitos
• expressão gênica
• vias metabólicas
• interação gene-nutriente
• nutrigenética
• nutrigenômica
• epigenética
• risco poligênico
• penetrância e expressividade
• evidência científica
• limitações dos testes genéticos
• relação entre genótipo e fenótipo

Mais importante ainda: exige aprender a conectar esses conceitos.

A proposta do Genômica Visual

O curso Genômica Visual foi desenvolvido para profissionais de saúde que querem sair da interpretação fragmentada de genes e começar a enxergar a genética dentro da fisiologia humana.

A proposta é transformar conteúdos complexos em mapas visuais de raciocínio.

Em vez de estudar apenas: SNP → recomendação

você aprende a construir uma sequência muito mais consistente:

variante → função molecular → via biológica → possível impacto fisiológico → contexto clínico → evidência → estratégia individualizada.

Essa mudança de perspectiva é fundamental para quem deseja trabalhar com nutrição e saúde de precisão.

Ciência aplicada, não genética de laboratório

Você não precisa se tornar geneticista para compreender os princípios fundamentais da genômica aplicada à prática clínica. Mas precisa saber reconhecer os limites da informação genética. Nem todo SNP é clinicamente relevante. Nem toda associação é causal. Nem todo resultado de pesquisa pode ser aplicado diretamente a um paciente. E nem toda alteração genética exige uma intervenção.

O profissional de saúde que trabalha com genômica precisa justamente saber diferenciar essas situações. É isso que transforma informação genética em raciocínio clínico.

Aprender genômica é aprender a conectar pontos

O futuro da saúde de precisão não está apenas em gerar mais dados. Está em conseguir interpretar melhor os dados que já temos. Quanto mais informações chegam à prática clínica, maior é a necessidade de profissionais capazes de integrar ciência, fisiologia e individualidade.

O Genômica Visual foi criado para ensinar exatamente esse caminho.

  1. Do gene ao metabolismo.

  2. Do metabolismo ao fenótipo.

  3. Do conhecimento científico ao raciocínio clínico.

Se você é nutricionista, médico, psicólogo, biomédico, farmacêutico ou outro profissional da saúde e quer compreender a genômica de forma aplicada, visual e integrada, conheça o curso Genômica Visual.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/