Melhores suplementos no tratamento da psoríase

Vários estudos exploraram o papel dos suplementos alimentares no tratamento dos sintomas da psoríase. No Brasil, cerca de 5 milhões de pessoas têm esta doença autoimune.

A psoríase tende a ser hereditária. Se alguém na sua família tem psoríase, as chances de você desenvolver a doença aumenta. Mais de 30 genes são conhecidos. Alguns deles podem desregular os sistema imune.

Entre os gatilhos estão o estresse, infecções como Streptococcus, climas frios e secos, lesões na pele, uso de lítio, álcool, tabaco, obesidade (pela inflamação), mudanças hormonais na puberdade e menopausa. Alguns suplementos podem ajudar a acalmar a situação:

Óleo de peixe e ácidos graxos ômega-3

Um estudo relatou que uma dieta com óleo de peixe melhorou as pontuações do Índice de Área e Gravidade da Psoríase (PASI) de uma linha de base de 7,7 para 5,3 em três meses e ainda mais para 2,6 em seis meses, em comparação com um grupo de controle com pontuações PASI de 8,9, 7,8 e 7,8 nos mesmos intervalos [1].

Um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo mostrou que a suplementação com óleo de ovas de arenque melhorou significativamente as pontuações PASI em pacientes com psoríase em placas ao longo de 26 semanas [2].

Probióticos

Uma meta-análise indicou que a suplementação de múltiplas cepas probióticas reduz significativamente as pontuações PASI e melhora as respostas de depuração PASI 75 (OR = 4,80, IC de 95% = 2,92-7,89) [3]. Outro ensaio clínico randomizado duplo-cego descobriu que os probióticos melhoraram os resultados clínicos e os indicadores de qualidade de vida em pacientes com psoríase em placas [4].

Um estudo de caso-controle envolvendo 198 pacientes indicou que 83,7% dos tratados com essa cepa obtiveram uma melhora de 100% em sua pontuação do Índice de Área e Gravidade da Psoríase (PASI) após 24 semanas. O tratamento foi bem tolerado, sem eventos adversos relatados [10].

Um ensaio clínico randomizado e controlado demonstrou que uma mistura de cepas probióticas levou a uma redução significativa na gravidade da psoríase, com 66,7% dos pacientes no grupo probiótico apresentando uma redução nas pontuações do PASI de até 75% após 12 semanas [11].

A fórmula probiótica E3 foi testada em pacientes com psoríase e resultou em melhora dos sintomas gastrointestinais e da qualidade de vida, indicando um potencial benefício indireto para o tratamento da psoríase [3].

Fitoterápicos

Um estudo de caso retrospectivo na Jordânia mostrou que uma mistura de suplementos herbais tradicionais, incluindo dente-de-leão, folha de oliveira, folha de urtiga e açafrão, melhorou as pontuações PASI em pacientes com psoríase leve, moderada e grave [5].

Dunaliella bardawil, Tripterygium wilfordii, Azadirachta indica, Curcuma longa e HESA-A foram identificadas como suplementos botânicos benéficos para o tratamento da psoríase [6].

Vitamina D

Embora a suplementação oral de vitamina D não seja frequentemente utilizada em pessoas com níveis normais de vitamina D, é aconselhável para aqueles com déficit para prevenir comorbidades relacionadas à psoríase [6]. Uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados descobriu que a suplementação de vitamina D pode diminuir a gravidade da doença entre pacientes com psoríase [7].

Uma pesquisa observou que seis pacientes com psoríase moderada a grave que tomaram doses diárias de 30.000 a 60.000 UI de vitamina D3 por 2 a 6 meses apresentaram controle dos sintomas sem efeitos colaterais significativos. No entanto, é importante notar que doses tão altas devem ser administradas sob rigoroso acompanhamento médico devido ao risco de hipercalcemia (Mahtani, & Nair, 2022).​ O paciente precisa seguir uma dieta rigorosa, isenta de laticínios.

Os níveis de Paratormônio (PTH) do paciente responderam positivamente ao aumento da dosagem de vitamina D3. No primeiro caso, após a dose de carga inicial e a administração diária subsequente de vitamina D3, os níveis de Paratormônio (PTH) diminuíram de 65 pg/ml para 37,5 pg/ml, indicando uma resposta à terapia. No segundo caso, apesar dos baixos níveis iniciais de Paratormônio (PTH) de 52,2 pg/ml, um aumento na dosagem de vitamina D3 para 45.000 UI levou a uma redução adicional nos níveis de Paratormônio (PTH) para 29,6 pg/ml ao final do período de tratamento.

Os valores ideais para os níveis de paratormônio (PTH) no sangue podem variar ligeiramente dependendo do laboratório, das unidades de medida e da idade do paciente, mas em geral, os intervalos de referência para o PTH total são:

  • PTH total (paratormônio) - adultos: 10 a 65 pg/mL (picogramas por mililitro)

Vale destacar que esses valores podem variar com base no contexto clínico, como na presença de doenças renais, hipocalcemia, hipercalcemia, entre outras condições.

Selênio e zinco

A suplementação de selênio não mostrou melhora do PASI em um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo [1]. Da mesma forma, a suplementação de zinco não diferiu significativamente do placebo na melhora das pontuações do PASI [8].

Vitamina E

A maior ingestão de vitamina E foi associada a uma menor probabilidade de psoríase, sugerindo seu papel potencial no tratamento da psoríase [9].

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Referências

1) A Pona et al. Diet and psoriasis. Dermatology online journal (2019). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30865402/

2) KS Tveit et al. A Randomized, Double-blind, Placebo-controlled Clinical Study to Investigate the efficacy of Herring Roe Oil for treatment of Psoriasis. Acta dermato-venereologica (2020). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32378724/

3) Y Li et al. Probiotic Supplements Benefit Psoriasis Therapy Rather Than Affecting Disease Risk: Evidence from NHANES Machine-Learning and Meta-Analysis Study. Probiotics and antimicrobial proteins (2024). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39652292/

4) J Moludi et al. Probiotic supplementation improves clinical outcomes and quality of life indicators in patients with plaque psoriasis: A randomized double-blind clinical trial. Clinical nutrition ESPEN (2021). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34857215/

5) B Alkhatib et al. Psoriasis Management Using Herbal Supplementation: A Retrospective Clinical Case Study. Alternative therapies in health and medicine (2021). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34144535/

6) E Zuccotti et al. Nutritional strategies for psoriasis: current scientific evidence in clinical trials. European review for medical and pharmacological sciences (2018). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30556896/

7) X Theodoridis et al. Effectiveness of oral vitamin D supplementation in lessening disease severity among patients with psoriasis: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Nutrition (Burbank, Los Angeles County, Calif.) (2020). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33183899/

8) GM Fairris et al. The effect of supplementation with selenium and vitamin E in psoriasis. Annals of clinical biochemistry (1989). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/2735752/

9) B Song et al. The association of psoriasis with composite dietary antioxidant index and its components: a cross-sectional study from the National Health and Nutrition Examination Survey. Nutrition & metabolism (2024). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39334198/

10) A Zangrilli et al. Improvement of Psoriasis Using Oral Probiotic Streptococcus salivarius K-12: a Case-Control 24-Month Longitudinal Study. Probiotics and antimicrobial proteins (2022). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35419648/

11) V Navarro-López et al. Efficacy and Safety of Oral Administration of a Mixture of Probiotic Strains in Patients with Psoriasis: A Randomized Controlled Clinical Trial. Acta dermato-venereologica (2019). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31453631/

12) PLK Siu et al. A Novel Multi-Strain E3 Probiotic Formula Improved the Gastrointestinal Symptoms and Quality of Life in Chinese Psoriasis Patients. Microorganisms (2024). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38276193/

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Teoria polivagal

A Teoria Polivagal, desenvolvida por Stephen Porges, propõe que o sistema nervoso autônomo (SNA) é mais complexo do que a tradicional divisão entre simpático (luta ou fuga) e parassimpático (descanso e digestão). Em vez disso, Porges identificou diferentes ramificações do nervo vago, que desempenham papéis distintos na regulação emocional e comportamental.

Divisão do Sistema Nervoso Autônomo na Teoria Polivagal

A teoria sugere que o SNA evoluiu em três estágios:

1️⃣ Complexo Vagal Dorsal (Parassimpático Primitivo) – Resposta de Colapso

Controlado pelo complexo vagal dorsal (núcleo motor dorsal do vago). Associado a comportamentos de imobilização e conservação de energia. Predominante em répteis e ativado em situações extremas de estresse, levando a uma resposta de "desligamento", como desmaio ou congelamento.

2️⃣ Circuito Simpático – Resposta de Luta ou Fuga

Preparação para ação em situações de perigo. Aumento da frequência cardíaca, dilatação das pupilas, liberação de adrenalina.

3️⃣ Circuito Vagal Ventral (Parassimpático Evoluído) – Regulação Social e Segurança

Controlado pelo complexo vagal ventral (núcleo ambíguo do vago). Evoluiu em mamíferos para facilitar a conexão social, calma e cognição emocional. Está associado a músculos da face, ouvidos e voz, permitindo comunicação não verbal e interação social.

🔗 Relação entre os Sistemas

O simpático e os dois ramos do parassimpático (ventral e dorsal) não funcionam de forma isolada. Se o sistema simpático falha em resolver uma ameaça, o circuito vagal dorsal pode assumir e gerar um estado de "colapso". Quando nos sentimos seguros, o vagal ventral mantém o equilíbrio, promovendo relaxamento e interação social.

Implicações para Saúde Mental e Terapia

Trauma pode desativar o vagal ventral, deixando o sistema simpático ou o vagal dorsal dominantes, resultando em ansiedade crônica ou dissociação. Terapias baseadas na Teoria Polivagal, como o uso de ritmo respiratório, yoga, meditação, música e conexão social, ajudam a reativar o vagal ventral, promovendo segurança e bem-estar.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Efeito dos hormônios esteróides no cérebro da mulher

Os hormônios esteroides, como estrogênio, progesterona e andrógenos, desempenham um papel fundamental no funcionamento do cérebro feminino. Durante a menopausa, a queda desses hormônios pode impactar diversas funções neurológicas.

Principais efeitos dos hormônios esteroides no cérebro da mulher

  1. Neuroproteção e Plasticidade Cerebral

    O estrogênio promove a sobrevivência neuronal e a plasticidade sináptica, ajudando na manutenção da função cognitiva e da memória. Atua na modulação da expressão de fatores neurotróficos, como o BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor), essencial para a regeneração e crescimento neuronal.

  2. Regulação do Humor e Emoções

    O estrogênio e a progesterona influenciam neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, regulando o humor e reduzindo o risco de depressão e ansiedade. Com a menopausa, a queda desses hormônios pode contribuir para sintomas como irritabilidade, depressão e alterações emocionais.

  3. Termorregulação e Sintomas Vasomotores

    O estrogênio participa da regulação da temperatura corporal no hipotálamo. Sua redução leva a ondas de calor e suores noturnos, sintomas comuns da menopausa.

  4. Efeito na Inflamação e Estresse Oxidativo

    O estrogênio tem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, ajudando a proteger o cérebro contra danos. Com a menopausa, há um aumento na inflamação cerebral, o que pode contribuir para doenças neurodegenerativas.

  5. Função Cognitiva e Memória

    O estrogênio melhora a função do hipocampo, região associada à memória e ao aprendizado. A menopausa pode estar associada a um declínio cognitivo leve, aumento do risco de demência e maior dificuldade de concentração.

Receptores de Estrogênio (ERs):

Existem dois tipos principais: ERα e ERβ. Localizam-se no núcleo celular (modulação da expressão gênica) e na membrana celular (vias de sinalização rápidas).

Efeitos variam conforme a região cerebral, o tipo de receptor e a concentração do hormônio, podendo ter efeitos excitatórios (aumento da excitabilidade neuronal, neurotransmissão excitatória) e relaxantes (neurotransmissão inibitória, redução da ansiedade).

Receptores de Progesterona (PRs):

Também presentes em várias regiões do cérebro. A progesterona pode modular a excitabilidade neuronal e a neurotransmissão.

Em geral, a progesterona tende a ter efeitos inibitórios ou moduladores, por exemplo, ela tem um efeito calmante no sistema nervoso central. A progesterona pode modular a função dos receptores GABAérgicos, que são inibitórios. A progesterona tem efeitos neuroprotetores.

A reposição hormonal, quando possível, é muito bem-vinda para uma boa memória ao longo da vida. Quando a reposição não é possível suplementos podem ser usados, incluindo:

Suplementos que mimetizam os efeitos do estrogênio

Algumas substâncias conhecidas como fitoestrógenos possuem estrutura semelhante ao estrogênio e podem oferecer benefícios:

  1. Isoflavonas de Soja

    • Fitoestrógenos que podem aliviar sintomas da menopausa, como ondas de calor.

  2. Cimicifuga racemosa (Black Cohosh - Erva-de-São-Cristóvão)

    • Reduz sintomas como suores noturnos e ressecamento vaginal.

  3. Trifolium pratense (Trevo-vermelho)

    • Rico em isoflavonas, pode ajudar na saúde óssea e sintomas da menopausa.

  4. Semente de Linhaça

    • Contém lignanas, que possuem ação estrogênica suave.

  5. Maca Peruana

    • Ajuda no equilíbrio hormonal e melhora a energia e libido.

  6. Dong Quai (Angelica sinensis)

    • Usada na medicina tradicional chinesa para equilibrar os hormônios femininos.

Suplementos que mimetizam os efeitos da progesterona

A progesterona natural é difícil de substituir completamente, mas algumas substâncias podem estimular efeitos parecidos:

  1. Vitex agnus-castus (Árvore-do-casto ou Agnocasto)

    • Estimula a produção natural de progesterona.

    • Ajuda na regulação do ciclo menstrual e sintomas da TPM.

  2. Diosgenina (presente no Inhame Selvagem - Wild Yam)

    • Algumas fontes sugerem que pode ser convertida em progesterona pelo organismo, mas isso ainda é debatido.

  3. Magnésio

    • Essencial para a produção de progesterona.

    • Reduz sintomas como irritabilidade e insônia.

  4. Vitamina B6

    • Auxilia na produção de progesterona e na regulação do humor.

Outros nutrientes importantes

Além dos fito-hormônios, alguns nutrientes auxiliam na regulação hormonal e minimizam sintomas da deficiência de estrogênio e progesterona:
Ômega-3 – Reduz inflamação e melhora o humor.
Vitamina D – Essencial para a saúde óssea e imunidade.
Cálcio e Magnésio – Previnem osteoporose e regulam o sistema nervoso.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/