A goma de guar parcialmente hidrolisada (PHGG) é uma fibra solúvel obtida a partir do grão de guar. Trata-se de uma fibra formadora de gel, mas com uma característica importante. Ela passa por um processo chamado hidrólise, que quebra suas cadeias em partes menores. Isso a torna mais fácil de dissolver em água, menos viscosa e geralmente melhor tolerada pelo intestino do que a goma de guar tradicional.
No organismo, o PHGG chega praticamente intacto ao intestino grosso. Ali começa a ser fermentado pelas bactérias da microbiota intestinal. Esse processo acontece de forma lenta, o que é positivo. Fermentações muito rápidas costumam gerar excesso de gases e desconforto. Como a fermentação do PHGG é gradual, ele tende a ser melhor tolerado.
Por esse motivo, o PHGG é considerado prebiótico. Isso significa que ele funciona como alimento para bactérias intestinais benéficas. Ao estimular essas bactérias, pode ajudar a melhorar o equilíbrio da microbiota.
Outro ponto interessante é que o PHGG tem baixo teor de FODMAPs. FODMAPs são carboidratos fermentáveis que podem causar distensão abdominal e gases em pessoas sensíveis, especialmente em casos de síndrome do intestino irritável. Por ter baixo FODMAP, o PHGG costuma ser uma opção de fibra mais segura para quem tem sensibilidade digestiva.
Um estudo japonês recente avaliou justamente os efeitos do PHGG em pessoas com sintomas de prisão de ventre. Participaram 51 adultos saudáveis com constipação, que foram divididos em três grupos. Durante oito semanas, um grupo consumiu 3 g de PHGG por dia, outro 5 g por dia, e o terceiro recebeu placebo.
Os resultados foram interessantes. O grupo que consumiu 5 g por dia apresentou melhora significativa em vários aspectos:
aumento da frequência de evacuações
melhora da sensação de evacuação completa
maior regularidade intestinal
Essas melhorias foram observadas ao comparar os resultados após oito semanas com o início do estudo e também quando comparados ao grupo placebo.
Além disso, ocorreram mudanças na microbiota intestinal. No grupo que consumiu 5 g por dia houve aumento da bactéria Bacteroides, conhecida por produzir ácidos orgânicos benéficos para o intestino. Ao mesmo tempo, dois tipos de bactérias potencialmente prejudiciais diminuíram após quatro semanas.
Os autores sugerem que essa combinação de efeitos pode explicar a melhora da constipação. Ou seja, o PHGG parece atuar de duas formas ao mesmo tempo. Primeiro, aumentando o volume e a qualidade das fezes. Segundo, modulando a microbiota intestinal.
Mesmo assim, é importante lembrar que este foi um estudo relativamente pequeno. Os próprios pesquisadores destacam que estudos maiores ainda são necessários para entender melhor os efeitos do PHGG na saúde intestinal.
Seria particularmente interessante ver mais pesquisas envolvendo pessoas com síndrome do intestino irritável, já que muitas delas têm dificuldade em tolerar fibras tradicionais.
Além do PHGG, outros prebióticos também têm sido estudados para modular a microbiota. Um exemplo são os XOS (xilo-oligossacarídeos). Esses compostos são utilizados em doses muito pequenas e demonstram capacidade de estimular o crescimento de bactérias benéficas no intestino.
Na prática clínica, fibras como PHGG e XOS representam uma estratégia interessante para melhorar a função intestinal sem provocar grande desconforto digestivo. Especialmente em pessoas com constipação, distensão abdominal ou microbiota intestinal desequilibrada.
Referência
Abe A, Morishima S, Kapoor MP et al. Partially hydrolyzed guar gum is associated with improvement in gut health, sleep, and motivation among healthy subjects. Journal of Clinical Biochemistry and Nutrition. 2023.


