TDAH e suplementação

A Desordem de Hiperatividade e Déficit de Atenção (TDAH) é uma desordem de neurodesenvolvimento caracterizadas por sintomas de hiperatividade, falta de atenção e impulsividade. O tratamento mais eficaz para o TDAH inclui terapias variadas, como atividade física, terapia psicológica,  alimentação saudável + suplementação e, frequentemente, uso de medicamentos como o metilfenidato.

Dentre os suplementos atualmente pesquisados estâo: picnogenol, valeriana, bacopa monieri, ginseng, nindong, hiperico, maracujá, rhodiola rosea, além de vitaminas e minerais. Entre os fitoterápicos está o picnogenol, que parece aumentar a produção de óxido nítrico, modulando a liberação de neurotransmissores, como a dopamina e a norepinefrina. A valerina é uma planta com efeitos sedativos, podendo ser utilizada para o controle de ansiedade e inquietação. O Ácido Valerênico presente na planta aumenta os receptores de GABA, neurotransmissore com efeito calmante. A bacopa monieri é outra planta muito utilizada para controle da impulsividade e melhoria do aprendizado. Também tem ação antioxidante, além de regular a ação da dopamina (Ahn et al., 2016).

O ginseng é outro fitoquímico bastante estudado, por sua ação neuroprotetora e antioxidante. Estudos realizados em crianças e adolescentes de 6 a 15 anos demonstraram melhoria da atenção e da função cognitiva com o uso de cerca de 1.000 mg de Panax Ginseng, 2 vezes ao dia. Já o hipérico (Hipericum perforatum ou erva de são João) e a Rhodioloa Rosea possuem propriedades antidepressivas. O extrato de flor de maracujá tem efeitos calmantes, com poucos efeitos colaterais, na dose de 0,04 mg/Kg/dia. Para melhores resultados deve ser administrado por pelo menos 8 semanas, duas vezes ao dia.

Toda suplementação deve ser realizada com acompanhamento de nutricionista e também informada ao médico que acompanha o paciente em seu tratamento.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Alternativas ao uso do GABA (inclusive no autismo)

Se você já ingeriu bebidas alcoólicas e ficou desinibido entenderá bem a importância do ácido gama-aminobutírico (GABA). Este é o principal neurotransmissor inibidor no sistema nervoso central, regulando a excitação nervosa e diminuindo comportamentos agressivos ou impulsivos. Quando as moléculas de álcool ligam-se aos receptores de GABA, impedem sua ação. À medida que mais álcool liga-se aos receptores de GABA o efeito inibitório aumenta e aparecem sintomas como lentidão, sedação, descoordenação motora e redução da habilidade cognitiva. O GABA não tem um efeito tão pronunciado.

Pessoas deficientes em GABA são propensas a problemas neurológicos de excesso de excitabilidade: convulsões, agitação, irritabilidade e ansiedade, questões comuns no transtorno do espectro do autismo (TEA). A suplementação de GABA vem sendo então recomendada há muito tempo como medida para alívio de quadros de ansiedade, depressão ou na tentativa de tratar sintomas no TEA. Porém, os resultados dos estudos são muitas vezes contraditórios e variam amplamente em seus métodos empregados. Alguns deles mostram que o GABA suplementado não chega ao cérebro, pois não atravessa a barreira hematoencefálica. Outros pesquisadores discordam. Consequentemente, pesquisas futuras ainda precisarão estabelecer os efeitos da administração oral de GABA nos níveis de GABA no cérebro humano, usando outros métodos como, por exemplo, a ressonância magnética.

Drogas ansiolíticas, como os benzodiazepínicos, aumentam a concentração de GABA na fenda sináptica dos neurônios, diminuindo sintomas de agitação aguda, ansiedade e automutilação. Contudo, os benzodiazepínicos oferecem riscos variados com o uso maior que 4 a 6 semanas. Estes incluem dependência, tolerância (param de funcionar), síndrome de abstinência, dificuldade de concentração, fraqueza, náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia, dores articulares e torácicas, incontinência urinária, desequilíbrio, pesadelos, taquicardia, alucinações, hostilidade e alteração do comportamento. A eficácia dos benzodiazepínicos também vem sendo frequentemente questionada (BVS, 2016).

Existem algumas evidências a favor de um efeito calmante dos suplementos alimentares de GABA mas a maior parte destas conclusões foi relatada por pesquisadores com um potencial conflito de interesse com a indústria farmacêutica. Hoje, acredita-se que o possível benefício de suplementos de GABA dê-se muito mais por ação no sistema nervoso intestinal (Boonstra et al., 2015).

Como alternativas à suplementação de GABA sugere-se a suplementação da vitamina B6 (piridoxina), essencial à produção de GABA no cérebro. Um dos desafios no autismo, entretanto, é que pode haver um baixo funcionamento dos receptores para GABA (Fatemi et al., 2014). Assim, mesmo que o GABA suplementado chegasse ao cérebro ou que o GABA fosse produzido naturalmente pelo corpo, haveria uma dificuldade de ligação do neurotransmissor ao seu sítio de ação. Neste caso, a vitamina B6 ainda seria interessante? Sim, uma vez que a piridoxina é também importante para a síntese de outros neurotransmissores como serotonina, dopamina e aminoácidos como glicina e d-serina.

Em virtude dos desafios fisiológicos e químicos observados no autismo uma outra alternativa é o aumento do ácido butírico no corpo. Esta estratégia parece ser bastante eficaz em substituição ao GABA, ao mesmo tempo em que possui um maior potencial de ação. O ácido butírico (ou butirato) tem o potencial de tratar múltiplas dimensões do autismo ao mesmo tempo, mas não apresenta as principais desvantagens do GABA. Apesar dos nomes serem parecidos: ácido butírico e ácido gama-aminobutírico (GABA), estes compostos diferentes quimicamente. Produzido no intestino pelas bactérias probióticas, a partir da fermentação das fibras, o ácido butírico é usado pelo corpo para alimentar a microbiota intestinal útil e sinalizar o sistema imunológico, reduzindo a inflamação.

Pesquisadores descobriram que os pacientes com TEA geralmente apresentam concentrações marcadamente mais baixas de ácido butírico em seus intestinos do que os encontrados em pacientes saudáveis. Isso pode ser um dos fatores a contribuir para a inflamação gastrointestinal consistente dos pacientes com TEA. Desta forma, a suplementação de bactérias probióticas e fibras é uma necessidade. A suplementação de fibras prebióticas também pode ser necessária para aumento da produção de butirato. Os efeitos principais esperados são redução da inflamação intestinal e a melhoria dos sintomas comportamentais. O raciocínio é que, ao inibir os glóbulos brancos do trato gastrointestinal (que estão causando inflamação excessiva), o eixo intestino-cérebro da pessoa com TEA será menos estimulado, aliviando agitação, comportamentos autolesivos e ansiedade.

Existem hoje também suplementos de butirato e a razão para o uso é bastante atraente: ao contrário do GABA, o ácido butírico pode cruzar com segurança a barreira hematoencefálica (Tsuji, 2005). Uma vez no cérebro, os efeitos do ácido butírico podem incluir melhoria da atenção, inibição dos tiques motores e melhor regulação emocional, pela redução da inflamação no tecido nervoso. Porém, atualmente os estudos divulgados com suplementos com ácido butírico foram feitos em camundongos, com ótimos resultados (Kim et al., 2014). Ensaios clínicos em humanos estão em andamento, e em breve os pesquisadores devem ser capazes de mostrar dados semelhantes.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Metabolismo da serotonina no autismo

A incidência de autismo continua a aumentar no mundo a taxas nunca antes observadas na história. O número de pessoas diagnosticadas com autismo aumentou quase 50 vezes nos últimos 40 anos. As causas precisas para os transtornos do desenvolvimento têm sido objeto de pesquisa

Uma das teorias para o desenvolvimento do autismo é uma desregulação no metabolismo, com aumento da serotonina. A serotonina desempenha vários papéis biológicos importantes como transmissão de impulsos nervosos, relaxamento muscular e controle do ritmo circadiano. Porém, em excesso, parece contribuir para maior ansiedade e transtornos do neurodesenvolvimento. O aumento da serotonina pode ocorrer por aumento na produção pelas células intestinais, menor degradação ou maior liberação. Questões genéticas e contato com toxinas ambientais podem estar envolvidas nesta desregulação (Mulle et al., 2016)

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Pessoas com muitas alergias podem ter aumento na concentração de triptofano, precursor da serotonina (Gostner et al., 2016). A literatura científica mostra uma maior incidência de alergias e intolerâncias no espectro do autismo, o que pode estar contribuindo para a desregulação no metabolismo do triptofano e da serotonina (Miyazaki et al., 2015). Dietas de eliminação vem sendo testadas ao longo dos anos para alívio de sintomas relatados pelas famílias de pessoas com transtornos do espectro do autismo. Contudo ainda existem poucos estudos aleatorizados de qualidade e muitas questões ainda são debatidas (Ly et al., 2017).

Contudo, existem evidências de função imune e digestiva intestinal prejudicada e de que os altos níveis de peptídeos dietéticos circulantes, a presença de auto-anticorpos, o aumento dos níveis de metabólitos putrefativos, a alta prevalência de espécies clostridiais e altas taxas de Firmicutes para Bacteroidetes relacionam-se à disbiose intestinal, exacerbando os sintomas gastrointestinais e do próprio autismo. A disbiose microbiana pode promover ainda mais a ativação inadequada do sistema imunológico, levando a um ciclo vicioso de disbiose, inflamação e danos adicionais ao tecido e função gastrointestinal. O futuro das pesquisas na área contempla o desenvolvimento de tecnologias da peptidômica e a aplicação de biomarcadores para digestão de proteínas (incluindo metabolômica, sequenciamento microbiano e monitoramento de proteínas inflamatórias multiplexadas) (Sanctuary et al., 2018). Enquanto isso as famílias devem decidir pela exclusão ou não de determinados alimentos na dieta com base em testes de eliminação e reintrodução. Discuto mais sobre o tema nos cursos online:

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TDAH - tratamento sem medicação

Tem gente viciada em chiclete. Aliás, você está mastigando um enquanto lê este texto? Algumas pessoas usam as gomas de mascar para limpar a boca após as refeiçóes, para aumentar a produção de saliva, reduzindo o risco de gengivite.

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Alguns pesquisadores sugerem que mascar chicletes aumenta o fluxo sanguíneo na região e também no cérebro. Quando surgem estudos como estes muitos pais empolgam-se. Seria o chiclete eficiente para o controle da hiperatividade no Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDHA)? Infelizmente, um estudo mostrou que a goma de mascar teve um impacto negativo na vigilância em crianças com TDAH e também não melhorou os níveis de atenção (Tucha et al., 2010).

É claro, as pessoas são muito diferentes uma das outras e individualização é tudo. Um dos importantes aspectos do tratamento do TDAH é a redução da ansiedade. E, para algumas pessoas, mascar gomas pode reduzir a ansiedade e o estresse. Isso é muito importante. Sem reduz o estresse muitas crianças podem ser medicadas desnecessariamente, por exemplo com a Ritalina. Contudo, a ritalina não trata as causas da irritabilidade, da ansiedade, da hiperatividade, do déficit de atenção - trata sintomas, como a maior parte dos medicamentos.

Aliás, veja o que está escrito na bula do medicamento: “o mecanismo de ação da ritalina ainda não foi completamente ilucidado, mas acredita-se que o seu efeito estimulante é devido a uma estimulação cortical e possivelmente uma estimulação do sistema reticular. O mecanismo pelo qual ele exerce seus efeitos psíquicos e comportamentais em crianças não etá claramente estabelecido, nem há evidência conclusiva que demonstre como esses efeitos se relacionam com a condição do sistema nervoso central”.

Para o psicólogo Leonardo Mascaro, autor do livro “Saúde mental sem medicamentos para leigos”, o uso de medicamentos em crianças tem sido feito de forma indiscriminada e irresponsável e os desdobramentos são extremamente sérios, como desenvolvimento de bipolaridade pelo uso crônico, desde cedo. A ritalina induz alterações moleculares na membrana dos neurônios. Ao bloquear em cerca de 70% a ação das moléculas que removem a dopamina da fenda sináptica, o medicamento aumenta o neurotransmissor artificialmente por horas. Ao fazê-lo o cérebro adapta-se e deixa de produzir o neurotramsissor espontanemante. Como um efeito dominó, há uma redução no número de receptores para dopamina, o que agrava o quadro, além de criar a dependência do medicamento.

Além disso, não é porque uma criança não presta atenção que tem TDAH, necessariamente. Pode ser só ansiedade mesmo. Psicoterapia, atividade física e tempo de qualidade com a família serão muito mais interessantes e eficazes. Mas, mesmo que seja o caso de TDAH, o medicamento não é a única solução. Existem outras intervenções cabíveis e validadas como o neurofeedback. Mas, relembrando: cada paciente é absolutamente único e seu tratamento também deve ser. Pode inclusive, ser necessário o uso de medicamentos, mas antes, o diagnóstico correto é essencial. Consulte um bom neuropediatra e, caso necessário, peça uma segunda opinião.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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