Café e performance

O café é uma das bebidas mais apreciadas no mundo. Um de seus compostos ativos, a cafeína, é também bastante pesquisada na área esportiva e da estética. Isto porque a mesma acelera o metabolismo, quebra a gordura e facilita a produção de energia na forma de ATP.

O café, quando consumido com moderação (até 4 xícaras por dia) por indivíduos habituados e tolerantes à cafeína, não faz mal. Pelo contrário, ajuda a reduzir a fadiga por seu efeito estimulante.

Devemos, entretanto, ter cuidado com suplementos de cafeína pois podem viciar receptores e gerar sintomas desconfortáveis como irritabilidade, tremores, dores de cabeça. O consumo exagerado de cafeína (mais de 500 miligramas ao dia ou, aproximadamente, 5 xícaras de café) pode provocar um efeito diurético e aumentar o risco de desidratação. Neste caso, a performance esportiva pode piorar ao invés de melhorar.

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Então café vicia?

A cafeína produz aumento de dopamina, neurotransmissor que ajuda a controlar o movimento, a motivação e as emoções. O aumento da dopamina faz a pessoa ficar mais alerta e empolgada. Vários medicamentos e drogas aumentam dopamina como metanfetamina, MDMA (ecstasy ou Molly). Contudo, a elevação de dopamina por estas substâncias é muito superior à que acontece após o consumo de alimentos contendo cafeína.

Quem toma café demais pode ter sintomas de abstinência, como irritabilidade, cansaço e dores de cabeça. Mas é diferente dos sintomas de abstinência de outras drogas. A definição de vício de muitos órgãos é uso descontrolado (ou “compulsivo”) de uma substância, mesmo quando ela causa consequências negativas para a pessoa que a usa.

Portanto, muitos médicos não concordam que a cafeína vicie pois não causa a mesma gravidade na privação. Defendem que uma pessoa que adora beber café pode passar sem ele, lidar com as dores de cabeça e irritabilidade resultantes e não se envolver em comportamento destrutivo (ou autodestrutivo). Muita cafeína - como qualquer coisa - ainda pode ser prejudicial. Por isso, avalie se vale a pena para você tomar tanto café.

Confira também o vídeo “O café aumenta ou diminui a produtividade no trabalho?". Clique para assistir:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Atividade física e alimentação saudável durante o tratamento da leucemia

O termo leucemia vem das palavras gregas para "branco" (leukos) e "sangue" (haima). A leucemia é um câncer das células brancas do sangue e da medula óssea. Ao contrário de outros tipos de câncer, a leucemia não produz uma massa (tumor), mas gera uma produção exagerada de glóbulos brancos (leucócitos) anormais.

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Este tipo de câncer começa nas células imaturas ou em desenvolvimento da medula óssea, o tecido macio e esponjoso encontrado nas cavidades centrais dos ossos. A medula óssea produz todos os tipos de células do sangue: glóbulos vermelhos que transportam oxigênio; glóbulos brancos que combatem infecções; e plaquetas que ajudam a coagular o sangue para não sangrarmos quando temos um corte ou ferida. 

Bilhões de novas células sanguíneas são produzidas na medula óssea todos os dias, proporcionando ao corpo um suprimento constante de material saudável e fresco. Porém, em uma pessoa com leucemia, muitos dos glóbulos brancos produzidos na medula óssea não amadurecem normalmente. Essas células anormais são incapazes de combater a infecção da mesma forma que as células brancas saudáveis. O pior: à medida que crescem em número, as células leucêmicas também interferem na produção de outras células sanguíneas.

Quão comum é a leucemia?

Algumas pessoas pensam que a leucemia é uma doença de crianças, mas na verdade afeta muito mais adultos. De fato, a frequência da doença aumenta com a idade. Também é mais comum em pessoas brancas e afeta mais homens (60%) do que em mulheres (40%). No Brasil, quase 11.000 novos casos são diagnosticados a cada ano.

Quais são os tipos de leucemia?

A leucemia é classificada pelo tipo específico de célula branca envolvida. Os glóbulos brancos incluem neutrófilos e monócitos, que ingerem e matam bactérias e outros germes; eosinófilos e basófilos, que estão envolvidos em reações alérgicas; e linfócitos, que desempenham um papel fundamental na defesa do nosso corpo.

Além disso, existe a leucemia mielogênica (que começa na medula óssea) e a leucemia linfocítica (que começa nos vasos linfáticos). Cada tipo tem uma forma aguda (progredindo rapidamente) e crônica (progredindo lentamente). A leucemia aguda afeta principalmente células imaturas ou não totalmente desenvolvidas, impedindo-as de amadurecer e funcionar normalmente. Já a leucemia crônica desenvolve-se mais lentamente, de modo que o corpo ainda tem um número de células saudáveis ​​disponíveis para combater a infecção. As 4 principais formas de leucemia são, então:

  • Leucemia Linfocítica Aguda (LLA)

  • Leucemia Linfocítica Crônica (LLC)

  • Leucemia mielogênica aguda (LMA)

  • Leucemia mielóide crônica (LMC)

Quais fatores aumentam o risco de desenvolvimento de leucemia?

A leucemia pode começar quando o DNA de uma única célula na medula óssea é danificado. Esta mutação altera a capacidade da célula de se desenvolver e funcionar normalmente. Além disso, todas as células que surgem a partir da divisão desta célula inicial danificada também terão a mutação do material genético. 

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Doses muito altas de radiação, exposição ao benzeno (presente na gasolina e  usado na indústria química) e exposição a certas drogas quimioterápicas para tratamento anterior de outros tipos de câncer podem aumentar o risco de desenvolver LLA, AML ou LMC. Pessoas com certas alterações nos cromossomos, como a síndrome de Down desenvolvem mais frequentemente LMA.

Fumar também parece aumentar o risco de leucemia. Em geral, ouvimos a ligação entre o tabagismo com com câncer de pulmão, boca e esôfago. No entanto, as substâncias causadoras de câncer encontradas no tabaco podem entrar na corrente sanguínea e afetar a medula. Existem ainda algumas mutações genéticas que podem aumentar o risco de leucemia. Estas incluem alterações em genes presentes nos cromossomos 5 (DDX41), 19 (CEBPA) e 21 (RUNX1).

Quais são os sintomas da leucemia?

Em muitos casos, as pessoas nos estágios iniciais da leucemia não apresentam sintomas evidentes. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

- Anemia: é causada pela redução no número de células vermelhas (hemácias) no sangue. Com isso, a capacidade de entrega de oxigênio aos órgãos e músculos cai. Uma pessoa com anemia pode ter uma aparência pálida, cansar-se facilmente, sentir falta de ar e queixar-se de ter pouca energia. 

A fadiga crônica deixa a pessoa física, mental e emocionalmente exausta - o que pode interferir nas atividades diárias e treinos. Como o corpo tem dificuldade para combater infecções podem surgir feridas na pele, o que pode drenar ainda mais a energia do corpo.

- Hematomas ou sangramentos frequentes: pessoas com leucemia podem ter mais sangramentos nas gengivas e narinas. Também podem encontrar sangue nas fezes ou na urina. Manchas rochas e vermelhas na pele também aparecem mais frequentemente, após qualquer tropeço ou pequena colisão. Isto acontece pois os vasos tendem a rompem-se com maior facilidade na leucemia.

- Infecções repetidas: como a leucemia afeta as células que combatem bactérias, vírus e outros micróbios, dores de garganta, pneumonia e sintomas variados como dores de cabeça, febre baixa, feridas na boca ou erupção cutânea são mais frequentes.

Leucemia não é sentença de morte

A evolução das terapêuticas revolucionou o tratamento, que varia de acordo com o tipo de leucemia. Pessoas com leucemia aguda precisarão ser tratadas imediatamente com quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e/ou transplante de medula óssea. A leucemia aguda pode ser curada, principalmente se o tratamento é rápido. Dependendo da fase do tratamento a atividade física pode ser recomendada para melhoria da coordenação motora, alívio do estresse, ampliação da capacidade respiratória, redução da perda de massa magra e força muscular.

Na leucemia crônica sem sintomas não há necessidade de tratamento imediato; apenas acompanhamento. Apesar de a leucemia crônica raramente ser curada a esperança de vida de uma pessoa que cuida da saúde costuma ser a mesma do restante da população. Estudos mostram que a atividade física é uma maneira eficaz de combater a fadiga debilitante que os pacientes com leucemia experimentam. O exercício regular também reduz o risco de depressão, aumenta a resistência cardiovascular e o tônus muscular.

Atividade física e leucemia

Com o tratamento e acompanhamento adequados pessoas com leucemia podem voltar a fazer atividade física normalmente. O exercício ajuda a tirar o foco da doença e colocá-lo na saúde e boa forma. Mas paciência é importante. Nos dias de cansaço extremo é fundamental permitir-se reduzir o ritmo. Não se preocupe com a performance, apenas vá. Ficar em casa no sofá nem sempre alivia a fadiga, que é diferente na leucemia. O cansaço normal é curado com descanso. Mas na leucemia ocorre o oposto. Por isso, calçar os sapatos e sair por aí é frequentemente o que o paciente precisará.

Por falar em calçados, lembre-se: precisam ser confortáveis. Pessoas com leucemia possuem maior dificuldade de coagulação. Calçados que machucam podem causar hematomas, dores ou mesmo perda de sangue desnecessária. Correr sem sapatos então, está fora de cogitação!

Alimentação e leucemia

A dieta é outro fator importante para sentir-se bem. Alimentos refinados, feitos de farinha branca e açúcares devem ser evitados por não possuírem fibras, vitaminas nem minerais. Frutas e verduras de baixo índice glicêmico, óleos e proteínas de boa qualidade devem ganhar maior espaço na dieta visto que ajudam a melhorar a imunidade e a reduzir o cansaço. 

Como os vasos sanguíneos são mais frágeis é importante que a dieta contribua para seu fortalecimento e flexibilidade. Alimentos de origem vegetal contém flavonóides, substâncias com estas propriedades. Dentre eles está a rutina (também conhecida como vitamina P), naturalmente presente nas maçãs, frutas cítricas, chá preto e chá verde.

Outro flavonóide conhecido por fortalecer os finíssimos vasos capilares é a hesperidina, que também é usada no tratamento de varizes e hemorróidas. Toranja, limão, laranja, brócolis e pimentões são boas fontes deste bioflavonóide.

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Frutas cítricas também são ótimas fontes de vitamina C, nutriente antioxidante que deve ser consumido junto com suplementos de rutina e hesperidina para que a absorção seja melhorada. Em geral, recomenda-se em caso de hematomas 400 mg de vitamina C com 400 mg de flavonóides. Porém, pessoas com leucemia devem antes conversar com o nutricionista e o oncologista sobre a suplementação em cápsulas.

Muitos pacientes com leucemia apresentam perda exagerada de peso. Correndo a perda de peso pode se intensificar. Por isto, o acompanhamento nutricional é muito importante. Deve-se começar o dia com um café da manhã substancial que inclua proteínas (ovos, atum, leite, iogurte, sardinha, whey protein isolado) e gorduras boas (castanhas, chia, linhaça, abacate).

Durante o dia, é importante fracionar as refeições, comendo a cada duas ou três horas. Caso necessário, suplementos protéicos ou hipercalóricos podem ser prescritos. Em casa, frutas e verduras devem ser lavadas. As carnes precisam estar bem cozidas para a prevenção de infecções intestinais. Na rua, é importante evitar alimentos crus e carnes mal passadas. Além disso, deve-se lavar bem as mãos após o uso do banheiro e antes de cada refeição.

Pessoas em tratamento quimioterápico ou em uso crônico de medicamentos podem sofrer com alterações no paladar. Algumas pacientes relatam gosto metálico quando consomem carnes ou quando usam talheres de ferro. Adaptar os utensílios e trocar alimentos funciona. Molhos prontos para saladas também devem ser substituídos por molhos caseiros acrescidos de ervas naturais que dão melhor sabor à comida. 

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Glutamina na saúde e na doença

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A glutamina é o aminoácido livre mais abundante no plasma e no tecido muscular. É classificada como um aminoácido não essencial, uma vez que pode ser produzida pelo ser humano a partir de outros aminoácidos. São várias as suas funções como a proliferação e desenvolvimento de células, o balanço ácido básico, o transporte da amônia entre os tecidos, a doação de esqueletos de carbono para a gliconeogênese, a participação no sistema antioxidante e a melhoria da imunidade.

A glutamina está presente na dieta em alimentos origem animal e vegetal. Leite, clara do ovo, carnes, feijão, lentilha, ervilha, soja, espinafre, salsa, repolho e beterraba são fontes de glutamina. Em geral, as pessoas que beneficiam-se mais de suplementos são as que possuem baixa ingestão destes alimentos. Como a quantidade de glutamina nos alimentos de origem animal é bem superior em relação aos de origem vegetal, veganos que desejam ganhar músculos podem beneficiar-se da suplementação.

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De fato, glutamina contribui com a síntese da arginina, aminoácido regulador da síntese proteica e o ganho de massa magra. Também participa da produção de óxido nítrico, um agente de sinalização com papel crucial na imunidade. Torna-se condicionalmente essencial durante determinadas doenças, quando as necessidades de glutamina superam a produção e distribuição para os tecidos que dela fazem uso.

Durante a doença, o músculo exporta grandes quantidades de glutamina para o sangue. Ao mesmo tempo, os tecidos que utilizam a glutamina (como intestino, rins e células imunológicas) aumentam a captação e metabolismo de forma acentuada.

A suplementação antes de uma cirurgia cardíaca parece reduzir complicações e danos do miocárdico (Chávez et al., 2017). A glutamina também reduz a mortalidade de pacientes hospitalizados com queimaduras graves. Quando não há possibilidade de ingestão de alimentos a suplementação enteral, por meio de sondas, pode também reduzir a incidência de infecções hospitalares e melhorar a saúde intestinal.

Alguns suplementos para discussão com o nutricionista:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/