Os transtornos do espectro autista (TEA) são desordens complexas que afetam o desenvolvimento neurológico. Sua prevalência na população vem aumentando, existindo uma série de hipóteses para o seu aparecimento. Pesquisas sugerem alterações genéticas associadas a fatores neurológicos e ambientais (como infecções, intoxicações durante o período pré-natal, exposição à agrotóxicos, prematuridade e deficiências nutricionais).
O autismo caracteriza-se pelos déficits de comunicação e interações sociais e pelos comportamentos repetitivos e interesses restritos. O tratamento multidisciplinar envolve terapias de comunicação, comportamento e linguagem, medicação, fisioterapia e modificações alimentares, com exclusão de certos grupos de alimentos e suplementação de nutrientes específicos que diminuam o risco de carências nutricionais, aumentem a proteção do sistema nervoso e reduzam a permeabilidade intestinal.
O tratamento dos TEAs é dependente de estratégias comportamentais e educacionais intensivas, iniciadas precocemente. Terapias farmacológicas (uso de medicamentos) também vem sendo estudadas, principalmente para o controle da irritabilidade.
Em relação à suplementação, o uso está focado na correção de alterações no metabolismo. O ômega-3, por exemplo, vem sendo investigado com o intuito de melhorar o funcionamento do cérebro e reduzir o déficit de linguagem. Este lipídio é composto pelos ácidos graxos eicosapentaenóico (EPA) e docosahexanóico (DHA), os quais são importantes para o desenvolvimento e função cerebral.
EPA e DHA são componentes importantes das membranas das células nervosas e fundamentais para o desenvolvimento neurológico. Crianças com autismo tendem a ter menos níveis de ômega-3 circulantes, por isto a suplementação é comum. Contudo, os estudos são controversos.