Proteína para hipertrofia

Proteínas fornecem aminoácidos, nutrientes essenciais ao ganho de massa magra. Contudo, o consumo excessivo de carboidratos não resulta em maior ganho de musculatura. Hoffman e colaboradores (2006) compararam o consumo de proteínas no ganho de força, composição corporal e alterações hormonais de atletas de futebol americano experientes em treino de musculação. Os mesmos foram divididos em 3 grupos: 

1 - Consumo mais baixo de proteína (1,0 a 1,4g de ptn/Kg/dia);

2 - Consumo médio de proteína (1,6 a 1,8 g de ptn/Kg/dia);

3 - Alto consumo de proteína (> 2,0 g de Ptn/kg/dia). 

Todos os indivíduos praticaram musculação em alta intensidade por 4 semanas. Ao final do estudo foi observado que os grupos tiveram os mesmos resultados em relação ao ganho de força, aumento da massa muscular e perda de gordura. As concentrações de testosterona, cortisol, GH e IGF-1 também não apresentaram diferença estatística entre os grupos. Ou seja, consumir mais proteína não gerou maiores benefícios.

Por outro lado, o consumo excessivo de aminoácidos como metionina, presente em grande quantidade em carnes aumenta o risco de doenças e a mortalidade (Cavuoto e Fenech, 2012López-Torres e Barja, 2008McCarty, Barroso-Aranda J, Contreras, 2008). Paoli e colaboradores (2015) trouxeram um dado novo. Dietas com mais de 1,8g de proteína por Kg de peso aumentam a produção de miostatina e esta reduz o IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina), limitando a hipertrofia. Os pesquisadores ainda estão intrigados com o resultado deste consumo crônico de proteínas e agora estudam o comportamento de moléculas sinalizadoras musculares como o mTOR e Akt.

Por horário 0,25g/Kg são mais do que suficientes (Philips, 2014). Mais do que isso não parece trazer benefícios. Ou seja, o limite fica em 20g para uma pessoa de 80kg (Atherton e Smith, 2012). O consumo de cerca de 0,25g/Kg próximo ao exercício resistido (no espaço entre 1h antes até 1h depois) aumenta a resposta anabólica. Para calcular quanta proteína você precisa ingerir em cada refeição multiplique seu peso por 0,25. Por exemplo, para uma mulher de 56 kg, multiplica-se este peso por 0,25. O resultado será 14 gramas de proteína por horário. Para saber a quantidade de proteína existente nos alimentos acesse as tabelas em anexo. Outra forma é utilizar calculadoras como o myfitness pal que está disponível em português.

Lembretes:

1. Estudos mostram que mesmo quantidades mais baixas de proteína na dieta geram hipertrofia (0,85g-1,25g/Kg), caso a dieta forneça todos os aminoácidos essenciais e também energia em quantidade adequada. 

2. Refeição com 0,25g/Kg de proteína aumentam a resposta anabólica. A refeição pode ser composta de alimentos como ovos, carnes, laticínios ou mesmo suplementos proteicos.

3. Suplementos não são necessários para a maioria das pessoas já que a dieta padrão do brasileiro já fornece ao menos 1,5g ptn/Kg. 

4. Quando busca-se o emagrecimento, sem perda de massa magra, pesquisadores como Murphy e colaboradores (2015) sugerem um consumo maior de proteínas (1,6 a 2,7g/kg/dia). Uma das explicações para a maior queima de gordura com tal prescrição é que a proteína aumenta a termogênese induzida pelo alimento. Fora isso, uma refeição com mais proteínas mantém o alimento por mais tempo no estômago, reduzindo a velocidade de absorção dos carboidratos, reduzindo a liberação de insulina, o que favorece o emagrecimento, além de promover maior saciedade.

5. Você precisa saber o que quer mas não precisa saber calcular. Não se desespere, um nutricionista fará isso por você.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Vício em comida? Existe tratamento!

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As pressões da vida fazem com que muita gente busque formas inadequadas de amenizar o estresse. Pode ser o cigarro ou a bebida para uns e a comida para outros. Você acaba de almoçar, chega no trabalho, seu chefe está irritado, o calor está grande, as demandas são enormes. O que você faz? Abre a gaveta e come balas e chocolate a tarde toda? Este (mau) hábito nem é considerado vício pela maioria das pessoas, que justificam: "eu gosto de doces, e daí? Isso não é  vício". Só que açúcar vicia sim e está associada a muitos problemas de saúde. Perceba também se você continua comendo mesmo sem fome e mesmo que sensações ruins apareçam, como dor de estômago ou gases. Ou se larga o trabalho para ir comprar guloseimas ou outros alimentos, mesmo sem fome. Ou se consome o que não deve mesmo estando com glicemia alta, colesterol alto ou outro problema de saúde.

O vício em alimentos também aumenta o risco de obesidade. O tratamento deste vício envolve aconselhamento nutricional, práticas meditativas, estímulo da produção cerebral de dopamina (hormônio do bem estar) por  meios diferentes do açúcar (como atividade física, abacate, tofu, sementes e melancia). 

Se um familiar está lutando contra o vício em alimentos ajude-o a procurar ajuda. Apesar de socialmente aceito, comer  muito não é legal pois pode resultar em uma série de outros problemas físicos (fadiga crônica, dores, doenças renais e osteoporose), psicológicos (baixa autoestima, depressão, ansiedade, tristeza, irritabilidade) e sociais (queda no rendimento no trabalho ou escola, isolamento, falta de prazer em atividades ou hobbies antes considerados interessantes). Encoraje a pessoa a buscar ajuda, dê apoio mas não julgue nem insulte. A mudança de estilo de vida e comportamentos não acontece de uma hora para outra, podendo levar de 6 meses a 2 anos.

No Brasil existem grupos de apoio anônimos em quase todos os estados. Você também pode buscar profissionais ou clínicas especializadas em sua cidade.  Também é importante reprogramar suas crenças pessoais e quanto à comida. Este curso vai te ajudar:

Trabalho com consultorias, treinamentos e cursos online. Saiba mais aqui.

Para os que desejam emagrecer sugiro a consultoria ou a combinação dos seguintes cursos: autocoaching com os cursos de reprogramação emocional e alimentação consciente.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/