A serotonina ou 5-hidroxitriptamina (5-HT) tem papéis tradicionais como um neurotransmissor chave no sistema nervoso central e como um hormônio regulador do humor, sono, apetite e ansiedade. Mas 90% da serotonina é produzida no intestino pelas células enterocromafins (EC).
Bolinhas azuis na imagem (biópsia de intestino) mostram a serotonina (Mawe, & Hoffman, 2013)
Como o 5-HT não pode atravessar facilmente a barreira hematoencefálica, os pools centrais e periféricos de 5-HT são anatomicamente separados e, como tal, agem de maneiras distintas. Fora do cérebro a serotonina é também um hormônio metabólico, contribuindo para a homeostase da glicose e adiposidade, com uma relação causal existente entre os níveis circulantes de 5-HT e doenças metabólicas. Existem muitos outros efeitos periféricos da serotonina no pâncreas, fígado, tecido adiposo, plaquetas etc (Maierean et al., 2020).
Bolinhas azuis na imagem (biópsia de intestino) mostram a serotonina (Mawe, & Hoffman, 2013)
Quase todo o 5-HT (serotonina) periférico é derivado de células enteroendócrinas especializadas, chamadas células enterocromafins (EC), localizadas ao longo do revestimento do trato gastrointestinal. As células EC são importantes células sensoriais luminais que podem detectar e responder a uma variedade de nutrientes ingeridos, bem como às substâncias produzidas pela microbiota.
A serotonina do intestino (representada na figura acima como bolinhas amarelas) pode ativar o nervo vago. Este sim está ligado ao sistema nervoso central. Assim, apesar da serotonina intestinal não chegar diretamente ao cérebro, pode inflluenciar sim sua fisiologia.
A estimulação do nervo vago é feita pelo contato com a serotonina, mas também com a respiração do yoga, com uso de lactobacillus (plantarum, reuteri), terapia neural. Dentro do nervo vago existem neurônios eferentes (que chegam do sistema nervoso central) e neurônios aferentes (que vão em direção ao sistema nervoso central). Em proporção existem mais neurônios aferentes, saindo do intestino para o cérebro (90%). Por isso, o que acontece no intestino interfere muito no sistema nervoso central.
Assim, apesar da serotonina intestinal não chegar ao cérebro, o estímulo do nervo vago leva mensagens ao sistema nervoso, ativando o núcleo do trato solitário, que proteja neurônios em direção ao locus coeruleus, que libera noradrenalina e no núcleo dorsal da rafe, ativa neurônios serotoninérgicos, que liberam serotonina.
A serotonina também cai na corrente sanguínea e entra nas plaquetas (veja a primeira imagem do texto). A serotonina nas plaquetas tem um papel importante no processo de coagulação do sangue. Quando uma lesão nos vasos sanguíneos ocorre, as plaquetas são ativadas e liberam serotonina. Essa substância ajuda a causar a vasoconstrição (contração dos vasos sanguíneos), o que diminui o fluxo sanguíneo na área da lesão e contribui para a formação de um coágulo.
Além disso, a serotonina também pode auxiliar na atração de mais plaquetas para o local da lesão, ajudando a formar um tampão plaquetário que estanca o sangramento. Em resumo, a serotonina nas plaquetas contribui para a resposta de coagulação e o controle do sangramento.
Admite-se que a serotonina do intestino não atravesse a barreira hematoencefálica (BHE). Contudo, teoriza-se de que em condições de comprometimento da BHE as plaquetas poderiam penetrar no cérebro transportando serotonina.
Em condições inflamatórias, o nível de citocinas aumenta, desregulando a BHE. Neste caso, as plaquetas poderiam cruzar a barreira comprometida secretando 5-HT, mas também fatores pró-inflamatórios, o que não seria interessante (Rust et al., 2023).
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