Apneia Obstrutiva do Sono na Síndrome de Down (trissomia do 21)

Segundo a literatura internacional, cerca de 40 a 80% dos pacientes com síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21) têm algum distúrbio do sono. Uma preocupação é a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), perturbação respiratória que interrompe o fluxo respiratório durante o sono por mais de 10 segundos e mais de 5 vezes por hora.

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Na síndrome de Down, a alta prevalência decorre de uma combinação de fatores anatômicos e funcionais, como alterações craniofaciais, tamanho da língua aumentado, hipertrofia de adenoide e amígdalas, obesidade e hipotonia da musculatura.

A consequência direta da apneia do sono é a alteração do padrão do sono, onde há uma incapacidade de se atingir as fases mais profundas e restauradoras. Como resultado, a pessoa não sente-se descansada pela manhã. Pode ter sonolência durante o dia, dores de cabeça, irritabilidade e alterações do humor. Nas situações mais graves poderá haver deterioração intelectual, da atenção, memória e raciocínio.

Os principais sintomas da SAOS são ronco, respiração bucal, movimentação intensa durante o sono, sonolência diurna, dormida em posições diferentes, além de alterações cognitivas e comportamentais como déficit de atenção e hiperatividade. A polissonografia deve ser realizada rotineiramente aos 4 anos de idade. Entretanto, caso o paciente apresente estes sintomas, o exame deve ser solicitada antes desta idade.

O tratamento da apneia é multiprofissional e varia de acordo com as causas e com a gravidade do caso. Dentre as estratégias estão: (1) tratamento da obstrução nasal; (2) resolução do refluxo gastroesofágico; (3) perda de peso, no caso dos pacientes obesos; (4) posicionamento ideal para dormir; (5) uso de prótese oral para evitar a queda da língua para trás; (6) uso de máscaras especiais que mantêm pressão positiva sobre as vias aéreas, evitando a obstrução - CPAP ou BIPAP; (7) cirurgia para remoção da amígdala e/ou adenóide.

Lembrando que além da apnéia, crianças com síndrome de Down (assim como crianças típicas) podem apresentar problemas no sono comportamentais. Pode acordar repetidas vezes, acordar cedo demais, querer dormir na cama dos pais, não querer dormir à noite, ter pesadelos. Existem também outras questões que podem afetar o sono como falta de rotina, fome noturna, excesso de consumo de alimentos à noite, carências nutricionais (que interferem na produção de hormônios como a melatonina), sonambulismo e doenças (como epilepsia).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

TPM e TDPM: causas e tratamento

A síndrome pré-menstrual (TPM) refere-se à variedade de sintomas físicos e emocionais que muitas mulheres experimentam no período que antecede o período menstrual. O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma forma mais grave de TPM, causando sofrimento psicológico intenso e até disfunção socioeconômica. Enquanto a TPM incomoda cerca de 30% das mulheres, a TDPM atinge entre 3 e 8% da população feminina adulta.

Interações complexas entre hormônios no cérebro da mulher levam aos sintomas típicos, que podem ser agravados dependendo do nível de estresse, estado psicológico, nível de saúde, composição genética, ambiente social e cultural e alimentação.

Apesar de apresentarem sintomas semelhantes à depressão (irritabilidade, tristeza, ansiedade, tensão nervosa, queda da libido, flutuações de humor etc), diferem desta, pois os sintomas melhoram assim que a mulher menstrua. Na depressão os sintomas persistem. Por isto, o diagnóstico correto é fundamental. A depressão é mais grave e o tratamento envolve psicoterapia e, muitas vezes, uso de medicação específica.

Já para TPM e TDPM o mais importante é a nutrição adequada, atividade física e relaxamento. No vídeo de hoje discuto justamente como amenizar os sintomas para um mês mais tranquilo:

As variações hormonais fazem parte do ciclo normal. Na fase folicular do ciclo há uma elevação gradual dos níveis de energia e motivação. Quando a mulher ovula o nível de estrogênio está alto, o que aumenta a libido, a confiança, a sociabilidade. Mas se a mulher estiver toda inflamada pode ficar mais ansiosa, estressada e acelerada.

Depois da menstruação os níveis de estrogênio caem e os de progesterona elevam-se. A mulher deveria ficar mais calma, tranquila, introspectiva. Ao final da fase lútea os níveis de progesterona também caem e se a mulher estiver desregulada sentem irritabiliade, raiva, enxaqueca ou mesmo com dificuldades de descansar ou dormir. Existem muitas formas de aumentarmos a resiliência hormonal da mulher e amenizar os sintomas da TPM.

Como reduzir os sintomas da TPM e TDPM?

Quatro questões são importantes para a mulher sentir-se bem:

  1. Não deixar os níveis de progesterona caírem tanto na fase lútea. A progesterona reduz a inflamação do corpo, melhora memória e imunidade. Também mantém cabelo e pele mais bonitos e luminosos. Alimentação adequada e suplementação (vitamina C, zinco, magnésio, vitamina B6) podem ajudar a melhorar a produção de progesterona. A função mitocondrial e da tireoide também são muito importantes para a produção eficiente de progesterona. Coenzima Q10, magnésio, vitaminas do complexo B, vitaminas antioxidantes, zinco, selênio, iodo, ferro, vitamina A, devem ser avaliados e considerados.

  2. Metabolizar estrogênios adequadamente. Excesso de estrogênio contribui para ganho de peso, gera ciclo menstrual irregular, dificuldade de engravidar, inchaço das mamas, irritabilidade, sintomas de TPM mais intensos, alteração do sono, maior risco de nódulos mamários e câncer de mama e de endométrio, bem como maior chance de episódios de trombose. Para regular a quantidade de estrogênios, o fígado os transformará em substâncias solúveis que serão eliminadas pela bile. Se isso não acontece a mulher pode ter também mais acne. Para isso, vários nutrientes serão necessários. Vitaminas do complexo B, aminoácidos, compostos fenólicos, vitaminas e minerais com função antioxidante, magnésio, glutationa, SAME, NAC são exemplos de compostos importantes para a destoxificação. Clorella, dente de leão são possibilidades dentro da fitoterapia.

  3. Manter intestino funcionando muito bem. Além do fígado outro órgão importante é o intestino. Dentro do intestino, os níveis de estrogênio são controlados por um grupo de bactérias intestinais chamadas estroboloma. O fígado joga os metabólitos produzidos no intestino. Mas dependendo das bactérias que estão no intestino, os estrogênios são desconjugados e voltam para a circulação, aumentando novamente desnecessariamente a concentração hormonal na corrente sanguínea. Aprenda a tratar o intestino aqui.

  4. Reduzir inflamação. Dores nas mamas, cólicas, enxaqueca estão associados a mais inflamação. Dieta antiinflamatória e suplementação adequada é muito importante para o controle destes sintomas. Suplementos também podem ajudar incluindo ômega-3, ácido gamalinolênico, curcumina. Saiba mais sobre a dieta antiinflamatória aqui.

Correção de carências nutricionais

Se você tem TPM forte todo mês, faça uma avaliação de carências nutricionais (exames bioquímicos e genéticos ajudam bastante). Se for o caso, seu nutricionista poderá prescrever, dependendo de suas necessidades cálcio, piridoxina, vitamina D, magnésio e outros nutrientes necessários à produção hormonal e de neurotransmissores, garantindo dias mais tranquilos.SUPLEMENTOS USADOS NA EUROPA PARA TRATAMENTO DA TPM

Aromaterapia ajuda muito

Óleos essenciais também podem ser utilizados no tratamento. Os mais recomendados são camomila, rosa, lavanda, jasmim, manjerona, sálvia-esclareia. Aprenda mais sobre o uso em meu curso online.

A psicoterapia também ajuda muito. Falar sobre sentimentos reduz a ansiedade e ajuda no gerenciamento da medicação. Indico a Julia Maciel, psicóloga formada pela UnB e que atende online, por videoconferência. Atividade física, meditação, acupuntura e yoga também vêm mostrado-se importantes complementos ao tratamento tradicional medicamentoso. Cuide-se!

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Derrame cerebral é a principal causa de disfagia (dificuldade para engolir) em pacientes hospitalares

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou derrame é a principal causa de disfagia em pacientes internados. A disfagia corresponde a uma dificuldade em engolir, o que significa que a pessoa demora mais tempo e precisa se esforçar mais para mover os alimentos sólidos ou líquidos desde a boca até ao estômago. A disfagia pode, por vezes, ser acompanhada de dor o que, em casos extremos, impossibilita totalmente a deglutição.

Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum nas pessoas idosas. Alguns estudos sugerem uma incidência que pode atingir os 30 a 40%. Em pacientes pós AVC pode atingir 60% ou mais. O ato de deglutição é bastante complexo e o AVC pode interferir em vários processos. Outra causa importante para disfagia é o câncer de cabeça e/ou pescoço.

Como a disfagia afeta a qualidade de vida e a integração social e aumenta a morbi-mortalidae pós AVC é necessária a implementação precoce de um plano de reabilitação. O mesmo contempla a monitorização e correção do estado nutricional, a avaliação da capacidade de deglutição, modificações de dieta (e medicação), espessamento de líquidos ou adoção da terapia nutricional enteral (entérica, em Portugal), treino para utilização de produtos de apoio, correção postural, acompanhamento da função respiratória.

A equipe de cuidados é multiprofissional. Inclui equipe médica, enfermeiros, fonoaudiólogos ou terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais e nutricionistas. A identificação, avaliação precoce (em até 4 horas) e tratamento da dificuldade de deglutição minimizam o desenvolvimento de complicações secundárias.

No caso de necessidade de terapia nutricional enteral prolongada (por mais de 3 semanas), a técnica hoje considerada padrão ouro para seu posicionamento é a gastrostomia endoscópica. No curso online Terapia nutricional enteral e parenteral nutricionistas e médicos aprendem o método de cálculo das necessidades de seus pacientes com vistas a recuperação ou manutenção do estado nutricional, melhorando a qualidade de vida e reduzindo a morbimortalidade.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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