Neuroinflamação no autismo e síndrome de Down

A inflamação crônica do cérebro está associada a várias doenças neurológicas. O envelhecimento, por si só, está associado a maior vulnerabilidade de neurônios e contribui para a neuroinflamação. A mesma parece ser um dos principais fatores de risco para doenças como Alzheimer e Parkinson (Orellana et al., 2015). 

A neuroinflamação também é comum no autismo e seu controle parece beneficiar o comportamento destes indivíduos. Um dos grandes avanços da neurociência foi a compreensão de que existe uma importante comunicação entre o sistema imune e o sistema nervoso central.

Para avaliar a neuroinflamação o tecido do cérebro (de animais) é submetido a vários tipos de análises imunohistoquímicas que avaliam marcadores de ativação da micróglia (Iba1), resposta astrocítica (GFAP), perda neuronal (NeuN or Fluorojade). Também podem ser feitas análises de citocinas inflamatórias (TNF-alfa, interleucinas, quimiocinas, TGF-beta) (Monnet-Tschudi et al., 2011).

O TNF-alfa também pode ser analisado no plasma. Apesar de ser produzido em várias células e não só no cérebro pode indicar melhorias ou pioras em relação à neuroinflamação. Alergias, intoxicações também podem aumentar o TNF-alfa os resultados devem ser analisados com cautela. A intoxicação por mercúrio, por exemplo, pode agravar a neuroinfmação e aumentar os níveis de TNF-alfa ( (Curtis et al., 2011).

A excreção de neurotransmissores também pode ser um dos parâmetros analisados durante a terapêutica. Um estudo publicado em 2017 mostrou que a suplementação de Picnogenol reduziu os níveis urinários dos neurotransmissores dopamina, norepinefrina e epinefrina em pessoas com déficit de atenção (Verlaet et al., 2017). E existem evidências de neuroinflamação nestes pacientes (Kern et al., 2015a), assim como em autistas (Kern et al., 2015b) e em indivíduos com Síndrome de Down (Wilcock & Griffin, 2013).

O picnogenol é extraído da casca do pinheiro marítimo francês. É um potente antioxidante e antiinflamatório, combatendo o estresse oxidativo em vários tecidos. Tem sido utilizado no tratamento problemas hepáticos, asma, diabetes e na melhoria da função cognitiva (Rohdewald, 2015).

Para a redução da neuroinflamação deve-se investir na redução da inflamação de todo o corpo, começando-se pelo intestino (Daulatzai, 2014). Assim, além do picnogenol, outros suplementos também vem sendo investigados, como curcumina, EGCG e probióticos.

A epigalocatequina galato (EGCG) do chá verde é outro composto bastante pesquisado para o alívio de diversas condições inflamatórias inclusive cerebrais (Peairs et al., 2010; Min et al., 2015). Devido a seu potencial neuroprotetor a suplementação de EGCG vem sendo indicada por diversos pesquisadores (De la Torre et al., 2013; De la Torre et al., 2016Singh, Mandal & Khan, 2016).

Estudos mostram que o composto ativo da cúrcuma ou açafrão da terra,  a curcumina, diminui o risco de derrame cerebral e do mal de Alzheimer (Venigalla, Gyengesi & Münch, 2015). Discuto muitas questões relacionadas à suplementação de compostos específicos no curso online. Saiba mais aqui.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

O que é que a banana tem?

A banana é uma fruta muito gostosa, quase unanimidade. Mas quais são suas propriedades? Ouça o podcast ou assista o vídeo:

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Conheça mais sobre soja, tomate, berinjela, brócolis, mel, açafrão, chá verde, maçã, mirtilo, açaí, dentre tantos outros alimentos. Conversaremos também sobre nutrientes e não nutrientes que podem ser destacados nos rótulos dos alimentos por seu potencial benefício à saúde, incluindo ácidos graxos, carotenóides, fibras e probióticos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Neuroinflamação e depressão

Existem evidências de que o estresse oxidativo elevado é uma das causas para a depressão. A neuroinflamação causada por radicais livres circulando em excesso no cérebro precisa então ser tratada. Algumas estratégias mostram-se eficazes como o maior consumo de frutas e verduras (alimentos ricos em antioxidantes), a exclusão do glúten e suplementação de probióticos para o tratamento da disbiose intestinal, a suplementação de B9, B12 e ômega-3.

Sabemos, por exemplo, que pessoas com maiores níveis de carotenóides no plasma apresentam menos sintomas depressivos do que pessoas com baixas concentrações deste pigmento encontrado em vegetais e frutas alaranjados e amarelados (Beydoun et al., 2013).

Licopeno, um dos pigmentos da família dos carotenos, encontrado em alimentos como melancia e tomates, mostra-se protetor contra sintomas depressivos (Niu et al., 2013). O interessante é que apenas os antioxidantes vindos dos alimentos parecem ter este efeito benéfico, mas não os antioxidantes das cápsulas de suplementos antioxidantes (Payne et al., 2012).

Baixos níveis de folato (vitamina B9) também associam-se a maior neuroinflamação e depressão. Vegetais verde escuros são ricos em folato. Contudo, algumas pessoas não conseguem converter o folato em sua forma ativa necessitando de suplementação de ácido folínico ou metil cobalamina afim de protegerem o cérebro (Gilbody, Lightfoot, Sheldon, 2007; Petridou et al., 2016). Falo mais sobre o tema nas aulas da plataforma https://t21.video.

A neuroinflamação também aumenta o risco de Alzheimer. Para reduzir a inflamação corporal como um todo e a do cérebro por meio da alimentação busque a orientação de um nutricionista. A psicoterapia também ajuda muito. Falar sobre sentimentos reduz a ansiedade e ajuda no gerenciamento da medicação. Indico a Julia Maciel, psicóloga formada pela UnB e que atende online, por videoconferência Atividade física, meditação, acupuntura e yoga também vêm mostrado-se importantes complementos ao tratamento tradicional medicamentoso. Cuide-se!

SUPLEMENTOS USADOS PARA TRATAMENTO DA DEPRESSÃO NA EUROPA

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/