Disfunção mitocondrial, ganho de peso, resistência à insulina e esteatose hepática

A mitocôndria é a organela responsável pela respiração celular. Em suas membranas encontram-se enzimas responsáveis pela transformação da glicose, ácidos graxos e aminoácidos em energia.  Uma alimentação saudável é fundamental para fornecer nutrientes que protegem as mitocôndrias: vitaminas do complexo B, Zn, Cu, Mn, ácidos graxos ômega-3, ácido lipóico, cisteína (NAC), lisina e metionina (L-carnitina), dentre outros.

Todas as células são afetadas pela disfunção mitocondrial, sendo que as ficam mais comprometidas são aquelas mais dependentes de energia, como o músculo cardíaco, o fígado e o tecido adiposo. As nossas células adiposas recebem mensagens do ambiente e coordenam a função das mitocôndrias, seja para estocar mais gordura, seja para queimá-las, liberando energia.

Estudo de Tormos e colaboradores (2011) confirmou que a produção de radicais livres pelas mitocôndrias leva à diferenciação adipocitária por mecanismos dependentes do mTORC-1. Assim, o consumo adequado de alimentos ricos em antioxidantes diminuiria a formação de novas células de gordura. Uma das hipóteses é que o peróxido de hidrogênio (H2O2) ativaria o fator de transcrição PPARy dando início à cascata de produção de gordura.

A produção de radicais livres de forma moderada é importante para que a célula  regule seu metabolismo, porém em excesso leva ao dano celular e mitocondrial.

Causas da produção excessiva de radicais livres, gerando dano mitocondrial incluem consumo calórico excessivo, fatores genéticos, envelhecimento, processos proinflamatórios, estresse do retículo endoplasmático, outra organela celular, envolvida por exemplo na síntese lipídica. Ao nível celular, desordens mitocondriais levam ao aumento de desordens no metabolismo de carboidratos e lipídios, o que aumenta o risco de diabetes e esteatose hepática. Os próprios radicais livres podem ainda inibir o consumo de oxigênio nos adipócitos aumentando ainda mais o acúmulo de gordura.

A prescrição cuidadosa de nutrientes antioxidantes, como vitamina E, vitamina C, N-acetilcisteína, glutationa, ácido alfa-lipóico ou coenzima Q10 podem melhorar a biogênese mitocondrial e contribuir para o tratamento do ganho de peso, da resistência à insulina e da esteatose hepática. São também benéficos durante o tratamento, a restrição calórica e a atividade física, que estimula a capacidade respiratória da mitocôndria muscular.

Referências:

Tormos, K.V. et al. (2011) Mitochondrial complex III ROS regulate adipocyte differentiation. Cell Metab. 14, 537–544

Kusminski, C.M.; Scherer, P. E. (2012). Mitochondrial dysfunction in white adipose tissue. Trends in Endocrinology and Metabolism. In Press.

Lustig (2013). Fructose: it's "alcohol without the buzz". Advances in Nutrition. Disponível em: www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3649103/

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

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Disbiose intestinal está ligada a diabetes, obesidade, dislipidemia e síndrome metabólica

Pesquisa publicada no PLOS One,  mostrou que uma flora intestinal (microbiota) desequilibrada ou disbiose intestinal é fator de risco para o desenvolvimento de obesidade, diabetes, aumento dos níveis de proteína C-reativa, glicose e colesterol e síndrome metabólica. Foram identificadas 25 espécies de bactérias mais associadas à inflamação local, fator de risco para obesidade e outras doenças crônicas (Zupancic et al., 2012). Afim de melhorar a colonização bacteriana, suplementos podem ser prescritos por um nutricionista habilitado. Converse com este profissional.

Outro estudo publicado no Indian J Endocrinol Met defende que a diabetes é uma doença predominantemente intestinal. Para Debmalya Sanyal (2013) existem evidências fortes e consistentes de que hormônios produzidos no intestino, como as incretinas possuem atividade insulinotrópica, ou seja, estimulam a liberação de insulina. Se as incretinas não são liberadas ocorre alteração na produção de energia e nos níveis de glicose no sangue. 

Alterações gastrointestinais, disbiose (desequilíbrio da microbiota bacteriana), doenças inflamatórias intestinais podem então piorar o controle glicêmico devendo ser tratadas. Tratamentos devem levar em consideração o organismo como um todo. Profissionais que só olham para o dedo do pé ou para o pâncreas ou pas o exame de sangue produzem menos resultados benéficos junto a seus clientes.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/