Alimentação saudável para reduzir o risco de diabetes

O Brasil é o segundo país em número de diabéticos no mundo, atrás apenas do México!! Os fatores de risco para o diabetes tipo 2 incluem o sedentarismo, o excesso de gordura corporal, idade maior que 45 anos, altas taxas de triglicerídeos, hipertensão e consumo elevado de álcool.

De acordo com estudo epidemiológico realizado com 300.000 pessoas, acompanhadas desde a década de 70 e publicado em 2001, a ingestão de 100 gramas de carne vermelha por dia aumenta o risco de diabetes tipo 2 em 19%. Já as carnes processadas, como salame e mortadela, foram consideradas mais prejudiciais: 50 g diários (uma salsicha) podem elevar o risco de diabetes em 51%. Uma das explicações possíveis é que o ferro-heme presente nestes alimentos causa danos às células beta do pâncreas, que produzem a insulina. Além disso, o ferro acumulado induz a hemocromatose que pode lesar o pâncreas. Os pesquisadores dizem ainda que os aditivos quimicos (especialmente os nitratos) presentes nas carnes são tóxicos para as células beta. O aumento do estresse oxidativo relacionado ao excesso de ferro, se dá em decorrência das reações de Fenton (veja artigo de 2012 clicando nos links). Além disso carnes (assim como laticínios e suplementos como BCAA a whey protein) tem um alto conteúdo de leucina, o qual contribui para um estímulo exagerado da secreção de insulina via mTORC1 e S6K1, a qual induz a resistência insulínica.

Receba a newsletter semanal. Dra. Andreia Torres é nutricionista, mestre em nutrição, doutora em psicologia clínica, especialista em yoga.

Esse estresse oxidativo agrava a resistência à insulina. É uma via de mão dupla. O diabetes também agrava o estresse oxidativo pela glicação de enzimas antioxidantes como a Zn-Cu-Superoxido Dismutase. Portanto, um estilo de vida saudável é fundamental (sono regular, alimentação balanceada, atividade física orientada).

Depender de medicamentos, por exemplo, é uma furada. O hipoglicemiante Avandia, por exemplo, aumenta o risco de DCV em até 39%. No Brasil este medicamento foi suspenso pela ANVISA mas os demais não estão livres de efeitos colaterais... E não são apenas os medicamentos os vilões. Os adoçantes entram nesta lista. O consumo de refrigerantes diet, zero, light etc aumentam o declínio renal e a albuminúria. Pro diabetico que já tem um risco aumentado de complicações renais o problema é ainda maior!

Fiquem atentos também ao uso indiscriminado de melatonina. Tudo bem, a substância é antioxidante, mas suplementação em excesso também tem sido ligada ao maior risco de DM2, em indivíduos com polimorfismos do gene MTNR1B.

E o refrigerante normal? Possui um excesso de frutose, o qual está associado à diminuição da sensibilidade à insulina. Frutose em excesso, vinda dos alimentos industrializados induz ainda à hiperuricemia e hipertensão. Veja aulinha aqui.

E os alimentos do bem, será que existem? Sim, alimentos e suplementos antidiabetogênicos incluem o açafrão, ginseng, Gymnema silvestre, romã, hesperidina, chá verde, chá preto, chá oolong, chá de folha de goiabeira, entre outros. Converse com o seu nutricionista.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Lignanas e proteção contra o câncer

As lignanas são substâncias fenólicas, não calóricas, presentes nas plantas e que conseguem se ligar aos receptores de estrógeno nas células. O estrógeno é um hormônio com função proliferativa e que, em altas quantidades, aumenta o risco de certos tipos de câncer, como o de mama. Porém, quando lignanas ligam-se a estes receptores o próprio hormônio será impossibilitado de exercer seus efeitos.

Nos seres humanos, as lignanas são metabolizadas pelas bactérias intestinais em enterolignanas e enterolactona. A enterolactona é absorvida e estudos revelam que quanto maiores são as concentrações plasmáticas menor é o risco de desenvolvimento de câncer e, em indivíduos já portadores da doença, menor é a mortalidade. O alimento mais rico em lignanas é a linhaça, seguido do gergelim e do grão de bico:

Para que a enterolactona seja bem absorvida uma flora intestinal saudável é fundamental.  Tabagismo e consumo de álcool, além de aumentarem o risco de câncer em virtude de suas substâncias tóxicas, ainda diminuem a absorção de lignanas. Por isto, para a prevenção, inclua na dieta alimentos protetores, como frutas, verduras, cereais integrais, castanhas e, obviamente, fontes de lignanas como as citadas na tabela.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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