Mercúrio e autismo: qual é a relação?

Observa-se no autismo uma maior inflamação cerebral a qual pode gerar danos neuronais. Muitos pesquisadores avaliam quais fatores geram maior neuroinflamação e comprometimento do funcionamento cerebral. Dentre os fatores ambientais suspeitos estão: chumbo, metil mercúrio, bisfenol, pesticidas organofosfatados, pesticidas organoclorados, disruptores endócrinos, fumaça de veículos automotivos, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, éteres e compostos perfluorados.

Em revisão publicada por Kern e colaboradores (2016)  74% dos 91 estudos avaliados mostraram um relacionamento entre o mercúrio e o autismo. Isto acontece pois o mercúrio gera ativação autoimune, estresse oxidativo e neuroinflamação, que por sua vez conduzem a danos no cérebro e perda de conexões entre neurônios. Parece que quanto maior é a quantidade de mercúrio circulante maior é a severidade dos sintomas observados.

Traduzido por Andreia Torres. Fonte: Kern et al., 2016

Traduzido por Andreia Torres. Fonte: Kern et al., 2016

Zinco, manganês, cobre e ferro e uma microbiota saudável ajudam a reduzir a absorção de mercúrio. Por isto, a suplementação de micronutrientes e probióticos é muitas vezes indicada para reduzir a absorção do mercúrio que, se conseguir alcançar a corrente sanguínea e os tecidos, pode levar entre 2 e 12 meses para ser completamente eliminado (Dórea et al., 2011). Vitamina E, selênio e o aminoácido cisteína reduzem a toxicidade do mercúrio e o ácido lipóico estimula o fígado a eliminar o mercúrio.

Obviamente a nutrição sozinha não é capaz de resolver todos as alterações observadas em indivíduos no espectro do autismo. De toda forma, reduzir a ativação autoimune, a produção de radicais livres e a neuroinflamação faz parte do tratamento e a alimentação adequada, associada à suplementação de nutrientes chave tem sua grande importância neste sentido.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Tecnologia dos alimentos: nanopartículas podem interferir na expressão de genes

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Nanopartículas naturais ou fabricadas podem ser incluídas em alimentos, bebidas e suplementos prolongando a vida útil do produto ou melhorando a cor, aroma ou sabor do mesmo.

O prefixo “nano” está relacionado a uma escala de medida em que um nanômetro representa um bilionésimo do metro ou um milionésimo do milímetro. Estruturas nessa escala apresentam propriedades funcionais únicas não encontradas em outras partículas.

Outros usos incluemnanopartículas lipídicas sólidas para transporte de nutrientes, emulsificação de lipídios, encapsulamento de micronutrientes ou para a embalagem dos alimentos.

Nanocápsulas são compostas por um invólucro que guardará um composto ativo, protegendo-o contra fatores ambientais adversos. Apesar de existirem inúmeras oportunidades a serem exploradas, como a elaboração de alimentos com características funcionais também há preocupação com os efeitos adversos das nanopartículas.

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Algumas nanopartículas podem interagir com organelas como as mitocôndrias e com macromoléculas aumentando a produção de radicais livres ou induzindo a expressão de genes que elevam o risco de doenças, incluindo câncer e alterações neurológicas.

Apesar das potenciais vantagens das novas tecnologias utilizadas na fabricação de alimentos industrializados pesquisas na área fazem-se necessárias já que existem evidências de que nanopartículas podem interferir na metilação do DNA, na modificação das histonas e na expressão genética (Smolkova et al., 2015).

Apesar da comercialização rápida da nanotecnologia, há poucos regulamentos de nanomateriais específicos. Ainda não é compreendido também de que forma o uso de nanopartículas poderá afetar a cadeia alimentar, as florestas, a qualidade da água e do ar.

Por enquanto, para maior saúde e vitalidade, a recomendação continua a mesma: coma mais alimentos naturais e reduza ao mínimo possível o consumo de alimentos industrializados.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Prós e contras do consumo de matchá (chá verde oriental moído)

O matchá é uma bebida originária da China produzida a partir das folhas da Camellia sinensis, a mesma planta utilizada para fazer chá verde, chá branco, chá preto e chá oolong. O Matchá é um dos chás mais utilizados nas cerimônias dos chá budistas, sendo conhecido como o elixir da saúde.

O machá é rico em EGCG, antioxidante que protege células do cérebro, melhora a imunidade e reduz o risco de câncer. Também é fonte de L-teanina, aminoácido que acalma a mente e favorece o sono e a meditação.  

Para a produção de matchá a Camellia sinensis é cultivada sob abrigo da luz. Assim, produz mais clorofila e torna-se mais verde. Os melhores brotos são recolhidos à mão e depois secos e triturados. O machá pode ser consumido puro, misturado no café, a sucos ou em preparações como pudim de chia ou mingau de aveia. 

Uma preocupação é que algumas marcas, não orgânicas, parecem ter 30 vezes mais chumbo do que o chá verde. O chumbo é um metal pesado que, em alta quantidade no corpo, pode causar intoxicação gerando falta de apetite, dor de cabeça, irritabilidade, distúrbios visuais, redução da mielina dos nervos, alucinações, convulsões, anemia, alterações no sistema reprodutor, renal e hepático, hipertensão arterial, câncer, má formação fetal, hiperatividade, queda do rendimento escolar, piora da memória e infecções respiratórias.

As folhas da camellia Sinensis absorvem o chumbo do ambiente. O chumbo pode chegar às folhas devido a poluição ambiental ou ao uso de agrotóxicos. Estudos mostram que 32% do matchá originado da China está altamente contaminado. O mesmo não acontece com os chás originários do Japão. 

O matchá contém cerca de 90% mais chumbo que o chá verde convencional. Isto acontece porque no chá verde as folhas são fervidas e depois descartadas. Já no matchá as folhas são moídas e usadas nas bebidas ou alimentos.

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Muita gente usa o matchá ou o chá verde na água de cozimento de vegetais ou cereais. O problema é que o EGCG da Camellia sinensis quela metais como zinco, cobre e ferro, que serão menos absorvidos.

Mesmo assim, se você nunca teve anemia, tem a imunidade ótima e deseja cozinhar com o matchá compre um produto orgânico e de boa origem.

Seguem algumas combinações de bebidas com matchá (complete com mais água se necessário):

1) Bata 1/2 banana congelada, 1 copo de leite de amêndoa, 1/2 xícara de gelo picado, 1 colher de chá de matchá em pó.

2) Bata 1/2 copo de suco de laranja, 1/3 xícara de amoras ou blueberries (mirtilos), 1/3 xícara de morangos, 2 colheres de sopa de matchá em pó.

3) Bata 1 xícara de manga, 1/2 xícara de abacaxi, 1 colher de sopa de matchá em pó.

4) Bata 1 colher de chá de matchá em pó, 1 xícara de leite morno, 1/3 xícara de água morna, 1 colher de chá de mel.

5) Bata 3/4 xícara de leite ou extrato vegetal, 1 xícara de água quente, 1 colher de chá de matchá em pó, mel ou agave.

6) Bata 3/4 xícara de água com gás, 2 colheres de sopa de água morna, 1 colher de chá de mathcá em pó, gelo, gotas de limão.

7) Bata 1/2 xícara de suco de laranja, 1/4 xícara de água morna, 1 colher de chá de matchá em pó, mel ou estévia.

8) Bata o suco de 1/2 limão com 1 colher de chá de matchá em pó, 2 colheres de sopa de gengibre ralado, gelo, agave.

9) Bata 1/2 xícara de pepino picado, 1/4 xícara de suco de cenoura, 1/4 xícra de gelo, folhas de espinafre, 1 copo de iogurte natural, 2 xícaras de chá de matchá em pó.

Você encontrará vídeos sobre os chás em meu canal YouTube.com/dicasdanutricionista

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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