Chocolate e arritmias

A fibrilação atrial (FA) é um tipo de taquicardia supraventricular caracterizada pelo ritmo cardíaco anormal, rápido e irregular. Muitos episódios são assintomáticos, mas outras vezes manifestam-se com palpitações, desmaios, falta de ar ou dor no peito.  A doença aumenta o risco de insuficiência cardíaca, demência e acidente vascular cerebral (AVC ou derrame).

Os fatores de risco mais comuns da fibrilação atrial são a hipertensão arterial e as doenças das válvulas cardíacas Outros fatores de risco são a febre reumática, a obesidade, a insuficiência cardíaca, a doença arterial coronária, a miocardiopatia, o diabetes, o  hipotireoidismo, o uso de algumas drogas e a cardiopatia congênita.

Mas olha a boa notícia: de acordo com pesquisadores da Escola de Saúde Pública T.H. Chan da Universidade de Harvard em Boston (EUA), pessoas que consomem cacau com alta concentração de flavonóides podem se beneficiar.

Dos 55,5 mil homens e mulheres que participaram do trabalho, foram registrados 3.346 casos de FA no período de acompanhamento, de aproximadamente 13 anos. Aqueles que consumiram entre 1 e 3 porções de 28g de chocolate por mês apresentaram uma taxa 10% menor da doença em relação ao grupo que ingeria menos de um porção mensal. Já entre aqueles que comeram uma porção por semana tiveram uma taxa 17% mais baixa; e aqueles que comiam de duas a seis porções semanais tinham uma incidência 20% menor. Viva!

A responsável pela pesquisa, porém, ressalta que a ingestão deve ser moderada. "Comer quantidades excessivas de chocolate não é recomendado, porque muitos produtos são ricos em calorias provenientes de açúcares e gorduras ruins e poderiam levar ao ganho de peso e outros problemas metabólicos. Mas ingestão moderada de chocolate com alto teor de cacau pode ser uma escolha saudável", diz Mostofsky.

Na pesquisa, foram considerados o índice de massa corporal, a pressão arterial e o colesterol dos participantes, que foram medidos no momento do recrutamento. Eles também analisaram outras condições de saúde e o estilo de vida a partir de questionários.

"Apesar do fato de a maior parte do chocolate consumido pelos participantes ter concentrações relativamente baixas de ingredientes potencialmente protetores, ainda observamos uma associação realmente significativa entre comer chocolate e um menor risco de FA", finaliza a especialista. 

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Estudo: Elizabeth Mostofsky e colaboradores (2017). Chocolate intake and risk of clinically apparent atrial fibrillation: the Danish Diet, Cancer, and Health Study. http://dx.doi.org/10.1136/heartjnl-2016-310357

Receba a newsletter semanal. Dra. Andreia Torres é nutricionista, mestre em nutrição, doutora em psicologia clínica, especialista em yoga.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Intestino e comportamento: pesquisas na síndrome de Down (trissomia do 21)

O envelhecimento prematuro é uma das características da síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), podendo  comprometer seriamente o estado de saúde destes indivíduos. O envelhecimento humano tem sido associado a maior estresse oxidativo, redução da imunidade e uma deterioração do microbiota ou flora intestinal.

A flora intestinal saudável é vital para a saúde intestinal, formação do bolo fecal, manutenção da imunidade, síntese de vitaminas e ácidos graxos de cadeia curta e redução do risco de câncer colorretal. A microbiota varia durante a vida podendo estar desequilibrada por fatores como o uso frequente de antibióticos ou laxantes, pela intoxicação por metais pesados, por cirurgias ou colonoscopias, pelo estresse ou pela dieta inadequada.

O desequilíbrio da microbiota reduz a imunidade, aumenta o risco de diabetes, obesidade, perda de cabelo, eczema, seborréia, anemia, distúrbios gastrointestinais, respiratórios e auto-imunes. Assim, o microbioma intestinal de pessoas com síndrome de Down deve ser mantido equilibrado visto que pode ser estratégico para neutralizar fatores que conduzem ao envelhecimento do corpo e do sistema imunológico. 

Biagi e colaboradores (2014) compararam a estrutura da microbiota de 17 pessoas com síndrome de Down (SD) à microbiota de adultos jovens saudáveis com idades entre 20 e 40 anos. No estudo a microbiota dos dois grupos foi bastante similar. Contudo, como a idade dos sujeitos com SD avaliados foi inferior a 35 anos o estudo não permite concluir que em idades mais avançadas o mesmo se manteria.

Embora a estrutura da microbiota geral das pessoas com SD fosse comparável à de indivíduos saudáveis, os autores observaram diferenças significativas entre os grupos subdominantes. Em particular, pessoas com SD possuíam mais Parasporobacterium e Sutterella e menos Veillonellaceae. O aumento de Sutterella e a redução de Veillonellaceae têm sido descrito em crianças autistas com sintomas gastrointestinais. No estudo com adultos com SD a abundância de Sutterella foi positivamente correlacionada com comportamentos poucos adaptados ou aberrantes, similares aos observados no autismo (Biagi et al., 2014).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Renoir - o artista e a artrite

Andreé

Andreé

Assisti na semana passada o filme Renoir, que retrata parte da vida de um dos maiores pintores da história. O filme se passa em 1915, durante a primeira guerra mundial. Nesta época Renoir encontra e pinta uma de suas musas inspiradoras, Andreé. Mas o que me chamou atenção no filme foi a dificuldade do pintor para exercer sua arte, já idoso, devido a uma grave artrite reumatóide que gerou uma deficiência física.

Mesmo com grandes deformidades nas mãos e muitas dores Renoir seguiu pintando. A artrite reumatóide é uma doença inflamatória crônica que pode afetar articulações em todo o corpo.

A causa é desconhecida mas sabe-se que é autoimune. Vírus ou bactérias e a propensão genética parecem fatores de riscos importantes. A doença parece afetar 1% da população mundial, sendo mais comum nas mulheres do que  entre os homens.

Os principais sintomas da doença são as dores, inchaço, rigidez articular e inflamação. Com a progressão da doença os pacientes podem desenvolver incapacidades físicas. A AR é um fator de risco importante para as doenças cardíacas porém a dieta livre de glúten melhora o perfil lipídico, diminuindo o colesterol ruim (LDL) e aumentando os níveis de anticorpos naturais que combatem os sintomas da artrite. A alimentação adequada é muito importante para o alívio destes sintomas e o retardo da progressão da doença.

Pesquisas mostram que os pacientes com artrite reumatóide (AR) que consomem dietas com menos alimentos de origem animal e também menos glúten estão mais protegidos contra doenças cardiovasculares. A dieta baseada em vegetais também é rica em fitoquímicos antiinflamatórios que reduzem a dor. Gengibre e açafrão são dois condimentos antiinflamatórios, baratos e de fácil inserção na dieta, sendo recomendados para maior conforto do paciente.

Suplementos:

A deficiência de vitamina D pode aumentar a incidência de doenças autoimunes e dificultar o tratamento. Exames regulares devem ser solicitados e a carência, quando presente, deve ser corrigida. Condroitina e glucosamina são dois componentes importantes das cartilagens. Estudos sugerem que a suplementação pode ajudar a diminuir dores articulares por isto é bastante utilizada como suplemento para atletas e no tratamento de artrite.

Porém, um estudo dos Estados Unidos apontou que muitos suplementos não conseguem cumprir o que promete, principalmente por conta de fraudes na fabricação. Durante a análise dos produtos foi verificado que alguns continham apenas a metade da condroitina informada no rótulo, enquanto outros continham de 0 a 8%. No Brasil, desconheço testes que mostrem o valor real de condroitina e glucosamina nos produtos comercializados.

Kris-Ehterson, Grieger e Etherton (2009) recomendam e altas dosagens de ômega-3 (aproximadamente 3,5 gramas ao dia) para o tratamento da sintomatologia. Considerando-se que 1 porção de peixe oleoso fornece apenas 400 a 500 gramas de ômega-3 a suplementação é recomendada já que este tipo de gordura possui ação antiinflamatória.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/