Quem consome mais carne vermelha morre antes

Pesquisa com um número surpreendente de participantes (mais de 500.000) acompanhados por 10 anos, mostrou que pessoas que consomem mais carnes vermelhas e processadas tem um maior risco de morrer. O estudo faz parte dos trabalhos do Dr. Rashmi Sinha e colaboradores do Instituto Nacional do Câncer em Rockville, Maryland e foi publicado no dia 23 de março no Archives of Internal Medicine. Dentre os participantes do estudo (todos com idades entre 51 e 71 anos no início do estudo), 47.976 homens e 23.276 mulheres morreram durante os 10 anos do estudo, sendo que dentre os que consumiram mais carnes vermelhas ou processadas - linguiça, salsicha, hamburgueres, presunto, mortadela etc (Sinha et al., 2009).

De acordo com o relatório realizado e publicado pelo World Cancer Research Found em 2007chamado Food, Nutrition, Physical Activity, and the prevention of Cancer: a Global Perspective, na população, o consumo médio de carne vermelha não deve ultrapassar 300g por semana, sendo que destas pouca ou nenhuma quantidade de carne processada.

Uma das explicações para este risco aumentado é de que o processamento de carnes, tais como a cura e o fumo, pode resultar na formação de substâncias químicas cancerígenas, incluindo compostos N-nitrosos (NOC) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP). No nosso organismo possuímos nitrito e nitrato inorgânicos que são indispensáveis para manter o equilíbrio do óxido nítrico. Em contrapartida, nitrito e nitrato quando são adicionados a produtos cárneos geram uma resposta maléfica para o corpo humano. Após a ingestão de carnes processadas, há um aumento do nível de nitrato que é convertido a nitrito no intestino, mais reação com aminas secundárias e absorção, promovendo assim, a formação de N-nitrosaminas, que causam danos ao DNA após o metabolismo de ativação podendo levar a ocorrência de cânceres.

Já os Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs) são compostos formados durante a combustão incompleta de material orgânico. Um dos processos de liberação desses compostos é pelo processamento a altas temperaturas. Quimicamente são formados por estruturas contendo dois ou mais anéis aromáticos fundidos, cuja importância se deve a relação com alguns tipos de câncer no homem. De forma geral, a atividade carcinogênica dos HPAs é expressa pela biotransformação de intermediários reativos capazes de se ligar covalentemente ao DNA para induzir quebras e causar danos que levam à iniciação de mutação e tumores.

Além de riscos à saúde humana, o planeta também sofre consequências deletérias provenientes do consumo exacerbado de carne vermelha, pois a produção pecuária representa cerca de um quinto das emissões totais de gases relacionados ao efeito estufa, contribuindo, assim, para as alterações climáticas e suas consequências adversas para a saúde humana e ao meio ambiente, incluindo a ameaça à produtividade alimentar em muitas regiões, maior risco para alterações climáticas com impactos na vegetação, fauna e ecossistemas.

Ainda, a produção pecuária intensiva está associada à resistência aos antibióticos e ao aumento da incidência de doenças emergentes como a influenza A e a gripe aviária.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Cuidando da saúde desde cedo

No dia 10/03/09 a associação médica britânica publicou um relatório (Early life nutrition and lifelong health), que mostra as evidências atuais de que a alimentação no início da vida - dentro da barriga da mãe e nos primeiros anos da infância - tem um impacto grande no risco destes bebês desenvolverem doenças crônicas não transmissíveis como cardiopatias, diabetes, obesidade, câncer e até doenças mentais décadas mais tarde. Por isto, se quisermos prevenir o aumento destas doenças mulheres em idade fértil e gestantes devem cuidar muito bem de sua alimentação.

Origem fetal das doenças mentais

O impacto de infecções e inflamações durante a gravidez afetam o cérebro fetal. Patógenos infecciosos clássicos como Toxoplasma gondii, vírus da rubéola, citomegalovírus, vírus do herpes são conhecidos por serem diretamente teratogênicos (aumentam risco de câncer), geram inflamação e, em um cérebro vulnerável como o dos bebês, aumenta o risco de doenças neuropsiquiátricas mais tarde na vida.

Lesão direta em neurônios e células progenitoras neurais ou lesão indireta por meio da ativação de microglia e astrócitos, pode desencadear a produção de citocinas inflamatórias e estresse oxidativo no cérebro. As exposições infecciosas também podem alterar a produção placentária de serotonina, o que pode perturbar a sinalização dos neurotransmissores no cérebro em desenvolvimento.

Clinicamente, a detecção dessas lesões sutis no cérebro fetal é difícil, uma vez que o impacto neuropsiquiátrico de infecções ou inflamações perinatais pode não ser conhecido por anos (autismo) ou mesmo décadas após o nascimento (depressão e esquizofrenia). Por isso, cuidados pré-gestacionais e gestacionais, como sugestão e aceitação da vacina contra a gripe sazonal é uma estratégia fundamental para reduzir as infecções perinatais e o risco de lesão cerebral fetal.

O papel dos pais

A qualidade do esperma também afeta a saúde futura da criança. Além disso, os pais precisam dar um bom exemplo para seus filhos, que aprendem a comer alimentos saudáveis por imitação. Apesar de o relatório ter sido produzido na Inglaterra o mesmo se aplica muito bem aos outros países, inclusive àqueles em desenvolvimento já que tanto dietas com baixas calorias podem ser deficientes quanto aquelas com calorias demais. Isto porque pessoas que comem muito pouco tem dificuldade em atingir a recomendação de vários nutrientes. Por outro lado muitos, apesar de comerem em excesso, possuem dietas monótonas e desbalanceadas, com excesso de calorias mas com deficiência de vitaminas, minerais e outros nutrientes protetores. É o que se chama de fome oculta.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Melhorando a saúde do meu coração

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Pessoal, parabéns! Os resultados da enquete mostram que muitos estão tentando melhorar os hábitos de saúde. Porém, apesar de várias pessoas terem relatado um aumento no consumo de frutas e verduras ainda não atingimos a marca desejada: 5 porções ao dia.

Para beneficiar o coração esta estratégia é importantíssima assim como a redução do consumo de sódio, a prática regular de atividade física, a diminuição do consumo de bebidas alcoólicas, o aumento na ingestão de fibras (presentes em frutas, hortaliças e cereais integrais) e substâncias antioxidantes, presentes nos mesmos alimentos e ainda nos peixes (fonte de ômega-3), nas castanhas, nos chás, ervas e no azeite de oliva.

O azeite extra-virgem é o mais saudável visto que sofre menos processamento, sendo extraído logo na primeira prensagem das azeitonas. Possui mais compostos fenólicos e por isto traz maiores benefícios à saúde. O ideal é comprar um produto com acidez abaixo de 0,8 e em vidro escuro para melhor preservação das substâncias antioxidantes.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/