Genética e epigenética da pessoa com SD

A síndrome de Down (SD) é o distúrbio congênito mais comum em crianças, afetando um em cada 800 nascidos vivos. A deficiência cognitiva é um dos aspectos que mais interferem na autonomia de indivíduos com SD. A disfunção cognitiva caracteriza-se por degeneração neuronal progressiva, morte celular, neurogênese prejudicada, redução na formação de dendritos e interrupção da função sináptica. Essas características neurológicas da DS são resultando das vulnerabilidades genômicas e também das influências ambientais que alteram a metilação do DNA, modificam histonas e a expressão gênica.

A triplicação de genes no cromossomo HSA21 também pode gerar atraso das habilidades linguísticas, redução do quociente de inteligência (QI), modificações comportamentais (como déficit de atenção) ou autismo. As deficiências cognitivas podem agravar-se ao longo da vida pois pessoas com SD também são mais propensos a desenvolverem demência por doença de Alzheimer. Além disso, indivíduos com SD são suscetíveis à epilepsia na forma de espasmos infantis e convulsões tônicas clônicas com mioclonia em idades precoces.

Vários genes no HSA21 estão implicados no neurodesenvolvimento anormal no DS. Eles podem afetar a função celular em todas as fases do desenvolvimento neural, como proliferação e diferenciação de células neuroprogenitoras, sobrevivência e morte neuronais, formação de sinapses, maturação e plasticidade, além de mielinização. Além disso, os genes HSA21 têm efeitos globais em pelo menos outros 324 genes em distintos cromossomos.

Os efeitos combinatórios da ativação desses processos podem contribuir ainda mais para as deficiências observadas durante o neurodesenvolvimento na SD. Questões como aumento do estresse oxidativo, disfunção mitocondrial podem ser agravadas pela superexpressão dos genes HSA21, APP e S100B. O estresse oxidativo resultante da superexpressão destes genes pode modificar a metilação do DNA (Lu and Sheen, 2012)

Alcançar um melhor entendimento da patogênese da SD é fundamental para que possamos melhorar a qualidade de vida destes grupo e sua imunidade, reduz a susceptibilidade à doenças e agravamento dos déficits cognitivos (ou mesmo fazer um resgate cognitivo). Recentemente, estudos de perfis epigenéticos, com foco na metilação do DNA, identificação de genes que possam ser modulados por meio de medicação, nutrientes e compostos bioativos específicos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Cardiopatia na Síndrome de Down - incidência de 50% e associação com a desnutrição

As cardiopatias são bastante comuns na síndrome de Down. Por isso, todo bebê com SD deve fazer um ecocardiograma antes da alta hospitalar, evitando-se que vá para casa com o desconhecimento da família sobre uma possível doença cardíaca. A principal causa destas doenças é a alteração na embriogênese cardíaca. Como sintomas o bebê vai apresentar cianose (fica roxinho), baixo débito cardíaco (pouco sangue é bombeado), pode ter sopro, arritmia, apresentar bem mais cansaço. Pode não conseguir mamar, chorar ou dificuldade em ganhar peso.

O indicadores de crescimento com baixo peso para a idade, diminuição da estatura para a idade e baixo peso para a altura são relativamente comuns e preocupantes em crianças com cardiopatias. As causas da desnutrição são multifatoriais, incluindo o estado nutricional materno durante a gestação, o nascimento pré-termo (prematuridade), a gravidade da doença cardíaca, o aumento das necessidades de energia, a diminuição da ingestão calórica, a má absorção e má utilização de nutrientes absorvidos.

Na síndrome de Down estima-se que 50% das crianças tenham doença cardíaca, que pode ser acompanhada de desnutrição. Deve-se prestar muita atenção ao suporte nutricional - principalmente alimentação enteral, com uso particular de leite materno na infância - no período perioperatório e na UTI pediátrica. Esse apoio nutricional requer atenção específica e alocação de recursos, incluindo pessoal adequadamente qualificado. A desnutrição pode levar a complicações como o aumento do risco de infecção, internação prolongada e até morte. (Tabib, Aryafar, Ghadrdoost, 2019). Posteriormente, é essencial monitorar o crescimento e o desenvolvimento e identificar as causas do fracasso em alcançar o peso e estatura esperados (para além da genética própria da síndrome de Down).

Devido à sua menor reserva de proteínas e energia, bebês e recém-nascidos podem ser particularmente vulneráveis ​​ao estado hipercatabólico que frequentemente acontece após uma cirurgia cardíaca. A situação é agravada se o bebê apresenta outras comorbidades ou infecção grave. Quando a fase aguda do estresse metabólico se resolve, a fase anabólica (de ganho) começa. Apesar de ser ideal que a criança vá para cirurgia com um bom estado nutricional, a criança poderá ser encaminhada para a cirurgia com baixo peso se o risco de não realização do procedimento for alto.

Uma avaliação nutricional pré-operatória completa deve ser realizada, pois fornecerá informações essenciais para o monitoramento posterior do progresso da criança após a correção cirúrgica. Isso normalmente inclui medidas de estatura, peso e circunferência da cabeça. A terapia nutricional enteral é o modo preferido de suporte nutricional em UTI pediátricas, por ter um efeito favorável na mucosa intestinal e apresentar menos complicações em comparação com a nutrição parenteral. Também é mais barata e facilmente disponível.

A preocupação mais comum no início precoce da alimentação é o potencial de baixo débito cardíaco com hipoperfusão intestinal. A baixa chegada de sangue ao intestino aumenta o risco de enterocolite necrosante. Mas, com o monitoramento cuidadoso e o lento avanço da alimentação, a nutrição enteral precoce é viável na maioria dos neonatos já nas primeiras 24 horas após a cirurgia. Além disso, em neonatos e lactentes jovens, as mamadas muitas vezes já podem ser reiniciadas entre 12 e 24 horas após a cirurgia O leite materno é econômico, possui benefícios imunológicos, promove melhor absorção de oligoelementos e pode até diminuir o risco de desenvolver enterocolite necrosante quando usado exclusivamente (Argent et al., 2017).

Com acompanhamento nutricional adequado o peso é normalmente recuperado em até 6 meses e a estatura em até um ano (Bravo-Valenzuela et al., 2011). O acompanhamento com cardiologista tem que continuar a ser feito. Indica-se hotter anual. Depois que a fase mais difícil passa a preocupação passa a ser a manutenção de um peso saudável, já que obesidade também sobrecarrega a musculatura cardíaca.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Complexidade de necessidades de adultos com síndrome de Down

As pessoas com síndrome de Down (SD) possuem algumas características em comum, mas não todas. São indivíduos complexos, como todos nós. O Projeto 1000 Genomas indicou que todo mundo difere, em média, em 4 a 5 milhões de SNPs (polimorfismos ou variações de nucleotídeos simples), cerca de 0,5 milhão de inserções ou deleções e até mil variações maiores de número de cópias. Embora a maioria dessas variações seja funcionalmente neutra, existem muitos milhares de locais em todo o genoma que aumentam o risco de doenças comuns ou mediam a capacidade de resposta a medicamentos.

Na SD condições geriátricas tendem a ocorrer em maior proporção, incluindo agravamento de déficits cognitivos, deficiência de vitamina D, sintomas de depressão, comportamento agressivo, problemas de comunicação, redução da acuidade auditiva, aumento da taxa de incontinência urinária e fecal, problemas gastrointestinais, de pele e dentários, além de obesidade. Ou seja, adultos com SD podem apresentar um alto nível de comorbilidade e complexidade e em idades mais jovens do que o do restante da população.

Muitas famílias encontram dificuldade em fazer a transição do acompanhamento pediátrico para o acompanhamento adulto. Nem sempre médicos generalistas estão preparados para a complexidade de demandas destes pacientes. Por isso, discute-se se médicos geriatras não seriam uma melhor opção para adultos com SD conforme vão envelhecendo (Carfi et al., 2019). Acompanhe novidades nesta temática pelo Telegram.

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