Desordens mitocondriais em adultos e crianças

As mitocôndrias são as usinas de produção de energia de nossas células. Como já vimos muitas vezes aqui no site, esta energia é utilizada por todos os órgãos para o desempenho de suas funções. 

Disfunções mitocondriais, ou seja, alterações na produção energética em decorrência do mal funcionamento das mitocôndrias associam-se a maior incidência de doenças cardiovasculares, maior dificuldade de perda de peso e também maiores alterações comportamentais nos transtornos do espectro do autismo, na síndrome de Down e no Alzheimer.

Receba a newsletter semanal. Dra. Andreia Torres é nutricionista, mestre em nutrição, doutora em psicologia clínica, especialista em yoga.

Chinnery (2015) trouxe uma revisão em que mostra que uma série de outras condições também estão associadas à fadiga mitocondrial incluindo epilepsia, demência, encefalopatias, tubulopatias renais, constipação, diabetes mellitus e hipoparatireoidismo e lipomatose.

Uma série de mutações de genes mitocondriais vem sendo estudadas na tentativa de explicar as disfunções. É o que mostra estudo publicado em 2016 por Koopman e colaboradores.

Além das mutações de genes importantes, fatores ambientais também estão podem contribuir para o surgimento da disfunção mitocondrial, como endotoxemia metabólica, disbiose intestinal, uso crônico de antiácidos, consumo excessivo de carnes, glico ou lipo toxicidade, contato com toxinas, consumo excessivo calórico (Jha et al., 2016).

Assim, o cuidado com o intestino, a redução no consumo de carnes, gorduras trans, alimentos industrializados e carnes (especialmente as industrializadas) torna-se importante. Para melhorar a função mitocondrial a suplementação também vem sendo estudada, destacando-se compostos como ácido lipóico, coenzima Q10 e curcumina  (Koopman et al., 2016). Para ajustes em sua dieta ou prescrição de nutrientes consulte um nutricionista.

Discuto muitas questões relacionadas à suplementação de compostos específicos no curso online. Saiba mais aqui.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Suplementos minerais quelados: o que significa?

É comum vermos na farmácia suplementos multivitamínicos e minerais que contém 100% da recomendação de todos os micronutrientes. Apesar de muito convenientes estes suplementos não possuem as melhores fórmulas. O grande marketing é que os fazem ser famosos. Mas sabemos que existem muitas interações entre os nutrientes. Cálcio dificulta a absorção do ferro. Ferro diminui a biodisponibilidade de zinco. Zinco diminui a absorção de cobre e por aí vai.

Quando, por algum motivo, resolvemos suplementar estes nutrientes juntos o ideal é que se faça na forma quelada. No laboratório são criados complexos em formato de anéis, em geral, pela complexação de minerais com aminoácidos.

Como o intestino é bem eficiente na absorção de aminoácidos, o mineral acaba sendo absorvido junto. Por exemplo, a glicina é rapidamente absorvida. Então, o magnésio, por exemplo, poderia ser unido à glicina para que sua absorção seja maior. Outros aminoácidos não quelados continuarão a ser absorvidos nas outras porções do intestino, sem atrapalhar a absorção do magnésio.

Isto não significa que minerais não quelados sejam necessariamente ruins. O problema é quando há muita coisa em um suplemento só, porque acaba que alguns minerais são absorvidos mais facilmente do que outros.

Agora, mais importante do que tomar suplementos é ter uma dieta variada e saudável suplementado em caso de deficiências ou risco de carências nutricionais. Quando consumimos um alimento, como o brócolis, estamos consumindo também fibras, minerais, vitaminas, fitoquímicos, carboidratos e aminoácidos. Os minerais do alimento podem se unir aos seus aminoácidos ou a ácidos orgânicos no próprio intestino, o que melhoraria a absorção dos mesmos. Sabemos que:

  • Gordura aumenta e fibra diminui a absorção de minerais;

  • A vitamina C aumenta o ferro disponível em alimentos de origem vegetal;

  • Polifenóis (como ácido cafeico) podem reduzir a absorção de minerais;

  • Cálcio e ferro não devem ser suplementados juntos. Aqui é melhor quelar sim!

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

PQQ: Suplemento antioxidante melhora função cognitiva

A PQQ (pirroloquinolina quinona) é um sal dissódico de quinona obtida por fermentação. Foi descoberta em 1979 por pesquisadores japoneses que observaram que ratos deficientes em PQQ  eram menos férteis e tinham problemas na pelugem. Estudos recentes mostram que a PQQ tem importante atividades neuroprotetoras, cardioprotetoras e antienvelhecimento, contudo seus mecanismos de ação não são bem compreendidos (Naveed et al., 2016).

A PQQ tem sido considerada uma vitamina do complexo B, porém com forte ação antioxidante. O natto, prato japonês picante feito de soja fermentada parece ser a principal fonte de PQQ. Outros alimentos fonte incluem salsinha, chá verde, pimentões verdes, batata, batata doce, kiwi e mamão (Kumazawa et al., 1995).

A PQQ possui a capacidade de ativar vias de sinalização diretamente envolvidas no desenvolvimento, função e metabolismo energético celular. Existem evidências de que protege mitocôndrias e células nervosas e reduz o colesterol ruim (Nakano et al., 2015). A associação com a coenzima Q10 (ubiquinona) tem se mostrado interessante ainda para a prevenção de doenças cardiovasculares (McDonald, Sohal e Forster, 2005).

Contudo, ainda não sabemos as dosagens ideais para seres humanos. Estudo publicado em 2015 mostrou que dosagens altas (400 mg/kg/dia) podem ser utilizadas em camundongos por até 13 semanas sem efeitos adversos significativos (Liang et al., 2015). Apesar de suplementos de PQQ serem encontrados facilmente em outros países, como nos EUA, isoladamente ou em conjunto com outros compostos, indica-se que a suplementação seja feita com acompanhamento médico e nutricional.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/