Nutrientes para o ganho de massa magra

O desenvolvimento da massa magra depende de um conjunto de fatores: treino adequado, genética, repouso, um bom estado nutricional e influências endócrinas. A testosterona é um dos hormônios importantes para o desenvolvimento muscular. A própria atividade física bem conduzida aumenta a produção de testosterona, mas para isso alguns nutrientes precisam estar disponíveis. São eles: 

(1) zinco. A deficiência diminui os níveis de testosterona em até 75%. A necessidade fica em torno de 15 mg/dia. Boas fontes: ostras (6 und = 76,3 mg), peru (85 g = 3,8 mg), feijões (1/2 xíc. = 1,8 mg);

(2) Vitamina B9.  Alimentos esverdeados costumam ser ótimas fontes de ácido fólico. Inclua ½ xícara de lentilha cozida (179 mcg), ½ xíc. de espinafre cozido (132 mcg); 6 talos de aspargos (134 mcg). Consuma pelo menos 400 mcg de B9/dia. Atenção: álcool depleta B9;

 (3) Vitamina B6. A dieta deve fornecer pelo menos 2 mg/dia. Algumas fontes incluem: 1 banana média (0,43 mg), 1 copo de suco verde (0,26 mg), 85g de frango (0,51 mg);

(4) Vitamina K - Fontes: 1 xíc. de couve (547 mcg), 1 xíc. de espinafre cru (299 mcg), 1 xíc. de brócolis cru picado (220 mcg). Necessidade: 10 a 20 mcg;

Indivíduos com disbiose intestinal produzirão menos vitaminas. O adequado funcionamento intestinal influencia o bem estar geral e também o funcionamento de vários outros órgãos (Parvez et al., 2006). Além disso, favorece a definição muscular. Para o ganho de massa magra há necessidade de um estímulo (atividade física) e de nutrientes. Estes precisam ser digeridos, absorvidos e utilizados. 

A mastigação rápida, a disbiose intestinal (desequilíbrio entre bactérias boas e ruins), o intestino irritado podem prejudicar a absorção de nutrientes e o ganho muscular. A exclusão de glúten da dieta (presente no trigo, cevada, centeio) e a reposição de probióticos:

- melhora a absorção de nutrientes que serão utilizados na construção da musculatura;

- bactérias probióticas produzem vitamina K, que diminui a retenção de líquidos;

- bactérias probióticas produzem menos toxinas, gerando menos inflamação, disfunção mitocondrial e menor quantidade de marcadores de atrofia muscular (Bindel et al., 2012);

- bactérias probióticas aumentam a produção de butirato, que melhora a sensibilidade à insulina e a produção de energia (Gao et al., 2009).

Por exemplo, o whey protein pode ser misturado com probiótico. Esta estratégia pode aumentar a absorção dos aminoácidos contidos no suplementos (Maathuis, Keller e Farmer, 2010). Os probióticos também podem ser utilizados ao acordar ou antes de dormir. Produtos com pelo menos 1 bilhão de bactérias (ao menos duas cepas diferentes de lactobacilos e bifidobactérias) reduzem os efeitos negativos de dietas muito ricas em alimentos de origem animal.

Para saber mais sobre a disbiose intestinal clique aqui.

 (5) Carnitina - presente principalmente em alimentos de origem animal - suplementação pode ser necessária em vegetarianos. Quantidade de carnitina em 100g de alimentos: carne vermelha (95 mg), frango (3,7 mg), leite integral (3,3 mg), abacate (2 mg); 

(6) Magnésio - O consumo recomendado é de cerca de 420 mg ao dia. Fontes: 5 amêndoas (19 mg), ½ xíc. de feijão cozido (63 mg), ½ xíc. de acelga cozida (78 mg).

Quando não ingerimos alimentos fontes de magnésio, boa parte do organismo não funciona bem. A deficiência de magnésio, além de reduzir testosterona ainda aumenta o hormônio do estresse cortisol; e assim, o catabolismo muscular é maior e o acúmulo de gordura na região abdominal também. 

O magnésio também é fundamental para a produção de energia. Para ter ideia de quão importante é este mineral, lembre que 7 das 10 enzimas envolvidas na glicólise, são dependentes de magnésio. Desta forma, quando há deficiência desse mineral, menos ATP é produzido.  

Desta forma, se você torce o nariz para couve, alface, agrião, chicória, rúcula, radiche, espinafre, acelga, semente de abóbora, amêndoas e outros alimentos fontes destes nutrientes, repense.

 (7) Vitamina D -  Os alimentos não são boas fontes de vitamina D, por isso a exposição ao sol é importante, já que os raios solares estimulam a produção deste nutriente na pele. Nos alimentos é encontrada no salmão (95g = 530 UI de Vit. D), sardinha (85g = 231 UI) e leite integral fortificado (250 ml = 98 UI); 

(8) Vitamina C - reduz o cortisol, hormônio do estresse q diminui a testosterona. Consuma frutas cítricas e vegetais ricos em vit. C. A dieta deve conter pelo menos 100 mg/dia. Fontes: acerola, pimentão, goiaba...

(9) Além disso, sem calorias e proteínas é impossível anabolisar. Mas cuidado com quantidades exageradas! O corpo possui uma capacidade limitada de sintetizar proteínas, de modo que a energia e proteínas excedentes terão outros destinos, como o acúmulo de gordura. É o que mostrou um estudo publicado em 2016 por Spillane e Willoughby. Vinte e um homens treinados praticaram musculação intensa por 8 semanas. Os participantes receberam dietas hipercalóricas (com aumento de cerca de 1248kcal, em relação ao usual). Um grupo foi suplementado com maltodextrina (carboidrato) e outro grupo com malto e whey protein (proteína do leite). 

Os praticantes de musculação receberam metade da dosagem dos suplementos meia hora antes do treino e a outra porção na metade do treino. Houve ganho de peso, gordura e músculo nos dois grupos. Contudo, o grupo que recebeu whey protein não teve uma melhoria da composição corporal em relação ao grupo que recebeu apenas maltodextrina. Isto provavelmente deve-se ao fato dos desportistas já estarem recebendo proteína em quantidade suficiente apenas com a dieta, sem benefício adicional com a suplementação. Pelo contrário, as calorias e aminoácidos extras promoveram na verdade maior ganho de gordura nos dois grupos. 

Outro estudo mostrou que proteína não pode faltar. Mas, ao mesmo tempo, dietas com altíssimos níveis de proteína, excedendo 3,4g/kg/dia, foram associadas à redução nos níveis de testosterona, possivelmente devido ao estresse no ciclo da ureia e acúmulo de amônia (Whittaker, 2023).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

10 dias sem açúcar já melhoram sua saúde

Pesquisadores da Universidade da Califórnia publicaram estudo no qual 43 crianças obesas e com síndrome metabólica passaram apenas 9 dias sem consumir açúcar. Após este curto período já foram observadas melhorias em vários parâmetros metabólicos como redução da pressão arterial, do lactato, dos triglicerídeos, do LDL-colesterol, da hiperinsulinemia e do peso.

O estudo não comprova que o açúcar seja o único responsável pela síndrome metabólica mas mostra que há uma associação forte entre este e vários problemas de saúde modernos.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

BCAA - vale a pena suplementar?

BCAA são os aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina). São abundantes no músculo (33%), e podem ser desviados facilmente para a produção de energia, o que sustenta a hipótese de que sejam anticatabólicos. Além disso, um deles, a leucina, estimula o eixo m-Tor, fundamental ao anabolismo muscular. Mas uma coisas é a teoria, outra é a prática.

Apesar do BCAA ser capaz de estimular vias anabólicas, o aumento no seu consumo consumo não gera automaticamente aumento no ganho de musculatura. No caso do BCAA a única coisa que a literatura tem mostrado é que a deficiência pode piorar resultado. Contudo, todos os alimentos de origem animal ovos, carnes de todos os tipos, laticínios e whey protein são ricos em BCAA. Por isso, a deficiência é improvável em pessoas com dietas variadas.  Musculação, dieta bem planejados e sono de qualidade continuam sendo as melhores estratégias anabólicas e anticatabólicas conhecidas.

E no emagrecimento?

Normalmente as dietas de emagrecimento têm o inconveniente de serem acompanhadas da perda de massa muscular. Na tentativa de atenuar o problema, é comum a busca por suplementos, como o BCAA. Em estudo publicado por Dudgeon e colaboradores (2016) homens treinados receberam dietas hipocalóricas enquanto faziam musculação. O primeiro grupo, com 9 homens, tomava antes e depois do treino uma bebida rica em BCAA e o segundo grupo, com 8 homens, uma rica em carboidratos. Ao final, ambos os grupos perderam gordura corporal. Contudo, o grupo carboidrato perdeu massa magra e o grupo BCAA não. Contudo, os resultados devem ser analisados com cautela já que o estudo foi patrocinado por indústria de suplemento, o número de participantes foi pequeno. usados foram fornecidos pelo próprio vendedor. 

A maior parte dos estudiosos da área confirmam a necessidade de aumento do consumo de proteínas para aumento ou manutenção da massa magra. Contudo, o BCAA não vem se mostrando efetivo, nem exercícios de endurance, nem nos de força (Spillane, 2012; Knechtle et al., 2012; Pineda-Juaréz et al., 2016). O aumento da quantidade proteica pode ser feito por meio da alimentação ou da suplementação. A escolha depende de cada um, mas parece não valer a pena gastar seu dinheiro com o BCAA. 

Vale a pena suplementar leucina isolada?

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A leucina é um aminoácido essencial e capaz de estimular a síntese proteica. Dietas com quantidades deficientes de proteína reduzem o ganho de massa magra e, neste caso, os estudos mostram que a suplementação com leucina estimula o ganho muscular.

Contudo, ao contrário do que dizem os sites de venda de suplementos, a suplementação de leucina não vai te ajudar se você já tem uma ingestão suficiente de proteína. O ganho de massa muscular depende de uma série de condições: genética, treino adequado, descanso e um bom estado nutricional, o que vai além da ingestão proteica e de aminoácidos específicos.

Dá para ganhar massa muscular sem suplementar nada?

Com certeza. O importante é que os nutrientes necessários à hipertrofia estejam disponíveis. Não importa de onde venham. Os suplementos podem ser uma mão na roda em muitos casos, principalmente por conta da praticidade. Por outro lado, são mais caros que os alimentos, além de serem ricos em corantes, conservantes e adoçantes.

Por isso, se quiser ganhar massa magra sem uso de suplementos não há problema. Basta que a quantidade de cada nutriente esteja ajustada, conforme vimos nos módulos anteriores. E existem muitos estudos na área. Por exemplo, cereais matinais (exemplo: aveia), com leite desnatado podem facilitar a recuperação após o exercício melhor do que as bebidas esportivas especializadas. É o que sugere uma pesquisa apresentada no 54º encontro do American College of Sports Medicine (ACSM).

O desempenho de 12 ciclistas de ambos os sexos foi avaliado. Os mesmos pedalaram por 2 horas após 12 horas de jejum. Após a atividade, os participantes foram divididos em grupos que receberam cereal integral com leite desnatado ou uma bebida esportiva contendo carboidratos. 

Durante a recuperação o consumo de cereal aumentou mais os níveis de insulina fazendo com que mais glicogênio fosse estocado, o que foi comprovado através de biopsia muscular.

Outros estudos mostraram que o leite com achocolatado (sim!) auxiliaram mais a recuperação do que bebidas esportivas especializadas. Inclusive os marcadores de degradação muscular na corrente sanguínea diminuíram.

O suco de beterraba também aumenta a chegada de oxigênio nos músculos melhorando o rendimento físico. Os nitratos da beterraba contribuem para o aumento do óxido nítrico e da tolerância ao exercício. Para maiores individualizações consulte um nutricionista.

Quanto à proteína, estudo publicado recentemente por Kim e colaboradores (2016) comparou a resposta analógica de refeições com 40 ou 70 gramas de proteína em 23 jovens. Os autores usaram uma refeição completa com proteínas derivadas da carne, ao invés de suplementos. Os resultados mostraram que a ingestão de uma maior quantidade de proteínas resultou em maior balanço anabólico, por aumentar um pouco a síntese proteica, mas principalmente por diminuir o catabolismo. 

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Referências sobre leite achocolatado:

Lunn WR, Colletto MR, Karfonta KE, Anderson JM, Pasiakos SM, Ferrando AA, Wolfe RR, Rodriguez NR. Chocolate milk consumption following endurance exercise affects skeletal muscle protein fractional synthetic rate and intracellular signaling. Medicine & Science in Sports and Exercise. 2010;42:S48. Karfonta KE, Lunn WR, Colletto MR, Anderson JM, Rodriguez NR. Chocolate milk enhances glycogen replenishment after endurance exercise in moderately trained males. Medicine & Science in Sports and Exercise. 2010;42:S64.  Colletto MR, Lunn W, Karfonta K, Anderson J, Rogriguez N. Effects of chocolate milk consumption on leucine kinetics during recovery from endurance exercise. Medicine & Science in Sports and Exercise. 2010;42:S126.  Ferguson-Stegall L, McCleave E, Doerner PG, Ding Z, Dessard B, Kammer L, Wang B, Liu Y, Ivy J. Effects of chocolate milk supplementation on recovery from cycling exercise and subsequent time trial performance. Medicine & Science in Sports and Exercise. 2010;42:S536.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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