A grande culpada pela obesidade no mundo: a indústria de alimentos ultraprocessados

Alimentos ultraprocessados são formulações criadas pela moderna indústria de alimentos, com pouco ou nenhum alimento fresco e grandes quantidades de óleo, sal e açúcar, além de muitas outras substâncias. São exemplos de alimentos ultraprocessados: refrigerantes, biscoitos e salgadinhos de pacote, gelatinas industrializadas, refrescos em pó, temperos prontos, margarinas, iogurtes industrializados, queijinhos petit suisse, macarrão instantâneo, sorvetes, biscoitos recheados, achocolatados e outras guloseimas.

Aos alimentos ultraprocessados podem ser adicionados amidos modificados, isolados de proteínas, soro de leite, gordura hidrogenada, açúcar, óleo, sal e todo o grupo dos aditivos químicos, como conservantes, acidulantes, corantes, espessantes, estabilizantes, adoçantes. Os aditivos usados nos alimentos ultraprocessados têm como função prolongar duração dos produtos e torná-los tão ou mais atraentes do que os alimentos verdadeiros e naturais.

Mas além de um perfil nutricional desequilibrado, os processos e os ingredientes utilizados no ultraprocessamento atrapalham o controle natural da fome e saciedade, fazendo com que as pessoas desenvolvam compulsão e gerando ganho de peso. Estes alimentos também tem uma digestão muito fácil, contém pouca ou nenhuma fibra alimentar, são absorvidos muito rapidamente, estimulam muito a insulina, o estoque de gordura e geram hipoglicemia de rebote, aumentando a fome. Fora isso, os alimentos ultraprocessados são produzidos para serem "irresistíveis". De fato, pra muita gente é quase impossível comer um só e isso inclusive é dito, na maior cara de pau, na propaganda desses produtos.

E  não é só isso! O ultraprocessamento dos alimentos é muito ruim para o meio ambiente, pois gera uma grande quantidade de resíduos sólidos e requer maior consumo de água e de energia em comparação aos alimentos minimamente processados. Também representa risco à diversidade de espécies. Como a lógica da indústria é reduzir custos, compram apenas um tipo de laranja, um tipo de milho ou de soja. É muita coisa pra gente pensar.

Classificação brasileira é aceita e testada em várias partes do mundo

A classificação dos alimentos baseada na extensão e propósito do processamento industrial foi proposta por grupo de pesquisadores brasileiros e é hoje adotada em muitos países. De acordo com a clasificação NOVA seriam quatro os grupos de alimentos: (grupo 1) alimentos in natura ou minimamente processados; (grupo 2) ingredientes culinários (óleos, gorduras, sal e açucares), (grupo 3) alimentos processados e (grupo 4) produtos ultraprocessados. Esta classificação recebeu duras críticas de pesquisadores norteamericanos e irlandeses ligados à indústria dos alimentos. Mesmo assim, pesquisas realizadas em várias partes do mundo mostram que a classificação faz sentido e que pessoas que consomem mais alimentos ultraprocessados apresentam maior risco de obesidade e doenças crônicas não-transmissíveis.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/