Esclerose lateral amiotrófica e nutrição

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ALA) é uma doença neurológica degenerativa rara, não contagiosa, que evolui de forma progressiva. Nesta doença, os neurónios motores que conduzem a informação do cérebro aos músculos (passando pela medula espinhal) morrem prematuramente. Como consequência, os músculos vão ficando mais fracos dificultando o caminhar, o falar, o andar, dentre outros movimentos.

Os primeiros sintomas surgem geralmente entre os 40 e os 75 anos, sendo mais comum em homens brancos. Não se conhece a causa da doença que provavelmente é resultado da combinação de fatores genéticos e ambientais.

O tratamento requer a participação de equipes multidisciplinares englobando médicos, farmacêuticos, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas e, em alguns casos, assistentes sociais, para a adaptação da assistência às necessidades individuais dos pacientes.

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Observa-se na ALA um acúmulo da enzima Superóxido Dismutase (SOD-1) mutada no citoplasma das células, o que gera aumento do estresse oxidativo, inflamação, desequilíbrio da homeostase do cálcio e apoptose de neurônios. A nutrição pode contribuir com o tratamento com o uso de antioxidantes (vitamina C, vitamina E) que não estimulem SOD-1 e nrf2, com substâncias antiinflamatórias (como ômega-3, curcumina, resveratrol e EGCG), magnésio e vitamina D (para equilibrio da homeostase do cálcio) e theanina do chá verde que inibe neurotransmissão glutamatérgica (responsável pela citoxicidade neuronal).

Para pacientes com dificuldade de deglutição alterações na consistência podem ser necessárias, assim como a terapia enteral em casos mais graves. O gasto energético pode estar aumentado. Por isso, recomenda-se acompanhamento nutricional para evitar perda de peso e agravamento da perda muscular.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Toxoplasmose e excesso de dopamina

A toxoplasmose é uma infeção causada pelo parasita Toxoplasma gondii. Este parasita reproduz-se apenas no intestino de gatos. Seres humanos e outros animais infectam-se após o contato com fezes destes felino ou com alimentos que contenham ovos doToxoplasma gondii . Estima-se que entre 10 a 70% das pessoas estejam infectadas, dependendo da população estudada. O Brasil possui uma das maiores populações mundiais infectadas (aproximadamente 66,7%). Culpa dos gatos ou das carnes mal passadas (ou ambos?).

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Se uma mulher grávida for infetada, a infeção pode ser transmitida ao feto através da placenta, o que pode resultar em aborto ou na ocorrência de toxoplasmose congênita, doença que pode gerar icterícia grave, convulsões e atraso intelectual. Carnes mal passadas são grandes vilões.

Entre as pessoas infectadas após o nascimento, estima-se que até 1/4 tenham o toxoplasma no cérebro. Em pessoas saudáveis o parasita parece não causar nenhuma consequência importante. Porém, pessoas imunodeprimidas podem desenvolver esquizofrenia, desordem bipolar, depressão, problemas de memória, epilepsia e condições neurodegenerativas (Sinai et al., 2016). Estudos mostram que o Toxoplasma gondii pode alterar comportamentos em camundongos e gatos, colocando-os em maior risco de acidentes ou morte (Flegr, 2013).

Um dos problemas é que a infecção pelo Toxoplasma gondii aumenta os níveis de dopamina. A dopamina é um neurotransmissor importante, ajudando a regular memória, atenção, movimentos voluntários, humor, prazer e libido. A doença de Parkinson está associada à baixa produção de dopamina. Já a esquizofrenia está relacionada à altas quantidades de dopamina. Pelo menos 1/5 dos pacientes com esquizofrenia parece estar infectados pelo Toxoplasma gondii (Smith, 2014). O excesso de dopamina também parece ser comum em condições como déficit de atenção e hiperatividade, paranóia, halucinações, psicose, desordem bipolar.

É por isso que o tratamento envolve o uso de medicamentos que antagonizam a dopamina. Já o uso de substâncias que aumentam a dopamina agravam sintomas (cafeína, cocaína, anfetaminas, açúcar). Pessoas muito estressadas ou que dormem pouco também podem ter maiores níveis de dopamina. Já suplementos contendo plantas como Bacopa monnieri, Morus alba, 5-HTP, Magnolia officinalis e Glycyrrhiza glabra ajudam a reduzir os níveis de dopamina e tem sido estudados como alternativa para o tratamento da toxoplasmose (Sharif et al., 2016). Para mais informações consulte um nutricionista especialista em fitoterapia.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Compulsão alimentar e compulsão por compras

Vários de nossos comportamentos são formas de tentar lidar com sentimentos. Algumas pessoas comem quando sentem-se estressadas ou sobrecarregados. Outras pessoas vão ao shopping e compram coisas que nem precisam. Um terceiro grupo come e compra. O tratamento das compulsões envolve descobrir novas maneiras de administrar sentimentos.

Para lidar com as compulsões coloque suas experiências em palavras. O que aconteceu no dia, como sentiu-se, por que? Coloque para fora tudo o que está acontecendo, nos mínimos detalhes. Muitas vezes, coisas corriqueiras, que parecem sem importância, são as principais responsáveis pelas chateações e pela compulsão. Por isso, converse com alguém que esteja disposto a lhe ouvir. Se preciso for, pague um psicólogo pois o processo pode não ser simples, nem fácil ou rápido. Mas nãos será maravilhoso quando chegar o dia que seu corpo, sua comida e seu cartão de crédito deixarem de te preocupar? Não será ótimo encontrar maneiras saudáveis de gerenciar seus sentimentos? Não será ótimo deixar de punir-se?

Por que isso é importante?

Uma conhecida uma vez disse-me: “A cada final de dieta, eu sinto-me uma impostora. Sinto que falhei três vezes: falhei com a dieta, falhei comigo mesma pois desisti, falhei com os outros que ainda me verão como uma pessoa acima do peso”. Olha que sentimentos horríveis. Ninguém quer odiar o próprio corpo e se a dieta está contribuindo para que este ciclo repita-se em sua vida, então dieta não é algo para você!

Você talvez tenha sido ensinada a precisar de dietas. Talvez esteja aprendido que está simplesmente cuidando do próprio corpo. Mas fazer dieta tem te tornado mais saudável? Provavelmente não. Tem criado outros problemas? Talvez sim. Em vez de melhorar sua saúde, as dietas podem estar alimentando sua relação não saudável com a comida e promovendo o ódio ao próprio corpo. E quando está fazendo dieta como lida com suas emoções? Vai as compras? Gasta mais?

Reconheça seu histórico de dieta e o que elas fizeram com sua cabeça. Talvez sinta-se fraca ao redor dos alimentos, talvez sinta medo de comer. Tente com compaixão sair da cultura da dieta. Respeite-se mais. Fui a Dinamarca recentemente e percebi que os dinamarqueses são loucos por seus pães e por seus bolos. Mas possuem um estilo de vida saudável. Mais de 50% vão ao trabalho ou escola de bicicleta. Não precisam pensar em dieta. Simplesmente comem quando estão com fome e comem o que desejam.

 Não tenha vergonha em não fazer mais uma dieta. Muitas pessoas com compulsão sentem muita vergonha. Vergonha por não serem magras ou atléticas ou perfeitas. Vergonha por terem falhado na dieta, vergonha em comer na frente dos outros…. Qual é a sua vergonha? Reconheça e liberte-se. A culpa não é sua, a culpa é da indústria da moda, da indústria da dieta. Deixe que eles sintam vergonha em impor um padrão que pode estar lhe fazendo muito mal.

Conecte-se com seu corpo de uma maneira mais neutra. Aceite as experiências que viveu e dê-se permissão para fazer as coisas de forma diferente. Rebele-se! Com isso não estou dizendo para você não amar-se e não cuidar-se. Não é nada disso. Só estou dizendo para deixar regras loucas de lado. Para comer quando estiver com fome, sem vergonha ou medo. Para não passar fome nem privações. Permita-se ser você mesma. Escolher não fazer dieta significa escolher comer para promover a recuperação de desordens alimentares, energéticas e de saúde física e mental. Troque a mentalidade de dieta pela mentalidade

O primeiro passo na alimentação intuitiva é rejeitar a mentalidade da dieta. Comece escolhendo fazer hoje, algo que vem adiando. Não espere para viver apenas quando você mudar o formato ou tamanho do seu corpo. Pense nas suas comidas favoritas e repita várias vezes “não há alimentos bons ou ruins”. Comece sua jornada de alimentação consciente.

Você é viciada em pesar-se? Então pare. Sua saúde não é definida por um número na balança. Apenas cuide-se. Aprenda a ouvir seu corpo, dê a ele o que precisa, movimente-se, faça seus check-ps, respeite-se e cuide-se de forma holística. Pare de seguir nas redes sociais quem só fala sobre dieta, peso ou barriga definida. Não prenda-se nas armadilhas da comparação. Desenvolva-se e valorize suas qualidades. O que deseja entregar para o mundo? Como deseja contribuir? Não tenha medo de ocupar seu espaço no mundo!

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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O que é nutrigenômica?

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/