O que é nutrição funcional?

O termo funcional foi cunhado nos Estados Unidos para referir-se à uma prática que funciona. No caso da nutrição, uma nutrição eficaz para seus problemas, que realmente funciona pois encara a pessoa por vários ângulos. Não trata apenas sintomas, mas busca suas causas para que a solução seja definitiva.

Por exemplo, a Síndrome do Intestino Irritável (SII) tem como sintomas diarréia e/ou obstipação (prisão de ventre), cólicas abdominais ou dores, inchaço e gases intestinais. O que não funciona? Tratar os sintomas isoladamente (com medicamentos, suplementos ou fitoterápicos). Estas estratégias encobrem temporariamente o problema.O que funciona? Conhecer a história e o ambiente nos quais o problema surgiu, os fatores da dieta e do estilo de vida que causam os sintomas e as intervenções que realmente permitem a cura definitiva.

A ferramenta utilizada pelo nutricionista para conhecer o paciente é a matriz da nutrição funcional.

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Com esta ferramenta avaliamos a história familiar, o contexto de nascimento, a dieta, processos de digestão e eliminação, sinais e sintomas, exposição a toxinas, funcionamento de diversos sistemas, dentre tantas outras variáveis.

A partir do diagnóstico é estabelecida uma parceria terapêuticas. O paciente recebe explicações, é inspirado e decide o caminho a seguir. Tratamentos iguais para pessoas diferentes não tem nada de funcional.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!

Eventos estressantes na infância impactam a saúde por toda a vida

Enquanto a maior parte das crianças cresce em famílias amorosas, muitas crescem em ambientes com pouco apoio e relações familiares conturbadas. Quando as crianças não sentem-se seguras podem crescer com baixa autoestima, ansiedade ou mesmo problemas de saúde que perpetuam-se por toda a vida.

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Experiências adversas, ou seja, eventos estressantes na infância são conhecidas em inglês como ACEs e incluem diferentes formas de abuso físicos, emocionais ou sexuais. Incluem também violência doméstica, bullying, contato com adultos que tenham problemas com álcool ou drogas, divórcio dos pais, morte de um ou ambos os pais, criação por adultos com doenças mentais, ter um dos pais na prisão, passar por muitas privações devido à baixa condição econômica da família.

Relatório de 2018 publicado pela fundação Abrinq mostra que 40% das crianças no Brasil vivem na pobreza. Além disso, descaso, divórcio, abuso do álcool, violência doméstica podem ocorrer em qualquer classe social. Ou seja, a situação é gravíssima no Brasil. É muito provável que você ou pessoas muito próximas a você tenham passado por experiências adversas na infância. Pense: que impacto estes eventos tiveram no resto de sua vida?

Em relação à saúde, estudos mostram que quando uma criança não recebe suporte adequado ou quando o número de eventos adversos é grande as complicações na idade adulta aumentam.

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Crianças submetidas a 4 ou mais ACEs possuem maior probabilidade de desenvolverem na fase adulta problemas cardíacos, diabetes tipo 2, depressão, perpetuarem situações de violência, serem encarcerados, abusarem de álcool ou drogas. Além disso, pessoas submetidas a 4 ou mais ACEs tendem a perpetuar a pobreza e viverem em áreas com menos recursos.

Para prevenir ACEs fale sobre as mesmas. Quanto mais nos informamos mais conseguimos atuar. Observe as crianças com as quais tem contato e seus comportamentos. Converse com elas. Transmita-lhes segurança. Ter um adulto confiável por perto reduz os efeitos negativos dos ACEs. Isto é fundamental já que poucas crianças tem acesso à acompanhamento psicológico pelo tempo necessário.

Na psicologia a teoria do apego ou da vinculação argumenta que uma forte ligação emocional e física com um cuidador primário em nossos primeiros anos de vida é fundamental para o nosso desenvolvimento. Se a nossa ligação é forte e estamos firmemente ligados, então nos sentimos seguros para explorar o mundo. Se o nosso vínculo é fraco, nos sentimos inseguros. Temos medo de sair ou explorar um mundo de aparência assustadora. Após a segunda guerra mundial observou-se que as crianças órfãs e sem lar apresentaram muitas dificuldades, Na época o psicanalista e psiquiatra John Bowlby foi chamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para estudar o tema, formulando depois a teoria. Deixo abaixo um vídeo sobre o tema:

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!

Dieta vegetariana e o ciclo menstrual

Se você segue meu trabalho no YouTube, sabe o quanto me preocupo com a saúde das mulheres. Isto porque mulheres mal nutridas podem desenvolver vários problemas. A má alimentação prejudica, por exemplo, a ovulação.

As mulheres produzem hormônios como estrogênio e progesterona. Os mesmos são importantes para a reprodução, para a saúde óssea e muscular, para o controle do metabolismo e para o bom humor. Já os homens precisam muito mais da testosterona e não só quando querem ter filhos. Homens e mulheres precisam dos seus hormônios. E estes são produzidos a partir de nutrientes.

No caso das mulheres estes hormônios são produzidos quando ovulam. Ou seja, o ciclo menstrual normal da mulher é fundamental para sua saúde. A dieta deve então apoiar estes processo. Dietas muito pobres em carboidratos ou muito pobres em calorias podem reduzir a produção hormonal fazendo com que a saúde sofra a longo prazo. É a amenorréia hipotalâmica.

Poucas calorias desencadeiam uma resposta de fome no hipotálamo, perturbando a produção do hormônio luteinizante (LH), o que acaba interrompendo a ovulação. Explicando de outra forma: se você não come o suficiente, seu hipotálamo acha que você está com fome e toma a decisão executiva de interromper a reprodução. A amenorréia induzida pela fome foi uma estratégia adaptativa benéfica em toda a história humana, porque nos impedia de tentar fazer bebês quando não havia comida suficiente. Muito pouco carboidrato (mas calorias suficientes) faz a mesma coisa. Portanto, como mulher, você precisa de mais carboidratos do que um homem.

Sinais de que você não come carboidrato suficiente:

  • Tireóide sub-ativa e T3 reverso elevado

  • Perda de cabelo

  • Prisão de ventre

  • Insônia

  • Amenorréia (falta de menstruação)

Mulheres vegetarianas devem, portanto, ficar atentas. Mesmo com uma dieta baseada em vegetais a mulher deve conseguir ovular. Além das calorias e carboidratos, a deficiência de nutrientes como aminoácidos, zinco, vitamina D, ferro, vitamina B12, colina, taurina, ômega-3, vitamina K2, vitamina A, vitamina B6 ou iodo podem prejudicar o ciclo menstrual.

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Já se o seu ciclo menstrual é doloroso tente ficar um tempo sem ingerir leite e seus derivados. Muitas mulheres possuem intolerância à lactose, alergia à proteínas do leite ou reações à histaminas. Mulheres que possuem sensibilidade alimentar a ovos também podem sentir mais dor no período menstrual ou ter maior evolução da endometriose.

Já os fitoestrógenos presentes em grãos, sementes, leguminosas (especialmente soja) protegem o corpo contra o excesso de hormônios, tornando os períodos menstruais mais tranquilos. Cuidado, contudo, com o excesso de fitoestrógenos, pois podem suprimir a ovulação - em geral, acontece após 6 meses de grande consumo de soja ou suplementos.

Lembre: as mulheres não são todas iguais. Algumas comem menos carboidratos e ficam bem. Outras comem carboidrato demais e ficam mal, pois desenvolvem resistência à insulina. Assim, a qualidade do carboidrato também é importante. Dê preferência aos de baixo índice glicêmico(aqueles que são lentamente absorvidos). Ou seja, troque pão branco por pão de aveia. Troque doces por frutas. Troque arroz branco pelo integral.

Para as mulheres que não estão menstruando, o ajuste da dieta regulariza o ciclo em 3 a 4 meses. O vegetarianismo é saudável se todos os nutrientes estão disponíveis em quantidades adequadas para o corpo. Caso necessário, consulte um nutricionista.

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Benefícios da clorela - a alga do rio

A clorela (Chlorella Vulgaris) é uma pequena alga usada na Ásia há centenas de anos, principalmente Japão e Taiwan. Nasce na água fresca, possui alto valor nutricional e alto poder desintoxicante (Lee et al., 2015). O alto conteúdo de nutrientes, como folato, vitamina B12 e ferro, reduz o risco de anemia, inclusive em gestantes (Nakano; Takekoshi; & Nakano, 2010).

Porém, estudos recentes não conseguiram comprovar a efetividade para o tratamento da depressão (Panahi et al., 2015), nem para a redução do LDL colesterol (Ryu et al., 2014).

A clorela é provavelmente segura quando tomada por via oral por até 29 semanas. Os efeitos colaterais mais comuns incluem diarréia, náusea, gases (flatulência), descoloração verde das fezes e cólicas estomacais, especialmente nas duas semanas de uso. Também pode aumentar a sensibilidade da pele ao sol. Por isso, o uso do protetor solar é muito importante para quem faz a suplementação.

Como a alga contém grandes quantidades de vitamina K, não deve ser utilizada por pessoas que estejam fazendo uso do medicamento varfarina (Coumadina), usado para retardar a coagulação do sangue. A clorela pode reduzir a eficácia do medicamento. Por isso, nem ela, nem fitoterápicos devem ser utilizados sem orientação.

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