Periodontite na síndrome de Down

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Pessoas com deficiências intelectuais e de desenvolvimento estão entre os grupos mais desfavorecidos entre os pacientes odontológicos. Possuem maior prevalência de cáries não tratadas e doença periodontal do que a população em geral e podem apresentar taxas mais altas de obesidade, perda de dentes e doenças crônicas orais e sistêmicas. As escolhas alimentares podem afetar a saúde bucal e podem desempenhar um papel importante na saúde geral destes pacientes (Ahmed, Ramakrishnan & Victor, 2018; Ziegler & Spivack, 2018).


No lado direito da imagem abaixo você vê os fatores que prejudicam a doença periodontal, incluindo disbiose do biofilme, respostas inflamatórias gengivais e periodontais descontroladas, estresse psicológico paralelo à liberação elevada de cortisol e dietas não saudáveis caracterizadas por alto consumo de carboidratos. A doença periodontal afeta negativamente a saúde do tecido oral e é um fator de risco no carcinoma oral, induz a senescência celular em células saudáveis, promove inflamação sistêmica e é um fator de risco em doenças inflamatórias crônicas, incluindo doença inflamatória intestinal (DII), doença cardiovascular, condições autoimunes, e doença de Alzheimer.

À esquerda aparecem os fatores que promovem a saúde periodontal, incluindo a homeostase do biofilme supra e subgengival, imunidade homeostática nos tecidos gengivais e periodontais, constituintes alimentares saudáveis e ausência de doença inflamatória crônica em locais distantes. Tecidos periodontais saudáveis, por sua vez, reduzem o risco de câncer oral e afetam bidirecionalmente a saúde sistêmica, de modo que o risco de doença inflamatória crônica é reduzido.

Alimentos mais ricos em carboidratos e baixa escovação associam-se a mais problemas periodontais. Além disso, deficiências nutricionais em pessoas com síndrome de Down podem produzir alterações na cavidade oral:

• a baixa ingestão de cálcio e baixos níveis de cálcio no plasma total estão associados ao risco aumentado de doença periodontal. O cálcio é importante para a formação dos dentes. O esmalte dentário tem 99% de hidroxiapatita, substância formada por cálcio e fosfato.

• a vitamina A é importante para a produção e manutenção da pele e das mucosas. Sua deficiência prejudica o tecido de sustentação dos dentes.

• a vitamina C é fundamental para a formação do colágeno e preservação da saúde periodontal. A deficiência aumenta o risco de gengivite, escorbuto e perdas ósseas e dentárias.

• a vitamina D é fundamental para a absorção de cálcio e fósforo no trato gastrintestinal. Sua deficiência causa raquitismo, reabsorção óssea, atraso no desenvolvimento dentário e hipoplasia do esmalte.

• a vitamina K é fundamental para a síntese de fatores de coagulação. Sua carência aumenta o risco de sangramentos e hemorragias da gengiva.

EPIGENÉTICA DA PERIODONTITE

O termo epigenética refere-se a mecanismos que explicam a expressão genética. Por exemplo, herdei um gene que aumenta o risco de doença cardiovascular. Será que terei um ataque cardíaco? Isto depende parcialmente da expressão do gene e existem vários fatores que alteram o comportamento do DNA ao longo da vida.

Doenças crônicas, como a periodontite, dependem de uma série de fatores como a capacidade de resposta do corpo à inflamação, a microbiota, o funcionamento do sistema imune e assim por diante. Sabemos que patógenos presentes na boca como as bactérias Porphymonas gingivalis (P. gingivalis) e Fusobacterium nucleatum (F. nucleatum) podem induzir a acetilação de histonas, reduzir a ativação da enzima DNMT1 (que é importante para a metilação do DNA), ativar ou desregular o funcionamento de receptores responsáveis pelo reconhecimento de microorganismos ruins. A desregulação genética acaba aumentando o risco de periodontite. A dieta, a inflamação e alterações da microbiota estão entre os principais fatores a induzir alterações epigenéticas (Larsson, 2017).

Dica: chá não é só para beber, mas também para fazer enxaguatório bucal, especialmente gengibre, malva, cravo, calêndula, sálvia, alecrim e verde. A placa dentária é um biofilme de microrganismos patogênicos que se apresenta naturalmente na superfície exposta do dente. É o principal fator etiológico associado à cáries, periodontite e gengivite. O enxague bucal com chás podem ser eficientes na destruição da bactéria patogênica Streptococcus mutans, contribuindo na modulação do microbioma oral.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Problemas de marcha na síndrome de Down

As crianças com síndrome de Down (SD) possuem um risco aumentado de redução da massa muscular devido à hipotonia e frouxidão ligamentar, causando dificuldades em relação às habilidades motoras grossas e luxação de articulações.

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O deslocamento (luxação) do quadril ocorre quando a cabeça do fêmur (osso da coxa) move-se para fora do encaixe (acetábulo) formado pela pélvis. Essa luxação pode ocorrer pela má formação do acetábulo, pela frouxidão do tecido conjuntivo e/ou pela fraqueza muscular. É mais comum entre as idades de 2 e 10 anos, causando dor, dificuldade para andar ou diminuição na amplitude dos movimentos. O tratamento pode envolver imobilização com gesso ou correção cirúrgica.

A fisioterapia é importante para a prevenção e tratamento das luxações. Além disso, a dieta saudável é fundamental, garantindo bom desenvolvimento ósseo, muscular e articular. Muitas pessoas com síndrome de Down apresentam deficiência de vitamina D devido a vários fatores, como exposição inadequada à luz solar, ingestão inadequada de vitamina D, má absorção secundária à doença celíaca, aumento da degradação por causa da terapia anticonvulsivante, entre outros fatores. A hipovitaminose D aumenta o risco de redução da massa óssea em crianças com síndrome de Down e também as predispõem a fraturas recorrentes (Akhtar, Rizwan, & Bokhari, 2018).

A alta prevalência de obesidade e as características da apneia obstrutiva do sono são importantes problemas de saúde em indivíduos com SD e suas atividades diárias. Quanto maior é o Índice de Massa Corporal e quanto mais graves são os sintomas da apneia, pior é o desempenho de pessoas com SD em testes de caminhada. A marcha fica mais lenta, há mais desequilíbrio e fadiga física. Intervenções multiprofissionais são fundamentais para a prevenção e tratamento da obesidade e da apneia, incluindo programa de exercícios, alimentação saudável e acompanhamento médico (Chen & Ringenbach, 2018).

Mecanismos epigenéticos

Estudos recentes sugerem que disfunções epigenéticas a nivel de metilação ou de quantidade de microRNA circulante desempenham um papel potencial na fisiopatologia da obesidade e da apneia, fatores que podem prejudicar a marcha. Pessoas obesas possuem pelo menos 55 miRNAs diferentes a mais em relação a pessoas não obesas. Esta expressão modificada pode aumentar também o risco de resistência à insulina e diabetes, câncer, hipoxia tecidual (falta de oxigenação) e mudanças cardiovasculares significativas. Da mesma forma, pacientes com apneia experimentam um estado de hipoxemia constante.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Crianças e adultos com síndrome de Down podem consumir ovo?

Podem e devem! A clara do ovo é rica em aminoácidos essenciais, importantes para a produção de hormônios, enzimas, anticorpos e tecidos. A gema é rica em zeaxantina, que previne a catarata e a degeneração macular. Além disso, o ovo é o alimento mais rico em colina na natureza. A colina é uma molécula composta por três grupos metil (CH3) ligados a um átomo de nitrogênio. E é importantíssima para quem tem síndrome de Down!

A colina é um nutriente essencial ao organismo, precursora de várias outras substâncias, como a acetilcolina (neurotransmissor), a glutationa (antioxidante) e o SAM (S-adenosil-metionina), que repara a bainha de mielina, regula o humor (aumentando a produção de melatonina e serotonina), além de ter funções antiinflamatórias.

As demandas de colina são bastante altas durante o período de desenvolvimento pré-natal. A colina é particularmente importante para a produção de acetilcolina, um neurotransmissor chave na função cerebral, incluindo a regulação da proliferação de neurônios, plasticidade e formação de sinapses (redes de comunicação entre os neurônios). 

Colina e regulação epigenética

Como visto acima, a ingestão de colina na dieta ou por meio da suplementação pode modular a metilação, pela regulação da produção doadores do grupo metil. Exemplos de efeitos epigenéticos mediados por doadores de metil incluem as alterações no peso do recém nascido e na susceptibilidade à doenças. Ou seja, os efeitos benéficos da colina começam mesmo antes do bebê nascer. Estudo de Moon e colaboradores (2010) mostrou que a suplementação de colina na gestação de bebês com síndrome de Down faz com que eles tenham melhores scores de atenção ao nascer. Sugere-se que as mães continuem fazendo a suplementação de colina durante o período do aleitamento. A mesma varia nos estudos entre 480 mg/dia a 930 mg/dia, quantidade maior do que a geralmente recomendada (Yan et al., 2012) afim de garantir melhor desenvolvimento do bebê ao nascimento.

Fontes de colina (em 100 gramas de alimento):

Colina

Colina

  • 2 gemas de ovo: 682 mg

  • Shitake desidratado: 202 mg

  • Isolado de soja: 191 mg

  • Carne de vaca (corte magro): 138 mg

  • Carne de porco (corte magro): 114 mg

  • Tofu: 106 mg

  • Peito de frango: 96 mg

  • Salmão: 95 mg

Lembrando que ovos também são fontes de colesterol. Para evitar a oxidação do LDL-c e reduzir o risco cardiovascular e de doença de Alzheimer adicione açafrão nas preparações com ovos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/