As causas da obesidade

O excesso de peso atinge cerca de 49% da população adulta brasileira e a obesidade 15,8%. O percentual de crianças e adolescentes acima do peso também é preocupante. Na faixa etária de 0 a 8 anos estimam-se que 52% estejam com excesso de peso e 18% com obesidade; dos 9 aos 11 anos a estimativa é de que 44% tenham excesso de peso e 13% obesidade. Já a partir dos 12 anos são 47% de adolescentes com excesso de peso, sendo 14% deles obesos.

Tal situação demanda intervenções nos níveis macro, meso e micro, envolvendo a participação do governo, da indústria, da escola, dos serviços, de profissionais de saúde e da família uma vez que as causas do ganho de peso são complexas e multifatoriais. A falta de intervenções poderá fazer do Brasil o segundo país com maior número de obesos no mundo já em 2022, atrás apenas dos Estados Unidos.

A Pesquisa de Orçamentos Familiares  e o sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico mostram importantes inadequações na alimentação do brasileiro. Por exemplo, 34,2% da população consome carnes com excesso de gordura, 28,1% tem consumo regular (5 vezes por semana ou mais) de refrigerantes e apenas 20,2% consome a quantidade adequada de frutas e verduras diariamente.

São também enormes as mudanças nos comportamentos e atitudes relacionados ao ato de se alimentar. Comer em frente à TV ou computador, escolher locais que oferecem quantidades ilimitadas de alimentos, comer frequentemente em fast foods, comer sem atenção e de maneira rápida podem levar ao consumo exagerado de alimentos e facilitar o ganho de peso. A combinação de maior disponibilidade e variedade de produtos ultraprocessados a preços baixos e em locais de fácil acesso torna possível que mesmo os consumidores com menor renda aumentem o consumo energético.

A dieta inadequada é um determinante social proximal da saúde importante. As relações entre a dieta e as condições crônicas estão bem estabelecidas, existindo evidências de relação entre a má alimentação e doenças cardiovasculares, sobrepeso e obesidade, hipertensão, dislipidemias, diabetes, síndrome metabólica, certos tipos de câncer, esteatose hepática, disfunção mitocondrial e osteoporose.

largepreview.png

Contribuem ainda para o ganho de peso a falta de lugares seguros e atrativos para a prática de atividade física e brincadeiras infantis, o acesso limitado à alimentos saudáveis com custo razoável, a maior disponibilidade de alimentos energéticos e bebidas com alto teor de açúcar, o marketing de alimentos, as porções de comida avantajadas, a falta de tempo para preparo de alimentos em domicílio, a depressão, doenças metabólicas e endócrinas, fatores genéticos, desmame precoce e a falta de apoio para amamentar, o estresse.

Estas doenças aumentam os custos do SUS e, se não forem prevenidas e gerenciadas adequadamente, demandam uma assistência médica de custos sempre crescentes. No Brasil estima-se que sejam gastos entre US$ 58 e US$ 210 milhões de dólares anualmente para o tratamento do excesso de peso, da obesidade e suas comorbidades no SUS.

Desta forma, as ações devem focar todos estes aspectos:

- Individuais: empoderar as pessoas para que adotem dietas balanceadas e uma rotina de exercícios;

- Interpessoais: família, escola, colegas de trabalho, amigos podem ajudar de diversas formas, ajudando na compra, preparo, disponibilização e seguimento de uma rotina saudável;

- sociais: ações participatórias para melhorar o ambiente em que todos vivemos.

O texto é parte integrante da tese de doutorado de Andreia Torres.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Por quê emagrecer lentamente?

Reduzir o percentual de gordura não é fácil para muita gente. Na verdade é um tormento. No consultório é comum as pessoas falarem que gostariam mesmo é de perder 10 kg em 1 mês. Ha, se fosse fácil... Mas além de não ser fácil o emagrecimento rápido pode ser prejudicial por alguns motivos:

1) Grande perda de massa magra

Quando poucas calorias são ingeridas a perda de musculatura é grande, desacelerando o metabolismo. A alimentação inadequada também reduz a produção de hormônios anabólicos como a testosterona, o que acelera ainda mais o catabolismo. Para minimizar a perda de massa magra a alimentação deve ser balanceada e associada à atividade física adequada para este momento. Profissionais de educação física indicam exercícios com peso para estimular a síntese protéica.

2) Desequilíbrios da tireóide

Dietas restritivas interferem na produção do hormônio ativo T3 (triiodotironina). Este hormônio é fundamental para a queima de gordura e para o emagrecimento. Quanto maior é a restrição de calorias e carboidratos na dieta menos T3 é produzido. Leia mais aqui.

3) Intoxicação

Figura: La Merrill et al. 2013 - http://ehp.niehs.nih.gov/1205485/

Figura: La Merrill et al. 2013 - http://ehp.niehs.nih.gov/1205485/

Muitas toxinas entram em contato com nosso organismo diariamente. Várias delas vem pela alimentação, cheia de corantes, conservantes, adoçantes e pesticidas. Para que não façam mal a órgãos vitais como cérebro, coração e rins o tecido adiposo e o fígado sequestram tais toxinas.

Indivíduos com maior percentual de gordura corporal tem provavelmente mais toxinas acumuladas. A quebra rápida da gordura libera estes poluentes (POPs) no sangue. Transportados pela corrente sanguínea inflamam cérebro, fígado e o próprio tecido adiposo. Quando as células de gordura se inflamam voltam a inchar e a acumular gordura. Cérebro inflamado significa mais ansiedade e compulsão alimentar. E o fígado inflamado pode evoluir para a esteatose hepática ou hepatite. Assim, dietas restritivas podem promover uma grande perda de peso inicial, mas o ganho posterior de todo o peso perdido (ou até mais) é comum.

O ideal é então que o emagrecimento seja lento, acompanhado de atividade física e com uma dieta rica em substâncias antiinflamatórias e antioxidantes que protejam o organismo durante todo o percurso e facilitam a destoxificação de poluentes.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/