Exames disponíveis para avaliação do estresse oxidativo

Existem três possibilidades principais para avaliar o estresse oxidativo:

1 - Exames de atividade de enzimas antioxidantes

  • Glutationa peroxidase eritrocitária

  • Glutationa redutasse eritrocitária

  • Superóxido dismutase eritrocitário

  • Catalase eritrocitária

  • Tireodoxina redutase

2 - Exames para monitorar capacidade antioxidante

  • Antioxidantes totais

3 - Exames para avaliar danos causados por estresse oxidativo

  • Dialdeído malônico em sangue (MDA, malondialdeído malônico) - marcador de peroxidação lipídica: mais barato

  • Estresse oxidativo mitocondrial (OXIMITO) - marcador de dano mitocondrial: bem mais caro

  • 8 hiudroxil-2-deoxiguanosina (marcador de dano ao DNA) - medido na urina

Outras opções:

Nem sempre os exames acima estão disponíveis. Mas existem exames mais comuns e que nos ajudam a entender a saúde como um todo e que sofrem influência do estresse oxidativo. Seguem algumas opções de avaliação. Ao contrário dos exames acima são cobertos pelos planos de saúde (e seus valores adequados):

  • RDW próximo a 12

  • Homocisteína (7 a 9 µmol/L)

  • GamaGT (10 a 20 U/L)

  • Ácido Úrico (Homens abaixo de 4,9 e mulheres abaixo de 3,9 mg/dl)

  • Vitamina E (tocoferol): depende do laboratório

  • Vitamina A (retinol): 0,5 a 0,7 µmol/l

  • Vitamina C (ácido ascórbico): maior que 1,0 mg/L

  • LDLoxidado avaliado na saliva (laboratório Lemos). Outros laboratórios avaliam anticorpos quanto LDL oxidado

  • Ferritina menor que 45 ng/mL

Dependendo do grau de oxidação do paciente não vale a pena passar por cirurgias, a não ser que sejam inadiáveis.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Zonulina fecal detecta hiperpermeabilidade intestinal

Esta semana atendi um paciente com zonulina fecal super alta. O que significa?

Além da digestão e absorção de nutrientes e homeostase de água e eletrólitos, outra função-chave do intestino é regular o tráfego de antígenos ambientais (substâncias estranhas) através da barreira mucosa do hospedeiro. As junções apertadas intestinais (Tight Junctions ou TJ) criam gradientes para a absorção e transporte ideais de nutrientes e controlam o equilíbrio entre tolerância e imunidade a antígenos não próprios. Para enfrentar diversos desafios fisiológicos, as TJ devem ser modificadas rapidamente e de forma coordenada por sistemas regulatórios. Um destes moduladores fisiológicos é a zonulina. Essa proteína modula a permeabilidade do epitélio intestinal.

O aumento de zonulina indica, então, alta permeabilidade, permitindo que algumas substâncias mal digeridas e indesejáveis passem do intestino para a corrente sanguínea, ativando reações imunes.

Para os nerds da zonulina

A gliadina, um componente do glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio, liga-se ao receptor de quimiocina CXCR3 (expresso nas células epiteliais intestinais) e induz uma ativação dependente de MyD88 da via da zonulina. A zonulina liberada liga-se aos receptores de zonulina na superfície do epitélio intestinal e causa a desmontagem das junções estreitas (tight junctions). Este mecanismo compromete a função de barreira do intestino, levando ao aumento da passagem de antígenos para a corrente sanguínea. Quando isto acontece o sistema imune gera uma cascata de eventos que eventualmente contribui para o risco de uma série de doenças autoimunes, incluindo diabetes tipo 1.

Causas do aumento da permeabilidade intestinal

São causas de aumento da permeabilidade:

  • Dieta (alimentos industrializados, refinados, uso de bebidas, alcoólicas, acroleína (frituras),

  • Alergias e/ou hipersensibilidade alimentares (como vimos acima, o glúten costuma ser um grande problema),

  • Diabetes mellitus,

  • dislipidemia,

  • SOP (Síndrome do Ovário Policístico),

  • doença celíaca,

  • doença hepática,

  • inflamação,

  • consumo ou contato com agrotóxicos,

  • obesidade,

  • disbiose,

  • infecções intestinais,

  • consumo de medicamentos antiinflamatórios não esteroidais ou antibióticos,

  • quimioterapia,

  • deficiência de zinco,

  • depressão, ansiedade,

  • sedentarismo ou exercícios de longa duração,

  • Doença de Chron,

  • Alzheimer, Parkinson,

  • Doenças autoimunes como artrite reumatóide, espondilite anquilosante, esclerose múltipla e dermatopatias crônicas,

  • asma,

  • diversos tipos de câncer.

Tratamento

Vários compostos podem ajudar no reparo da barreira intestinal, incluindo glutamina, arginina, glicina, colágeno em pó, caldo de ossos, vitaminas A, C, D, ácido pantotênico (vitamina B5), minerais silício, zinco, ácidos graxos essenciais, aloe vera em gel, fibras (betaglucanas), nucleotídeos.

Este é um exemplo de suplemento para reparo: https://amzn.to/3c4oDdJ

Mas lembre, não adianta comprar suplemento e continuar comendo mal, fumando, consumindo álcool em excesso, com um estilo de vida louco, estressante, sedentário. Não existe milagre na saúde. Se precisar de ajuda marque aqui sua consulta.

Quer saber mais? Aprenda a modular seu intestino.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Influências do exposoma dos pais na saúde futura dos filhos

Embora os déficits de fala e linguagem sejam comuns em crianças e fortemente associados a maus resultados educacionais e sociais, pouca atenção tem sido dada aos antecedentes que afetam o processo de neurodesenvolvimento. Mas pesquisas recentes vêm mostrando que estressores principalmente associados à desvantagem socioeconômica, além escolhas inadequadas de estilo de vida, afetem a vida futura da criança (Steer, Bolton, & Golding, 2015).

Sabemos hoje que muitos fatores afetam a metilação do DNA e a expressão genética, incluindo tabagismo, etilismo, uso de determinados medicamentos, dieta, a microbiota intestinal, medo, dentre outros aspectos da saúde materna e paterna (Wright et al., 2016; Furman et al., 2020).

O que é exposoma?

O conceito de expossoma implica uma mudança de perspectiva na pesquisa de como os riscos ambientais afetam a saúde humana. Em vez de olhar para as consequências que cada exposição pode ter em nosso organismo e de nossos filhos, o expossoma propõe o estudo de todas as exposições a que um indivíduo é submetido desde a concepção até a morte. O expossoma leva em consideração todos os elementos aos quais estamos expostos por meio de nossa dieta, estilo de vida e ambiente em que vivemos e trabalhamos, bem como fatores biológicos internos, como metabolismo, microbiota intestinal, inflamação e estresse oxidativo.

IMAGEM: ISGLOBAL

Por isso, casais que desejam engravidar precisam começar a se cuidar idealmente um ano antes do momento da concepção. Programe sua vida e a de seu bebê.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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