Hipotireoidismo, síndrome de Down e Alzheimer

A história familiar de doença da tireoide constitui um possível fator de risco para hipotireoidismo congênito na população geral. O Mesmo acontece nas pessoas com trissomia do cromossomo 21 (T21 ou síndrome de Down). Estudo caso-controle mostrou que recém-nascidos com T21 apresentam risco oito vezes maior para hipotireoidismo congênito quando existe história familiar de doença da tireoide (Corona-Rivera et al., 2021).

O hipotireoidismo associa-se a maior peso corporal, piora da resistência à insulina, elevação de colesterol e triglicerídeos, hipertensão e aumento do risco de esteatose hepática ou dificuldade maior para eliminação de toxinas, além de maior risco cardiovascular (Biondi, Kahaly, & Robertson, 2019).

Também atrapalha aprendizado, desenvolvimento e contribui para maior declínio cognitivo e risco de Alzheimer precoce na fase adulta (Nomoto et al., 2019).

Desta forma, o rastreamento precoce é fundamental, assim como o acompanhamento anual com endocrinologista. Boas fontes de zinco, selênio e antioxidantes também são fundamentais para a saúde da tireoide.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Por que mulheres desenvolvem mais Alzheimer do que homens?

Você sabia que quase dois terços das pessoas com Alzheimer são mulheres? Isso significa que prejuízos cognitivos graves na velhice são quase duas vezes mais comuns no sexo feminino. Por que isso acontece? Uma teoria é de que as mulheres vivem mais.

  • 4 em cada 1.000 pessoas com idades entre 65 e 74 anos desenvolvem Alzheimer a cada ano

  • 32 em cada 1.000 pessoas com idades entre 75 e 84 anos desenvolvem Alzheimer a cada ano

  • 76 em cada 1.000 pessoas com 85 anos ou mais desenvolvem Alzheimer a cada ano.

Mas como não vivem tão mais assim, precisamos olhar para outras causas. Um estudo acompanhou 16.926 pessoas na Suécia e descobriu que, a partir dos 80 anos, as mulheres eram mais propensas a serem diagnosticadas com a doença de Alzheimer do que os homens da mesma idade. Da mesma forma, um estudo com sede em Taiwan descobriu que as chances de desenvolver a doença de Alzheimer ao longo de sete anos eram maiores em mulheres do que em homens. E uma meta-análise examinando a incidência da doença de Alzheimer na Europa descobriu que aproximadamente 13 mulheres em cada 1.000 desenvolveram Alzheimer a cada ano, em comparação com apenas sete homens.

Assim, as mulheres que vivem mais do que os homens não podem ser a resposta completa já que mesmo entre os indivíduos que vivem até a mesma idade, as mulheres são mais propensas a serem diagnosticadas com Alzheimer do que os homens.

Outra pista para esse quebra-cabeça vem do trabalho de pesquisadores de Harvard, que sugeriram que o amilóide, um componente da patologia da doença de Alzheimer, está mais presente no cérebro de mulheres. Como a inflamação e as doenças autoimunes são causas deste acúmulo, combater a inflamação é fundamental. Para isso, o intestino tem que funcionar todos os dias, a dieta precisa ser baseada em plantas mas com ótimas doses de ômega-3 e o sono tem que ser de muita qualidade.

A última peça do quebra-cabeça é que as mulheres têm cerca de duas vezes mais chances de ter uma doença autoimune em comparação com os homens. A razão para essa diferença não é totalmente clara, mas é claro que o sistema imunológico geralmente é mais forte nas mulheres do que nos homens, e muitas doenças autoimunes são mais comuns durante a gravidez. Pode ser que o sistema imunológico mais forte das mulheres tenha se desenvolvido ao longo da evolução para proteger o feto de infecções. Assim, como parte de seu sistema imunológico mais forte, as mulheres podem acabar tendo mais placas amilóides do que os homens. Lembre que excesso de açúcar, homocisteína e/ou gordura saturada na corrente sanguínea também aumenta o acúmulo de amilóide no cérebro. Mantenha-se saudável e faça seus check-ups frequentes.

Uma última peça do quebra-cabeças é a entrada na mulher da menopausa. Com a queda na produção de hormônios sexuais o cérebro fica mais vulnerável. Fazer reposição hormonal pode ser importante e os prós e contras devem ser conversados com seu ginecologista. Falo mais sobre o tema do Alzheimer em mulheres neste texto.

Estratégias preventivas

Todas estamos envelhecendo e não podemos fazer nada quanto a isso. Mas podemos cuidar do nosso estilo de vida. São três os maiores fatores de risco para demência: envelhecimento, menopausa (queda estrogênica) e escolhas ruins. Estilo de vida não favorável (má alimentação, privação do sono, sedentarismo, obesidade abdominal, estresse prolongado) aumenta risco de demência em quem tem risco genético e quem não tem também! Cuide do seu estilo de vida.

A Organização Mundial de Saúde publicou um guia com estratégias para preservação da cognição. As evidências mostram que uma boa cognição depende de:

  • atividade física - Faça exercícios aeróbicos, como caminhada rápida, corrida, ciclismo, natação ou aulas aeróbicas pelo menos 30 minutos por dia, cinco dias por semana.

  • não fumar

  • dieta antiinflamatória - adote um menu de características mediterrâneas, incluindo peixe, azeite, abacate, frutas, legumes, nozes, feijão, grãos integrais e aves. Consuma outros alimentos com moderação.

  • redução do consumo de álcool

  • treino cognitivo (esteja sempre a aprender algo)

  • atividade social - Participe de atividades sociais e novas atividades cognitivamente estimulantes. Fique longe de pessoas que te fazem mal.

  • controle do peso/manutenção de um peso saudável

  • controle da pressão arterial (tensão arterial aqui em Portugal)

  • controle dos níveis de açúcar do sangue e tratamento do diabetes

  • controle dos níveis de gordura no sangue - tratamento da perda auditiva

Ebook: Nutrição no Alzheimer

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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DEFINIÇÕES EM FITOTERAPIA

Planta medicinal - estado in natura. É a folha da hortelã, que tem benefícios medicinais.

Droga vegetal - Uma parte da planta que tem os ativos concentrados. Por exemplo, a folha seca.

Chá - é a infusão da planta Camelia sinensis: chá verde, chá mate, chá oolong, matchá

Existem outras bebidas a base de plantas que não tem a intenção de ser terapêutica. Por exemplo, você pode colocar água quente na folha do hortelã e isso não ter o benefício medicinal pois talvez você tenha colocado pouca folha ou deixado em imersão por pouco tempo. Isso será então uma bebida aromática, tem cheiro gostoso mas não terá um benefício medicinal.

Infusão - água pré-fervente em tempo suficiente para extrair os compostos ativos da planta. A infusão tem benefício medicinal. É diferente do chá pois é feito de outras plantas, diferentes da Camelia sinensis (questão de nomenclatura).

Decocção - fervura da água com a parte da planta (raiz, casca) para conseguir extrair os compostos ativos da planta

Extrato seco - Pó da planta com menos de 5% de água. Usado em cápsulas, comprimidos com alta concentração dos compostos ativos da planta. Geralmente é padronizado pela indústria para garantir o efeito esperado. Como é mais concentrado pode ter mais efeitos colaterais. Por isso, deve ser prescrito por médico ou farmacêutico ou nutricionista especialista em fitoterapia.

Princípio ativo - composto químico da planta com efeito. Por exemplo, a polpa do maracujá não nos faz dormir. Mas a folha da Passiflora incarnata é rica em vitexina, em armano e crisina, compostos fenólicos com efeito farmacológico produzido no metabolismo secundário da planta.

Metabolismo secundário - origina compostos que não possuem uma distribuição universal, pois não são necessários para todas as plantas. O agrotóxico pode bloquear o metabolismo secundário da planta. Assim, a folha do maracujá pode conter menos quantidade dos ativos que nos ajudam a dormir. Por isso, para ser fitoterápico tem que ser orgânico.

Composto fitoquímico: Elemento químico, não nutriente, de origem vegetal, encontrado em frutas, verduras, leguminosas, grãos e outros tecidos vegetais, e que apresenta atividade biológica.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/