O que são transtornos do neurodesenvolvimento?

Nosso desenvolvimento começou dentro da barriga de nossas mães. Os primeiros 1.100 dias de vida foram fundamentais e, dependendo de como ocorreram, podem ter contribuído para um neurodesenvolvimento típico ou não. As estatísticas variam muito entre os países mas os transtornos do neurodesenvolvimento parecem ocorrer entre 10 e 15% das crianças menores que 10 anos. As causas biológicas parecem ser as mais importantes. Explico mais neste vídeo:

O cérebro desempenha um conjunto de funções superiores, como o reconhecimento de sensações, a identificação e interpretação de eventos, tomada de decisões, memória, linguagem. No transtorno do déficit de atenção/hiperatividade, por exemplo, pode haver comprometimento de algumas destas funções. Assim, uma pessoa com TDAH pode subestimar a quantidade de tempo que precisará para realizar uma tarefa, ou pode não conseguir planejar bem o futuro, ou pode arriscar-se sem necessidade. Isto pode estar acontecendo por menor recrutamento de redes neurais em várias regiões do cérebro.

Características do TDAH

Com o amadurecimento o lobo frontal do cérebro desenvolve maior capacidade de autocontrole. Assim, vamos aprendendo a refletir mais antes de tomar decisões. Porém, nas pessoas com TDAH este processo pode não ser perfeito, por isso, podem ser menos controlados e mais impulsivos.

A mente também é mais dispersa. Em estudos de imagem isto aparece com maior ativação de redes neurais associados a uma mente que está sempre a vagar. Isto reflete-se no dia a dia em menor motivação e menor rendimento. Infelizmente, ainda não existem testes de imagem para diagnóstico do TDAH, pois a variabilidade dos cérebros das pessoas no espectro é enorme. Contudo, espera-se que estes métodos continuem aperfeiçoando-se e que, no futuro, o diagnóstico torne-se mais fácil e preciso.

Um dos problemas é que pessoas com TDAH podem ter outras condições relacionadas ao neurodesenvolvimento, que podem ser confundidos nos exames de imagem cerebral. Por enquanto, estes testes não conseguem distinguir o TDAH do autismo, desordens relacionadas à coordenação ou problemas de conduta.

Uma forma de contornar isso parece ser pela união dos dados de imagem e da avaliação clínica, com análises genéticas capazes de identificar alterações relacionadas ao TDAH. Este aqui é um pedacinho do meu teste genético:

tdah.jpg

Estes estudos estão apenas começando, mas o futuro é o da medicina cada vez mais personalizada.

Livros para explicar o TDAH para crianças

Quanto pesa o cérebro?

A gestação e os primeiros anos de vida são momentos cruciais para o neurodesenvolvimento. O encéfalo cresce absurdamente no primeiro ano de vida e por volta dos 10 a 12 anos o cérebro já tem o seu volume total, com o peso do cérebro de um adulto (cerca de 1,5kg).

Mas, depois, especialmente após os 55 anos, o cérebro começa a perder volume. Aos 65 anos pesa cerca de 1,3 kg. Além do próprio envelhecimento, o estilo de vida influencia muito o que acontece com o cérebro. Consumo excessivo de carboidratos simples, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e falta de sono estão entre os fatores que geram mais perda de massa cerebral.

Precisamos cuidar do cérebro em todas as fases (antes de engravidar, gravidez, infância, adolescência, fase adulta), com um estilo de vida saudável, manejo do estresse e tratamento de doenças mentais (depressão, transtornos de ansiedade etc) para a prevenção da neurodegeneração.

CURSO: NUTRIÇÃO NO TDAH

MARQUE SUA CONSULTA DE NUTRIÇÃO ONLINE
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Influência da genética na microbiota intestinal

Sua microbiota é única, sendo influenciada por vários fatores, especialmente a sua genética e a sua dieta. A microbiota é o somatório de todos os microorganismos que colonizam o corpo. Bactérias, fungos, vírus, archaea localizam-se em muito maior proporção (95%) no intestino grosso, em relação às outras partes do corpo.

Esta microbiota possui um genoma próprio que, de tão grande, é considerado por muitos nosso segundo genoma. O microbioma intestinal representa a somatório de todos os microorganismos ali presentes, além do seu genoma e dos fatores ambientais do seu habitat. Além disso, nossos genes interagem com nosso microbioma. Por exemplo, apesar de polimorfismos nos genes NOD2 e CARD9 serem fatores de risco para doenças inflamatórias intestinais, estas apenas manifestam-se se a microbiota estiver desregulada (situação de disbiose intestinal).

Screen Shot 2020-07-15 at 7.36.36 AM.png

Cada pessoa, segundo sua própria genética e microbioma, pode reagir de forma diferente aos alimentos consumidos. Estudos tentam mostrar como as pessoas diferem em sua microbiota com base em alterações no próprio material genético. Todos os cromossomos possuem genes que influenciam o metabolismo de nutrientes e a composição da microbiota intestinal. A identificação de associações entre a genética humana e o microbioma intestinal e a exploração de suas interações pode fornecer informações sobre o papel do microbioma em doenças complexas e impulsionar o desenvolvimento de terapias para modular o microbioma em busca de uma melhor saúde (Bonder et al., 2016).

Como não podemos mexer na nossa genética a melhor maneira de modular a microbiota intestinal continua sendo a dieta. Explico tudo sobre isto neste curso online - tratamento da disbiose intestinal. Mas aqui vai uma dica: aumente o consumo de compostos fenólicos para uma microbiota mais saudável. Compostos fenólicos são uma classe de compostos químicos com um grupo hidroxila (OH) ligado a um anel aromático (este nome existe pois estas substâncias presentes nos vegetais possuem aromas característicos). São capazes de modular a microbiota intestinal, ajudando no tratamento da disbiose, o que pode trazer benefícios para várias patologias (Yang et al., 2020). Exemplos de compostos fenólicos e alimentos que os contém:

Screen Shot 2020-07-15 at 7.48.23 AM.jpg

Incluindo alimentos de verdade em seu cardápio você estará estimulando o crescimento de lactobacilos e bifidobactérias importantes para a saúde, para a imunidade, para a manutenção do peso adequado. Por exemplo, você pode começar o dia com chá verde. Pode comer uma banana com canela e cacau em pó no lanche da manhã. Incrementar o almoço com feijão, brócolis e azeite de oliva, e assim por diante.

Testes como este permitem a individualização da dieta, abrindo caminho para o encontro mais rápido de sua saúde. você recebe um desconto para fazer seu teste genético da microbiota, usando o código promocional andreiatorres no site da BiomeHub.

PRECISA DE AJUDA? MARQUE AQUI SUA CONSULTA ONLINE

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
Tags

Intestino saudável facilita a perda de peso

Somos 7,8 bilhões de pessoas no mundo. Mas dentro de nós vivem 3,8 trilhões de bactérias - só para dar uma ideia de proporção. Estas bactérias possuem importantes funções de defesa e localizam-se em maior proporção no intestino grosso (95%). Representam aproximadamente 0,3% do peso corporal de uma pessoa e influenciam a saúde como um todo.

Untitled.jpg

A obesidade, por exemplo, têm sido associados a alterações no microbioma intestinal. Comparados com indivíduos magros, aqueles com obesidade apresentaram diferenças em seu microbioma intestinal nos níveis composicional (diversidade alfa reduzida) e funcional. No nível funcional, indivíduos com obesidade apresentam capacidade diminuída de conjugação da superóxido redutase (um importante antioxidante) em comparação com pessoas não obesas (Thingholm et al., 2019).

Os mecanismos pelos quais os micróbios intestinais e seus metabólitos interagem no contexto de distúrbios metabólicos não estão totalmente elucidados. Mas uma revisão científica realizada por pesquisadores da Bélgica mostra a importância de alterarmos nossas escolhas alimentares para influenciar positivamente a composição e os metabólitos produzidos pela microbiota. O motivo é que vários destes metabólitos inflamam o intestino - um gatilho para várias doenças e para o ganho de peso. A saúde intestinal também influencia a produção de hormônios, peptídeos e neurotransmissores, que impactam no sistema nervoso central, no apetite, ingestão de alimentos, metabolismo de glicose e gorduras (Rastelli, Knauf, & Cani, 2018).

Nossos genes contribuem com 41% de nossa variação de peso. A obesidade é uma doença multifatorial. Outros fatores incluem estilo de vida, doenças e, claro, a composição da microbiota. A capacidade de modificar a composição do microbioma intestinal em direção a um ambiente metabólico mais favorável por meio de modulação alimentar torna-o um alvo atraente para regular positivamente as alterações no peso. Por exemplo, mulheres que ingerem grandes quantidades de fibra dietética são menos propensas a ganhar peso do que aquelas que ingerem pouca fibra, mesmo que consumissem aproximadamente a mesma quantidade de calorias. As fibras alimentam as bactérias probióticas e este aumento leva à maior produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), os quais são menos associados a alterações desfavoráveis no peso corporal (Vijay & Valdes, 2019)

Sem AGCC o intestino fica mais vazado (como na foto à direita a seguir). Podem aparecer sintomas como prisão de ventre e/ou diarreia, desregulação da comunicação intestino-cérebro, com aumento de ansiedade e episódios compulsivos de alimentação.

leaky-gut_1567120966.jpg

A desregulação da microbiota (disbiose intestinal) também pode desencadear uma endotoxemia metabólica, contribuindo para doenças como a tireoidite de Hashimoto, que desacelera o metabolismo e contribui para mais ganho de peso e falta de energia.

Para um intestino saudável precisamos tratar esta desregulação e explico tudinho neste curso online para você aprender a cuidar bem do seu intestino. O tratamento da disbiose reduz os níveis circulantes de endotoxinas, melhora a sensibilidade à insulina e o perfil glicêmico, contribui para atenuação dos níveis de colesterol e triglicerídeos e controle do peso corporal (Sabico et al., 2019).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
Tags