Duas perguntinhas que podem salvar

Infelizmente muitos brasileiros ainda passam fome, que aparece principalmente nas áreas de pobreza, atingindo as famílias sem acesso ao básico. Outra causa da fome são as catástrofes naturais como as enchentes que assolaram Alagoas e Pernambuco.

Um dos indicadores da fome é a desnutrição infantil e, por isto, pesquisadores propõem, em estudo publicado na revista Pediatrics, que todos aqueles que trabalham na área de saúde pública deveriam fazer duas perguntinhas às famílias: 

- Nos últimos 12 meses você se preocupou com o fato de que poderia faltar comida em sua casa?

- Nos últimos 12 meses aconteceu de o alimento comprado acabar e não haver dinheiro para a compra de quantidades extras?

O estudo mostrou que 92,5% das famílias que passam fome respondem sim à primeira pergunta e 81,9% das famílias respondem sim à segunda pergunta. Identificar tais famílias é fundamental afim de que as crianças destas famílias sejam monitoradas e a família encaminhada à programas governamentais de combate à fome. 

Além disso, estes questionamentos são importantes pois muitas crianças não parecem desnutridas à primeira vista, visto que alguns alimentos calóricos e baratos como farinha, pão, óleo e açúcar acabam suprindo as necessidades calóricas deixando, contudo, um rastro de deficiências protéicas, vitamínicas e minerais. Estas deficiências tem impacto negativo na saúde e no desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Para os pais, preocupados constantemente com o que irão alimentar os filhos, a ansiedade e a depressão são comuns.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Indústria: está na hora de banir a gordura trans!

Um manifesto público na Inglaterra pede que a indústria finalmente pare de produzir alimentos com gorduras trans até ano que vem. A gordura trans ou hidrogenada são sólidas como a da margarina e a adicionada em biscoitos, bolos e alimentos tipo fast food.

O manifesto vem em resposta aos diversos estudos quem mostram que este tipo de gordura aumenta o risco de doenças cardiovascuares, por aumentar o LDL-colesterol ("ruim") e diminuir o HDL-colesterol ("bom"). Análises recentes mostram que as pessoas deveriam abolir este tipo de gordura da dieta afim de minimizar o risco cardíaco. Alguns países estão sugerindo esta redução ou eliminação na legislação. De acordo com as diferentes propostas esta é uma das estratégias de saúde públicas mais importantes na atualidade. Será que o manifesto inglês vai agora inspirar nossas indústrias ou por aqui também precisará haver uma imposição constitucional?

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Quer emagrecer? Cuide do intestino!

Estou aqui preparando a aula de disbiose que darei no curso de pós graduação em obesidade. O ganho de peso acontece por diversos motivos, tanto genéticos quanto ambientais. Dentre os últimos os mais comuns são excessivo consumo calórico e redução dos níveis de atividade física. Porém, apenas isto parece insuficiente para explicar o tamanho aumento de peso na população. Uma das hipóteses é que o desequilíbrio entre bactérias boas e ruins no intestino possa ser um dos responsáveis pela adiposidade. De acordo com inúmeros estudos obesos possuem mais bactérias inapropriadas no intestino e estas extraem mais energia dos alimentos.

A composição da flora bacteriana intestinal varia de pessoa para pessoa e depende da microbiota ainda ao nascimento e das práticas de aleitamento (crianças que nasem de parto normal e são amamentadas possuem flora mais saudável e esta persiste por muitos anos), depende de como a introdução de alimentos foi feita (com mais ou menos alérgenos e alimentos que modificam o pH intestinal), da disponibilidade de material fermentável (as bactérias precisam de alimento para sua manutenção, no caso fibras prebióticas), status nutricional (células do intestino necessitam de diversas vitaminas afim de permanecerem saudáveis e produzirem os diversos peptídios que enviam informações de saciedade ao cérebro).

As bactérias boas do intestino são bastante sensíveis, sua colonização não é permanente e por isto merecem atenção. Fatores como estresse, uso de medicamentos (antibióticos, antiácidos, antiinflamatórios, anticoncepcionais etc), radiação, atividade física extenuante, dieta inadequada (pobre em fibras, vitaminas e minerais ou com um consumo excessivo de proteínas animais) podem desequilibrar a flora intestinal.

A flora intestinal de indivíduos obesos parece ser diferente daquela de indivíduos que estão dentro do peso considerado adequado (Anhê et al., 2015Fei, & Zhao, 2013, Parekh et al., 2015Schulz et al., 2014). O tratamento da disbiose passa a ser então necessário. Dentre os tipos de probióticos (bactérias boas) disponíveis no mercado para a reposição da flora destacam-se o Lactobacillus rhamnosus (eficaz na inibição de infecções do trato urinário, vaginal, na prevenção da diarréia e da intolerância à lactose), o Lactobacillus acidophilus (combate bactérias ruins como a salmonela além de produzir lactase), lactobacillus casei (encontrado também no yakult - tem efeitos imunomoduladores reforçando as defesas naturais do organismo), Bifidobacterium longum (expulsa bactérias nocivas e fungos do intestino grosso e reduz a frequencia de desordens gastrintestinais durante o tratamento com antibiótico), bifidobacterium bifidum (diminui o pH intestinal melhorando a absorção de minerais como cálcio e magnésio), bifidobacterium animalis (aquela do Activia - diminui a inflamação intestinal e acelera o peristaltismo). O ideal é o uso de produtos que contenham mais de um tipo de probiótico, assim a colonização é mais eficaz e o tratamento mais rápido. Para saber sobre marcas de produtos tanto em cápsulas quanto em pó (sachês) converse com seu nutricionista!

Abaixo cito algumas marcas de fibras prebióticas. Antes do uso converse com seu nutricionista ou médico sobre a melhor opção par seu caso:

- Muke: inulina e frutooligossacarídeos (fos) e galactooligossacarídeos (gos) e goma guar (cyamoposis tetragonolobus)

- FiberFor - Fibra de Trigo, Frutooligossacaríos (FOS) e Inulina.

- FiberMais - Goma Guar Parcialmente Hidrolisada e Inulina.

- Fiber Balance - gomar guar parcialmente hidrolisada SUNFIBER e inulina

- Mix de fibras catarinense - inulina e polidextrose

- FOS maxinutri - frutooligossacarídeos (fos)

- Nesh fibras - inulina e goma guar

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/