Papel do estresse no desenvolvimento e descontrole do diabetes

Uma forte relação tem sido demonstrada entre diabetes mellitus (DM) e estresse psicológico. O DM, um distúrbio metabólico crônico, resulta da combinação de resistência à insulina e secreção insuficiente de insulina pelas células β pancreáticas. Em indivíduos geneticamente suscetíveis, o DM tipo 1 é geralmente caracterizado pela resposta autoimune às células β pancreáticas.

Enquanto o estresse agudo é benéfico e protetor, o estresse crônico está ligado à uma série de questões de saúde. O estresse agudo (momentâneo): melhora a imunidade inata, aumenta a resposta inflamatória para combate a patógenos, gera adaptação quando o estresse termina (deixa o corpo mais forte). Já o estresse crônico enfraquece a imunidade, consome nutrientes excessivamente e prejudica as defesas intracelulares, gera uma resposta inflamatória exacerbada (associada a asma, alergias, doenças autoimunes), provoca perda de equilíbrio de células T reguladoras, provoca menor sensibilidade das células imunes ao cortisol, prolongando a resposta pró-inflamatória.

Possivelmente, esses processos autoimunes são desencadeados por certos fatores adquiridos/ambientais, como estresse de células β, rápido crescimento somático (hipótese aceleradora), infecções virais e/ou menor exposição a agentes infecciosos na infância (hipótese da higiene).

A hipótese do estresse sugere que vários fatores psicológicos podem comprometer o funcionamento das células β pancreáticas. Processos inflamatórios e queda da imunidade são comuns após a exposição ao estresse psicológico crônico ou agudo, induzido por hormônios como cortisol, epinefrina (EP) e norepinefrina (NE) ou ativação do sistema renina-angiotensina.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Gordura saturada faz mal?

Quanta gordura pode ser incluída em uma dieta saudável? Como evitar as gorduras trans? Os ácidos graxos ômega 3 são realmente bons para o coração? Estas questões, comuns entre consumidores geram muita polêmica, mesmo entre profissionais de saúde. Em 2007 as associações americana e canadense de nutricionistas divulgaram um documento denominado Dietary Fatty Acids.

O documento colocava que, entre 20 e 30% das necessidades energéticas deveriam ser supridas por gordura. Porém, uma vez que óleos e gorduras são ricos em calorias (fornecem 9 calorias em uma grama) as porções deveriam ser limitadas a fim de evitar o ganho de peso.

O tipo de gordura na dieta também é muito importante. As escolhas mais saudáveis são foram consideradas as gorduras insaturadas presentes em óleos vegetais, nozes e castanhas, e o ômega-3 presente nos frutos do mar e na linhaça. Gorduras saturadas (presentes em produtos de origem animal) e gorduras trans (comuns nos alimentos industrializados) deveriam ser evitadas.

As duas associações recomendam ainda uma dieta rica em vegetais, frutas, grãos integrais, leguminosas, nozes e castanhas. Indicava que o consumo de carnes deveria ser reduzido e que as escolhas devem recair sobre os cortes magros. Os laticínios deveriam ser desnatados e o consumo de peixes deveria aumentar. Além disso recomenda a retirada das gorduras hidrogenadas (trans) da dieta.

De lá para cá algumas coisas mudaram. Ficou claro que realmente gorduras trans são grandes vilãs (Kavanagh et al., 2012; Okamura et al., 2021). Contudo, gorduras saturadas provenientes de laticínios integrais (incluindo manteiga) são menos prejudiciais do que gorduras poliinsaturadas do tipo ômega-6, proveniente do óleo de soja, milho e canola. Ácidos graxos ômega-6 são facilmente atacados por radicais livres, oxidados (perdem elétrons) e geram grandes estragos. Especialmente se a dieta for pobre em antioxidantes e em ômega-3.

O medo que muita gente tem da gordura saturada levou à exclusão de carnes, queijos e manteiga da dieta de muitos. Estes alimentos foram substituídos por pães, biscoitos, cereais matinais, margarinas. Os triglicerídeos aumentaram, os níveis de insulina, a hipertensão explodiu e o o risco de um infarto ou derrame também.

Não tenha medo das gorduras. Equilibre as gorduras saturadas com as mono (do azeite, do abacate), com as do tipo ômega-3 e inclua no cardápio boas fontes de fibras. Dietas cetogênicas bem formuladas possuem vários benefícios à saúde. Falo sobre o tema na plataforma https://t21.video/browse

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Dieta cetogênica no tratamento do transtorno bipolar e alcoolismo

Paciente jovem, universitário, com diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1 e alcoolismo. Uso de lítio (estabilizador do humor), carbamazepina (antiepilético), valium (calmante), isradipina (bloqueador de canais de cálcio) e olanzapina (antipsicótico). Após vários ajustes de dosagens, continuava com dificuldade de controlar os sintomas depressivos.

Peso normal (outros pacientes podem ter compulsão alimentar e maior adiposidade corporal, o que é muito comum). Dieta ocidental com alto consumo de carboidratos (300g ao dia), sanduíches, pizzas, sem alergias alimentares conhecidas.

Tendo pensamentos suicidas. Procurou a consulta de nutrição com o objetivo de iniciar dieta cetogênica para tratamento da bipolaridade e alcoolismo. O exame de sangue mostrou uma redução da carnitina, aumento do colesterol e redução do HDL.

Um plano alimentar cetogênico foi calculado, suplementação de carnitina (para este paciente foi 2,5g ao dia) e TCM foi sugerida (entenda mais aqui) . A carnitina foi inicada uma semana do início da dieta. Contato foi feito com o psiquiatra para acompanhamento conjunto.

Foi iniciada uma dieta Atkins 1,5:1 (entenda aqui) adaptada com mais TCM até que o paciente atingisse uma concentração de corpos cetônicos no plasma de 3 mmol/L. Passou por processo de educação nutricional para aprender lidar com episódios de hipo/hiperglicemia, ajuste de corpos cetônicos, prevenção de cetoacidose, prisão de ventre e gripe cetogênica.

Nas consultas subsequentes foram discutidas as dúvidas, realizado controle do peso, avaliação de cetonas, glucose e índice glucose/cetonas, qualidade do sono, adesão à atividade física e dieta e feitos ajustes na suplementação.

O café da manhã era a refeição favorita e incluía ovos com legumes, iogurte com TCM e sementes, café ou chá com natas (creme de leite). A dieta progrediu para razão 1,7:1 e depois 1,8:1 (entenda aqui). O paciente sentia-se bem sempre que a quantidade de corpos cetônicos ultrapassava 1,5 mmol/L. O sono melhorou e não teve mais episódios de hipomania.

O controle de exames de sangue foi feito a cada 6 meses. Aprendeu a colocar gordura em tudo o que come, mas os níveis de colesterol melhoraram, voltou a malhar, parou de beber e os níveis de bom colesterol subiram (HDL). Mantem-se em tratamento psicológico, nutricional e psiquiátrico. Atualmente a dosagem de todos os medicamentos foi reduzida e está trabalhando com o psiquiátrico para desmame gradual.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/