Quer viver mais? Cultive um jardim dentro de seu intestino

Nosssa flora intestinal, cujo nome científico é microbiota intestinal, impacta nossa saúde de diversas formas. Alterações negativas na qualidade e quantidade de bactérias que moram em nosso intestino, principalmente grosso, geram uma situação conhecida como disbiose. A mesma pode reduzir a longevidade por 6 mecanismos principais:

1) o aumento da permeabilidade intestinal gera endotoxemia (LPS bacteriano), comprometendo a atividade mitocondrial (produção de sirtuínas, glutationa,...) e gerando um quadro de estresse oxidativo;

2) o aumento de lipopolisscacarídeos (LPS) plasmáticos está associado com diminuição do tamanho dos telômeros, componentes protetores do material genético;

3) um quadro de disbiose modifica a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), com redução da estimulação de receptores no sistema nervoso central (Farmesóide X), levando a comprometimento de atividades cognitivas e plasticidade neuronal;

4) menor estimulação do sistema imune pela redução da diversidade microbiana;

5) a disbiose aumenta risco de glicação e resistência periférica à insulina por ligações inespecíficas da glicose em células e tecidos importantes, incluindo vasos sanguíneos, nervos e tecidos cerebrais;

6) a disbiose intestinal está associada às doenças neurodegenerativas, inclusive doença de Alzheimer.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Modulação intestinal na síndrome do Intestino Irritável

A síndrome do intestino irritável é um dos tipos mais comuns de distúrbio gastrointestinal. Por muito tempo acreditou-se que a síndrome do intestino irritável (SII) era um distúrbio da funcionalidade gastrointestinal. Contudo, sabemos hoje que esta síndrome é uma desordem crônica na interação entre cérebro e intestino. Afeta cerca de 11% da população mundial e mexe muito com a qualidade de vida das pessoas acometidas.

4 subtipos de SII

1 - pessoa predominantemente constipada: mais de 25% das fezes são classificadas como Bristol 1 e 2 e menos de 25% tipo 6 e 7.

2 - pessoa que sofre predominantemente com diarreia. Ocorre o contrário: mais de 25% das fezes são classificados como Bristol 6 e 7 e menos de 25% 1 ou 2. Este é o subtipo mais comum, atingindo até 40% das pessoas com SII.

3 - subtipo misto (constipação e diarreia): mais de 25% são classificadas como Bristol 1 e 2 e mais de 25% em tipos 6 ou 7.

4 - indefinido Estes subtipos podem ser acompanhados de outros sintomas como dor, distenção abdominal, flatulência.

Causas da SII

As causas da SII incluem infecções, inflamação intestinal, disbiose intestinal, estresse, alteração da sensibilidade visceral, alterações funcionais do cérebro, disfunções secretoras, sensibilidade do nervo vago, alergias e intolerâncias alimentares O tratamento envolve mudança da dieta (dieta low fodmap), medicação (quando necessário), suplementação, atividade física para manejo do estresse e apoio psicológico.

Diretrizes para o tratamento da SII

  • Fazer refeições regulares

  • Evitar deixar de comer (evitar espaçamento muito longo entre as refeições)

  • Restringir café a 3 xícaras ao dia

  • Evitar álcool e refrigerantes

  • Limitar (para alguns) a ingestão de fibras ou adotar dieta de baixo FODMAP

  • Reduzir a ingestão de amido resistente (encontrado em alimentos processados ou cozidos)

  • Limitar frutas frescas a 3 porções ao dia (preferir frutas cozidas e de baixo teor de FODMAP

  • Pessoas com diarreia devem evitar o sorbitol

  • Sugerir (em alguns casos) aveia e linhaça

  • Uso de probióticos ou biomamps para tratamento da disbiose

  • Exclusão de alimentos que gerem alergias e intolerâncias

  • Regulação do ciclo circadiano e melhoria da qualidade do sono

  • Regulação do nervo vago

  • Pode ser necessária redução de gordura nos pacientes com diarreia

  • Yoga para redução do estresse

Um estudo publicado em 2020 mostrou que práticas integrativas como o Yoga foi mais eficaz no tratamento da síndrome do intestino irritável do que medicações comumente prescritas para o problema (D´Silva et al., 2020). Curso de formação de instrutores de Yoga 100% online.

Sinalização cérebro-intestino

A variedade de doenças e processos de doenças nos quais a microbiota está envolvida, incluindo transtornos psiquiátricos e neurodegenerativos, dor, ansiedade, estresse, síndrome do intestino irritável (SII), derrame, compulsão e obesidade (Cryan et al., 2019)

A microbiota de pacientes com SII difere da microbiota de pacientes saudáveis. De modo geral, pacientes com SII possuem:

  • Menor abundância de Erysipelotrichaceae e Ruminococcaceae;

  • Abundância maior de Methanobacterialles, bactérias produtoras de metano, na SII do tipo constipado;

  • Menor abundância do filo proteobacteria (como Veillonella), firmicutes:

  • Menor diversidade microbiana.

Esta mudança na microbiota gera mais inflamação e altera a produção de serotonina. O 5-hidroxitriptofano (5-HT ou serotonina) atua como transdutor sensorial. A maioria do 5-HT é sintetizado, armazenado e liberado por células intestinais, que interagem com aferentes nervosos sensoriais intrínsecos e extrínsecos na camada mucosa do intestino. Qualquer mudança nesta sinalização pode resultar em função intestinal alterada. A sinalização de 5-HT do intestino controla muitas funções gastrointestinais, incluindo secreção, vasodilatação, peristalse, bem como percepção sensorial, como dor e náusea.

A função serotonérgica e o metabolismo do triptofano são conhecidos por estarem alterados em pacientes com SII . Um tratamento clínico baseado em probióticos demonstrou ser eficaz na melhora de queixas gastrointestinais relacionadas ao estresse ao usar uma combinação de L. acidophilus Rosell-52 e B. longum Rosell-175, pela redução da inflamação.

Vários estudos tem tentado identificar os melhores probióticos para cada subtipo de SII. Os testes podem começar por:

  • Probióticos para alívio da dor: Bifidobacterium breve, Bifidobacterium longum, Lactobacillus acidophilus

  • Alívio da distenção abdominal: B. breve, B. infantis, L. casei, L. plantarum

  • Flatulência: B. breve, L. casei, L. plantarum, B. longum, L. acidophilus, L. bulgaricus, Streptococcus salivarius spp thermophilus

  • Constipação: L. plantarum LP01, B. longum BL03, B longum W11, B breve BR 03, B animalis BS 01, B adolescentis BA02, B lactis

  • Diarreia: L. rhamnosus LR04, L. rhamnosus GG

Impacto das diferentes dietas na microbiota intestinal.

A dieta low fodmap é uma terapia e não um estilo de vida. Conforme o paciente vai melhorando a variedade da dieta precisa aumentar. Dietas restritivas geram redução da colonização microbiana intestinal, o que perpetua a disbiose intestinal.

TÉCNICAS PARA ESTIMULAR O NERVO VAGO

1) SOM

- Encontre um local calmo

- Coloque sua música ou mantra favorito (KALYANI, et al, 2011).

- Feche os olhos

- Cante junto

2) YOGA

A respiração lenta, a entoação de mantras como o OM, as posturas (ásanas) e as técnicas de concentração ajudam a ativar o nervo vago (STREETER et al. 2010).

3) MODULAÇÃO INTESTINAL

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Gordura trans na alimentação da mãe passa para o bebê pelo leite materno

A gordura hidrogenada (também conhecida como gordura trans) está presente em grande quantidade em alimentos ultraprocessados, como massas de tortas, massas folhadas, salgadinhos, bolos, bolachas e sorvetes industrializados, margarina, pipoca de microondas, pizza congelada e alimentos tipo fast food.

A gordura hidrogenada é mais estável e, por isso, os alimentos acabam durando mais. Esse é um dos motivos pelos quais o bolo que você faz em casa estraga rápido e o bolo empacotado dura muito mais. O problema é que o consumo de gordura trans tem sido associado a alterações negativas nas lipoproteínas (como LDL e VLDL), gera inflamação sistêmica, aumenta o risco de doença coronariana e diabetes mellitus. Evidências de processos que levam a essas condições também foram encontradas em crianças.

Os hábitos e preferências alimentares são estabelecidos na primeira infância. O leite materno tem diferentes sabores, dependendo do que a mãe come. Mães com dietas mais variadas e coloridas já estão preparando o bebê para maior aceitação de alimentos saudáveis.

Vários estudos mostram que a gordura trans pode prejudicar a saúde do bebê durante a gestação, e também, nos primeiros meses de vida, tornando-o mais suscetível à várias doenças. Ou seja, podendo deixar sequelas por toda a vida. Por exemplo, estudo mostrou que dieta materna rica em gordura trans aumenta o risco de obesidade na criança (Anderson, McDougald, & Steiner-Asiedu, 2010). Por isso, para toda mamãe: dieta muito saudável!

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/