Pirâmide dos antioxidantes e importância para a pessoa com autismo

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento associado a prejuízos sociais e comportamentais. Embora disfunções em várias vias de sinalização tenham sido associadas ao autismo, muito poucas moléculas foram identificadas como alvos de drogas potencialmente eficazes na clínica.

Classicamente, as pesquisas neste campo focam na caracterização de vias envolvidas no desenvolvimento neural e plasticidade sináptica, que sustentam a patogênese desse grupo de doenças. Mais recentemente, foram observadas disfunções do sistema imunológico no autismo. Além disso, altos níveis de espécies reativas de oxigênio (ROS), que causam estresse oxidativo, estão presentes em pacientes no espectro do autismo.

O estresse oxidativo no autismo pode decorrer de mecanismos de defesa antioxidantes modestos, em particular, baixos níveis de superóxido dismutase (SOD), glutationa peroxidase e vitamina E. Quanto maior a quantidade de ROS maior é a ativação de metaloproteinases de matriz (MMP) que contribuem para maior permeabilidade da barreira hematoencefálica. A micróglia ativada também produz ROS e citocinas em um processo perpétuo.

O sistema nervoso é muito vulnerável à lesão mediada pelo estresse oxidativo, uma vez que:

1) possui alta necessidade energética. O cérebro consome muito oxigênio levando à produção excessiva de radicais livres;

2) as membranas neuronais contêm mais ácidos graxos poliinsaturados suscetíveis ao ataque por radicais livres;

3) área de superfície de membrana no cérebro é elevada em relação ao volume citoplasmático;

4) os axônios são propensos a lesões periféricas;

5) a natureza excitotóxica do glutamato, um importante neurotransmissor também causa estresse oxidativo;

6) pode acontecer aumento do fluxo de Ca2+ através das membranas neuronais e intrusão do transporte de íons, maximizando o Ca2+ intracelular, muitas vezes levando a estresse oxidativo;

7) a oxidação de neurotransmissores pode produzir O2 e quinonas que reduzem a glutationa;

8) se houver excesso de ferro no cérebro o estresse oxidativo aumenta.

Para proteção do cérebro uma dieta rica em antioxidantes torna-se fundamental. Modelos de autismo mostram uma baixa quantidade de enzimas antioxidantes em relação a controles.

A pirâmide dos antioxidantes

Quanto mais em cima da pirâmide maior o efeito protetor dos antioxidantes. A superóxido dismutase (SOD) é produzida pelo nosso corpo. Quando você consome brássicas (brócolis, couve, couve-flor) estimula essa produção de SOD. Manganês e zinco também são importantes para a produção de SOD.

Para produção de catalase e glutationa. Novamente, brássicas estimulam a produção destes antioxidantes primários. Vitamina D também estimula a produção de catalase. Vitamina C, selênio e o suplemento NAC ajudam a aumentar a glutationa. A glutationa lipossomal também pode ser suplementada por volta dos 50 anos. Agora, alguns estudos começam a testar o uso da glutationa em crianças com TEA, porém os resultados ainda são preliminares (Kern et al., 2011, Main et al., 2012).

No terceiro nível da pirâmide, junto com a coenzima Q10 podemos incluir também a melatonina, que tem função antioxidantes e antiinflamatórias cerebrais. Dieta variada e colorida vão garantir os demais antioxidantes dos níveis mais baixos da pirâmide.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Neuroinflamação aumenta o risco de neurodegeneração

A inflamação é a resposta natural do sistema imunológico a uma lesão ou doença. A neuroinflamação acontece quando uma doença, lesão ou outro problema causa inflamação no sistema nervoso. A inflamação no cérebro e na medula espinhal ocorre com muitas doenças e distúrbios cerebrais, particularmente os autoimunes e degenerativos.

A inflamação pode desempenhar um papel positivo na saúde do cérebro. Se a neuroinflamação é benéfica ou não depende do contexto, intensidade e duração. Por exemplo, se o cérebro passa por uma tragédia ou trauma, uma resposta inflamatória ajuda a impulsionar os processos de reparo. Ajuda a promover o condicionamento imunológico e a neuroplasticidade (a capacidade do cérebro de alterar as conexões após uma lesão). Mas se a inflamação continuar por muito tempo, pode causar danos.

Neuroinflamação pode levar à neurodegeneração

Altos níveis de neuroinflamação podem acelerar o envelhecimento cerebral e contribuir para a progressão de certas doenças cerebrais. Os transtornos neurocognitivos (anteriormente chamados demências) geralmente envolvem um declínio progressivo do sistema nervoso. Essas doenças incluem a doença de Alzheimer e vários outros tipos de transtornos neurocognitivos (TNC):

  • TNC vascular;

  • TNC com corpos de Lewy;

  • TNC devido à doença de Parkinson;

  • TNC frontotemporal;

  • TNC devido à doença de Huntington;

  • etc.

Pesquisas emergentes estão descobrindo as causas dessas doenças. Isso inclui depósitos anormais de proteínas e metabolismo cerebral, morte de células cerebrais e, como discutido anteriormente, inflamação. As origens da neuroinflamação são variadas, mas, muitas vezes, evitáveis:

Quando alguém descobre que tem uma doença neurodegenerativa, muitas vezes é tarde demais para fazer qualquer coisa, exceto tratar os sintomas. Por isso, a prevenção é fundamental. Se você tem um parente de primeiro grau com uma doença comece a se cuidar já.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Dieta para proteção do cérebro da mulher

Dois em cada três pacientes com Alzheimer são mulheres. Portanto, é urgente reconhecer, investigar e tratar a doença de Alzheimer como um elemento poderosamente não reconhecido e vital na saúde da mulher.

Uma das marcas da meia-idade feminina - é o declínio da fertilidade e o início da menopausa. Esta fase da vida da mulher pode vir acompanhada de sintomas, como ondas de calor, suores noturnos, distúrbios do sono, etc.

Usando uma técnica de imagem cerebral chamada tomografia por emissão de pósitrons (PET), foi demonstrado que o declínio do estrogênio, um elemento neuroprotetor chave no cérebro feminino, aumenta a vulnerabilidade do tecido nervoso da mulher.

A imagem (PET scan) à esquerda mostra a atividade cerebral em uma mulher na pré-menopausa. A varredura à direita mostra a atividade cerebral em uma mulher na pós-menopausa. A escala de cores reflete a atividade cerebral, com cores mais brilhantes indicando mais atividade. A varredura à direita (menopausa) parece “mais verde” e em geral mais escura, o que significa que o cérebro da mulher tem uma atividade cerebral substancialmente menor (mais de 30% menos) do que a da esquerda (sem sinais de menopausa).

Saúde do cérebro: mais dieta do que destino

Existem fatores de risco genéticos para a doença de Alzheimer. Contudo, os fatores ambientes são os mais importantes. De todos os órgãos do corpo, o cérebro é o mais facilmente danificado por uma dieta ruim. Desde sua própria arquitetura até sua capacidade de desempenho, tudo no cérebro exige o alimento adequado.

Refeições gordurosa e açucaradas (como uma maravilhosa torta de chocolate ou uma refeição no mcdonald´s) podem gerar imediatamente sintomas como lentidão, confusão mental, sonolência. Esses sintomas não se originam no estômago, mas no cérebro.

Adotar uma dieta saudável e antiinflamatória para o cérebro é uma ferramenta poderosa para maximizar a saúde cognitiva e ajudar a prevenir a demência e a doença de Alzheimer. Esta mesma dieta ajuda a evitar as doenças crônicas comuns que afetam muitas mulheres na menopausa, como obesidade, insônia e depressão. Aqui estão 8 passos a tomar.

Dicas importantes

1) Fuja do açúcar

Nem todos os carboidratos são ruins. Consuma folhosos, legumes e frutas, grãos refinados, batata doce e leguminosas. Passe longe de farinha branca e açúcar pois além de causarem glicotoxicidade são desprovidos de vitaminas, minerais e fitonutrientes que reduzem a inflamação e promovem a resiliência do cérebro.

Procure por esses vegetais: folhas verdes escuras (espinafre, acelga, couve) e vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor). Estudos mostram que as pessoas que consomem 1-2 porções de folhas verdes por dia experimentam menos problemas de memória e declínio cognitivo do que as pessoas que raramente as comem.

Algumas pessoas evitam frutas devido à presença de frutose. Contudo, as frutas fornecem fibras e ajudam a memória e a acuidade mental graças ao alto teor de vitaminas e antioxidantes. Se você está preocupado com o açúcar, escolha frutas com baixo índice glicêmico, como frutas vermelhas, maçãs, limões, laranjas, toranjas, abacate, pera, melão, kiwi e cereja.

2) Consuma fontes de fitoestrógenos

Fitoestrogênio é a molécula da planta que parece o fitoestrógeno feminino. Não é idêntico e por isso possui um efeito mais suave. Os dois tipos principais são as isoflavonas, encontradas principalmente na soja, e as lignanas, abundantes em sementes, grãos integrais e leguminosas, juntamente com muitas frutas e vegetais.

A soja, no entanto, tornou-se muito controversa. Embora seja necessária mais investigação, uma análise cruzada de estudos agrupando 20.000 pacientes com câncer de mama indicou que as isoflavonas não aumentam as chances de recorrência do tumor de mama e, em alguns casos, podem até reduzir a mortalidade.

É mais seguro absorver isoflavonas de alimentos, como a soja, do que de suplementos. Mas nem toda soja é boa. Os japoneses consomem quase exclusivamente soja orgânica e fermentada (como no miso, tempeh e natto).

Se a soja não é sua praia, as lignanas também podem ajudar a aumentar o estrogênio. Eles são encontrados em sementes de linhaça, sementes de gergelim, grão de bico, damascos, maçãs, inhame e azeite.

3) Proteja o cérebro com antioxidantes

Antioxidantes são guerreiros que combatem os radicais livres. Entre os mais poderosos estão as vitaminas C, E, betacaroteno e selênio e nutrientes vegetais como licopeno e antocianinas.Uma dieta rica em antioxidantes está associada a níveis estáveis ​​de energia cerebral e menos placas de Alzheimer, especialmente em mulheres.

Frutas como bagas, laranjas, toranjas e maçãs são excelentes fontes de antioxidantes. Vegetais verdes folhosos e crucíferos (brócolis, repolho, espinafre, couve) também são ótimos, assim como cebola, cenoura, tomate, abóbora e alcachofra. O azeite extra-virgem é carregado com vitamina E anti-inflamatória. A castanha-do-pará é a melhor fonte de selênio, mas também está presente no arroz, aveia, cogumelos e lentilhas.

4) Escolha as gorduras certas

Os ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs) são particularmente bons para o cérebro, especialmente o ômega-3. Suas propriedades anti-inflamatórias também ajudam as mulheres a preservar a saúde do coração, mama e ossos. Peixes gordurosos (salmão, cavala, truta do lago, arenque, atum voador, anchova, sardinha) e seus ovos (como caviar e ovas de salmão) são as melhores fontes naturais de DHA, um tipo de ômega-3 que o cérebro mais deseja.

As mulheres também podem se beneficiar da gordura monoinsaturada de nozes, como amêndoas, castanhas de caju, avelãs, pistache e castanha do Pará; frutas gordurosas (abacate e azeitonas); e alguns óleos e manteigas de nozes de sementes de gergelim e girassol.

5) Cuide do seu intestino

Uma boa microbiota intestinal é fundamental para a saúde. Bactérias boas ajudam a digerir os alimentos, regulam o metabolismo e até produzem algumas vitaminas essenciais. Além disso, a flora intestinal pode agir em nome do nosso sistema imunológico, defendendo-nos contra micróbios nocivos. Pesquisas revelam que o microbioma pode estar envolvido em vários aspectos da saúde e do comportamento do cérebro, especialmente nas reações ao estresse e à ansiedade. Para um intestino saudável consuma alimentos fermentados como iogurte natural, kefir, chucrute, picles.

6) Reduz álcool, café

O álcool pode aumentar o risco de ondas de calor e, para algumas mulheres, de câncer de mama; beber muito álcool incentiva o ganho de peso, além de contribuir para a neuroinflamação. A ingestão moderada de café (até 2 xícaras pequenas de café ao dia) é aceitável. Mais que isso não vale a pena. Troque por chás sem açúcar, beba bastante água e fuja da fadiga, tontura, confusão mental, dores de cabeça.

7) Coma menos

Pesquisas indicam que a redução da ingestão calórica pode aumentar a capacidade cognitiva, reduzir o envelhecimento celular e promover a longevidade. A restrição calórica também aumenta o sistema de defesa antioxidante do cérebro, importante para o cérebro feminino.

Prefira alimentos naturais, fuja dos ultraprcessados e, sempre que possível, consuma vegetais orgânicos. Até 25 por cento dos pesticidas pulverizados em frutas e vegetais não orgânicos são conhecidos por perturbar o equilíbrio de estrogênio do corpo.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/