Alimentos e suplementos para proteção do fígado e tratamento da esteatose hepática

O fígado é um órgão central na bioquímica corporal. Metaboliza carboidratos, proteína e lipídios. Armazena vitaminas, minerais e glicogênio. Sintetiza lipoproteínas, bile e várias proteínas. Converte amônia à uréia. Elimina substâncias tóxicas, dentre tantas outras funções. Doenças do fígado podem ser agudas ou crônicas, herdadas ou adquiridas. Hoje vamos falar da esteatose.

A esteatose hepática não alcoólica é uma doença bem prevalente entre adultos. Crianças e adolescentes infelizmente também estão desenvolvendo o problema cada vez mais frequentemente, devido ao alto consumo de calorias, gordura e ao sedentarismo. Em crianças obesas, pelo menos 26% apresentam acúmulo exagerado de gordura no órgão, o que dificulta a eliminação de toxinas, a metabolização de nutrientes e aumenta o risco de hepatite e cirrose, com destruição das células do fígado (Yu et al., 2019).

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Entre as causas da esteatose estão também a resistência à insulina e a diabetes mellitus. Mudanças no estilo de vida, em especial na alimentação são essenciais tanto para a prevenção quanto para o tratamento da esteatose hepática. Fazem parte da terapêutica nutricional:

  • Tome chás amigos do fígado:

  • Aumento do consumo de fibras solúveis, presentes em frutas, verduras, aveia e leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, soja, grão de bico). Frutas baratas como fruta e toranja são ricas em fibras, vitamina C (que diminui a inflamação do órgão). Carotenóides presentes no mamão, na cenoura tem altos níveis de carotenóides, antioxidantes que associam-se a redução significativa da esteatose hepática não alcoólica (Christensen, Lawler, Mares, 2019).

  • Tratate o intestino. Uma microbiota ruim, cheia de bactérias patogênicas aumenta a quantidade de toxinas e inflamação no corpo, o que está ligado à esteatose. Trate a disbiose intestinal para melhorar a saúde do fígado e de todo o corpo (Ji et al., 2019).

  • Marque sua consultoria nutricional para ajustarmos sua alimentação e suplementação de fitoterápicos. Algumas opções são silimarina, Cynara cardunculus, curcumina, berberina, canela, acetilcarnitina, taurina são alguns dos compostos que podemos utilizar para o tratamento da esteatose. Profissionais de saúde podem aprender mais no curso de fitoterapia.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Esteatose hepática não alcoólica em crianças e adolescentes

Muitos fatores aumentam o acúmulo de gordura no fígado, incluindo consumo de álcool, hepatite C, nutrição parenteral, medicação esteatogênica (por exemplo, valproato), lipodistrofia, erros inatos do metabolismo, disfunção mitocondrial, doença celíaca, hipotireoidismo, doença de Wilson, etc (Hegarty et al., 2018). Contudo, a maior parte das crianças e adolescentes estão desenvolvendo esteatose alcoólica pela combinação de dieta hipercalórica, rica em gordura e açúcar, e sedentarismo. Estes fatores combinados com susceptibilidade genética aumentam o acúmulo de gordura na região visceral, geram resistência à insulina, dislipidemia e acúmulo de gordura no fígado (NAFLD). Esta pode progredir, com inflamação do fígado e dano ao tecido (NASH). Aumentam o risco também de NASH o estresse oxidativo, disbiose intestinal, excesso de ferro e cobre na dieta (Clemente et al., 2016).

O tratamento envolve mudanças dietéticas, uso de medicamentos, suplementação (vitaminas E, D, probióticos, ácidos graxos ômega-3, colina) e atividade física, visto que o sedentarismo piora a esteatose (Vittorio & Lavine, 2020)

O início do tratamento deve começar o quanto antes pois a esteatose dificulta a eliminação de toxinas, o metabolismo de nutrientes e aumenta o risco de outros problemas de saúde incluindo diabetes tipo 2 (Wicklow et al., 2012).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Consequências do cozimento em temperatura elevada

Alimentos grelhados, fritos em óleo ou em ar quente ganham aquela corzinha dourada e crocância. Porém, o calor elevado altera o sabor e também a composição do alimento. Temperaturas altas, principalmente quando associado a baixa umidade pode levar à formação de produtos finais da glicação e de lípidos oxidados (que perderam elétrons), que aumentam o risco de doenças cardiovasculares e diabetes, doenças renais, osteoartrite, artrite reumatóide, doença de Alzheimer, derrames, esteatose hepática, fibrose pulmonar, dentre outras doenças (Byun et al., 2017).

Os produtos finais da glicação avançada (AGEs) constituem grande variedade de substâncias formadas a partir de interações entre aminoácidos e açúcares ou entre açúcares ou lipídeos oxidados e proteínas, aminofosfolipídeos ou ácidos nucléicos (Barbosa, Oliveira e Seara, 2008).

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Por exemplo, estudo mostrou que o consumo de 160g de batata frita durante 28 dias aumentou a oxidação do LDL colesterol (“colesterol ruim”) que aumenta o risco de aterosclerose e doenças cardiovasculares. Aumentou também os níveis de interleucina-6 (IL-6), proteína C-reativa, marcadores inflamatórios associados a muitas doenças. Por fim, aumentou os níveis da enzima hepática gama-glutamil-transferase (GGT) marcador para doenças no fígado, incluindo a esteatose hepática. Não é só o alimento que escolhemos, mas também a forma como o cozinhamos/preparamos igualmente importa quando o objetivo é saúde. Evite o cozimento a altas temperaturas e preserve nutrientes antioxidantes protetores e essenciais ao bom funcionamento de células, tecidos e órgãos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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