Efeito do açúcar na saúde das crianças | Aprenda formas saudáveis de substituir o açúcar nas preparações

Os primeiros 1.000 dias de uma criança são cruciais para sua saúde e também para o ganho de muitas competências. O bebê começa a ter experiências com os alimentos e seus diferentes sabores desde a barriga da mãe. Estas experiências iniciais são muito importantes para a aceitação posterior de uma dieta variada. A preferência pela doçura começa cedo na vida e permanece durante toda a infância. Contudo, os açúcares devem vir prioritariamente das frutas, pois estas são doces mas fornecem também nutrientes importantes para melhoria do funcionamento intestinal, para prevenção de doenças e para garantia de um ótimo desenvolvimento.

Já doces e refrigerantes costumam ser fonte de muito açúcar e nada de nutrientes protetores. Pesquisas mostram que o consumo excessivo de açúcares aumentam o risco de cáries, obesidade, diabetes, síndrome metabólica, esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), distúrbios do sono. Pode também piorar os sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) (Paglia, 2019).

É comum os pais quererem comemorar o primeiro ano com uma farra de bolo. Mas o bebê não precisa de açúcar nesta fase e a introdução precoce de alimentos extra açúcarados contribui para o paladar para sabores super doces. Que tal comemorar com uma fo…

É comum os pais quererem comemorar o primeiro ano com uma farra de bolo. Mas o bebê não precisa de açúcar nesta fase e a introdução precoce de alimentos extra açúcarados contribui para o paladar para sabores super doces. Que tal comemorar com uma foto com as frutas preferidas do bebê?

A maioria dos problemas de saúde crônicos (como hipertensão, intolerância à glicose, alterações nos níveis de gordura no sangue) podem ser evitados com uma dieta saudável e prática regular de atividade física. Crianças que comem muito açúcar tem mais dificuldade de largar o hábito posteriormente. Por isso, o ideal seria nem começar. Mas o que fazer quando a criança ama açúcar? Existem maneiras mais saudáveis de preparar alimentos (como bolos e sobremesas)?. A resposta é sim e isto gera benefícios para toda a família. O açúcar pode ser substituído por figos, tâmaras, passas (uvas desidratadas, ameixas desidratadas).

Para cada 1 xícara de açúcar, substitua por 1/2 xícara de frutas secas trituradas. O purê de maçã ou a banana madura também podem ser utilizados em receitas doces, substituindo o açúcar. Existem muitas receitas maravilhosas na internet.

10 estratégias para melhorar a saúde da criançada

(1) aprender de onde o alimento vem (levar à feira, à fazenda, à horta...),

(2) plantar,

(3) agradecer pelos alimentos,

(4) deixar alimentos saudáveis à vista,

(5) dar o exemplo,

(6) oferecer o alimento de várias maneiras (cozido, assado, grelhado, purê, amassado, batido, etc),

(7) consumir alimentos coloridos diferentes e da estação,

(8) beber água,

(9) ter paciênica - comer é um processo de aprendizagem complexo,

(10) comer junto - manter a rotina, com o horário de refeições da família.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Síndrome de Down, TDAH e neuroinflamação

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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurodesenvolvimental persistente. Pode vir sozinha ou associada à outras condições como autismo, alterações de humor, depressão, ansiedade, síndrome de Tourette e transtorno bipolar. O TDAH é caracterizado por traços de desatenção, impulsividade, hiperatividade que dificultam a realização de tarefas o dia a dia.

Crianças com síndrome de Down também podem ter TDAH. Mas isso não quer dizer que toda criança desatenta, ou impulsiva ou hiperativa tenha o transtorno. A criança pode, por exemplo, agitar-se mais se estiver tentando comunicar-se sem sucesso. Pode ficar mais desatenta se tiver carências nutricionais ou mais impulsiva se estiver com dor ou alguma doença. Por isso, o acompanhamento médico é tão importante.

Problemas que podem se confundir com o TDAH

Alteração na capacidade de enxergar ou ouvir

Para que uma criança consiga prestar atenção precisa estar te enxergando e ouvindo. Porém, alterações visuais e auditivas são muito comuns na síndrome de Down. Infecções de ouvido também são bastante frequentes na infância e devem ser tratadas o mais rapidamente possível.

Problemas gastrointestinais

A doença celíaca é bastante comum na síndrome de Down. Se não tratada altera a absorção de nutrientes, causa dor abdominal, alteração do apetite, inflamação e inquietação. Toda criança com SD deve ser rastreada para doença celíaca antes dos 3 anos, dosando anticorpos para glúten e/ou fazendo exames genéticos.

Problemas na tireóide

Pelo menos 30% das pessoas com síndrome de Down desenvolvem alterações na tireóide. Uma glândula que não funciona pode deixar a criança mais apática e menos focada. No caso da produção excessiva de hormônios os sintomas serão agitação e inquietação.

Alterações do sono

Insônia e apneia interferem no descanso e reparo do cérebro. Crianças que dormem mal ficarão mais agitadas, chorosas e difíceis de acalmar. Pessoas de qualquer idade com hipotireoidismo não tratado terão mais dificuldade para focar e aprender novas informações.

Deficiência de ferro

Este mineral é essencial para o transporte de oxigênio à todas as células. Crianças anêmicas são menos concentradas e apresentam mais dificuldades escolares.

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Pessoas com SD são… pessoas

Antes da síndrome vem a pessoa e qualquer indivíduo poderia ter TDAH. Uma pessoa com SD também. Existem muitas hipóteses para o TDAH e estas passam pela genética, pela epigenética, pela mielinização insuficiente, pela neuroinflamação.

Estudos mostram uma associação positiva entre o TDAH e o aumento de citocinas séricas inflamatórias. Tudo parece começar na barriga da mãe. A exposição pré-natal à inflamação está associada a alterações no desenvolvimento cerebral da prole, incluindo reduções no volume de substância cinzenta cortical e no volume de certas áreas corticais - paralelamente às observações associadas ao TDAH. Alterações nos sistemas de neurotransmissores, incluindo os sistemas dopaminérgicos, serotoninérgicos e glutamatérgicos, são observadas nas populações de TDAH. A mãe pode passar por processos inflamatórios devido à infecções, exposição à poluição ou cigarro, presença de obesidade ou carências nutricionais, devido à má alimentação ou suplementação adequado. Tais fatores afetam a epigenética, a forma como genes expressam-se para produzir neurotransmissores como dopamina, serotonina e norepinefrina.

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Em estudos com camundongos, a prole nascida de mães injetadas com lipopolissacarídeos bacterianos (LPS) é mais inflamada, mais hiperativa e impulsiva, menos atenta e menos capaz de memorizar e aprender. A disbiose intestinal é comum em mulheres inflamadas, obesas ou que tem uma dieta restrita ou pobre em fibras. Por isso, o ideal é que toda mulher faça acompanhamento nutricional antes e durante a gestação. Para as crianças com síndrome de Down e TDAH são indicados tratamentos medicamentosos, comportamentais e nutricionais.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

A importância das vitaminas do complexo B para o cérebro de pessoas com Síndrome de Down

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Aos 70 anos, uma em cada cinco pessoas sofrem de alguma dificuldade cognitiva. Em cinco anos metade destas progridem para demência e morte. Não existe um tratamento eficaz para a doença de Alzheimer, nem na população típica nem nas pessoas com Síndrome de Down.  Por isto, quanto mais cedo começam as medidas preventivas melhor.

Pacientes com Alzheimer costumam apresentar altos níveis de homocisteína circulantes no plasma. Concentrações de homocisteína acima de 14μmol/L) podem dobrar o risco de demência. Para baixar os níveis de homocisteína no sangue é importante limitar a ingestão de carnes pois são ricas em metionina, a qual pode ser metabolizada em homocisteína. Também é importante ingerir mais frutas e vegetais (especialmente os de folhas verdes pois são ricos em vitamina B9 - folato). O folato também pode ser encontrado nos feijões e gema dos ovos.

O corpo utiliza as vitaminas B9, B12 e B6 para desintoxicar a homocisteína. A suplementação destas vitaminas na dosagem e com forma farmacêutica adequada retarda a taxa de atrofia cerebral e reduz o comprometimento cognitivo, como mostrado em estudos de neuroimagem estrutural. A suplementação deve ser crônica, por anos, para que o efeito seja conseguido. Por isto o acompanhamento médico e nutricional é fundamental.

Pessoas com dietas mais ricas em plantas em geral possuem os níveis de homocisteína 20% menores do que pessoas que consomem mais carnes e alimentos industrializados, contanto que o aporte de B9, B12 e B6 seja adequado. Converse com seu nutricionista acerca da necessidade de suplementação.

Epigenética na Síndrome de Down

Muitas vitaminas exercem efeitos na forma como os genes são expressos. Além das vitaminas do complexo B, as vitaminas A, C, D, E e K também influenciam a metilação do DNA, a acetilação de histonas e a expressão de microRNAs (Huang, Xu & Lau, 2018). Deficiências nutricionais aumentam o risco de doenças neurodegenerativas e Alzheimer. Existem evidências de que têm um impacto também negativo na aprendizagem e memória de pessoas com síndrome de Down (Dekker, De Deyn, & Rots, 2014)

Novas abordagens inovadoras para a modificação na expressão de genes vêm sendo examinadas e no novo grupo de estudo em Epigenética da síndrome de Down vamos discutir o papel dos nutrientes e fitoquímicos na proteção do DNA e suporte cognitivo.

Como a deficiência de complexo B impacta o sistema nervoso de todas as pessoas?

  • B1: fadiga, apatia, falhas na memória de curto prazo, irritabilidade

  • B3: irritabilidade, fraqueza, confusão mental

  • B5: irritabilidade, fadiga, apatia, desmielinização

  • B6: distúrbios de humor, depressão, ansiedade

  • B9: depressão, insônia, alterações cognitivas, apatia, fadiga, ansiedade

  • B12: fadiga, fraqueza, depressão, problemas de memória, desorientação

Como o complexo B é fundamental para a produção de energia (ATP), todas as células sofrem no caso de má nutrição. Sintomas como fadiga, cansaço, desmotivação, baixa tolerância à atividade física tornam-se frequentes.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/