Escolha dos alimentos antes da fome chegar reduz o número de pedidos de alimentos calóricos

Você é daquelas pessoas que adora planejar tudo com antecedência? Se seus amigos e familiares costumam brincar com isso, talvez você tenha uma vantagem quando se trata de comer de maneira saudável. Um estudo realizado na Carnegie Mellon University revelou que quando há um grande intervalo de tempo entre o pedido de comida e o momento de consumi-la, as pessoas tendem a escolher alimentos com menos calorias sem perceber, o que os pesquisadores chamam de "time-delayed eating" (alimentação com demora no tempo). Esse pode ser mais um truque para incorporar ao seu arsenal de alimentação consciente.

O que é Time-Delayed Eating?

O "time-delayed eating" ocorre quando você decide o que vai comer muito antes de realmente consumir a refeição. Estudos conduzidos por pesquisadores da Carnegie Mellon mostram que quanto maior o intervalo de tempo entre o pedido e o consumo, mais saudável tende a ser a escolha alimentar.

Em um dos estudos, 394 funcionários de uma grande empresa foram convidados a pedir seu almoço pelo menos meia hora antes de pegá-lo na cafeteria. A pesquisa mostrou que, a cada hora de atraso (em média, 105 minutos), as pessoas pediam alimentos com 38 calorias a menos.

Em outro estudo, quando o intervalo entre o pedido e a coleta do almoço foi definido pelos pesquisadores, os participantes que pediram com mais antecedência escolheram refeições com 30 calorias a menos do que aqueles que pediram o almoço mais próximo da hora de comer.

O terceiro estudo com 200 universitários mostrou que, quando os alunos escolheram seu almoço antes da aula, escolheram refeições mais saudáveis, trocando refrigerantes por água e biscoitos por frutas. Já aqueles que escolheram suas refeições na hora de comer tendiam a escolher alimentos mais calóricos, consumindo cerca de 100 calorias a mais.

Como Funciona o Time-Delayed Eating?

Os pesquisadores apontam que, quando somos forçados a tomar decisões rápidas, a tendência é escolher o que parece mais apetitoso naquele momento. Porém, ao adiar essa escolha, a gratificação imediata não é o foco, permitindo que tomemos decisões mais conscientes e saudáveis.

Como Praticar o Time-Delayed Eating?

Embora nem todos tenham a oportunidade de planejar o que vão comer com a antecedência dos participantes do estudo, existem maneiras simples de incorporar essa estratégia no seu dia a dia:

1. Planeje suas refeições com antecedência

Planejar as refeições é uma maneira eficaz de comer de forma mais saudável. Ao decidir o que cozinhar e o que comprar, você evita a tentação de optar por opções mais calóricas quando estiver com fome. Um planejamento semanal de refeições pode ser uma ótima maneira de economizar tempo e dinheiro, além de garantir que você tenha alimentos saudáveis à mão.

2. Mantenha o estoque de opções saudáveis na geladeira

Nos dias em que você estiver cansado ou com preguiça de cozinhar, ter opções saudáveis à mão pode fazer toda a diferença. Isso evita que você recorra ao delivery ou alimentos menos nutritivos.

3. Verifique os cardápios antes de sair para jantar

Se você vai sair para jantar, evite tomar decisões impulsivas no momento. Ao verificar os cardápios com antecedência, você pode escolher opções mais saudáveis e já ir preparado para fazer uma escolha consciente.

Cuidados

O time-delayed eating é uma estratégia segura e eficaz para tomar decisões alimentares mais inteligentes sem abrir mão do prazer de comer. Contudo, vale ressaltar que não se trata de "esperar até morrer de fome". Se você vai fazer uma atividade física intensa ou tem uma alimentação específica para treinos, por exemplo, é importante não esperar demais para se alimentar.

Conclusão

O time-delayed eating pode ser uma maneira simples e eficaz de tomar decisões mais saudáveis sobre o que comer. Ao incorporar estratégias como planejar as refeições com antecedência, manter opções saudáveis em casa e verificar cardápios antes de sair para comer, você pode aproveitar os benefícios dessa prática no seu cotidiano.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Alimentos cancerígenos?

Muito se escreve sobre os alimentos com propriedades antiinflamatórios, antioxidantes e protetoras do DNA. Hoje vou falar dos alimentos ultra-processados que, ao contrário, aumentam o risco de desenvolvimento de câncer.

Alimentos tostados

Produtos de padaria, torradas, biscoitos e outros alimentos amiláceos douradinhos e submetidos a altas temperaturas são ricos em acrilamidas, um provável carcinógeno, de acordo com agências da Inglaterra e dos Estados Unidos. Anunciantes da TV também estão faturando alto convencendo um monte de gente a comprar máquinas que "fritam" a ar. Pois é... Dá-lhe acrilamida nas supostas batatas saudáveis, nuggets com menos gorduras, bolos e tortas. Cozinhe com menos calor. Sua saúde agradece! 

Tudo de arroz

Produtos industrializados são muito convenientes. Economizam tempo de preparo, estragam com menos facilidade. Mas vejo gente trocando todos os lanches por produtos a base de arroz, (bolachinhas de arroz, bolos de arroz, cookies de arroz, leite de arroz, papinhas para bebês) achando que são super saudáveis por não conterem glúten. Contudo, o arroz pode veicular altos níveis de arsênico, metal pesado associado a maior risco de câncer, doenças vasculares, hipertensão e diabetes tipo 2. Por isto, o ideal é não nos expormos demais. Vamos deixar o alimento apenas para as refeições principais. Além disso, antes de cozinhar lave o arroz abundantemente (5 a 6 lavadas). Cozinhe o alimento com bastante água (6 xícaras de água para cada xícara de arroz) para reduzir a quantidade de arsênico. Troque, em alguns dias da semana, o arroz pela quinoa ou pelo arroz falso de couve flor. 

  • ½ couve-flor

  • ½ xícara (chá) de cebola ralada

  • 1 dente de alho amassado

  • Sal e pimenta do reino a gosto

  • 1 colher (sopa) de salsinha picada

Lave a couve-flor em água fria e seque bem. Usando um ralador de queijo, rale a couve-flor no ralo grosso. Numa frigideira, refogue a cebola e o alho até que a cebola esteja transparente. Acrescente a couve-flor e deixe refogar por cerca de 5 minutos. Tempere com sal e pimenta. Polvilhe com salsinha e sirva em seguida.

Sorvete

Aditivos como o emulsificante polisorbato 80 e a carboximetilcelulose aumentam a inflamação intestinal, podendo acelerar o desenvolvimento de tumores (Viennois et al., 2016). Os emulsificantes atuam como detergentes. Quando chegam no intestino alteram a microbiota (flora) fazendo com que bactérias expressem mais flagelina e polissacarídeos, os quais ativam a expressão de genes que levam a resposta imune inflamatória. Por isto, sorvetes e outros alimentos industrializados como pizzas, burritos e opções de cadeias de fast-food acabam aumentando o risco de câncer.

Embalagens

Até as embalagens destes alimentos vem sendo investigadas. As mesmas veiculam altas quantidades de fluor, o que leva a alterações na imunidade. Em estudo publicado por Schaider e colaboradores (2017), o fluor foi identificado na embalagem de mais de 56% das embalagens de doces e pães analisadas. Para se expor menos dê preferência a alimentos frescos, evite o uso de embalagens plásticas, consuma menos pipoca de microondas (sim, as embalagens das pipocas não são nada legais!).

Carnes processadas

O processamento com nitratos e nitritos e a cocção a altas temperaturas aumentam o risco de vários tipos câncer. De acordo com a Organização Mundial de Saúde o consumo de 50g diários de carnes vermelhas ultraprocessadas (presente em 2 fatias de bacon grandes ou 3 fatias de salame ou 1 ½ fatia média de mortadela ou presunto) pode aumentar em 18% o risco para desenvolver câncer colorretal.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Óleo de borrage e peixe na nutrição enteral

Estudos mostram evidências de que pacientes com síndrome respiratória aguda em uso de nutrição enteral beneficiam-se da suplementação de óleo de peixe, óleo de borrage e nutrientes antioxidantes (Kagan, 2015).

No trauma, a resposta inflamatória sistêmica pode conduzir à falência de múltiplos órgãos. Ácidos graxos com propriedades antiinflamatórias contribuem para reduzir o risco de falência e sepse em pacientes críticos (Pontes-Arruda et al., 2006). A integração destes ácidos graxos, como o ômega-3 dos peixes, é condição para os efeitos anti-hiperinflamatórios de várias doenças.

Contudo, a absorção intestinal de ômega-3 pode estar prejudicada durante a inflamação sistêmica. Por isto, nem todos os estudos trazem os mesmos resultados. Em geral, quanto mais crítico estiver o paciente menor é a absorção. Porém, após o 4o dia após o trauma a absorção volta a melhorar significativamente.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/