Polimorfismo da enzima MTHFR aumenta o risco de abortos e malformações do sistema nervoso central

Fonte da imagem: Bydlowski et al., 1998

Fonte da imagem: Bydlowski et al., 1998

O ácido fólico pertence ao grupo das vitaminas hidrossolúveis do complexo B. Esta vitamina é fundamental para a saúde mas como o organismo humano não é capaz de produzí-la o consumo dietético é fundamental. Alimentos como vegetais verde escuros e cogumelos são boas fontes de B9, que no corpo deve ser convertida em sua forma ativa (5-metil-tetrahidrofolato) para que possa exercer seus efeitos. 

A deficiência de vitamina B9 ou a incapacidade de conversão do ácido fólico em 5-metil-tetra-hidrofolato pode ocasionar fadiga, anemia megaloblástica, lesões nas mucosas, defeitos no tubo neural, insuficiência respiratória, anorexia, apatia, insônia, problemas de memorização, problemas de crescimento, abortos, depressão e elevação dos níveis de homocisteína, aumentando os riscos do desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A enzima Metileno-Tetra-Hidro-Folato-Redutase (MTHFR) é a responsável pela conversão da vitamina B9 em sua forma ativa. A 5-metil-tetra-hidrofolato ou metilfolato doa seu radical metil (CH3) para a transformação da homocisteína em metionina, que a seguir se tranforma em S-Adenosil Metionina (SAME). A S-Adenosil metionina possui m papel importantíssimo a nível do sistema nervoso, especialmente na regulação do estado de ânimo e humor. Também contribui para a reparação das bainhas de mielina, aumenta ainda a produção de serotonina e melatonina (ação antidepressiva), é um potente antiinflamatório e analgésico e componente necessário à produção de glutationa, um poderoso antioxidante.

A S-adenosil metionina transfere seu CH3 para o DNA (metila o DNA). Esta reação é importante para o adequado desenvolvimento de embriões, o controle de processos de replicação celular, a formação de anticorpos, hormônios, espermatozóides, óvulos e para a redução da homocisteína, dentre outras funções. O aumento da homocisteína no sangue aumenta a infertilidade, o número de abortos espontâneos, o risco de pré-eclâmpsia, doenças cardíacas, estresse oxidativo e doenças inflamatórias

O polimorfismo da enzima MTHFR é relativamente frequente na população. Mulheres com polimorfismos da enzima possuem maior chance de gerarem bebês com síndrome de Down, hidrocefalia, microcefalia ou espinha bífida (Simoni et al., 2013). Como gestantes com polimorfismos de MTHFR não convertem com a mesma eficiência ácido fólico em metilfolato, recomenda-se a suplementação da vitamina na forma ativa. Para suplementação antes e durante a gestação consulte um nutricionista.

Para entender melhor a importância da vitamina B9 na metilação assista o vídeo:

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Problemas da tireóide podem causar enxaqueca

Crises crônicas de dor de cabeça que podem durar de horas a dias denominam-se enxaqueca. Podem ser acompanhadas de enjôo, vômitos e sensibilidades (à luz, barulhos ou cheiros). A enxaqueca é resultado de desequilíbrios neuroquímicos e hormonais. Sofre influência genética mas também é resultado do estilo de vida adotado por cada um.

O primeiro passo é investigar alterações orgânicas como problemas na tireóide. Caso o paciente esteja com hipo ou hipertireoidismo a correção hormonal (realizada por endocrinologista) fará os sintomas desaparecerem. Muita gente tem hipotireoidismo subclínico. Possui níveis normais de T3, T4 e às vezes, até de TSH. De acordo com o Dr. Alexandre Feldman é difícil determinar com 100% de certeza os valores realmente normais dos hormônios da tireóide de cada um. Assim, mesmo com tudo normal sintomas podem aparecer, como sensação de falta de energia constante, humor deprimido ou ansioso, problemas de sono, distúrbios menstruais, acne (espinhas na pele), dores de cabeça inexplicáveis, crises de enxaqueca, unhas quebradiças, flutuações de peso, queda mais acentuada de cabelos, diminuição do desejo sexual, entre outros e com diferentes níveis de intensidade.

Além dos problemas da tireóide vários outros fatores podem desencadear a enxaqueca em pessoas sensíveis, como: sair de casa em dias muito claros, frequentar lugares aglomerados, passar por emoções fortes, atrasar refeições, bebidas alcoólicas, alimentos como salsicha, chocolate, sorvete, soja, açúcar e farináceos. 

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Domingo termina o horário de verão: o papel da alimentação para a nova adaptação

No início do horário de verão adiantamos os relógios em uma hora com o objetivo de termos luz também durante o início da noite. A ideia foi proposta por George Hudson em 1895 e tem sido usada por vários países para evitar uma crise de energia. No passado economizava-se no uso de lâmpadas incandescentes, que são menos eficientes, principalmente durante a tarde. Adiantar os relógios parece trazer benefícios para o comércio, para a prática de esportes e outras atividades que exploram a luz do sol após o dia de trabalho. Alguns pesquisadores também defendem que, além da economia de energia, mais luminosidade ao final do dia pode ser uma estratégia importante para a redução da criminalidade.

Mas a prática é controversa, recebendo também críticas. Com o horário de verão, as pessoas dormem antes do horário habitual e acordam uma hora mais cedo. Esta alteração do horário de sono, segundo especialistas, pode trazer alguns prejuízos, como sonolência durante o dia, insônia à noite, cansaço e falta de apetite. É a chamada "desordem temporal interna". Na Inglaterra, por exemplo, pesquisadores observaram um aumento de 5% nos ataques cardíacos na primeira semana do horário de verão (Janszky e Ljung, 2008).

No próximo domingo, dia 19/02 o horário de verão vai terminar e precisaremos atrasar o relógio em uma hora.  Para quem sofre de enxaqueca, atrasar o relógio em uma hora, de um dia para outro, pode aumentar a dor. De acordo com o Dr. Alexandre Feldman isto ocorre pois "quem sofre de enxaqueca possui uma sensibilidade a toda e qualquer mudança de rotina".

Os ritmos e ciclos biológicos, principalmente sono e alimentação, influenciam a nossa saúde e o bem-estar. A maioria das pessoas já é obrigada a empurrar os limites desses ritmos ao extremo em virtude de obrigações como trabalho ou estudos. Em geral, as pessoas já dormem mais tarde e acordam mais cedo do que o corpo gostaria.

Mas após 2 meses o corpo se adaptou ao horário de verão. Com o fim do período o corpo passará vários dias tentando novamente se ajustar. O estresse pode aumentar, assim como o desequilíbrio hormonal. Como resultado pode haver maior sonolência, redução da atenção, concentração e memória, piora do humor, maior ansiedade e aumento das crises de enxaqueca.

Para minimizar o problema seguem algumas dicas:

- jante e durma mais cedo até novamente se adaptar;

- faça uma atividade física para combater o estresse;

- Consuma alimentos antiinflamatórios

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/