Dieta e doenças cardiovasculares

Pesquisadores canadenses divulgaram uma revisão das pesquisas disponíveis até então sobre a relação entre dieta e doenças cardiovasculares. De acordo com os mesmos existe evidências fortes de que dietas ricas em frutas, vegetais, peixes, azeite e castanhas são associadas com menor risco de doenças cardiovasculares quando comparadas àquelas ricas em alimentos com alto índice glicêmico ou rica em gorduras trans (presentes principalmente em alimentos industrializados).

Alimentos com alto índice glicêmico incluem arroz, macarrão e outros cereais refinados como pão branco, bolos, biscoitos e farinhas. Os resultados da revisão sistemática de artigos dos últimos 50 anos mostrou também que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares, porém ainda não existem evidências suficientes de que o uso de suplementos de vitamina E e vitamina C são eficientes na proteção do coração.

Mais sobre esse assunto no vídeo:

Fonte: Andrew Mente; Lawrence de Koning; Harry S. Shannon; Sonia S. Anand. "A Systematic Review of the Evidence Supporting a Causal Link Between Dietary Factors and Coronary Heart Disease.Arch Intern Med. 2009;169(7):659 -669. Vol. 169 No. 7, online 13/04/2009.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Prevenção e tratamento do câncer de intestino

fiber-and-heart-health.jpg

Uma dieta rica em fibras é considerada a principal estratégia no combate ao câncer de cólon. Uma das razões é que as fibras aumentam a velocidade de passagem das fezes pelo intestino, diminuindo o tempo de contato das toxinas com nossas células. Outra razão descoberta agora é que as fibras ativam receptores (GPR109A) com potencial de extermínio das células cancerígenas.

Na edição de abril de 2009 do Cancer Research os cientistas relatam que o butirato produzido pelas bactérias a partir das fibras, ativa estes receptores os quais por sua vez causam apoptose (morte celular) e reduzem a inflamação (uma das causas do câncer). Já o câncer silencia o receptor modificando quimicamente seu gene, em um processo conhecido como metilação do DNA.

Além do consumo adequado de fibras e da adequada colonização do intestino por bactérias benéficas, a niacina (uma vitamina do complexo B) é essencial para que o butirato consiga ativar os receptores GPR109A. Boas fontes de fibras incluem cereais integrais, frutas e verduras. Existem também suplementos de fibras. Já a niacina é encontrada em carnes, leite, ovos, frutas secas, legumes, dentre outros alimentos, porém muitas vezes a suplementação é necessária, principalmente se o paciente já se encontra com câncer.

colon-cancerjpg.jpg

Já no caso do tratamento do câncer, ressecções (remocões de partes) do intestino podem ser necessárias. Pequenas ressecções aumentam levemente a motilidade intestinal sem prejuízo da absorção de nutrientes. Porém, grandes ressecções podem resultar em síndrome de má absorção de nutrientes, esteatorreia (perda de gordura nas fases), desequilíbrios de líquidos e eletrólitos, diarreia e desnutrição. Em geral, a realimentação após a cirurgia de intestino inicia-se com uma dieta líquida de prova, para teste da tolerância. Chá de camomila, água e água de coco são administrados em pequena quantidade a cada hora. Conforme a tolerância vai aumentando a dieta evolui para líquida completa, pastosa, branda (entre 15 e 30 dias após a cirurgia) e normal (de 3 a 6 meses após a cirurgia). A suplementação intramuscular de B12 e oral de vitamina D, cálcio, ferro e complexo B são recomendadas.

Nos primeiros 3 meses de cirurgia evita-se alimentos fonte de fibras insolúveis (verduras escuras, farelo de trigo, cereais e grãos integrais são fonte de fibras insolúveis), lactose, estimulantes do peristaltismo (café, pimenta, bebidas com gas), alimentos flatulentos e gordurosos (óleos, manteiga, embutidos, patês, carnes duras e fibrosas, mariscos, maionese, chocolate), doces, frutas secas e álcool.

Após este período, para a doença não voltar adota-se uma dieta rica em fibras, cálcio, folato, vitaminas antioxidantes, prebióticos, selênio e reduzida em carnes vermelhas, aminas heterocíclicas, hidrocarbonetos aromáticos, álcool, gordura saturada e trans e açúcar.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Mamães e seus bebês.

Os genes podem ser modificados pelo ambiente e um novo estudo da epigenética mostrou que você é o que sua mãe não comeu durante a gestação! Eu sei, já falei de outros estudos parecidos este ano, mas as evidências de que a dieta da mãe influencia a saúde dos filhos, muitos anos depois do nascimento, vem se acumulando em velocidade crescente. Filhotes de ratos cujas mães tiveram uma dieta pobre desenvolveram-se menos após o nascimento e ficaram mais propensos à alguns problemas de saúde como diabetes, retardo no crescimento, doenças cardiovasculares, obesidade e outras doenças crônicas. Uma das características observadas nos ratos é que a privação de nutrientes na gestação diminuiu a expressão do gene responsável pela produção de IGF-1. Apesar de o estudo ter envolvido ratos, os genes e mecanismos celulares envolvidos são os mesmos dos seres humanos, o que demonstra a necessidade de se cuidar bem direitinho da alimentação das gestantes.

Extra: no módulo 9 do meu curso de yoga converso mais sobre nutrição na gestação e ensino as técnicas de yoga e meditação apropriadas para a gestante praticar em casa.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/