Aquecimento melhora a disponibilidade do licopeno

O tomate é rico em um composto denominado licopeno. Além de dar a cor característica ao fruto o licopeno também atua como um antioxidante, capaz de nos proteger contra o câncer. Esta substância torna-se ainda mais disponível se aquecida já que o calor reestrutura a molécula de licopeno (principalmente se combinada com um lipídio, como o óleo ou o azeite), o que facilita seu transporte do intestino para o sangue.

De acordo com Steven Schwartz, pesquisador de ciência dos alimentos na Universidade de Ohio, o tomate cru o licopeno está em uma forma química linear, já após o aquecimento o licopeno assume uma forma circular, a mesma encontrada na corrente sanguínea. Já que esta forma parece ter uma melhor absorção, o pesquisador e seus colaboradores conseguiram processar um molho de tomate com formas circulares do licopeno.

Os resultados do estudo foram divulgados no dia 20 de agosto no encontro da sociedade americana de química, na Filadelfia, EUA. Dentre os 12 indivíduos que consumiram o produto, 55% tiveram um aumento da absorção de licopeno em comparação a um molho de tomate convencional. Outros detalhes do estudo foram publicados em 2007 no British Journal of Nutrition.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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O sabor do cálcio

Químicos da Filadélfia (EUA) divulgaram no 236º encontro anual da Sociedade Americana de Química uma descoberta interessante. Além dos sabores doce, salgado, amargo, azedo e umami, conseguimos sentir o sabor de um nutriente mineral específico: o cálcio. No relatório da apresentação ocorrida no congresso, o Dr. ph.D., Michael G. Tordoff, e seus colegas do Monell Chemical Senses Center, descreveram o sabor salgado em camundongos. Como camundongos e seres humanos têm uma média de 85% de similaridade genética, estes achados sugerem que nós também devemos conseguir distinguir o sabor do cálcio. Este mineral é fundamental para a construção e manutenção de ossos e dentes saudáveis durante toda a vida e, a recomendação para adultos é de 1200mg/dia.

No estudo, a maioria dos camundongos não gostava do sabor do cálcio. Que aplicação isto pode ter para nós? De acordo com o Dr. Tordoff, a maioria dos indivíduos não consome cálcio suficiente durante o dia. Uma das razões poderia ser a de que alimentos ricos em cálcio não tem um sabor agradável para muitas pessoas. Sabendo disto a indústria poderia trabalhar na melhoria da palatabilidade destes alimentos. Os pesquisadores demonstraram que o cálcio é detectado por dois receptores na língua: o CaSR (também encontrado na glândula paratireóide, nos rins, no cérebro e trato gastrintestinal) e o T1R3, também responsável pela distinção do sabor doce. Os seres humanos também tem genes para os receptores CaSR e T1R3 porém ainda não se sabe se os mesmos desempenham a mesma função.

Artigo adaptado de Medical News Today

Para saber mais: American Chemical Society

Fonte da Imagem: http://www.ciadaescola.com.br/zoom/imgs/332/image013.gif

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Novas razões para se evitar o consumo de grapefruit (toranja) junto à certos medicamentos

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Pesquisadores vêm divulgando há anos que o suco de toranja (também conhecida como pomelo) pode aumentar a absorção de algumas drogas, fazendo com que dosagens convencionais tenham efeito tóxico no organismo. Hoje, sabe-se que cerca de 50 medicamentos não devem ser ingeridos com a toranja pois há o risco de overdose. Veja alguns deles no quadro abaixo:

Interação da Grapefruit com Drogas:

  • Carbamazepina - Tratamento da epilepsia

  • Buspirona, clomipramina, sertralinane - Antidepressivo

  • Diazepam - Tranquilizante

  • Felodipina, nifedipina, nimodipina, nisoldipina e verapamil - Antihipertensivos bloqueadores de canais de cálcio

  • Saquinavir e indinavir - Medicações para HIV

  • Simvastatina, lovastatina - Inibidores da enzima HMG-CoA redutase, utilizados no tratamento da hipercolesterolemia

  • Cyclosporina, tacrolimus, siroimus - Drogas imunosupressoras

  • Amiodarona - Tratamento de arritmias

  • Metadona - Alívio da dor

  • Sildenafil (Viagra) - Disfunção erétil

Agora, o mesmo cientista que primeiro identificou esta interação relatou novas evidências de que a toranja, fruta pouco consumida em vários países, pode também diminuir a absorção de outras drogas, diminuindo seus efeitos benéficos. Esta ação pode ameaçar a vida de pacientes que precisam de uma boa ação de medicamentos para condições como doenças cardiovasculares, câncer e infecções. Os achados do estudo foram apresentados no 236º encontro nacional da Sociedade Americana de Química. Na pesquisa, conduzida por David Bailey, um grupo de voluntários saudáveis ingeriu o medicamento fexofenadina, um antihistamínico utilizado no combate aos sintomas alérgicos, com um copo de suco de grapefruit, água ou naringina, o composto fenólico da fruta e que faz com que a mesma tenha seu sabor azedo.

Quando a fexofenadina foi ingerida com o suco, apenas metade da droga foi absorvida, comparada ao grupo que ingeriu o medicamento com a água. A relevância do estudo é exatamente mostrar que o suco desta fruta não deve ser ingerido com o medicamento ou metade da ação da droga será perdida. O estudo também demonstrou que a naringina bloqueia um transportador (o OATP1A2), que carreia a droga do intestino para a corrente sanguínea. O bloqueio do transportador diminui a absorção da droga, neutralizando seus efeitos benéficos. Em contraste, nos medicamentos (como os do quadro acima) que tem o efeito aumentado com o consumo de grapefruit, a enzima CYP3A4, essencial no metabolismo das drogas é inibida em até 47%.

Além da grapefruit, a laranja e o suco de maçã também estão envolvidos na diminuição da absorção de etoposide, um agente anticancer, certos betabloqueadores utilizados no tratamento da hipertensão (como o atenolol, celiprolol e talinol), a ciclosporina (diminui a rejeição de órgãos pós transplante) e alguns antibióticos (ciprofloxacina, levofloxacina e itraconazole). Outras drogas estão sendo estudadas e também devem entrar nesta lista em breve. Assim, a não ser que seja recomendado pela indústria farmacêutica o contrário, a maiora das drogas deve ser ingerida com água e não com sucos. E só para lembrar: nunca tome nenhum tipo de medicamento sem orientação médica!

Saiba mais: Charmayne Marsh - Michael Bernstein - American Chemical Society

FARMACOCINÉTICA X FARMACODINÂMICA

FARMACOCINÉTICA - Esta fase inclui os processos nos quais o organismo interfere sobre o fármaco. A farmacocinética é o estudo dos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção. O metabolismo ocorre em dois tipos de reações básicas, referidas como reações fase I e fase II.

A primeira fase inclui reações bioquímicas, como oxidação, redução e hidrólise, as quais conduzem a modificações nas moléculas dos fármacos. A segunda corresponde àquelas que conjugam os grupos funcionais dos fármacos a moléculas endógenas. Estas reações são catalisadas por enzimas ou sistemas enzimáticos, sendo o fígado o principal local de metabolismo de compostos ativos, em função de seu amplo sistema microssomal.

FARMACODINÂMICA - Fase responsável pelo estudo das interações moleculares que regulam o reconhecimento molecular de um fármaco pelo receptor. O resultado desta interação produz o efeito terapêutico, cuja resposta é variável e depende de diversos fatores individuais, além dos farmacocinéticos.

O conceito de biodisponibilidade, no sentido restrito, é o termo empregado para descrever a fração da dose administrada de um produto farmacêutico capaz de alcançar a circulação sistêmica e exercer ação terapêutica. Este parâmetro expressa a extensão e a velocidade das fases biofarmacêutica e farmacocinética da substância ativa.

TORANJA INTERFERE NA FARMACOCINÉTICA E FARMACODINÂMICA DE MEDICAMENTOS

Para determinar o efeito do suco de toranja na farmacocinética e farmacodinâmica do medicamento antiarrítmico verapamil nove voluntários saudáveis ​​do sexo masculino seguiram um estudo cruzado aleatorizados compreendendo dois períodos de tratamento. Foram administrados pré-tratamentos de 200 ml de suco de laranja (controle) ou suco de toranja duas vezes ao dia por 5 dias e 120 mg de verapamil (por via oral) duas vezes ao dia por 3 dias. No dia do estudo, os indivíduos receberam a dose matinal de verapamil com suco de laranja (controle) ou suco de toranja. Amostras de plasma e urina foram coletadas para dosagem de verapamil e seus metabólitos. Pressão arterial (PA), frequência cardíaca (FC) e intervalo PR foram monitorados. O estudo demonstrou uma interação entre verapamil e suco de toranja, que é provavelmente devido a uma inibição do metabolismo intestinal resultando em aumento da biodisponibilidade oral (Ho et al., 2000).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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