Mitos e verdades sobre o uso de creatina pelos corredores

Meu artigo publicado na revista contra-relogio em 01/09/2014:

Ele é um dos suplementos mais vendidos no mundo e um dos mais polêmicos

Você provavelmente já ouviu falar da creatina. Esta substância é sintetizada pelo fígado, rins e pâncreas a partir da combinação de três aminoácidos (arginina, glicina e metionina). Também é encontrada em alimentos como carne bovina, de aves e peixes. A sua função é aumentar a síntese de Adenosina Tri Fosfato (ATP), a forma como todas as nossas células usam energia. Como resultado, o rendimento esportivo aumenta e a recuperação é acelerada. Porém são muitos os mitos nesta área. Você sabe identificá-los? Leia as alegações a seguir e responda: as mesmas são mitos ou verdades?

1 A creatina tem estrutura e função semelhante aos esteroides anabolizantes. 
MITO. Os hormônios anabolizantes, sejam naturais ou sintéticos, têm como principal função a proliferação celular e o desenvolvimento de tecidos, especialmente o muscular e o ósseo. Já a creatina não possui esta ação, nem causa dependência. Ao ressintetizar o ATP, o que ela faz é aumentar a disponibilidade de energia para atender às demandas do organismo, sejam de produção de enzimas, anticorpos ou tecidos. Com mais energia você também poderá se exercitar por mais tempo ou mais eficiencia.

2 A creatina estimula o aumento da musculatura sem a realização de exercícios de força.
MITO. O suplemento realmente não faz milagres. Para o ganho de massa magra haverá necessidade de realização de treinamento de resistência.

3 A creatina provoca desconforto gastrointestinal. 
VERDADE. Apesar de raro, 5% a 7% dos usuários de creatina relatam sintomas como dores de estômago, náuseas ou diarreia.

4 As doses de creatina precisam ser de 20 gramas ao dia na primeira semana, seguido por uma a três semanas de suplementação, com 5 gramas diárias.
MITO.  Já foi a época em que os usuários de creatina utilizavam altas dosagens no início de um ciclo. Os estudos mais recentes mostram que isso não é necessário e que o consumo de 2 a 5 gramas ao dia é eficiente para a maioria das pessoas aumentarem substancialmente seus estoques musculares.

5 A creatina reduz a inflamação muscular. 
VERDADE. A suplementação de creatina reduz a inflamação muscular durante e após o exercício. Pesquisas com corredores que usaram suplementos com a substância, por cinco dias antes de uma corrida de 30 km, demonstraram menor dano celular e menor inflamação muscular. Por esse efeito, o suplemento também vem sendo estudado em pacientes com doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e doença de Huntington. Um das hipóteses é que a melhoria dos pacientes deve-se à capacidade da creatina em desinflamar o tecido nervoso. A outra é a de que ela aumenta o fornecimento de energia para os neurônios, fator capaz de reduzir a atrofia dos mesmos, melhorar a memória, diminuir a fadiga e atenuar a depressão.

6 A creatina ajuda a correr uma maratona em maior velocidade. 
MITO. A creatina é muito mais utilizada por fibras musculares de contração rápida e, por isso, beneficia muito mais corredores que realizam provas curtas e velozes, como as de 100, 200 e 400 metros. O que ela pode beneficiar é um corredor de longas distâncias que faz treinos de tiros curtos.

7 A creatina acarretaaumento de peso. 
VERDADE. Para estocar creatina no músculo, moléculas de água são necessárias. E células mais hidratadas significam células mais pesadas. É comum um ganho de 0,8 a 2,9% de peso do corpo nos primeiros dias de suplementação com creatina. Se você precisa ou deseja manter um peso mais baixo, este não é um suplemento indicado.

8 A creatina não funciona bem para todos. 
VERDADE. Muitas pessoas já estocam muita creatina naturalmente e, dessa maneira, não sentem diferença com a suplementação. Já vegetarianos possuem menores estoques por não consumirem carnes de nenhum tipo. Neles os resultados costumam ser melhores. O tipo de fibra muscular predominante na pessoa também influencia o resultado final. A maioria tem cerca de 50% de fibras de contração rápida (atuantes na corrida rápida e saltos) e outro tanto de fibras de contração lenta (responsáveis pelo exercício de resistência). Mas isso pode variar de indivíduo para indivíduo. Aqueles que tenham, por exemplo, 70% de fibras musculares de contração rápida verão mais resultados.

9 A creatina pode me fazer parecer menos musculoso. 
VERDADE. Como o músculo fica muito hidratado quando está com estoques aumentados de creatina, a definição pode diminuir. É por isso que fisiculturistas suspendem a suplementação de 1 a 2 semanas antes de uma competição.

10 Ao parar de suplementar, perderei musculatura.
MITO. Você ficará menos hidratado e inchado, mas seus músculos ainda estarão lá, apesar de parecerem menores.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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O corredor na cozinha

Meu artigo publicado na revista contra-relogio em 01/08/14:

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O prazer da corrida pode se estender para as panelas, em busca de pratos gostosos e saudáveis.

Você é um corredor que ama comer? Você corre para poder comer delícias sem culpa? Pode admitir, porque está tudo bem. Porém, nunca se esqueça da importância da boa alimentação para sua saúde, para seu rendimento físico e para a prevenção de doenças. O ideal é combinar os sabores que você aprecia com ingredientes com propriedades beneficas. O problema é que nem sempre estes produtos estão facilmente disponíveis, por isso declare sua independência e vá para a cozinha!
Se você não tem conhecimento nenhum sobre como preparar seus pratos, procure videos no Youtube ou inscreva-se em aulas de alimentação saudável ou funcional. Você não irá se arrepender. Por enquanto, leia algumas dicas.

Vegetais - Os vegetais são muito importantes para qualquer atleta, pois fornecem vitaminas, minerais, enzimas e fitoquímicos capazes  de reduzir a inflamação, diminuir a quantidade de radicais livres circulantes e prevenir doenças como diabetes, hipertensão e certos tipos de câncer. Quanto menos aquecidos estiverem os vegetais, mais nutrientes terão, por isso adicione-os crus na salada ou em seus sucos. Você também pode prepará-los no vapor, cozinhá-los em água ou assá-los no forno. Mas lembre-se: os vegetais não devem ficar muito moles. Um pouco da crocância original garante mais nutrientes no seu prato.

Grãos e massas - Estes alimentos garantirão energia para suas corridas. Se você adicionar um pouco de sal na água, eles ficarão prontos mais rapidamente. Para evitar que o arroz ou o macarrão empapem ou grudem, adicione uma colher de sobremesa de azeite à água de cozimento. Outra técnica é enxaguar o macarrão em água fria após o cozimento para que não grude. Também evite cozinhar além do necessário. Em geral, o arroz integral fica pronto em 45 minutos, o branco em 20 minutos e o macarrão em 15 minutos. Você também pode substituir o arroz e o macarrão por diferentes tipos de batatas, que podem ser consumidas cozidas, assadas, amassadas... Normalmente, o cozimento no forno leva de 40 a 50 minutos e no micro-ondas de 6 a 7 minutos. A batata estará pronta quando você puder espetar nela um garfo e sentir que está macia, porém ainda firme.

Carnes - Podem ser consumidas de várias formas, mas tente não adicionar muito óleo às preparações. Os melhores métodos incluem assar, grelhar e cozinhar em água (neste caso você ainda pode adicionar vegetais ou fazer uma sopa). No caso de aves inteiras, coloque-as com o peito virado para baixo para que a gordura desça e a carne fique mais macia. Lembre-se de remover a pele, pois contém muita gordura saturada, a qual está associada ao maior risco de aterosclerose e doenças coronarianas. 
No caso da carne de vaca ou porco, escolha cortes mais magros. Peças inteiras de carne gastam mais tempo para cozinhar (até 1 hora), enquanto carnes e aves fatiadas levam cerca de 12 a 15 minutos. Já peixes cozinham mais rápido (em torno de 10 minutos para filés com espessura de 2,5 cm). 
Escolha peixes frescos. Saiba como: o cheiro deve ser característico e agradável; o aspecto exterior deve ser limpo, brilhante, o couro deve estar úmido e as escamas bem aderidas; os olhos devem estar limpos, com córnea transparente e brilhante, a pupila negra e o globo ocular convexo; as guelras devem ser vermelhas, brilhantes e ausentes de muco; a carne deve ser firme, o que pode ser testado pressionando o couro do peixe.

Receitas para experimentar

Shake de aveia
Se você prefere os líquidos aos sólidos, mas está sem inspiração, teste esta receita. Você precisará bater no liquidificador:

Ingredientes:
- 1 copo (250ml) de leite desnatado ou de soja
- ½ xícara de morangos ou blueberries (mirtilos)
- ½ xícara de iogurte grego sem sabor ou iogurte natural
- ¼ de xícara de aveia em flocos
- 1 colher de sopa de linhaça
Este shake fornece 300 kcal, 42 g de carboidratos, 6 g de fibras, 24 g de proteína, 5 g de gordura e 149 mg de sódio. É uma excelente e refrescante bebida pós-treino!

Polenta grelhada com vegetais
Se você estava procurando uma receita
fácil, saudável e com carboidratos suficientes para lhe sustentar durante o próximo treino, acabou de encontrar! Seguem os ingredientes para 10 porções:

Ingredientes:
- 1 berinjela grande, fatiada
- 2 abobrinhas fatiadas
- 4 cogumelos grandes fatiados
- 1 cenoura fatiada
- 2 colheres de sopa de azeite extravirgem
- Sal a gosto
- 2 xícaras de farinha de milho ou fubá
- 1,5 xícara de molho de tomate
- ½ xícara de queijo branco picado ou queijo ralado
- ¼ xícara de manjericão picado

Aqueça um grill ou frigideira e doure os vegetais e os cogumelos com pequena quantidade de azeite, por 5 a 10 minutos. Em uma panela, em fogo alto, com água e sal, cozinhe a polenta em 1 litro de água, por 20 a 30 minutos ou até que engrosse. Aqueça o forno. Em um recipiente refratário, coloque ½ xícara de molho de tomate e cubra com metade da polenta. Adicione os vegetais e cubra com a outra metade da polenta. Adicione o restante do molho de tomate e o queijo. Leve para gratinar no forno por 20 a 30 minutos. 
Esta receita fornece 254 kcal por porção, sendo 36 g de carboidratos, 6 g de fibras, 10 g de proteína, 9 g de gordura e aproximadamente 250 mg de sódio.


Bolo de whey protein
Se após a corrida você precisa mesmo é de um docinho, as próximas receitas lhe agradarão. Esta primeira é de bolo com cobertura proteica (do soro do leite), para não deixar que você perca massa magra, mesmo em fases de longos treinos. Você precisará de:

Massa:
- 5 claras e 3 gemas
- 2 doses de whey protein de chocolate
- 1 colher de sopa de fermento químico
- 40 gramas de coco ralado
- 2 colheres de sopa de óleo de coco
- O whey já é doce, mas se quiser adicione açúcar, mel ou adoçante culinário

Cobertura:
- 2 colheres de sopa de requeijão light
- 1 ½ dose de whey protein de chocolate diluído em 50 ml de leite desnatado ou leite de soja (deverá ficar uma mistura grossa)
Modo de preparo: Bata no liquidificador os ovos e as claras por 2 minutos. Acrescente o whey protein e o óleo de coco e bata por mais 2 minutos. Adicione o fermento por último. Leve a mistura a uma fôrma própria para forno, acrescente o coco ralado e asse em fogo médio por 20 minutos. Para a cobertura, misture os ingredientes e leve ao forno por 30 segundos. Tire o bolo do forno, fure-o com um garfo e despeje a calda ainda quente. Pode ser consumido quente ou gelado. Rende 4 porções e cada uma fornece 119 kcal (se não tiver adicionado açúcar ou mel) por porção, sendo 3 g de carboidratos, 3 g de gordura e 20 g de proteína.

Brigadeiro de whey protein
Esta é uma das sobremesas mais amadas do Brasil e você pode adaptá-la para fornecer menos açúcar e mais proteína. Veja como é fácil:

Ingredientes:
- 2 xícaras de água fervente
- 1 xícara de chá de leite em pó desnatado
- 1 xícara de chá de whey protein sabor chocolate
- 3 colheres de sopa de achocolatado light
- 3 colheres de sopa de adoçante culinário
- 1 colher de sopa de manteiga light
Bata os ingredientes no liquidificador e leve ao fogo brando, mexendo sempre, até ferver. Quando começar a desprender da panela, está pronto. Deixe esfriar e coloque em um recipiente na geladeira.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Corrida e bem-estar

Meu artigo publicado na revista contra-relogio em 01/07/2014:

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A corrida traz uma série de beneficios à saúde. Mesmo assim, nem sempre pessoas fisicamente saudáveis sentem-se bem, porque o bem-estar envolve também componentes subjetivos ou afetivos.

Para atingir o equilíbrio, o corredor deve valorizar a condição física, mas também outros aspectos - emocionais, intelectuais, sociais, ambientais, ocupacionais e até espirituais. Nesse sentido, podemos dizer que o sentir-se bem engloba corpo e mente, e o mais importante: ele pode não surgir espontaneamente. Assim como nos esforçamos nos nossos objetivos de corrida, precisamos deliberadamente incluir em nossas rotinas ações que nos proporcionem mais satisfação geral com a vida. 
Além disso, para manter tal satisfação, alguns comportamentos precisam ser mantidos ou adaptados para que a sensação de felicidade se prolongue. Existem seis componentes-chave a serem trabalhados para que a maior parte das pessoas sinta que a vida vai bem. Adapte-os conforme a sua própria definição e sensação de contentamento.

1. Bem-estar social - É a forma como você se relaciona consigo mesmo e com os outros. Ter relações de apoio e um sentimento de pertencimento é muito importante, por isso, corredores que estão bem socialmente possuem uma rede de amigos e familiares, a quem podem recorrer para obter apoio e compartilhar experiências de vida. Se este item ficou desvalorizado em sua vida nos últimos tempos, reaproxime-se de pessoas importantes para você ou junte-se a um grupo de corrida.

2. Bem-estar físico - Refere-se ao jeito como você cuida do seu corpo. Correr pode ser um exercício muito saudável ou não, dependendo da forma como você o encara. Tenha metas razoáveis, faça tudo para não se machucar desnecessariamente e procure orientação sempre que precisar. Pessoas mais bem condicionadas fisicamente costumam também valorizar alimentos com maior valor nutricional, dormir uma quantidade de horas adequadas para a recuperação do corpo, fazer check-ups médicos de rotina e apropriados para a idade e fatores de risco, além de ter uma vida sexual segura e compatível com os próprios valores e estágio de desenvolvimento físico e mental. Aqui não se fala em ter o corpo "perfeito", já que este não está necessariamente associado a maior bem-estar. Em realidade, o impulso para a perfeição física pode, ao contrário, criar desequilíbrios emocionais e físicos.

3. Bem-estar ambiental - Trata-se da maneira como você se relaciona com o ambiente à sua volta (global e imediato, como sua casa e escritório). Este é um dos aspectos mais negligenciados para chegarmos ao bem-estar. Mas comece a perceber o quanto o ambiente interfere no seu equilíbrio e no seu humor. Onde você se sente melhor? Na academia ou no parque? Em lugares organizados ou desorganizados? Com que tipo de pessoas? Passe a filtrar locais e indivíduos que não lhe deixam bem. E esforce-se para criar ambientes mais harmônicos para você e para os que estão à sua volta.

4. Bem-estar emocional - É a forma como você enfrenta os próprios problemas. Aprender a aceitar os seus sentimentos (bons e ruins), seus pensamentos e atitudes elevam a autoestima e a satisfação geral. Pessoas com maior equilíbrio emocional são capazes de se expressarem adequadamente e gerir toda a gama de sentimentos, incluindo a raiva, o medo, a felicidade e a tristeza. O equilíbrio emocional faz parte de uma jornada de autodescoberta, que pode ser individual ou apoiada por familiares, amigos e até profissionais de saúde. A corrida também contribui para este equilíbrio, pois a melhor condição física e o esforço do exercício ajudam a mente a relaxar, combatendo a ansiedade e o estresse.

5. Bem-estar intelectual - Para muitos, o bem-estar também envolve a realização de coisas ou ser valorizado por nossas competências. Ser capaz de aprender por toda a vida e perseguir novos ou velhos interesses é uma importante característica de pessoas com maior satisfação nesta esfera da vida. Se isso é importante para você, busque atividades que aumentem seu conhecimento, desenvolvam o raciocínio, fomentem o pensamento crítico e ampliem suas visões de mundo. Leia, visite museus, assista a filmes sobre temas interessantes, escreva, encontre novos passatempos ou simplesmente desafie-se na corrida. Que tal correr de forma diferente, por novos caminhos ou com outras pessoas?

6. Bem-estar ocupacional - Estudar ou trabalhar com algo considerado gratificante e significativo, que permita que você cultive ou desenvolva dons, habilidades e talentos, aumenta o conforto ocupacional. O significado pode envolver passar mais tempo em casa educando os próprios filhos ou procurando melhorar seus rendimentos. Não importa, tente alinhar cada vez mais sua ocupação com seus valores e suas metas. Reflita a respeito e tome medidas que o impulsionem na direção almejada.

7. Bem-estar espiritual - Ter um propósito maior de vida, integrado às suas crenças e valores, aumenta o contentamento e a realização pessoal. Isto pode vir da religião, de ações humanitárias, do envolvimento com política, seja em pequenas ações na sua própria comunidade, seja em macropolíticas públicas, pensadas para todos. Pagar as contas deste mês é uma meta importante para deixá-lo melhor, mas e daqui a 20 anos? O que terá tido valor em sua vida?

Alimentos favoráveis

Tudo bem, falar é fácil, mas implementar muitas ações simultâneas costuma estar fora do nosso alcance. Por isso, escolha uma dessas áreas e busque melhorias consistentes e duradouras para que seu bem-estar vá aumentando paulatinamente. Se estiver sem nenhuma ideia sobre como começar, melhore já sua alimentação. Quando nos alimentamos melhor, temos mais energia para realizar outras coisas, nos sentimos fisicamente mais dispostos e descansados, e ficamos com melhor aparência. Descubra, a seguir, alguns alimentos que ajudam o corredor a se manter bem:

Peixes
Possuem proteínas e gorduras do tipo ômega-3, essenciais para o bom funcionamento do cérebro. Também fornecem vitaminas do complexo B, vitamina D e iodo, fundamentais
para o bom humor.

Apimente sua vida
Pimentas possuem uma substância chamada capsaicina, que tem a capacidade de se ligar a receptores no cérebro e diminuir inflamações. O cérebro também responde à capsaicina, liberando endorfinas, hormônios com efeito calmante e prazeroso.

Frutas e verduras
Não fuja delas porque, além de fornecerem vitaminas e minerais antioxidantes, são fontes de fitoquímicos essenciais para a proteção de nosso material genético (DNA) e aumento de nosso bem-estar e longevidade. Você pode fazer a ingestão in natura, em sucos, sopas ou tortas. Mas coloque algo cru diariamente
em sua vida, pois quanto menos aquecido estiver este tipo de alimento, mais enzimas e vitaminas fornecerá ao seu organismo.

Valorize os bons carboidratos
As dietas pobres em carboidratos voltaram à moda. Porém, você é um corredor e precisa de energia para alimentar seus músculos e cérebro. Caso o consumo de carboidratos fique muito aquém do esperado, a produção de serotonina é comprometida, o humor piora e a qualidade do sono se reduz. Por isso, se você eliminou pães
e massas, dê atenção especial às frutas e verduras, especialmente antes e depois das corridas.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Mitos da nutrição esportiva

Meu artigo publicado na revista contra relógio:

Querer se alimentar bem é natural e ótimo para a saúde do corredor. Porém, muitas vezes ficamos totalmente neuróticos com as informações do mundo da nutrição. Viramos corredores chatos, que não saem com os amigos ou com a familia para ficar rigidamente na dieta. Mas isso não é necessário. Confira os maiores mitos do mundo da nutrição e fuja deles!

1 - Açúcares estão proibidos durante a corrida
Mentira! A glicose é o açúcar simples mais importante para a geração de energia durante o exercício intenso e de resistência. Dezenas de estudos foram capazesde mostrar que o consumo de açúcares simples durante o exercício foi capaz de melhorar o desempenho em corridas com duração superior a uma hora. Apesar dessa montanha de evidências, muitos corredores ainda evitam esta prática e acabam passando fome ou tendo uma grande perda de massa muscular. Em treinos ou corridas longas, aposte nas bebidas esportivas, géis energéticos, rapadura, sucos diluídos ou em outras fontes de açúcares simples. Teste e compare a diferença!

2 - Todo corredor precisa seguir uma dieta com pelo menos 60% das calorias provenientes de carboidratos
Falso! Nosso corpo é único. Realmente muitos corredores sentem-se bem com uma dieta composta por 60% de carboidratos, 20% de proteínas e 20% de lipídios. Contudo, muitos outros tendem a inchar ou ganhar peso excessivamente seguindo esta recomendação, e acabam adotando uma dieta rica em carboidratos perto de atividades físicas e mais proteica nos outros horários. Especialmente no caso de corridas com menos de 1 hora de duração, 50% ou mesmo 40% de carboidratos na dieta adaptam-se bem ao paladar, às necessidades e preferências de muita gente.

3 - A sobrecarga de carboidratos é importante antes das corridas
Este mito já foi discutido aqui na revista e está disponível no site da revista contra relogio (procure na seção de nutrição o artigo "Sobrecarga de carboidrato é uma estratégia importante?"). Resumidamente, posso dizer que esta prática é raramente necessária, principalmente se você irá correr menos de 90 minutos. Além disso, seu efeito é mínimo, mesmo em corridas mais longas, quando carboidratos são consumidos adequadamente durante a corrida. Agora, se você já está habituado à sobrecarga de carboidratos e ela lhe dá confiança, mantenha sua dieta. Você é a melhor pessoa para saber o que funciona durante seu percurso.

4 - É necessário beber água mesmo sem sede
Não caia nessa. Toda uma geração de corredores foi ensinada que qualquer quantidade de desidratação teria um efeito negativo sobre o desempenho e aumentaria o risco de doenças provocadas pelo calor. Contudo, cientistas da área do esporte provaram que este mito pode levar à hiponatremia e morte, caso o sódio não seja reposto adequadamente. Além disso, é quase impossível absorver o líquido ingerido durante a corrida mais rápido do que se perde pelo suor. Outra vantagem de ingerir líquido apenas quando a sede aparece é que o risco de sintomas gastrintestinais, como diarreia ou gases, diminui. A CR chamou atenção para essa bobagem, que continua sendo repetida por muita gente, já há alguns anos.

5 - As cãibras são causadas pela desidratação
Os mitos 4 e 5 estão relacionados. As cãibras possuem muitas causas. A maior é o esforço excessivo. Correr mais do que seu preparo físico permite aumenta bastante as chances de cãibras. Além disso, algumas pessoas parecem ter uma predisposição naturalmente maior para o desenvolvimento deste problema.

6 - Bebidas esportivas são todas iguais
Claro que não! Este polêmico assunto também já apareceu na Contra-Relógio. Entre na seção de nutrição do site da CRe procure o artigo "Comparação entre bebidas esportivas". Lá você aprenderá que estes líquidos compartilham uma fórmula básica (água + carboidratos + sódio + potássio). Porém, existem produtos com mais e outros com menos carboidratos (o ideal é ficar entre 6% e 8% da composição). Existem bebidas esportivas adicionadas de aminoácidos ou vitaminas antioxidantes. Alguns atletas sentem-se muito bem com bebidas com aminoácidos, os quais aumentam a resistência e reduzem o dano muscular. Outros são completamente intolerantes a estas fórmulas, sofrendo de mal-estar ou dores abdominais. Teste e encontre sua fórmula favorita.

7 - Suplementos são necessários para o máximo rendimento
Seria ótimo se conseguíssemos entrevistar todos os grandes atletas do mundo. Você perceberia a grande variação em termos de dietas e do uso de suplementos. Estes últimos são extremamente convenientes, porém não indispensáveis. Aliás, nenhum estudo conseguiu comprovar a melhoria do rendimento em corridas após o consumo de qualquer suplemento. Por isso, grande parte dos corredores de elite não consome nenhum produto especial.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/