Classificação TIRADS para nódulos na tireoide

A classificação TIRADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System) é um sistema utilizado para padronizar a avaliação de nódulos da tireoide através de ultrassonografia. Ela auxilia na avaliação do risco de malignidade de nódulos tireoidianos, guiando a decisão sobre a necessidade de biópsia ou apenas acompanhamento.

São vários os fatores de risco para nódulos na tireoide, incluindo deficiência de iodo, predisposição genética, histórico familiar, exposição a radiação, envelhecimento, inflamação da tireoide por infecção viral ou tireoidite de Hashimoto, adenomas e carcinomas.

A TIRADS se baseia em cinco características ultrassonográficas dos nódulos da tireoide, que são:

1. Composição (cístico, misto, sólido)

2. Ecogenicidade (hiperecogênico, isoecogênico, hipoecogênico)

3. Margens (lisas, irregulares, invasão extra-tireoidiana)

4. Forma (mais largo que alto ou mais alto que largo)

5. Presença de calcificações (microcalcificações, macrocalcificações, etc.)

Cada uma dessas características recebe uma pontuação que determina o risco de malignidade. Com base na pontuação total, o nódulo é classificado de acordo com o sistema TIRADS.

Classificação TIRADS da tireoide

1. TIRADS 1: Normal

- Significado: Ausência de nódulos; a tireoide parece normal.

- Risco de malignidade: 0%

- Recomendação: Nenhuma ação necessária.

2. TIRADS 2: Benigno

- Significado: Nódulos claramente benignos, como cistos simples ou espongiformes.

- Risco de malignidade: 0%

- Recomendação: Nenhuma intervenção adicional necessária, apenas acompanhamento de rotina.

3. TIRADS 3: Provavelmente benigno

- Significado: Nódulos com características de baixa suspeita, como nódulos sólidos com margens regulares e sem características suspeitas.

- Risco de malignidade: 2-5%

- Recomendação: Ultrassom de acompanhamento para observar mudanças no nódulo, sem necessidade imediata de biópsia.

4. TIRADS 4: Suspeito

- Significado: Nódulos com características intermediárias de suspeita (por exemplo, hipoecogenicidade ou margens irregulares), sugerindo possível malignidade.

- Subdivisões:

- TIRADS 4A: Baixa suspeita – risco de malignidade entre 5-10%

- TIRADS 4B: Moderada suspeita – risco de malignidade entre 10-50%

- Recomendação: Avaliar a necessidade de biópsia, dependendo do tamanho e características.

5. TIRADS 5: Altamente suspeito

- Significado: Nódulos com várias características de alta suspeita, como microcalcificações, margens irregulares, forma mais alta que larga, ou invasão de tecidos próximos.

- Risco de malignidade: 50-90%

- Recomendação: Biópsia fortemente recomendada para confirmação diagnóstica.

6. TIRADS 6: Maligno

- Significado: Nódulo com diagnóstico confirmado de malignidade (por exemplo, após biópsia ou cirurgia).

- Risco de malignidade: 100%

- Recomendação: Intervenção terapêutica, geralmente cirurgia ou tratamento oncológico.

Decisões Clínicas Baseadas no TIRADS

A necessidade de biópsia depende da categoria TIRADS e do tamanho do nódulo. Geralmente, a biópsia é recomendada para:

- TIRADS 4 ou 5 com nódulos maiores que 1 cm.

- TIRADS 3 com nódulos maiores que 2,5 cm.

Em caso de dúvidas, consulte o seu médico.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Estrogênio + microbioma: conheça o estroboloma

A função do trato digestivo é essencial para o funcionamento adequado de quase todos os sistemas biológicos do corpo. A conexão entre intestino e sistema endócrino feminino é tão forte que há um termo para descrever o impacto nos níveis de estrogênio: o estroboloma.

O ESTROBOLOMA E O METABOLISMO DO ESTROGÊNIO

Os insights que levaram à compreensão atual do estroboloma datam de 1985, quando foi descoberto que cepas bacterianas específicas podiam produzir uma enzima chamada beta-glucuronidase, que desconjugaria os estrogênios, tornando-os disponíveis para serem reabsorvidos no intestino e de volta à circulação.

Os estrogênios passam por várias etapas para serem metabolizados e excretados pelo corpo. Primeiro, os estrogênios primários (estrona, estradiol e estriol) são hidroxilados pelo CYP 450 no fígado nos metabólitos 2-OH, 4-OH e 16-OH (e outros). Esses metabólitos passam por metabolismo adicional com as ações de metilação, glucuronidação e sulfonação em sua forma conjugada. Nesse ponto, os estrogênios conjugados são "empacotados" e podem então viajar pela bile para os intestinos para excreção.

Estudos de estrogênios injetados e radioativamente marcados em mulheres mostraram que aproximadamente 65% do estradiol injetado, 48% da estrona injetada e 23% do estriol injetado são recuperados na bile (o que significa que caem nos intestinos). No entanto, apenas 10-15% dos estrogênios injetados são encontrados (em suas formas conjugadas) nas fezes, sugerindo que quantidades significativas de estrogênios foram desconjugadas e reabsorvidas no trato intestinal.

Essa observação leva à questão do que acontece com os estrogênios restantes e por quê? A resposta está no estroboloma, a coleção de micróbios no intestino que são capazes de metabolizar e modular a quantidade de estrogênio circulante no corpo. Uma maneira pela qual isso ocorre é por meio da produção de beta-glucuronidase por micróbios no intestino.

BETA-GLUCURONIDASE

A beta-glucuronidase desempenha um papel importante no metabolismo. Além do estrogênio, a beta-glucuronidase também hidrolisa resíduos de aminoácidos de outros compostos, incluindo medicamentos como sulfato de heparina e até mesmo a própria bilirrubina do corpo, permitindo que seja reabsorvida.

Mais de 60 gêneros de micróbios intestinais podem produzir beta-glucuronidase, incluindo gêneros importantes como Lactobacillus, Bifidobacterium, Enterococcus e outros. Também é provável que a conexão microbioma intestinal-hormonal vá além da beta-glucuronidase, com evidências mostrando que a microbiota intestinal pode influenciar o equilíbrio do estrogênio por meio de outras vias enzimáticas.

No trato gastrointestinal humano, os genes mais importantes que codificam a beta-glucuronidase são chamados de genes GUS. Cerca de 112 genes GUS foram identificados e tendem a ser expressos em quatro filos bacterianos principais, incluindo Bacteroidetes, Firmicutes, Verrucomicrobia e Proteobacteria. Níveis clinicamente apropriados de beta-glucuronidase ainda não foram estabelecidos.

O excessso de beta-glucuronidase, especialmente no intestino pode gerar:

  • Recirculação de toxinas e hormônios, como estrogênio, aumentando sintomas da TPM, risco de endometriose, miomas e cânceres hormônio-dependentes, como mama e endométrio.

  • Sobrecarga hepática, com sintomas como fadiga crônica, dores de cabeça, alterações de humor e irritabilidade.

  • Pele e olhos amarelados.

  • Interferência no metabolismo de fármacos.

Já falei do excesso de beta-glucuronidase, causas e tratamentos neste outro texto.

O ESTROBOLOMA E O RISCO DE DOENÇAS

Vimos que, por meio do estroboloma, o microbioma intestinal pode impactar diretamente a carga vitalícia de estrogênio de uma mulher e também pode influenciar diretamente o risco de doença. Pesquisadores têm avaliado o papel do estroboloma em várias condições com influência conhecida do estrogênio, incluindo cânceres responsivos ao estrogênio e endometriose.

Tanto os estrogênios endógenos quanto os exógenos (como os xenoestrogênios) requerem metabolismo e excreção. Se o estroboloma favorece a recirculação do estrogênio e, portanto, uma carga total de estrogênio maior, isso muda o ambiente hormonal das mulheres de uma forma que vai além da estimulação direta dos receptores de estrogênio. O aumento do estrogênio total também pode causar alterações na função do sistema imunológico e pode impactar ainda mais o microbioma intestinal.

O estroboloma também é reconhecido por sua provável importância na proteção da saúde cardiovascular em mulheres na pós-menopausa. Em um estudo publicado em junho de 2022, indivíduos participantes do Hispanic Community Health Study/Study of Latinos (uma população com alto risco cardiometabólico) foram submetidos a sequenciamento metagenômico de shotgun de fezes. Os resultados foram interessantes. O microbioma de mulheres na pós-menopausa parecia mais semelhante ao dos homens do que às mulheres na pré-menopausa e essas alterações no microbioma intestinal foram associadas ao risco cardiometabólico adverso em mulheres na pós-menopausa (Peters et al., 2022).

MELHORANDO O ESTROBOLOMA

Ao coletar o histórico do paciente para preocupações relacionadas a hormônios, a avaliação da função gastrointestinal e possíveis fatores de risco para disbiose devem ser incluídos. Isso inclui o histórico de uso de antibióticos, histórico de obesidade ou diabetes tipo 2 e a tradicional "dieta ocidental" de alimentos com baixo teor de fibras, alto teor de gordura e alto teor de carboidratos (entre muitos outros).

O indican urinário, um novo ácido orgânico incluído em alguns painéis DUTCH, demonstrou ser um marcador confiável para disbiose intestinal. Dados de amostras do teste DUTCH em mulheres na pós-menopausa e em homens mostraram uma associação pequena, mas estatisticamente significativa, entre níveis elevados de indican urinário (sugerindo disbiose) e níveis de estradiol, reforçando a afirmação de que a disbiose intestinal é um fator importante nos níveis de estrogênio circulante.

O indican é o resultado da decomposição do triptofano intestinal, estando normalmente presente em traços na urina. Sua absorção intestinal é maior na presença de obstipação ou aumento da putrefação intestinal. Assim, o indican tem seu nível aumentado em enterites, na obstrução intestinal, no íleo paralítico e nasneoplasias gastrintestinais. O indican também apresenta-se elevado em quadros de decomposição bacteriana de proteínas corpóreas, como septicemias e gangrenas.

Em caso de disbiose, procede-se à modulação intestinal, com uso de prebióticos, probióticos e simbióticos são indicados para equilibrar a atividade da beta-glucuronidase, juntamente com uma dieta rica em fibras, rica em diversos fitonutrientes e alimentos fermentados.

Se beta-glucoronidase nas fezes estiver alta (maior que 2.486U/mL) podemos suplementar cálcio D-glucarato para desativar a enzima. O cálcio-d-glucarato também pode ajudar a bloquear a beta-glucuronidase, reduzindo a desconjugação de estrogênios e apoiando a excreção adequada de metabólitos de estrogênio, e é uma abordagem razoável de suplemento dietético. A dosagem normalmente varia de 500 a 1000 mg por dia.

Ao melhorar o metabolismo do estrogênio com estilo de vida e suplementação, certifique-se de considerar o impacto potencial do estroboloma na recirculação. Somente quando todo o metabolismo do estrogênio e as vias de excreção forem abordados, você poderá restaurar o equilíbrio e a função ideais do estrogênio.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Diferença entre cariótipo, exoma e microarray

Cariótipo, microarray e exoma são três diferentes tipos de testes genéticos usados para detectar alterações no DNA. Cada um tem um nível de precisão e capacidade de identificar diferentes tipos de variações genéticas. Aqui está uma explicação detalhada de cada exame e suas diferenças:

1. Cariótipo:

  • O que é: O cariótipo é uma análise microscópica dos cromossomos inteiros. Ele examina o número e a estrutura dos cromossomos para detectar grandes alterações.

  • O que detecta:

    • Aneuploidias (alterações no número de cromossomos, como a Síndrome de Down, que tem um cromossomo 21 extra).

    • Deleções ou duplicações grandes (quando falta ou há cópias extras de grandes partes dos cromossomos).

    • Translocações (quando há trocas de material entre cromossomos).

    • Inversões e inserções cromossômicas.

  • Limitações:

    • O cariótipo não detecta pequenas mutações ou alterações de pequeno tamanho (como mutações em genes individuais ou pequenas deleções/duplicações).

    • É menos preciso para mutações moleculares e não vê alterações menores que 5 a 10 megabases.

  • Usado para: Diagnóstico de síndromes cromossômicas grandes, abortos recorrentes, e condições como síndrome de Turner, síndrome de Klinefelter e leucemias.

2. Microarray (CMA - Análise de Microarranjo Cromossômico):

  • O que é: O microarray é um exame molecular que detecta pequenas alterações no DNA. Ele examina o genoma em busca de variações no número de cópias (CNVs - Copy Number Variations) de segmentos de DNA, como deleções ou duplicações.

  • O que detecta:

    • Microdeleções e microduplicações (perda ou ganho de pequenas partes do DNA).

    • Alterações no número de cópias de segmentos de genes ou cromossomos (CNVs).

  • Limitações:

    • O microarray não detecta mutações pontuais (alterações em um único nucleotídeo) ou rearranjos cromossômicos equilibrados (como translocações que não envolvem perda ou ganho de material genético).

    • Não detecta mutações em regiões não codificantes do DNA, ou seja, fora dos genes.

  • Usado para: Diagnóstico de deficiência intelectual, autismo, malformações congênitas, ou casos onde o cariótipo não encontra alterações, mas ainda há suspeita de doenças genéticas. É mais preciso que o cariótipo para síndromes genéticas sutis, como Síndrome de DiGeorge ou Síndrome de Williams.

3. Exoma:

  • O que é: O sequenciamento do exoma analisa todas as regiões codificantes dos genes (ou seja, os exons, que compõem cerca de 1-2% do genoma humano, mas contêm a maioria das mutações que causam doenças genéticas).

  • O que detecta:

    • Mutações pontuais (alterações em uma única base do DNA).

    • Pequenas inserções e deleções (indels).

    • Pode identificar algumas CNVs, dependendo do tipo de análise feita.

  • Limitações:

    • O exoma não analisa as regiões não codificantes do genoma (intronas ou regiões reguladoras), que também podem conter mutações relevantes.

    • Não detecta alterações cromossômicas grandes (para isso, o cariótipo ou o microarray são mais indicados).

    • Não detecta todas as CNVs de maneira tão abrangente quanto o microarray.

  • Usado para: Diagnóstico de doenças genéticas que envolvem mutações nos genes, como doenças monogênicas (ex.: fibrose cística, síndrome de Marfan, distrofias musculares). É especialmente útil quando outras análises, como cariótipo ou microarray, não encontram a causa da doença.

Conclusão:

  • Cariótipo: Ideal para detectar grandes alterações cromossômicas e aneuploidias. Usado em diagnóstico de síndromes cromossômicas e cânceres hematológicos.

  • Microarray: Excelente para detectar pequenas deleções e duplicações (CNVs), especialmente em pacientes com distúrbios do desenvolvimento, deficiência intelectual, ou síndromes genéticas sutis.

  • Exoma: É o exame mais detalhado para identificar mutações pontuais e pequenas alterações nos genes. Útil para diagnósticos de doenças genéticas causadas por mutações em genes específicos.

Esses testes são frequentemente complementares, e a escolha do teste depende da suspeita clínica e do tipo de alteração genética que se espera encontrar.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/