Estresse oxidativo cerebral, alterações na produção de neurotransmissores e depressão

Vários fatores (genéticos e ambientais) aumentam o estresse oxidativo e a incidência de neurodegeneração, demência e comprometimento cognitivo. Entre estes fatores encontram-se a hiperglicemia crônica, hiperinsulinemia, abuso de álcool, contato com xenobióticos (toxinas), dislipidemia, carências nutricionais e / ou inflamação prolongada.

A obesidade aumenta o risco de resistência periférica à insulina e esta acelera a degeneração cerebral, o comprometimento cognitivo, aumenta o risco de depressão e doença de Alzheimer. Um denominador comum entre tudo isso é o estresse oxidativo crônico. Em várias doenças alterações nos sistemas antioxidantes enzimáticos e não enzimáticos, bem como aumento da oxidação dos componentes celulares, são os principais fatores que danificam o tecido cerebral e promovem a degeneração cerebral

Screen Shot 2020-04-22 at 1.08.40 PM.jpg

A insulina influencia a sobrevivência neuronal, participa da plasticidade sináptica e regula o funcionamento do cérebro, incluindo memória, cognição, aprendizado e atenção. O problema é que o excesso de insulina reduz a quantidade de receptores AMPA para glutamato. E, quando o glutamato não entra nos neurônios acaba sendo tóxico para o tecido cerebral.

Uma das causas da resistência à insulina cerebral é o acúmulo de ceramida no tecido nervoso. A ceramida pertence a um grande grupo de compostos que constroem membranas celulares de neurônios e células da glia (dão suporte e nutrição aos neurônios). Grandes quantidades de ceramida também são produzidas no fígado, principalmente quando há resistência à insulina ou quando há o consumo de muita gordura (especialmente trans e saturada). A ceramida, como outros lipídios neurotóxicos, passa pela barreira hematoencefálica, contribuindo para aumentar ainda mais a resistência à insulina no cérebro.

O excesso de ceramida prejudica a viabilidade das células cerebrais, o metabolismo energético e a atividade mitocondrial e, portanto, pode gerar déficits neuro-cognitivos em pacientes com resistência à insulina. A principal causa de resistência à insulina é o excesso de gordura corporal. Pessoas com síndrome metabólica, hipertensos, mulheres com síndrome dos ovários policísticos, esteatose hepática também associam-se à resistência insulínica.

Por seus efeitos neurotóxicos, o excesso de ceramida gera morte de células do cérebro e aumenta o risco de demência. Além da hiperglicemia crônica outro fator à prejudicar o cérebro é o estresse oxidativo gerado pela disfunção mitocondrial. O estresse oxidativo é definido como um desequilíbrio entre a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) e nitrogênio (RNS), e a presença de fatores antioxidantes protetores, tanto enzimáticos (catalase, glutationa peroxidase, superóxido dismutase) e não enzimáticas (vitamina C, vitamina A, vitamina E etc.).

Radicais livres em excesso podem gerar danos às membranas das mitocôndrias e causar mutações genéticas, aumentar a produção de substâncias inflamatórias, agravar a resistência à insulina. O cérebro é particularmente sensível ao ataque de radicais livres pois tem muitas mitocôndrias e utiliza mais de 20% do oxigênio consumido pelo corpo. As membranas dos neurônios possuem muitas gorduras que são facilmente atacadas por estes radicais livres, são oxidadas e inflamam ainda mais o tecido.

Outros fatores complicam bastante a função cerebral. Além de fatores genéticos individuais a cada um, sedentarismo e excesso de consumo de alimentos também geram mais inflamação, resistência à insulina, e estresse oxidativo.

Estas alterações todas vão prejudicar a neuroplasticidade, alterar a produção de neurotransmissores, prejudicar a sobrevivência de neurônios. Dentre as alterações destacam-se desequilíbrios na produção de glutamato e GABA. Um cérebro inflamado e com alterações de neurotransmissores também pode ser mais depressivo e compulsivo (Duman, Sanacora, & Krystal). Saiba como modular a produção de neurotransmissores para proteger seu cérebro e vencer a depressão no curso online PSICONUTRIÇÂO.

CONSULTORIA NUTRICIONAL ONLINE
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
Tags

Doença Celíaca e sensibilidade ao glúten não celíaca aumentam a dificuldade para engravidar

A doença celíaca é uma doença do intestino delgado caracterizada por má-absorção de nutrientes e lesão da mucosa intestinal quando há consumo de glúten. Existem pessoas que não possuem doença celíaca mas inflamam-se e também apresentam dificuldades absortivas quando consomem glúten. Neste caso há uma sensibilidade ao glúten não celíaca. Nos dois casos são comuns carências nutricionais como zinco, ferro, cálcio, magnésio, vitaminas do complexo B. E estes nutrientes influenciam a fertilidade. Por exemplo, quando falta vitamina B9 a função ovulatória e o processo de implantação do óvulo no útero são prejudicados. Por exemplo, mulheres com carência de B9 que tentam a reprodução assistida dificilmente alcançam o resultado desejado (gravidez e manutenção dela).

O glúten é encontrado no trigo, cevada e centeio. O consumo de alimentos com glúten pode causar dor, movimentos intestinais irregulares, carências de micronutrientes. O tratamento inclui então a exclusão do glúten, a melhoria da dieta e a suplementação dos nutrientes essenciais à fertilidade. Estes nutrientes precisam também ser suplementados na forma correta. Mulheres sem polimorfismos do gene MTHFR podem receber ácido fólico. Já as que possuem polimorfismos genéticos precisarão receber a vitamina na forma de metilfolato. Um exame interessante é a homocisteína, que aumenta quando falta falta B9, aumenta o estresse oxidativo e prejudica o funcionamento ovariano, com regressão do corpo lúteo.

Untitled.jpg

O corpo lúteo, também conhecido como corpo amarelo, é uma estrutura que se forma logo após o período fértil e que tem como objetivo dar suporte ao embrião e favorecer a gravidez, isso porque estimula a produção de hormônios que favorecem o espessamento do endométrio, tornando-o adequado para que haja a implantação do embrião no útero.

Com homocisteína alta (acima de 8) os níveis de progesterona diminuem e fica difícil sustentar a gestação. O consumo de folato também pode ser avaliado com exames de sangue. O zinco também precisa ser dosado pois sua deficiência prejudica a absorção de folato. Em geral, mulheres que tomaram anticoncepcional por muito tempo tendem a ter deficiência de zinco e precisam receber suplementação.

Aprenda mais sobre o papel da nutrição na fertilidade aqui. Para consultorias online clique aqui.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Gordura ômega-9 aumenta a saciedade

Trabalho com alguns pacientes com a dieta cetogênica para controle da glicemia, redução de peso, epilepsia refratária à medicação, tratamento do Alzheimer e até ganho de massa magra.

A dieta cetogênica caracteriza-se pelo alto consumo de lipídios e baixíssimo conteúdo de carboidrato na dieta. Como o sistema nervoso central (SNC) não consegue utilizar gordura contendo ácidos graxos de cadeia longa (como aquela encontrada nas carnes, queijo, óleo de soja) como fonte de energia, o organismo precisa convertê-los em corpos cetônicos (CC). Ou seja, a dieta cetogênica produz um estado cetótico.

Gorduras são mais ricas em calorias (cada grama de gordura fornece 9 kcal), do que carboidratos e proteínas (fornecem 4 kcal/g). Mesmo assim, muitas pessoas entopem-se de queijos e vivem com fome. Isto acontece porque a gordura saturada do queijo e a inflamação gerada por este alimento em muitas pessoas não é capaz de promover tão bem a saciedade.

Ao contrário, a gordura monoinsaturada (ômega-9) presente no abacate, no azeite, nas castanhas e em sementes promove muito mais a saciedade. Por isso, a dieta cetogênica precisa ser muito bem pensada. Ensino mais sobre o tema neste curso.

A gordura do tipo ômega-9 tem ainda vários outros benefícios. Por exemplo, pessoas que consomem abacate por 12 semanas são mais focadas, mais atentas. Foi o que mostrou uma investigação publicada na International Journal of Psychophysiology. O interessante é que pessoas com excesso de peso ou obesidade têm maior risco de declínio cognitivo e demência senil à medida que envelhecem. Assim, o consumo de ômega-9 tem dois benefícios, aumenta a saciedade, facilitando a redução do peso e preserva a saúde cognitiva, especialmente a partir dos 40 anos (Edwards et al., 2020).

O abacate é um alimento muito interessante. Além de ômega-9 possui luteína, um carotenóide com propriedades antioxidantes, também associado à melhoria da capacidade cognitiva. A fruta também é rica em fibras, que melhoram o funcionamento intestinal, ajudam a reduzir a absorção de açúcares e colesterol. A combinação de fibras, luteína e gorduras monoinsaturadas existe em outros alimentos, como os ovos e vegetais de folhas verde escuras.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/