TDAH, compulsão alimentar e obesidade

Estudos realizados na França mostram que a compulsão alimentar é bastante comum em adolescentes e adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), contribuindo para o aumento do risco de obesidade (Brunault et al., 2019).

Há o estereótipo da pessoa com TDAH agitada, brincalhona, criativa, enérgica. Se todas as pessoas com TDAH fossem assim, possivelmente seriam todas magras e esportivas. Mas a realidade é que o TDAH é um espectro, existem pessoas diferentes e também as desatentas, mas paradas, agitadas apenas na mente. E é por isso que décadas de pesquisa mostram uma forte correlação entre o TDAH e a obesidade. Na verdade, pessoas com TDAH parecem ter quatro vezes mais chances de se tornarem obeso do que aquelas sem TDAH.

Causas do ganho de peso em pessoas com TDAH

1- Alteração na produção de neurotransmissores.

O TDAH é uma condição neurológica em que produtos químicos do cérebro, como dopamina e GABA, são produzidos ou utilizados em menores quantidades. A dopamina regula e promove a excitação; baixos níveis deste neurotransmissor resultam em um cérebro menos desperto e “entediado”. O GABA controla a inibição. Uma pessoa com níveis adequados desses neurotransmissores normalmente pode parar de comer uma caixa inteira de biscoitos. Alguém com níveis baixos não recebe os sinais cerebrais alertando-o para possíveis danos a longo prazo - o cérebro se concentra apenas em quão deliciosos (e estimulantes) são os alimentos gordurosos e açucarados.

2 - Falta de foco

Parece que as mesmas características do TDAH que dificultam o foco na escola, o sucesso no trabalho ou o gerenciamento dos relacionamentos também tornam extremamente difícil comer adequadamente e exercitar-se regularmente. Manter um peso saudável requer habilidades robustas de funcionamento executivo - usadas para tudo, desde o planejamento de refeições equilibradas até a execução diária. Pessoas com TDAH podem ter dificuldade nesta área, o que torna muito mais difícil iniciar (e acompanhar) uma rotina diária saudável.

3 - Impulsividade

Pessoas com TDAH que lutam contra a impulsividade sabem o efeito devastador que pode ter sobre a saúde. Todos nós somos bombardeados diariamente com alimentos tentadores (ou seja, com alto teor de gordura, alto teor de açúcar e alto teor de carboidratos). A maioria das pessoas pode gerenciar com sucesso seus impulsos relacionados à comida - e dizer não a um chocolate. Porém, pessoas mais impulsivas encontram mais dificuldade nesta área e talvez não consigam se controlar perto de certas tentações.

4 - Desconexão corpo-mente

A consciência interoceptiva nos ajuda a sentir o que está acontecendo dentro de nossos corpos - sejam sinais de fome, marcadores de sede ou fadiga física. Uma pessoa com TDAH, no entanto, é orientada para o exterior - sempre procurando a próxima fonte de estímulo. Alguém com TDAH tem mais probabilidade de interpretar sede (ou tédio ou exaustão) como fome e costuma recorrer à comida para suprir essa necessidade interna não clara.

5 - Higiene do sono precária

Maus hábitos de sono são outra causa importante para o ganho de peso. Um cérebro que está constantemente zunindo terá dificuldade em "desligar" no final do dia e adormecer, por isso não é surpresa que o TDAH traga consigo um sono agitado ou desordenado. E muitas pesquisas descobriram que a privação do sono é um grande fator na promoção da obesidade. Quando nossos corpos são privados de sono, nosso cérebro libera hormônios que nos levam a comer demais - principalmente alimentos não saudáveis, ricos em gordura e açúcar. Simultaneamente, nosso metabolismo diminui à medida que nosso corpo tenta economizar gordura.

6 - Procrastinação

Existe uma tendência do TDAH de adiar tarefas consideradas mais chatas. Por isso, sem programar as refeições, sem cozinhar, torna-se muito mais fácil pedir e devorar uma pizza na hora que a fome bate. Além disso, atacar a geladeira é muito mais interessante para alguém com TDAH do que sentar e terminar a lição de casa ou um trabalho qualquer.

Buscando ajuda

A química alterada do cérebro, o controle deficiente dos impulsos e os hábitos irregulares de sono parecem incentivar uma alimentação menos saudável, contribuindo para o ganho de peso. Isso não significa que um indivíduo com TDAH esteja condenado a uma vida de obesidade. Mas que precisa compreender melhor o transtorno, suas tendências e adotar práticas de autocuidado que proporcionem maior qualidade de vida. uma compreensão séria do efeito do TDAH na ingestão de alimentos, hábitos de exercício e saúde geral.

Hábitos alimentares saudáveis ​​podem realmente levar a melhores sintomas de TDAH, o que, por sua vez, leva a uma alimentação mais saudável. Começar é a parte mais difícil. Agente um acompanhamento com equipe de nutrição e psicologia. Enquanto isso, adote algumas práticas:

Aqui estão algumas estratégias simples para começar:

  • Defina seus objetivos, escreva-os e leia-os diariamente. O cérebro com TDAH apresenta um desempenho ruim quando objetivos e motivação são apenas vagamente definidos. As resoluções de perda de peso só permanecem quando você sabe exatamente por que as está perseguindo. Pense nos motivos pequenos e grandes que faz você querer perder peso. Uma vida mais longa? Mais energia? Maior bem-estar? Mais vitalidade para brincar com os filhos? Sentir-se mais bonito ou confiante?

  • Planeje suas refeições. Como o TDAH leva a uma falta de consciência interoceptiva, as pessoas com TDAH podem não perceber que estão com fome até já estarem famintas. E a essa altura, muitas vezes é tarde para preparar uma refeição bem equilibrada. Gerencie isso (e a impulsividade geral) reservando um tempo por semana para planejar suas refeições, para que você esteja preparado quando a fome chegar. Tente definir um alarme para as 19h na quinta-feira e passe meia hora escrevendo uma lista de compras e decidindo o que vai comprar e comer na próxima semana. Com a prática, isso se tornará um hábito e tudo ficará mais fácil.

  • Pratique uma boa higiene do sono. Dormir bem é o primeiro passo para conseguir perder peso, particularmente se você for hiperativo. Fazer atividade física durante o dia, adotar algum ritual relaxante à noite (banho morno, leitura agradável, meditação, yoga leve, música calma), tratar a apneia e outros transtornos do sono, tratar problemas de saúde (como hipertensão, diabetes, insuficiência respiratória etc), escurecer o quarto, deixar o celular de lado são estratégias que podem ajudar a ums ono mais reparador.

    Estudos fornecem algumas evidências para o papel de certos padrões alimentares, alimentos e nutrientes na promoção do sono de alta qualidade, mas são necessários mais trabalhos para confirmar esses achados preliminares. Em geral, produtos lácteos, peixe, frutas e vegetais, compatíveis com a dieta mediterrânea, possuem efeitos promotores do sono. Tenha em mente que os alimentos só serão benéficos se não houverem alergias ou intolerâncias envolvidas. Por outro lado, dieta hipercalórica, rica em bebidas cafeinadas, rica em gordura saturada e pobre em micronutrientes associa-se a pior qualidade e duração do sono.

  • Suplementação mínima: associar Ômega-3 com TDAH Control all in one. Fazer modulação intestinal, sempre que necessário. Para individualização marque aqui sua consulta.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Mau funcionamento intestinal e aumento do risco de diabetes

Processos inflamatórios desencadeados pela disbiose intestinal parecem correlacionar-se à maior incidência de diabetes. A disbiose intestinal é um desequilíbrio da flora bacteriana intestinal, causado pela diminuição do número de bactérias boas do intestino e aumento das bactérias que produzem toxinas. As toxinas e a inflamação contribuem com o aumento da permeabilidade intestinal, favorecendo a translocação do lipopolissacarídeo bacteriano (LPS), componente presente na parede celular de bactérias gram-negativas, resultando em endotoxemia metabólica.

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A relação entre a microbiota intestinal e a diabetes tipo 2 (DM2) foi estabelecida a partir do desequilíbrio de determinados filos de bactérias, decorrente do consumo de uma dieta hiperlipídica. Esse tipo de dieta, aumenta a oxidação de ácidos graxos no fígado e no tecido adiposo, gerando espécies reativas de oxigênio, que reduzem a produção de muco no epitélio intestinal e danificam as junções que mantém as células unidas. Com isso há prejuízo na integridade da barreira intestinal. Além disso, o consumo de elevadas quantidades de gordura também causa a morte de bactérias gram-negativas, aumentando a quantidade de LPS no intestino.

Pesquisas apontam que o aumento da permeabilidade intestinal, e consequentemente, da translocação de LPS resulta na ativação de receptores toll like 4. Estes receptores estimulam a síntese de óxido nítrico e de citocinas inflamatórias, fatores que resultam na fosforilação do substrato 1 do receptor de insulina (IRS-1), em resíduos de serina, e consequentemente em resistência à insulina. Ou seja, a disbiose intestinal contribui para o início e a manutenção da resistência à insulina. Alterações no ecossistema intestinal podem causar inflamação, alterar a permeabilidade intestinal e modular o metabolismo dos ácidos biliares, ácidos graxos de cadeia curta e metabólitos que agem sinergicamente nos sistemas de regulação metabólica que contribuem para a resistência à insulina. Intervenções que restauram o equilíbrio intestinal parecem ter efeitos benéficos e melhorar o controle glicêmico (Sircana et al., 2018).

Pessoas com DM1 também são afetadas pela disbiose intestinal. É comum que apresentem perturbações nas estruturas da barreira intestinal e maior quantidade de bactérias dos gêneros Clostridium, Bacteroides e Veillonella. Já crianças não diabéticas apresentam uma microbiota intestinal mais variada e estável do que crianças que desenvolvem DM1. Sendo assim, a manutenção de uma microbiota saudável parece reduzir a resposta imunológica e os processos inflamatórios, além de aumentar a secreção de IL-10, citocina anti-inflamatória. Uma forma de manter a microbiota intestinal saudável é a partir da administração de probióticos, que tem benefícios como: redução de citocinas inflamatórias, reforço da barreira intestinal, redução da incidência de DM1, da glicemia da hemoglobina glicada e da destruição das células β pancreáticas, aumento da sensibilidade à insulina e da capacidade antioxidante (Gomes et al., 2014; Harbison et al., 2018).

A perda da barreira intestinal pode ser desencadeada por vários fatores como parto cesariano, aleitamento com fórmula artificial, consumo de glúten, uso de antibióticos, dentre outros (Adbdellatif & Sarvetnick, 2019).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Sabugueiro (Sambucus Formosana Nakai) na prevenção e tratamento de doenças respiratórias

Artigo publicado em fevereiro de 2020 discute a suplementação de nutracêuticos na melhoria da imunidade pelo estímulo do interferon gama. Nutracêutico é um alimento ou composto extraído de alimentos, com potencial terapêutico. Interferons (interferão no Português de Portugal) é uma proteína produzida por células do sistema imune (leucócitos e fibroblastos) e que interferem na replicação de fungos, vírus, bactérias e células tumorais.

O artigo recomenda a suplementação de alguns compostos nas quantidades mostradas na tabela. Porém, as mesmas devem ser avaliadas e ajustadas por um profissional da área.

O sabugueiro (elderberry), por exemplo, possui várias ações contra vírus que atingem o trato respiratório (Ulbricht et al., 2014; Tiralongo, Wee, & Lea, 2016; Chen et al., 2014; Weng et al., 2019; Owczarek et al., 2018). Os estudos geralmente dividem a dose diária em 3 a 4 vezes ao dia. Por exemplo, 300 mg, 3 vezes ao dia tanto na prevenção, quanto durante o tratamento (para adultos). Para crianças dividir por 70 e multiplicar pelo peso. Lembrar que suplementos a base de plantas devem ser usados por no máximo 90 dias e depois deve ser feita nova avaliação, preferencialmente, incluindo dosagem de enzimas hepáticas.

Um dos compostos do sabugueiro é o ácido caféico, um inibidor viral. Como nem toda farmácia homeopática possui o extrato seco padronizado de sabugueiro, uma opção é consumir alimentos fonte de ácido caféico como café, açafrão, sálvia, canela, manjericão, tomilho, gengibre, noz-moscada, anis-estrelado, hortelã, orégano, repolho, maçãs, morangos, couve-flor rabanetes, cogumelos, couve, peras, semente de girassol.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/