A síndrome do ovário policístico (SOP) é investigada quando a mulher tem queixas de irregularidade menstrual, aumento de pelos ou infertilidade. Exames de imagem mostrarão os cistos nos ovários. Entre as causas dos ovários policísticos estão o excesso de gordura corporal, a resistência à insulina, aumento de testosterona livre e diminuição dos níveis de SHBG.
Pelo menos metade das mulheres com a síndrome é obesa e estas são mais suscetíveis a apresentarem depósitos de cálcio na carótida, o que aumenta o risco cardiovascular (Shroff et al., 2007). A obesidade com resistência à insulina também aumenta o risco de alterações metabólicas, diabetes, dislipidemia, hipertensão.
O estresse também pode ser um gatilho para a síndrome dos ovários policísticos. Por isso, não adianta apenas cuidarmos do corpo. A mente deve ser também ser muito cuidada, com meditação, yoga, psicoterapia. Sem o adequado gerenciamento do estresse, é frequente que a mulher fique mais inflamada (o que piora o funcionamento dos ovários), mais compulsiva por alimentos doces (o que contribui para o ganho de peso) e mais reativa, mais estressada, com mais variações de humor. Tudo isso, aumenta ainda mais o risco de elevação da pressão sanguínea e de doenças cardiovasculares futuras. Não podemos nos esquecer de que também é essencial que o intestino esteja funcionando muito bem. Tratar a disbiose intestinal contribui para a modulação do cortisol, um hormônio associado ao estresse.
Como a desregulação da produção de insulina é muito comum a dieta deve ser antiinflamatória e de baixo índice glicêmico. Cacau e canela contém nutrientes que ajudam no controle da glicemia. Se associados com banana e aveia, podem contribuir também para a redução da compulsão alimentar (não tenha medo de alimentos com carboidratos e um bom perfil de nutrientes!).
Por fim, ao fazer seus exames (glicose em jejum, insulina, hemoglobina glicada, testosterona livre, cortisol salivar, etc) não esqueça de medir também a vitamina D. Sem ela a resistência à insulina piora, a inflamação piora, o risco de obesidade aumenta. Este nutriente e outros (como zinco, ômega-3), fitoterápicos (curcumina, chá de unha de gato, hibiscus, folha de amora etc) podem ser prescritos para que a síndrome possa ser melhor gerenciada. Tudo depende da suas necessidades e individualidade bioquímica.
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ATUALIZAÇÃO
Em 2026, um artigo publicado na revista The Lancet, um dos periódicos científicos mais importantes do mundo, publicou oficialmente a mudança de nomenclatura da SOP para SOMP: Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome).
O artigo reforça que o termo “ovários policísticos” era limitado e muitas vezes impreciso, porque acabava reduzindo uma condição complexa a uma característica ovariana que sequer está presente em todas as pacientes.
Essa visão fragmentada contribuiu durante anos para:
➡️ atraso diagnóstico
➡️ estigmatização
➡️ cuidado fragmentado
➡️ e dificuldade de compreender a dimensão metabólica da síndrome.
A SOP/SOMP não tem relação apenas com alteração ovariana, mas com resistência insulínica, inflamação, alterações hormonais, dificuldade de emagrecimento, sintomas emocionais, comportamento alimentar, alterações metabólicas e uma complexidade clínica que exige um cuidado amplo.
Metodologicamente, o consenso foi robusto e internacional. Incluiu mais de 50 organizações, cerca de 14 mil respostas em inquéritos globais, workshops multidisciplinares, técnica Delphi modificada e análise de implementação. O processo priorizou critérios como precisão científica, redução de estigma, aplicabilidade clínica e adequação cultural.
Do ponto de vista clínico, não há mudança nos critérios diagnósticos imediatos. A mudança é terminológica e conceptual. O objetivo é reorganizar enquadramento clínico e investigação, com transição progressiva até 2028.
