Alterações hepáticas na síndrome de Down

O fígado é um órgâo extremamente importante, desempenhando funções imprescindíveis para o bem estar geral. Metaboliza e armazena nutrientes, elimina toxinas, produz a bile para auxiliar a digestão de gorduras, filtra o sangue, sintetiza proteínas e diversas moléculas.

Durante o jejum, o fígado quebra o glicogênio estocado para liberar glicose no sangue e regular a chegada de energia às células. Na síndrome de Down, existe uma cópia extra do gene DSCR1-4 que aumenta o estresse oxidativo no cérebro, contribuindo para a neurodegeneração. Este mesmo gene parece inibir vias metabólicas no fígado, tornando problemática a adaptação do corpo ao jejum, nas pessoas com síndrome de Down (Seo et al., 2019).

Existe hoje um grande interesse no estudo de polifenóis, metabólitos secundários de plantas, com capacidade de modificar a expressão de genes. Conversaremos sobre a aplicabilidade de alguns deles (EGCG, resveratrol, hidroxitirosol, quercetina, curcumina, dentre outros) no grupo de estudos em nutrição na Síndrome de Down - Início: 15/06/2019 (Informe-se aqui).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Probióticos melhoram a saúde do fígado e o metabolismo dos nutrientes

Metabolismo da glicose no fígado

Metabolismo da glicose no fígado

O fígado é um órgão essencial para a saúde. Atua como uma glândula exócrina (produzindo e liberando secreções que atuarão na digestão) e endócrina (produzindo e liberando substâncias que chegarão ao sangue e sistema linfático). Desempenha inúmeras funções como a desintoxicação do corpo, o armazenamento e liberação de glicose, o metabolismo dos lipídios e proteínas, a produção da maior parte das proteínas que circulam no plasma, o processamento de drogas e hormônios, a produção de bile etc. É por isso que, se o fígado vai mal, muitas outras coisas são afetadas, como a glicemia, a imunidade e até a cognição.

Por exemplo, quando o fígado não funciona bem há uma sobrecarga de toxinas circulando. Estas toxinas podem vir dos alimentos (aditivos, pesticidas), da produção hormonal, da produção por bactérias intestinais, de metais pesados, etc. Este excesso de toxinas prejudica a conversão do T4 em T3 (o hormônio mais ativo da tireóide). É por isso que pessoas com esteatose hepática podem ter prejuízo na tireóide. Todos os sistemas estão relacionados! As brássicas (brócolis, couve, repolho, couve-flor, rabanete, nabo, agrião, rabanete, rúcula) fornecem compostos que auxiliam o fígado no processo de destoxificação. Própolis é um suplemento que tem substâncias bioativas que ajuda também o fígado a liberar mais toxinas. Um fitoterápico interessante é a Withania somnifera (300 a 600 mg/dia).

Para melhorar o metabolismo hepático também é muito importante tratar o intestino. Sabia que suas bactérias intestinais fazem parte do seu sistema imunológico? Pois é, quando existem muitos microorganismos ruins no intestino, o sistema imune como um todo é desregulado. Quando existe uma variedade e quantidade maior de bactérias boas circulando o sistema imune como um todo é beneficiado. As bactérias benéficas (probióticas) também produzem compostos que beneficiam sua função hepática e ajudam a controlar o metabolismo dos nutrientes e a reduzir a pressão arterial.

O lactobacillus rhamnosus GG (LGG), que é encontrado em muitos suplementos probióticos comerciais reduz o estresse oxidativo no fígado. Em um experimento, camundongos que receberam uma dose tóxica de acetaminofeno, conhecido por causar lesões graves no fígado tiveram maior produção de radicais livres e inflamação. Porém, o grupo tratado com LGG sofreu menos dados no órgão. A administração do probiótico LGG a camundongos parece melhorar a resposta antioxidante do fígado, protegendo-o de danos oxidativos produzidos por drogas como o acetaminofeno. Estudos anteriores com animais também mostraram que o LGG ajuda proteger contra doença hepática alcoólica e esteatose hepática gordurosa não alcoólica, geralmente causada por dietas ricas em açúcar e alimentos processados.

O LGG parece ativar o Nrf2, uma proteína que regula a expressão de enzimas antioxidantes, como a superóxido dismutase e a catalase. O Nrf2 reduz a inflamação, melhora a função mitocondrial e estimula a biogênese mitocondrial. Além de consumir probióticos contendo LGG, o Nrf2 também pode ser ativado por: consumo de brássicas (novamente!). Como vimos, os vegetais crucíferos contém sulforafano que estimula o bom funcionamento hepático. Antioxidantes fenólicos presentes em alimentos como cebola, chá, uvas roxas, cacau, açafrão, cháv verde, mostarda, tofu, missô, linhaça. Uma outra forma de ativar o Nrf2 é com exercício de alta intensidade.

Modificações na microbiota durante a vida

Modificações na microbiota durante a vida

Voltando ao intestino: com o envelhecimento há uma alteração na composição da microbiota intestinal. Com isso aumenta a tendência à uma inflamação crônica de baixo grau e vários problemas que acompanham a velhice, como aumento da glicemia, dos níveis de colesterol e da pressão arterial, maior incidência de esteatose hepática, maior risco de intoxicação.

O uso de probióticos torna-se então importantíssimo nesta faixa etária. Recentemente, estudos vêm mostrando, por exemplo, a eficácia do transplante de microbiota fecal em pessoas idosas com problemas de saúde ou infectadas por Clostridium difficile de difícil tratamento (Messias et al., 2018). Nesta perspectiva de que tudo está integrado em nosso corpo, o uso de fecal também está sendo investigado para tratamento de aterosclerose, diabetes tipo 2, Parkinson e problemas hepáticos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Uso do Silybum marianun no tratamento da esteatose hepática

O Silybum marianum, também conhecido como Cardo Mariano ou Cardo de leite (Milk Thistle) é a planta mais bem pesquisada no tratamento de doenças hepáticas.

É uma erva terapêutica da família Asteraceae, usada com vários propósitos. Seus benefícios devem-se principalmente à presença do conjunto de bioflavonóides conhecido como silimarina. Fazem parte deste conjunto as flavonolignanas silibinina, isosilibina A e B, silicristina, silidianina e taxifolina.

Estudos mostram os seguintes efeitos para a silimarina:

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  • detoxificante, protetor, antifibrótico e regenerador hepático;

  • protetor celular contra danos tóxicos e contra o câncer (especialmente de fígado, pele, estômago,mama e próstata);

  • antioxidante potente;

  • imunoestimulador.

Nativa de países mediterrâneos. Tem sido usada há aproximadamente 2.000 anos em muitas regiões do mundo, para melhoria do funcionamento do fígado e também para tratamento da esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado). Estudos mostram que seu uso pode normalizar a concentrações de enzimas hepáticas, como TGO e TGP (com suplementação de aproximadamente 140 a 180 mg/dia, por 2 a 3 meses).

Abenavoli et al., 2018 . DOI: 10.1002/ptr.6171

Abenavoli et al., 2018. DOI: 10.1002/ptr.6171

Pode ser manipulada, após prescrição nutricional. Contudo, apesar de suas propriedades antiinflamatórias, antioxidantes e antifibróticas não existe milagre com o uso de suplementos. Estes devem ser associados a outras estratégias. São fatores de risco para a esteatose hepática: diabetes, obesidade, dislipidemias, consumo elevado de álcool, perda de peso rápida (como no caso de paciente submetidos a cirurgia bariátrica). Assim, além do uso da silimarina, o paciente precisará se abster do consumo de álcool, açúcar, alimentos industrializados, gordurosos e hipercalóricos.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Esteatose Hepática: Gordura no fígado

O acúmulo de gordura no fígado tem diversas causas e consequências. Conheça mais neste podcast que fala também do tratamento da esteatose.

Artigo recomendado:

Lustig (2013). Fructose: it's "alcohol without the buzz". Advances in Nutrition. Disponível em: www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3649103/

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