Doenças hepáticas e anemia ferropriva

A anemia ferropriva é muito comum em pacientes com problemas no fígado, órgão que desempenha um papel importante no equilíbrio deste mineral. O fígado é, por exemplo, o principal órgão regulador da produção do hormônio hepcidina, que aumenta em condições de excesso de ferro, bem como durante a inflamação, bloqueando a absorção de ferro dos enterócitos. O papel da hepcidina nas doenças do fígado ainda está sob investigação, mas sua desregulação é provavelmente um dos fatores que contribuem para a anemia da doença hepática.

A hemólise (destruição das células vermelhas) também representa uma causa comum de anemia em pacientes com doenças do fígado, especialmente aquelas de causa alcoólica. Nas pessoas com hepatite C crónica, o tratamento padrão também pode causar anemia significativa, já que pode gerar toxicidade da medula óssea. Pessoas que abusam do álcool frequentemente tem uma dieta pobre em vitaminas e minerais (ferro, vitamina B9, vitamina B12, vitamina B6, vitamina C, vitamina E, magnésio) importantes para a produção de substâncias e células vermelhas.

Uma das principais e potencialmente tratáveis causas de anemia em pacientes com cirrose hepática é a perda de sangue aguda ou crônica. A hemorragia geralmente ocorre devido a complicações da doença como hipertensão portal, ruptura de varizes, gastropatia, úlceras pépticas. O fato de pacientes com doença hepática também apresentarem comprometimento da coagulação é um fator que contribui para a tendência ao sangramento.

Agora, mesmo pessoas sem doença hepática grave podem ter anemia e dificuldade de recuperar-se dela. Discuto mais neste vídeo:

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Sobrecarga hepática dificulta o tratamento da anemia

Está anêmico, suplementando ferro, sem conseguir normalizar os níveis de ferritina? Uma das causas pode ser a sobrecarga hepática. Para a correção da anemia ferropriva há necessidade da produção de heme, um grupo que consiste de um átomo de ferro dentro de um anel chamado protoporfirina IX.

O grupo heme tem importância biológica por ser grupo prostético de proteínas, conhecidas como hemeproteínas. Uma das hemeproteínas mais conhecidas é a hemoglobina, que é responsável por transportar oxigênio no sangue. Porém, o grupo heme faz parte de muitas outras hemeproteínas como a mioglobina, citocromos, catalases e peroxidases. As mesmas têm diversas funções como: ligação e transporte de oxigênio, transferência de elétrons, catálise e sinalização.

Uma das famílias de hemeproteínas mais importantes é a do citocromo P450. Mais de 50% do heme no fígado é justamente usado para a produção destas proteínas, responsáveis por processos de eliminação de toxinas, pela síntese de hormônios e de vitamina D.

Quando há deficiência de ferro o heme não é formado, nem uma gama enorme de proteínas, como vemos na imagem desta página. O fígado pode ser sobrecarregado de várias formas, incluindo consumo excessivo de álcool, de açúcar, de pesticidas e de medicamentos. Em situação de sobrecarga, menos citocromo P450 será produzido, impedindo a eliminação de toxinas. Ao suplementar ferro, o órgão tenta recuperar-se, sequestrando o mineral na tentativa de produzir suas proteínas destoxificantes. É por isso, que muitas vezes, em situação de sobrecarga hepática a recuperação da anemia é muito mais demorada. Assim, além da suplementação de ferro, é importante também o ajuste da dieta, para que a mesma, ao invés de atrapalhar, facilite a recuperação do fígado.

Um nutriente importante, e que geralmente está faltando na dieta é o magnésio. Para que toxinas sejam eliminadas pelo citocromo P450 há necessidade de geração de NADPH, que contém magnésio. Muitas vezes, uma intolerância à um medicamento decorre justamente da deficiência deste mineral (Mansmann Jr., 2009). A intoxicação dá-se pela incapacidade de eliminação do medicamento, quando alta magnésio, que está presente em vegetais verde escuros.

Estou preparando dois três cursos novos, um de nutrição ortomolecular, outro de bioquímica e um último de avaliação de exames laboratoriais. Em breve, muitas novidades para que profissionais de saúde consigam auxiliar cada vez melhor seus clientes. Assine a newsletter para receber por email as promoções de lançamento.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Alterações hepáticas na síndrome de Down

O fígado é um órgâo extremamente importante, desempenhando funções imprescindíveis para o bem estar geral. Metaboliza e armazena nutrientes, elimina toxinas, produz a bile para auxiliar a digestão de gorduras, filtra o sangue, sintetiza proteínas e diversas moléculas.

Durante o jejum, o fígado quebra o glicogênio estocado para liberar glicose no sangue e regular a chegada de energia às células. Na síndrome de Down, existe uma cópia extra do gene DSCR1-4 que aumenta o estresse oxidativo no cérebro, contribuindo para a neurodegeneração. Este mesmo gene parece inibir vias metabólicas no fígado, tornando problemática a adaptação do corpo ao jejum, nas pessoas com síndrome de Down (Seo et al., 2019).

Existe hoje um grande interesse no estudo de polifenóis, metabólitos secundários de plantas, com capacidade de modificar a expressão de genes. Conversaremos sobre a aplicabilidade de alguns deles (EGCG, resveratrol, hidroxitirosol, quercetina, curcumina, dentre outros) no grupo de estudos em nutrição na Síndrome de Down - Início: 15/06/2019 (Informe-se aqui).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Probióticos melhoram a saúde do fígado e o metabolismo dos nutrientes

Metabolismo da glicose no fígado

Metabolismo da glicose no fígado

O fígado é um órgão essencial para a saúde. Atua como uma glândula exócrina (produzindo e liberando secreções que atuarão na digestão) e endócrina (produzindo e liberando substâncias que chegarão ao sangue e sistema linfático). Desempenha inúmeras funções como a desintoxicação do corpo, o armazenamento e liberação de glicose, o metabolismo dos lipídios e proteínas, a produção da maior parte das proteínas que circulam no plasma, o processamento de drogas e hormônios, a produção de bile etc. É por isso que, se o fígado vai mal, muitas outras coisas são afetadas, como a glicemia, a imunidade e até a cognição.

Por exemplo, quando o fígado não funciona bem há uma sobrecarga de toxinas circulando. Estas toxinas podem vir dos alimentos (aditivos, pesticidas), da produção hormonal, da produção por bactérias intestinais, de metais pesados, etc. Este excesso de toxinas prejudica a conversão do T4 em T3 (o hormônio mais ativo da tireóide). É por isso que pessoas com esteatose hepática podem ter prejuízo na tireóide. Todos os sistemas estão relacionados! As brássicas (brócolis, couve, repolho, couve-flor, rabanete, nabo, agrião, rabanete, rúcula) fornecem compostos que auxiliam o fígado no processo de destoxificação. Própolis é um suplemento que tem substâncias bioativas que ajuda também o fígado a liberar mais toxinas. Um fitoterápico interessante é a Withania somnifera (300 a 600 mg/dia).

Para melhorar o metabolismo hepático também é muito importante tratar o intestino. Sabia que suas bactérias intestinais fazem parte do seu sistema imunológico? Pois é, quando existem muitos microorganismos ruins no intestino, o sistema imune como um todo é desregulado. Quando existe uma variedade e quantidade maior de bactérias boas circulando o sistema imune como um todo é beneficiado. As bactérias benéficas (probióticas) também produzem compostos que beneficiam sua função hepática e ajudam a controlar o metabolismo dos nutrientes e a reduzir a pressão arterial.

O lactobacillus rhamnosus GG (LGG), que é encontrado em muitos suplementos probióticos comerciais reduz o estresse oxidativo no fígado. Em um experimento, camundongos que receberam uma dose tóxica de acetaminofeno, conhecido por causar lesões graves no fígado tiveram maior produção de radicais livres e inflamação. Porém, o grupo tratado com LGG sofreu menos dados no órgão. A administração do probiótico LGG a camundongos parece melhorar a resposta antioxidante do fígado, protegendo-o de danos oxidativos produzidos por drogas como o acetaminofeno. Estudos anteriores com animais também mostraram que o LGG ajuda proteger contra doença hepática alcoólica e esteatose hepática gordurosa não alcoólica, geralmente causada por dietas ricas em açúcar e alimentos processados.

O LGG parece ativar o Nrf2, uma proteína que regula a expressão de enzimas antioxidantes, como a superóxido dismutase e a catalase. O Nrf2 reduz a inflamação, melhora a função mitocondrial e estimula a biogênese mitocondrial. Além de consumir probióticos contendo LGG, o Nrf2 também pode ser ativado por: consumo de brássicas (novamente!). Como vimos, os vegetais crucíferos contém sulforafano que estimula o bom funcionamento hepático. Antioxidantes fenólicos presentes em alimentos como cebola, chá, uvas roxas, cacau, açafrão, cháv verde, mostarda, tofu, missô, linhaça. Uma outra forma de ativar o Nrf2 é com exercício de alta intensidade.

Modificações na microbiota durante a vida

Modificações na microbiota durante a vida

Voltando ao intestino: com o envelhecimento há uma alteração na composição da microbiota intestinal. Com isso aumenta a tendência à uma inflamação crônica de baixo grau e vários problemas que acompanham a velhice, como aumento da glicemia, dos níveis de colesterol e da pressão arterial, maior incidência de esteatose hepática, maior risco de intoxicação.

O uso de probióticos torna-se então importantíssimo nesta faixa etária. Recentemente, estudos vêm mostrando, por exemplo, a eficácia do transplante de microbiota fecal em pessoas idosas com problemas de saúde ou infectadas por Clostridium difficile de difícil tratamento (Messias et al., 2018). Nesta perspectiva de que tudo está integrado em nosso corpo, o uso de fecal também está sendo investigado para tratamento de aterosclerose, diabetes tipo 2, Parkinson e problemas hepáticos.

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