A complexidade da ciência da nutrição (e a importância do nutricionista)

Dia 31 de agosto foi dia do nutricionista, um profissional que estuda por pelo menos 4 anos as interações entre a alimentação e a saúde. Por que tanto estudo? Entenda um pouco da complexidade dos sistemas:

O Índice de Massa Corporal (IMC) é um número obtido a partir da divisão da altura pelo peso ao quadrado. Oferece um diagnóstico relacionado à saúde cardiometabólica geral. Contudo, existem muitas críticas em relação ao IMC, uma vez que não oferece dados acerca do percentual de gordura corporal ou outros parâmetros de saúde. Por exemplo, uma pessoa pode ter IMC adequado mas fumar e ser sedentária. Outra pessoa pode ter excesso de peso mas praticar atividade física e adotar outras práticas saudáveis.

Wang e Peng, 2011

Wang e Peng, 2011

A saúde também é influenciada por fatores sociais, nível socioeconômico e carga de estresse. Assim, o IMC não pode ser avaliado isoladamente. Mesmo assim, não precisa ser descartado. Sabemos, por exemplo, que a obesidade, especialmente a abdominal, relaciona-se frequentemente a um estado muito inflamatório.

Esta situação inflamatória leva mensagens ao fígado, que acaba ficando cheio de gordura e reduzindo a produção de HDL-c (“colesterol bom”). Por isso, a Organização Mundial de Saúde recomenda que mulheres tenham uma circunferência abdominal abaixo de 80 cm e homens abaixo de 94 cm, para redução do risco de complicações metabólicas.

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Falamos frequentemente da ligação entre intestino e cérebro. Na verdade, todo o corpo está ligado. Aqui, fica clara a ligação entre tecido adiposo e tecido hepático. As células e tecidos do corpo todo estão sempre comunicando-se.

Intestino e fígado também estão sempre comunicando-se. O intestino absorve gordura que é levada ao fígado e incorporada em partículas de lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL), ricas em triglicerídeos. As VLDLs transportam as gorduras para os tecidos. Nos tecidos os triglicerídeos são quebrados pela lipoproteína lipase (LPL), e transformados em IDL e depois LDL, que retêm quantidades consideráveis de colesterol. Já as partículas de HDL têm um papel fundamental no processo de transporte reverso de colesterol, dos tecidos de volta ao fígado.

A HDL é protetora e é produzida a partir da apoA1, que por sua vez é produzida tanto no fígado quanto no intestino. Assim, em situações de disbiose intestinal ou de inflamação do fígado, há menor produção de apoA1 e queda da HDL. Ou seja, o risco cardiovascular aumenta independentemente do peso. Se o peso for alto, com inflamação, tanto pior.

A nutrição é uma ciência complexa. Para maiores informações consulte um nutricionista.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/