Fast Food de hoje é pior do que o de há 30 anos

Segundo uma pesquisa da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, o cardápio atual das dez principais redes de fast-food é menos balanceado do que há 30 anos. A equipe avaliou o menu dos restaurantes Arby’s, Burger King, Carl’s Jr, Dairy Queen, Hardee’s, Jack in the Box, KFC, Long John Silver’s, McDonald’s e Wendy’s. Os pesquisadores analisaram as calorias, o tamanho da porção, a densidade energética, os níveis de sódio, ferro e cálcio de 1.800 itens - hambúrgueres, sanduíches, burritos, tacos, saladas, batata frita, anéis de cebola, sorvete, bolos, cookies e milk-shake).

Os pesquisadores descobriram que, nas últimas décadas, o número de opções aumentou em 226%. Itens novos tendiam a ser menos saudáveis do que os anteriormente disponíveis. As calorias e a quantidade de sódio aumentaram significativamente em todos os pratos. As maiores variações decorrem principalmente do aumento das porções (McCrory et al., 2019).

Hoje, fiz um resumo do livro nação fast food, que debate o impacto deste tipo de alimento na saúde humana, animal e ambiental:

Compartilhe nas suas redes sociais.
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Apesar de todo o movimento de positividade corporal, que é muito importante, os estudos são unânimes: obesidade não é saudável

1449785880-screen-shot-2015-12-10-at-50914-pm.png

Amar o corpo é importante, mas amar o corpo e descuidar dele não é inteligente. Muito se fala sobre a possibilidade de sermos saudáveis com qualquer corpo. Mas esta é uma verdade parcial. Um corpo magérrimo de fato não é realista para a maioria das pessoas.

Olhe em volta em sua própria família e terá uma noção sobre sua genética e o formato mais comum que seu corpo assumirá com o passar dos anos. Mas não use este dado como determinante de seu destino. Vários estudos mostraram que os portadores dos chamados genes da obesidade de fato sentem mais fome, consumindo diariamente, em média 125-280 kcal a mais em relação às pessoas que não possuem a mesma genética. Por outro lado, estudos mostram que a atividade física ajuda a regular genes, como o FTO, mantendo o peso estável ao longo dos anos.

Outra questão;: somos todos diferentes, nosso corpo é único. Mas precisamos lembrar que mesmo quando os parâmetros bioquímicos estão dentro do normal, pessoas obesas ainda enfrentam maior risco de desenvolverem diabetes tipo 2, doenças renais crônicas, além de terem uma maior mortalidade precoce. Você tem o direito de definir suas prioridades e tomar as decisões que sejam coerentes com seus valores e desejos. Pode escolher por exemplo, viver a base de bolo e pizza. A vida é sua, o corpo é seu e você não é pior do que ninguém por ter tomado esta decisão. Uma calça tamanho 38 não é melhor do que uma calça tamanho 48. Não é esta a questão. A questão é: a obesidade é como o cigarro. Assim como ninguém desenvolve câncer de pulmão após a primeira tragada, ninguém desenvolve diabetes após o primeiro pote de sorvete. Ou seja, apesar de os danos não serem visíveis, ou detectáveis em exames inicialmente, definitivamente estão lá.

Por exemplo, um estudo de 2013 investigou as consequências da obesidade a longo prazo. Comparou pessoas saudáveis com peso normal e pessoas aparentemente saudáveis, mas obesas. Estas últimas tiveram um risco significativamente maior de morrer ou desenvolver doença cardiovascular. Os cientistas que realizaram o estudo chegaram à conclusão de que a crença de que você pode ser “gordo, mas saudável” é na verdade um mito (Kramer, Zinman & Retnakaran, 2013).

Pesquisa de 2015 confirmou esses resultados. Acompanhou indivíduos obesos supostamente saudáveis por mais de 20 anos e descobriu que mais da metade desenvolveu problemas de saúde. O risco de adoecer foi 8 vezes maior do que nas pessoas saudáveis com peso normal. Dentre os problemas que surgiram destacam-se: diabetes, doença cardiovascular, câncer, apnéia do sono, artrite / problemas nas articulações, problemas de fertilidade, asma, dor nas costas, incontinência, gota e derrame (Bell et al., 2015).

A ilusão de que está tudo bem é rompida quando o obeso fica sem fôlego ao subir um lance de escadas, quando não consegue agachar-se, ou alcançar os pés para dar o laço no cadarço. Existem obesos que correm maratonas? Sim, um exemplo é Ragen Chastain. Mas lembre: sua média foi de 3,5 km por hora, que é muito mais lenta que a velocidade de caminhada de uma pessoa de fato apta fisicamente. A maratona havia terminado oficialmente horas antes de ela cruzar a linha de chegada - as arquibancadas foram removidas, os organizadores foram embora. A última participante a completar a corrida, várias horas antes de Chastain, era uma mulher de 70 anos.

Claro, todo mundo tem que começar do seu próprio nível de condicionamento físico. Orgulhe-se de seu próprio desenvolvimento e progresso individual. Esteja satisfeito com cada fase, viva a vida plenamente independentemente do seu peso. Viver insatisfeito(a) e declarando isso aos 4 ventos, viver de dietas restritivas é muito ruim para a saúde física e emocional. Mas fechar os olhos para a obesidade também pode ser. Estamos em uma encruzilhada: não podemos falar do peso das pessoas. Ao mesmo tempo, já ouvi muitas vezes no consultório grandes obesos relatando: ¨nunca ninguém me disse para emagrecer, achava que estava tudo bem¨. A obesidade é um tabu. Definitivamente não defendo uma vida de privações. Adoro minha cerveja e meu chocolate. Adoro sair para comer. Meu marido também. Acredito que podemos ser sim saudáveis dentro de uma variedade de corpos, mas e dentro de um corpo obeso?

Obesidade: uma doença

Em 2013, membros da Câmara de Delegados da Associação Médica Americana (AMA) votaram em sua conferência anual para definir a obesidade como uma doença. A decisão foi considerada extremamente controversa mas mantiveram a posição visto que existem componentes genéticos envolvidos, além de poder estar associada a outras questões como hipotireoidismo, doença de Cushing e síndrome dos ovários policísticos. Outras organizações também reconhecem a obesidade como uma doença, incluindo a Organização Mundial de Saúde, a Federação Mundial de Obesidade e a Associação Médica Canadense.

Nem todos os especialistas concordam

Um dos motivos da controvérsia sobre o tema é o fato de não existir uma forma clara de medir a obesidade. O Índice de Massa Corporal não aplica-se a todos. Além disso, a obesidade está muito relacionada à fatores emocionais, ao estilo de vida e às escolhas individuais, como hábitos alimentares e prática de atividade física. Grupos que defendem a aceitação de todos os tamanhos, expressaram preocupação de que a definição da obesidade como uma doença aumente a discriminação e o estresse na vida das pessoas. O debate continuará acerca da terminologia. Falo mais sobre o tema neste artigo , publicado na revista científica DEMETRA.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
Tags

Genes da obesidade

O exame genético 23andme mostrou que tenho várias variações genéticas que aumentam o meu risco de desenvolvimento de obesidade ao longo da vida. Por este motivo, os cuidados em relação ao estilo de vida tornam-se ainda mais importantes.

Cada variação de genes associados à obesidade exerce um pequeno efeito no peso. O teste 23andMe testa 762 variações. Entre aquelas relacionadas ao aumento de peso, possuo 346! Para pessoas com a mesma predisposição genética é observado que a redução no consumo de carne vermelha pode reduzir o peso em 11%, a evitação de alimentos do tipo fast-food em 12,9%. Quem dorme melhor pesa 11,2% menos e quem pratica atividade física com regularidade tende a pesar 11,1% menos. Meu estilo de vida inclui tudo isso há décadas e assim mantenho um peso saudável.

Por que isso é importante? O acúmulo de gordura corporal, principalmente na região abdominal gera um estado inflamatório e aumenta o risco de desenvolvimento de problemas de saúde como diabetes, câncer de mama, hipertensão, esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), apnéia do sono, asma, ataques cardíacos e derrames cerebrais. Também está mais ligada a alterações de humor e deficiências físicas. Quando pessoas obesas ficam gravemente doentes, desenvolvem também mais complicações respiratórias, cardiovasculares, metabólicas, insuficiência renal e infecções generalizadas (Schetz et al., 2019).

59455731_2386510098259681_7244387695407923200_n.jpg

A genética influencia todos os aspectos de nossa fisiologia, desenvolvimento e respostas adaptativas. A obesidade não é exceção. Porém, genética não é destino. Muitas pessoas que carregam genes da obesidade não tornam-se obesas. Por exemplo, em pessoas que exercitam-se, o gene da obesidade FTO é menos ativo (Andreasen et al., 2008; Kilpeläinen et al., 2011). A maioria das pessoas provavelmente tem alguma predisposição genética para a obesidade, dependendo da história familiar e da etnia. Mas, em geral, estudos mostram que indivíduos que desenvolvem obesidade consomem mais alimentos ultraprocessados, passam mais tempo em frente à TV e movem-se menos.

Existe muita discussão científica a respeito da classificação da obesidade como uma doença. Sabemos que existem pessoas obesas saudáveis. Contudo, a maior parte acaba desenvolvendo ao longo do tempo alterações metabólicas importantes e que impactam negativamente a qualidade de vida. Como diz o pesquisador George Bray, “obesidade não é ciência espacial. Na verdade, é tudo muito mais complicado”.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
Tags

Quantos quilos de gordura é possível perder em um mês?

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/