Dieta cetogênica e neuroproteção

O cérebro adulto, embora represente apenas 2% do peso corporal, consome cerca de 20–23% da energia do corpo, predominantemente na forma de glicose. Quando a glicose é insuficiente, ele recorre aos corpos cetônicos (KBs) como fonte de energia alternativa. A dieta cetogênica (DC), criada em 1921 por Dr. Wilder para tratar epilepsia refratária em crianças, demonstrou benefícios em doenças neurodegenerativas como Alzheimer (AD), Parkinson (PD) e esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Características da Dieta Cetogênica (DC)

  • Clássica: Rica em gorduras (90%) e pobre em carboidratos, com uma proporção de energia de 4:1 (gordura: não gordura).

  • Baseada em triglicerídeos de cadeia média (MCT): Mais fácil de manter e rica em ácidos graxos como ácido octanoico e decanoico, que são rapidamente transformados em corpos cetônicos no fígado.

  • Dieta Atkins Modificada (DAM): Menos restritiva, com 10–20g de carboidratos por dia. Contém 27% de proteínas, 39% de carboidratos e 34% de gorduras. Estudos em ratos mostram que a DAM melhora a função cognitiva e pode beneficiar distúrbios neurológicos associados a alterações metabólicas.

Efeitos Neuroprotetores da Dieta Cetogênica

  1. Melhora da função mitocondrial:

    • Redução da produção de espécies reativas de oxigênio (ROS).

    • Aumento na produção de ATP e expressão de proteínas desacopladoras (UCPs), que protegem os neurônios contra estresse oxidativo.

  2. Aumento de fatores neurotróficos:

    • Elevação do BDNF, que promove a plasticidade sináptica e a neurogênese.

    • Estímulo de fatores como NT-3 e GDNF, que suportam o desenvolvimento neuronal.

  3. Efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes:

    • Produção de ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs), especialmente ômega-3 (n-3), conhecidos por sua ação anti-inflamatória e manutenção da função sináptica.

    • Redução de ômega-6 (n-6), que promove inflamação.

  4. Regulação do sistema endocanabinoide (eCB):

    • Importante na atividade sináptica e neuroplasticidade, reforçando o papel dos lipídios na função cerebral.

Implicações na Saúde e Longevidade

A dieta cetogênica promove mudanças metabólicas sustentáveis no sistema nervoso central, oferecendo benefícios que vão desde o combate ao envelhecimento celular até a melhora da composição microbiota-intestino-cérebro. Além disso, o aumento de n-3 PUFAs está associado a uma melhor função cognitiva e prevenção de doenças inflamatórias e neuropsiquiátricas.

Efeitos diretos e indiretos da cetose no cérebro (Tao, Leng, & Zhang, 2022)

Mecanismos de Neuroproteção da Dieta Cetogênica

Os efeitos neuroprotetores são alcançados por meio de três principais mecanismos: regulação mitocondrial, efeitos antiapoptóticos e ação anti-inflamatória.

1. Regulação Mitocondrial: Antioxidantes, Proteínas Desacopladoras e Produção de ATP

Os corpos cetônicos (KBs), como β-hidroxibutirato (BHB) e acetoacetato, desempenham um papel essencial na proteção neuronal ao:

  • Reduzir o estresse oxidativo: Diminuem a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) e aumentam a expressão de enzimas antioxidantes (ex.: SOD2 e catalase).

  • Melhorar a função mitocondrial: Protegem os neurônios contra disfunções no complexo respiratório mitocondrial, regulam o equilíbrio NAD+/NADH e inibem a abertura prolongada do poro de transição de permeabilidade mitocondrial (mPTP).

  • Promover a produção de ATP: O BHB aumenta significativamente os níveis de ATP em mitocôndrias cerebrais.

  • Ativar vias antioxidantes celulares: Estimula a via Nrf2 e regula o sistema redox, promovendo adaptações celulares de longo prazo ao estresse oxidativo.

Essas mudanças mitocondriais melhoram a eficiência energética e reduzem o risco de degeneração neuronal.

Mecanismos neuroprotetores da dieta cetogênica (Tao, Leng, & Zhang, 2022)

2. Efeitos Antiapoptóticos

A apoptose, ou morte celular programada, é um fator crítico em doenças neurodegenerativas. A DC reduz a apoptose neuronal por meio de:

  • Inibição de fatores pró-apoptóticos: Diminui a expressão de proteínas como caspase-3 e Bax.

  • Aumento da proteção celular: Eleva os níveis de calbindina, uma proteína que regula o cálcio intracelular, protegendo os neurônios.

  • Regulação de vias moleculares: Inibe a dissociação do fator pró-apoptótico Bad e reduz a atividade da via AMPK.

Essas ações aumentam a sobrevivência dos neurônios e protegem contra danos celulares em condições neurodegenerativas.

3. Papel Anti-inflamatório da Dieta Cetogênica

A neuroinflamação está fortemente ligada a doenças como Alzheimer e Parkinson. A DC combate a inflamação por meio de:

  • Inibição de citocinas pró-inflamatórias: Reduz os níveis de IL-1β, TNF-α e IL-6, principalmente por meio da inibição da via NLRP3 inflamassoma.

  • Modulação de microglia: Promove a polarização da microglia para o fenótipo M2, associado à regeneração e proteção neuronal.

  • Ativação de receptores anti-inflamatórios: O BHB ativa os receptores HCA2 e PPARs, inibindo a via NF-κB e reduzindo a inflamação crônica.

Mecanismos antiinflamatórios da dieta cetogênica (Tao, Leng, & Zhang, 2022)

Embora concentrações muito altas de BHB possam induzir efeitos pró-inflamatórios, em níveis controlados, a DC é eficaz para reduzir processos inflamatórios associados à neurodegeneração.

Dieta Cetogênica e a Microbiota-Intestino-Cérebro

A dieta cetogênica (DC) desempenha um papel neuroprotetor indireto por meio de alterações no eixo microbiota-intestino-cérebro. Este eixo envolve a interação entre o microbioma intestinal e o sistema nervoso central (SNC), e estudos recentes têm destacado como a DC influencia positivamente a saúde cerebral através desse mecanismo.

1. A Relação entre a DC e a Microbiota Intestinal

  • Alterações na composição microbiana: A DC modifica a abundância de bactérias específicas, como o aumento de Akkermansia e Lactobacillus, que produzem ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs). Esses SCFAs possuem efeitos neuroprotetores, melhoram a memória e têm impacto positivo na barreira hematoencefálica (BBB).

  • Redução de organismos pró-inflamatórios: A DC diminui a presença de Desulfovibrio, conhecido por prejudicar a barreira intestinal. Essa mudança ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo cerebral e a reduzir o risco de doenças neurodegenerativas como Alzheimer.

  • Impacto nos biomarcadores: Estudos demonstraram que a DC regula biomarcadores relacionados ao Alzheimer, como os níveis de proteínas tau e β-amiloide (Aβ42).

2. Microbiota, Fibras Solúveis e Fatores Neurotróficos

A ingestão de fibras como fructooligossacarídeos (FOS) e galactooligossacarídeos (GOS) estimula a produção de SCFAs. Esses ácidos promovem:

  • Aumento do BDNF: O fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) é essencial para a plasticidade sináptica e a memória.

  • Melhoria na expressão do NMDAR: Receptores de N-metil-D-aspartato, fundamentais para processos cognitivos, também são regulados.

Esses benefícios mostram que o microbioma intestinal é um elo crucial na relação entre dieta e saúde cerebral.

3. DC e Doenças Neurodegenerativas: O Caso do Comprometimento Cognitivo Leve (MCI)

O comprometimento cognitivo leve (MCI) é uma condição que frequentemente precede a demência. Diversos estudos destacam o impacto positivo da DC no tratamento dessa condição:

  • Melhorias cognitivas: Pacientes com MCI apresentaram melhora em testes de memória verbal e funções executivas após intervenções com DC.

  • Intervenções baseadas em triglicerídeos de cadeia média (MCT): Um estudo mostrou que 24 semanas de suplementação com 56 g/dia de MCT aumentaram os corpos cetônicos e a memória dos pacientes.

  • Redução de biomarcadores do Alzheimer: A DC reduziu proteínas tau e melhorou os níveis de Aβ42 no líquido cefalorraquidiano.

  • Estudos clínicos promissores: Um ensaio clínico randomizado revelou uma correlação entre altos níveis de cetonas e melhor desempenho em memórias episódicas e linguagem.

Essas descobertas sugerem que a DC é uma intervenção segura e eficaz para melhorar a função cognitiva em pessoas com MCI.

Dieta Cetogênica e a Doença de Alzheimer: Benefícios e Mecanismos

A Doença de Alzheimer (DA) é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva, sendo a forma mais comum de demência. Caracteriza-se pela perda de memória, dificuldades nas atividades diárias e alterações cognitivas. Sua fisiopatologia envolve redução do metabolismo de glicose cerebral, disfunção mitocondrial, acúmulo de placas de beta-amiloide (Aβ) e emaranhados neurofibrilares de tau. Estudos recentes apontam que a dieta cetogênica (DC) pode atuar como uma intervenção terapêutica promissora, trazendo benefícios por meio de diversos mecanismos moleculares.

1. Impacto Metabólico e Molecular da DC na DA

  • Redução do metabolismo de glicose no cérebro: Na DA, a capacidade de utilizar glicose é patologicamente reduzida, devido à menor expressão do transportador de glicose GLUT1 no cérebro. A DC fornece energia alternativa ao cérebro por meio de corpos cetônicos (KBs), compensando essa deficiência.

  • Redução de placas de beta-amiloide (Aβ): O uso de corpos cetônicos em vez de glicose como fonte de energia ajuda a prevenir o acúmulo de Aβ no cérebro. Estudos pré-clínicos em modelos animais mostraram que a DC reduz a deposição de Aβ e tau fosforilada, melhorando a memória e o aprendizado.

  • Melhoria da barreira hematoencefálica (BBB): A DC melhora a integridade da BBB, regula a síntese de óxido nítrico endotelial e aumenta a expressão de proteínas transportadoras associadas às placas de Aβ, auxiliando na sua remoção.

  • Função mitocondrial: A DC melhora a função mitocondrial e reduz os níveis de proteína precursora amiloide (APP) em modelos animais, o que pode minimizar a produção de fragmentos tóxicos de Aβ.

2. Estudos Pré-Clínicos e Clínicos

Estudos em modelos animais

  • Modelos de camundongos com DA: A DC melhorou a função de memória e aprendizado e reduziu o impacto de Aβ e tau fosforilada nos tecidos cerebrais.

  • Efeitos na vascularização cerebral e microbiota intestinal: Em ratos e camundongos, a DC aumentou a função cerebrovascular, melhorou a composição da microbiota intestinal e reduziu inflamações sistêmicas, diminuindo o risco de progressão da DA.

Estudos clínicos em humanos

  • Aumento de corpos cetônicos e função cognitiva: Pacientes tratados com triglicerídeos de cadeia média (MCT) apresentaram elevação de β-hidroxibutirato (um KB) e melhora significativa na função cognitiva.

  • Resultados promissores em diferentes grupos genéticos: Pacientes com o genótipo APOE4(-) tiveram melhores respostas ao tratamento com DC, incluindo aumento do fluxo sanguíneo cerebral e melhora no desempenho cognitivo.

  • Melhor qualidade de vida e atividades diárias: Estudos mostraram que pacientes com DA em estágios leve a moderado apresentaram pontuações mais altas em testes de qualidade de vida e funcionalidade diária após intervenções com DC.

  • Casos de intervenção prolongada: Um paciente com DA tratado com cetona monoéster por 20 meses apresentou melhora no humor, nos cuidados pessoais e nas atividades cognitivas e diárias.

3. Limitações e Considerações

Embora os benefícios da DC no tratamento da DA sejam encorajadores, ainda existem limitações:

  • Variabilidade individual: Fatores genéticos, como APOE, e diferenças metabólicas podem influenciar os resultados.

  • Memória específica: Algumas intervenções com DC não mostraram impacto direto na memória, embora tenham melhorado outros aspectos cognitivos e funcionais.

  • Mais estudos necessários: Ensaios clínicos maiores e mais longos são fundamentais para validar a eficácia da DC em diferentes estágios da DA.

Dieta Cetogênica e a Doença de Parkinson: Uma Abordagem Terapêutica Promissora

A Doença de Parkinson (DP) é caracterizada pela degeneração progressiva de neurônios dopaminérgicos na substância negra do mesencéfalo, resultando em sintomas motores (como tremores e rigidez) e não motores (como depressão e declínio cognitivo). A dieta cetogênica (DC) tem se mostrado promissora no manejo dessa condição, atuando por meio de mecanismos metabólicos e anti-inflamatórios.

1. Mecanismos Metabólicos da DC na DP

  • Disfunção mitocondrial e fornecimento energético:
    A disfunção do complexo I mitocondrial é um fator-chave na morte dos neurônios dopaminérgicos na DP. A DC fornece corpos cetônicos (como o β-hidroxibutirato), que podem contornar a dependência do complexo I e oferecer uma fonte alternativa de energia, melhorando a função mitocondrial e aumentando a produção de ATP.

    • Estudos in vitro mostraram que corpos cetônicos protegem neurônios mesencefálicos contra danos induzidos por agentes neurotóxicos, como MPTP e rotenona.

    • Em modelos animais de DP, a infusão contínua de β-hidroxibutirato protegeu os neurônios dopaminérgicos da degeneração e aumentou a respiração mitocondrial.

    • O ácido octanoico (C8), um componente da DC, reduziu significativamente os danos dopaminérgicos no estriado ao aumentar a atividade metabólica mitocondrial.

  • Glutationa e proteção antioxidante:
    A DC mostrou-se eficaz em ratos com DP ao aumentar os níveis de glutationa, um antioxidante essencial que protege os neurônios contra o estresse oxidativo.

2. Efeitos Anti-Inflamatórios da DC

A inflamação e a ativação de micróglias (células imunes do cérebro) desempenham papéis importantes na progressão da DP. Estudos indicam:

  • Micróglias ativadas na substância negra de pacientes com DP liberam fatores inflamatórios (IL-1, IL-6, TNF-α, entre outros) que contribuem para a neurodegeneração.

  • Em camundongos tratados com MPTP, a DC reduziu a ativação microglial, os níveis de proteínas inflamatórias (IL-1β, IL-6, TNF-α) e a perda neuronal, melhorando também a função motora.

  • A cetose nutricional demonstrou reduzir a proliferação de astrócitos, diminuindo a toxicidade glutamatérgica e a neurotoxicidade associada.

3. Melhora dos Sintomas Motores e Não Motores

  • Efeitos motores:
    Estudos em modelos animais mostraram que a DC melhora a função motora, com maior eficácia quando combinada com medicamentos como pramipexol. Em humanos, pacientes submetidos à DC apresentaram redução significativa nos escores da escala de avaliação da doença de Parkinson (MDS-UPDRS).

  • Efeitos não motores:
    A DC mostrou melhorias em sintomas não motores, como memória, acesso lexical e funções cognitivas, especialmente em comparação a dietas de baixa gordura.

4. Evidências Clínicas

  • Estudos clínicos:

    • Após 28 dias de DC, pacientes com DP apresentaram melhora significativa nos sintomas motores e não motores, com redução média de 43,4% nos escores do MDS-UPDRS.

    • Em um estudo randomizado, pacientes submetidos à DC tiveram melhoras superiores nos sintomas não motores em comparação a uma dieta de baixo teor de gordura.

    • A DC também demonstrou benefícios na cognição, incluindo memória e funções linguísticas, embora sem diferenças significativas em testes motores específicos, como tapping de dedos.

Dieta Cetogênica e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): Uma Alternativa Promissora?

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é a doença mais comum dos neurônios motores, caracterizada pela perda progressiva de neurônios motores superiores e inferiores no cérebro e na medula espinhal. Essa neurodegeneração leva à paralisia e, frequentemente, à morte por falência respiratória em 2 a 5 anos após o início dos sintomas. Com opções terapêuticas limitadas, a busca por tratamentos mais eficazes é essencial. A dieta cetogênica (DC) tem se destacado como uma abordagem potencialmente promissora para mitigar os efeitos da ELA por meio de ações antioxidantes, metabólicas e neuroprotetoras.

1. Mecanismos da ELA e o Papel da Dieta Cetogênica

A ELA envolve múltiplos mecanismos patológicos, incluindo:

  • Produção excessiva de radicais livres: O estresse oxidativo contribui para a disfunção mitocondrial e a morte neuronal.

  • Toxicidade de neurotransmissores excitatórios: O excesso de glutamato causa hiperexcitabilidade e dano celular.

  • Disfunção mitocondrial: A redução da atividade das enzimas da cadeia respiratória mitocondrial afeta o equilíbrio energético nos neurônios motores.

A DC atua sobre esses mecanismos de diversas formas:

  • Redução do glutamato e da excitabilidade neuronal: Corpos cetônicos (KBs) diminuem a concentração de glutamato na fenda sináptica, reduzindo a toxicidade excitatória.

  • Aumento da capacidade antioxidante: A DC estimula antioxidantes endógenos, protegendo os neurônios do estresse oxidativo.

  • Melhora da função mitocondrial: Estudos in vitro mostram que a DC restaura a atividade do complexo I da cadeia respiratória mitocondrial, promovendo maior produção de ATP.

2. Sirtuínas e Proteção Mitocondrial

Recentemente, pesquisas têm destacado o papel das sirtuínas (SIRTs) no combate ao estresse mitocondrial em modelos de ELA.

  • SIRT3: Essa proteína regula a resposta ao estresse mitocondrial e protege contra a fragmentação mitocondrial e apoptose neuronal induzida por mutações como SOD1-G93A, associadas à ELA.

  • Ação da DC: Estudos mostram que corpos cetônicos aumentam a expressão de sirtuínas em neurônios motores primários, melhorando a sobrevivência celular e reduzindo danos mitocondriais.

3. Estudos em Modelos Animais

Pesquisas pré-clínicas em camundongos transgênicos SOD1-G93A, modelo amplamente usado para estudar a ELA, demonstraram os seguintes benefícios da DC:

  • Preservação dos neurônios motores:

    • O primeiro estudo com DC em 2006 mostrou que camundongos tratados apresentaram maior preservação de neurônios motores, aumento no peso mitocondrial e maior síntese de ATP.

  • Melhoria na performance motora:

    • O uso de triglicerídeos de ácido caprílico (uma fonte energética alternativa) melhorou o desempenho motor, preveniu a perda de neurônios motores na medula espinhal e aumentou a taxa de consumo de oxigênio mitocondrial. Esses animais viveram, em média, 6 dias a mais do que o grupo controle.

  • Sobrevivência estendida:

    • Em um estudo baseado no regime cetogênico "Deanna", camundongos alimentados com DC apresentaram desempenho superior nos testes motores e um aumento de 7,5% no tempo de sobrevivência.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Nutrição, Epigenética e Saúde Mental

Você já se perguntou se realmente somos o que comemos? Nossas escolhas alimentares desempenham um papel crucial em nossa suscetibilidade a doenças, incluindo distúrbios mentais. Fatores genéticos e ambientais têm um papel crítico no desenvolvimento de condições de saúde mental ao longo da vida, com a prevalência dessas doenças aumentando globalmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que, em 2019, cerca de 970 milhões de pessoas no mundo sofriam de distúrbios mentais, uma estatística alarmante que tem impactos significativos na sociedade e nos indivíduos afetados. Além disso, a obesidade, outro grande problema de saúde pública, também tem se intensificado, refletindo uma relação complexa entre dieta, saúde e doenças.

A obesidade e os distúrbios mentais estão em ascensão desde 1990, com dados da OMS mostrando um aumento nas taxas de obesidade, especialmente entre adultos e adolescentes. Em 2022, estima-se que uma em cada oito pessoas no mundo vivia com obesidade. A ligação entre esses problemas é multifatorial e envolve não só fatores genéticos, mas também ambientais, como a qualidade da alimentação, exposição ao estresse, níveis de atividade física e o status socioeconômico.

Estudos recentes em epigenética e neurociência têm revelado que as condições de saúde mental não são causadas apenas por fatores genéticos, mas também estão relacionadas a influências ambientais. Durante os estágios iniciais da vida, como a gestação e a infância, o cérebro é particularmente sensível a esses fatores. Isso inclui a qualidade da alimentação, que pode ter um impacto duradouro no bem-estar mental e físico.

Nutrição, Epigenética e Saúde Mental

Revisão publicada por Rola A. Bekdash (2024) destacou a complexa relação entre nutrição, mecanismos epigenéticos e saúde mental. O desenvolvimento cerebral é especialmente sensível durante os períodos iniciais da vida, quando as mudanças epigenéticas podem moldar a saúde mental ao longo da vida. Mecanismos epigenéticos como a metilação do DNA e modificações de histonas são essenciais para o funcionamento do cérebro e estão diretamente influenciados por nutrientes que atuam como doadores de metila, como colina, betaina, folato, metionina, vitaminas B6 e B12.

Esses nutrientes são fundamentais para o metabolismo do carbono único, que envolve ciclos bioquímicos como os ciclos do folato e da metionina. Esses processos bioquímicos são essenciais para a síntese de DNA, proteínas e neurotransmissores, que são cruciais para o funcionamento cerebral e o desenvolvimento neurocognitivo. A deficiência desses micronutrientes durante as fases iniciais de desenvolvimento tem sido associada a defeitos no tubo neural, alterações no comportamento e deficiências cognitivas.

Metabolismo de um carbono e micronutrientes doadores de metila (Bekdash, 2024).

Nutrientes que influenciam os Mecanismos Epigenéticos

Tanto fatores genéticos quanto ambientais podem afetar a organização estrutural e funcional do cérebro, influenciando a fisiologia e o comportamento individuais. A ingestão adequada de micronutrientes doadores de metil na gestação e primeira infância pode impactar a vulnerabilidade a condições metabólicas e de saúde mental na vida adulta. Micronutrientes como folato, colina e vitamina B12 são fundamentais para o metabolismo de um carbono, produção de neurotransmissores e metilação do DNA e histonas, processos essenciais para a saúde cerebral.

1. Folato

O folato é um micronutriente derivado de alimentos como vegetais verdes, frutas e grãos, desempenhando um papel crucial na síntese de nucleotídeos e no desenvolvimento cerebral. Sua deficiência durante a gestação pode causar defeitos no tubo neural e impactar a diferenciação de células-tronco neuronais, levando à morte neuronal. Estudos em roedores mostram que uma dieta materna deficiente em folato e vitaminas B12 e colina altera a expressão de genes metabólicos importantes nos filhotes, afetando o equilíbrio energético e a saúde metabólica. A suplementação com ácido fólico pode mitigar esses efeitos. Além disso, a suplementação de folato tem mostrado reverter comportamentos semelhantes aos do autismo, como os observados em modelos de ratos com isolamento neonatal, sugerindo um potencial terapêutico para distúrbios como a ansiedade e o autismo. Estudos em humanos também associam o folato e a vitamina B12 à resistência à insulina e ao aumento da adiposidade, destacando a importância de manter níveis ótimos de micronutrientes durante a gestação.

2. Colina

A colina é outro micronutriente doador de metil essencial para o desenvolvimento cerebral, derivado de alimentos como carne, peixe, ovos e leite. Ela contribui para a formação do neurotransmissor acetilcolina e a integridade das membranas celulares. Em roedores, uma dieta rica em colina durante a gestação pode aumentar a expressão de genes que regulam o apetite, afetando o consumo alimentar e o ganho de peso dos filhotes. A colina também desempenha um papel crucial em distúrbios de saúde mental, como a esquizofrenia e a ansiedade. Estudos indicam que níveis baixos de colina no plasma estão associados ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade e outras condições mentais. A suplementação de colina durante a gestação pode ser uma estratégia importante para reduzir o risco de esquizofrenia e outros transtornos mentais na vida adulta.

3. Vitamina B12

A vitamina B12, derivada de alimentos como carne, peixe, laticínios e ovos, é essencial para o metabolismo de um carbono e a síntese de neurotransmissores e fosfolipídios. Sua deficiência está associada a distúrbios neurológicos, como neuropatia e depressão, além de afetar a metilação do DNA e a expressão genética. A vitamina B12, juntamente com o folato e a vitamina B6, pode aliviar os sintomas da depressão, contribuindo para a formação de SAM (S-adenosilmetionina), que normaliza os níveis de homocisteína e previne danos oxidativos. Estudos mostram que a ingestão de vitamina B12 e folato pode reduzir os sintomas da depressão e a probabilidade de desenvolver distúrbios de humor, como a esquizofrenia, ao normalizar processos epigenéticos.

4. SAM

O metabolismo do metionina, juntamente com a síntese de S-adenosilmetionina (SAM), desempenha um papel crucial na regulação de processos biológicos essenciais, como a manutenção das membranas celulares e a metilação de DNA e proteínas. A metionina, um aminoácido essencial proveniente de alimentos como carne, peixe, ovos e nozes, é convertida em SAM por meio da ação da enzima metionina adenosilmetiltransferase (MAT). SAM, por sua vez, atua como doador de metila em várias reações metabólicas, incluindo a síntese de neurotransmissores como dopamina, norepinefrina e serotonina, que são essenciais para a regulação do humor e das emoções.

A disfunção no ciclo da metionina, que está intimamente relacionado com o ciclo do folato, pode ter efeitos prejudiciais significativos. Por exemplo, altos níveis de homocisteína, frequentemente observados em distúrbios como a depressão, indicam uma redução nos níveis de SAM, folato e vitamina B12. Esses desequilíbrios podem contribuir para o desenvolvimento de distúrbios neuropsiquiátricos, como a depressão, reforçando a importância de níveis ótimos desses micronutrientes para melhorar a saúde mental.

Em indivíduos com depressão maior, foi observado que níveis elevados de homocisteína se correlacionam com níveis reduzidos de SAM e folato, além de níveis diminuídos de neurotransmissores como dopamina, norepinefrina e serotonina. Estudos indicam que a suplementação com SAM pode ter efeitos antidepressivos, embora esses resultados precisem de mais investigação.

Além disso, a disfunção no metabolismo de SAM também foi associada à esquizofrenia. A redução na atividade de MAT, a enzima responsável pela formação de SAM, foi detectada em células vermelhas do sangue de indivíduos esquizofrênicos. A metilação anormal de genes como o gene reelin, que é essencial para a formação de memória e migração neuronal, foi identificada em cérebros de pacientes com esquizofrenia, sugerindo que os processos epigenéticos podem desempenhar um papel no desenvolvimento de distúrbios mentais.

A suplementação de micronutrientes doadores de metil ou do SAMe pode ajudar a normalizar processos epigenéticos alterados e melhorar a saúde mental, especialmente em condições como depressão e esquizofrenia. Estudos futuros devem investigar mais profundamente as implicações dos desequilíbrios nesses micronutrientes e seu potencial terapêutico para distúrbios neuropsiquiátricos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Óleo essencial de alecrim para animar e focar

O alecrim, nome científico Rosmarinus oficinalis (rosemary, em inglês) é muito usado na culinária mediterrânea. Muitas pessoas também colocam dentro do azeite para conservar mais as propriedades do óleo.

O alecrim é rico em compostos fenólicos (ácido rosmarínico e ácido carnósico), com propriedades antioxidantes, antiinflamatórias, estimuladora de fatores neurotróficos no cérebro, além de reduzir a toxicidade de proteínas mal dobradas, como a beta-amilóide, associada a aumento do risco de Alzheimer (Faridzade et al., 2022).

Alecrim é uma das ervas com propriedades neuroprotetoras (Faridzade et al., 2022).

Existe também o óleo essencial de alecrim, um produto bem concentrado. Usa-se 100kg de planta para extrair 1kg de óleo essencial de alecrim, extraído por um método de destilação a vapor. Por isso é caro. Usado para concentração, dor de cabeça, dores musculares e para foco nos estudos. Podemos usar em um aromatizador elétrico, em um difusor com vela, em um colar próprio para aromaterapia. Aprenda mais sobre o tema aqui.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/