Metabolômica aplicada

Muitas variáveis influenciam a diversidade de fenótipos na saúde e nas doenças humanas – genética, epigenética, influências ambientais e o microbioma. Esta combinação de fatores faz com que cada pessoa produza quantidades distintas de metabólitos bioquímicos.

A metabolômica é um termo cunhado em 1988 e que descreve o estudo científico de processos químicos envolvendo metabólitos. O metaboloma representa o conjunto completo desses metabólitos, ou seja de todas as pequenas moléculas produzidas no corpo. Uma impressão digital metabolômica é a medida de metabólitos para descrever o estado metabólico atual de um indivíduo e tem a capacidade de personalizar verdadeiramente os cuidados de saúde.

A genética sozinha dificilmente explica o fenótipo observado. Muitos traços são influenciados por questões epigenéticas, variações externas, como exposição ambiental, dieta, estilo de vida e também pelo microbioma (Beebe, & Kennedy, 2016).

Os metabólitos podem ser afetados por exposições passadas e atuais, genética, microbioma intestinal, dieta, estado nutricional, etc., e podem ajudar na individualização de tratamentos e recomendações de estilo de vida. Informam o que está acontecendo a partir destas interações.

A nutrição funcional há muito utiliza testes de ácidos orgânicos na urina para identificar metabólitos e deficiências nas principais vias metabólicas. A medicina tradicional utiliza ácidos orgânicos principalmente com testes para diagnóstico de erros inatos do metabolismo, como doença da urina do xarope de bordo (MSUD) e fenilcetonúria (PKU), ou alguns marcadores limitados, como lactato, citrato, ácido metilmalônico (MMA) e cetonas.

A metabolômica permite a identificação dos principais metabólitos e vias que podem ajudar na descoberta de associações com deficiências metabólicas ou na previsão de doenças.

A insuficiência de nutrientes pode “obstruir” as vias que levam a marcadores elevados devido a uma diminuição na função de enzimas. Por exemplo, a elevação de cetoácidos de cadeia ramificada na urina é um indicador primário de aumento da necessidade de vitaminas B1, B2, B3, B5 e ácido lipóico. Cada uma das vitaminas é necessária para a função da enzima BCKA.

Neste caso, a suplementação de vitaminas do complexo B (especialmente B1) reduz os níveis de BCKA na urina. A enzima BCKA desidrogenase é mais sensível aos níveis de B1. Claro, é importante lembrar que o nível de BCKAs na urina também pode ser afetado por outros fatores, como nível de exercício, ingestão de proteínas, jejum, inflamação, etc. No futuro, os algoritmos das empresas de metabolômica precisarão incorporar estes outros fatores para melhor explicação dos achados.

Um exemplo de metabolômica aplicada na prática é a utilização de dados como o estudo Copenhagen Inter. Os sujeitos foram sorteados aleatoriamente no Sistema de Registro Civil. As medições estavam disponíveis para 4.117 indivíduos que participaram tanto da avaliação metabolômica basal da urina quanto de um exame de acompanhamento de cinco anos.

Os pesquisadores descobriram que vários marcadores basais mais elevados estavam associados a um risco maior de hemoglobina A1c elevada (HbA1c) e resistência à insulina (RI) cinco anos depois. Estes incluíram 1-metilnicotinamida, alanina, creatinina e ácido láctico. Embora não sejam diagnósticos, os marcadores podem ajudar a identificar áreas de preocupação muito antes de surgir um problema, permitindo aos pacientes a oportunidade de se concentrarem no estilo de vida e nas estratégias dietéticas que podem proporcionar algum nível de redução de risco (Friedrich et al., 2015).

A 1-metilnicotinamida tem sido associada ao aumento das taxas de diabetes, cirrose e câncer, sugestivos de aumento da atividade da nicotinamida N-metiltransferase (NNMT). Perturbações na via da glicólise foram refletidas pelo aumento de lactato, piruvato e alanina (Yousri  et al. 2015).

Os métodos de metabolómica alvo já identificaram novos marcadores moleculares e assinaturas metabolómicas de risco de doença cardiovascular (incluindo aminoácidos de cadeia ramificada, espécies lipídicas insaturadas selecionadas,e N-óxido de trimetilamina), vinculando assim diversas exposições, como aquelas provenientes da ingestão alimentar e da microbiota, com características cardiometabólicas (Cheng et al., 2017).

A metabolómica está melhorando a nossa compreensão da fisiologia, do que é e do que não é normal. Pode caracterizar marcadores-chave em processos e vias específicas, fisiologia, impacto da dieta e metabolismo do microbioma, etc., ajudando na prevenção de doenças e na personalização de tratamentos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

DIETA CETOGÊNICA NO TRANSTORNO BIPOLAR

A dieta cetogênica tem ganhado atenção em estudos sobre transtornos neurológicos, incluindo o transtorno bipolar. Ela é uma dieta com baixo carboidrato, alto teor de gordura e consumo moderado de proteínas, que visa induzir o corpo a um estado chamado cetose, onde ele passa a usar gorduras como principal fonte de energia, em vez de carboidratos.

Efeitos da Dieta Cetogênica no Transtorno Bipolar:

Embora ainda seja uma área de pesquisa emergente, alguns estudos sugerem que a dieta cetogênica pode ter efeitos benéficos no tratamento do transtorno bipolar. Aqui estão alguns pontos importantes a considerar:

  1. Estabilização do Humor: A dieta cetogênica pode influenciar positivamente a estabilidade do humor. Isso ocorre devido ao impacto da cetose no sistema nervoso, que pode ajudar a regular neurotransmissores como o GABA (ácido gama-aminobutírico) e o glutamato, ambos envolvidos no equilíbrio do humor.

  2. Efeitos Neuroprotetores: A cetose tem mostrado efeitos neuroprotetores, ajudando a reduzir a inflamação cerebral e o estresse oxidativo. Esses efeitos podem ser benéficos em distúrbios neurológicos, incluindo o transtorno bipolar.

  3. Melhora no Controle da Impulsividade: Alguns pacientes com transtorno bipolar têm dificuldades em controlar impulsos durante episódios de mania. Estudos indicam que a dieta cetogênica pode reduzir essa impulsividade e ajudar no controle emocional.

  4. Redução de Sintomas de Depressão: Em alguns estudos, a dieta cetogênica tem mostrado melhorar os sintomas depressivos em pessoas com transtorno bipolar. Embora mais pesquisas sejam necessárias, a dieta pode influenciar a atividade cerebral e ajudar a reduzir sintomas de depressão.

Considerações Importantes:

  • Monitoramento: A dieta cetogênica não deve ser adotada sem orientação nutricional, especialmente para pessoas com transtorno bipolar, pois ela pode interagir com medicamentos usados no tratamento da condição, como estabilizadores de humor e antipsicóticos.

  • Efeitos Colaterais: Como qualquer dieta restritiva, a cetogênica pode ter efeitos colaterais, como constipação, desequilíbrio de eletrólitos, cetoacidosis (em casos extremos) e carências nutricionais, que precisam ser monitorados de perto.

  • Apoio Psicoterapêutico: A dieta cetogênica pode ser um complemento ao tratamento tradicional (medicação e psicoterapia), mas não substitui essas abordagens. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é essencial.

Como é o passo a passo?

  1. Realização de consulta nutricional em que pode ser analisado:

    • alergias, intolerâncias

    • uso de medicamentos e suplementos

    • avaliação laboratorial (hemograma, lipidograma, enzimas hepáticas, glicemia, hemoglobina glicada, perfil de carnitinas etc)

    • avaliação de indicações e contra-indicações

    • perfil genético

    2. Educação nutricional sobre a dieta e o que esperar

    3. Cálculo da dieta com ajuste dos macronutrientes

    4. Preparo, compras, montagem do cardápio. Inclui:

    • limpeza da dieta anterior

    • substituição de medicamentos e suplementos contendo açúcares

    Após o início da dieta ajustes serão feitos a partir do monitoramento de corpos cetônicos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Dieta cetogênica ajuda a reduzir as medicações na epilepsia

Tomou duas ou três medicações e as crises convulsivas não foram controladas? Já é indicativo de inicio da dieta cetogênica para controle das convulsões. A partir do momento em que as crises começam a ser controladas, a medicação vai sendo reduzida.

O que é a dieta cetogênica?

A dieta cetogênica (DC) é um tratamento nutricional indicado para o controle das crises epilépticas que não respondem à medicação. É rica em gorduras, adequada em proteínas e pobre em carboidratos e foi desenvolvida para mimetizar, em nosso organismo, os efeitos bioquímicos do jejum, mantendo um estado de anabolismo.

Após um período de jejum, o corpo passa a utilizar a própria gordura como fonte de energia. Mas não dá para fazer jejum para sempre. Assim, a dieta cetogênica é utilizada para imitar este jejum, mantendo o uso de gordura vinda da dieta. A partir do uso da gordura serão produzidos corpos cetônicos, os quais possuem um efeito neuroprotetor.

Corpos cetônicos produzidos no fígado chegam ao cérebro, exercendo vários efeitos como controle excitatório, bloqueio da liberação de glutamato (neurotransmissor que, em excesso, é neurotóxico), ação antioxidante e antiinflamatória (Sampaio, 2018).

Tipos de alimentos típicos da dieta cetogênica

  • Azeite e azeitonas

  • Toucinho (panceta do açougue)

  • Creme de leite fresco (sem açúcar, sem amido)

  • Nata

  • Maionese

  • Óleo de coco

  • Ovos

  • Abacate

  • TCM

  • Carnes

  • Verduras de baixo índice glicêmico (folhosos, abobrinha, tomate, berinjela, brócolis, couve-flor)

  • Frutas de baixo índice glicêmico (morango, mirtilo, limão)

  • Nozes

O nutricionista fará o cálculo da quantidade de gordura da dieta e da proporção de cada nutriente. Para termos certeza que a dieta está funcionando, o cardápio deve ser seguido por pelo menos 3 a 4 meses. A dieta é geralmente seguida por pelo menos 2 a 3 anos, podendo ser feito por muito mais tempo, conforme a necessidade. Aprenda mais na plataforma https://t21.video.

Também é importante reduzir o consumo de alimentos estimulantes do sistema nervoso central

Alguns alimentos podem desencadear crises convulsivas e devem ser evitados:

  • Café, chá mate, chá verde, chá preto (fontes de cafeína);

  • Bebidas alcoólicas;

  • Açúcar, doces, sorvetes, balas, refrigerantes;

  • Proteína em excesso.

Como a dieta cetogênica é restritiva são necessários suplementos multivitamínicos minerais e outros (incluindo ômega-3, carnitina, eletrólitos, TCM, pré e probióticos). O acompanhamento laboratorial é muito importante, incluindo enzimas hepáticas, hemograma, lipidograma, perfil de carnitinas).

Em dois casos, a dieta cetogênica é indicada por toda a vida:

  1. Deficiência de GLUT1 (transportador de glicose no cérebro)

  2. Deficiência de piruvato desidrogenase

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