Dieta cetogênica para prevenção e tratamento do diabetes

O diabetes não aparece de uma hora para outra. Estudos mostram que alterações metabólicas já estão presentes anos antes das alterações nos exames de sangue. Dentre as alterações observadas destaca-se a produção de metabólitos da glicose e do metabolismo dos aminoácidos. Estes exames metabolômicos são realizados geralmente após coleta de saliva ou urina. Caso precise de orientação sobre os mesmos marque sua consulta aqui.

Uma dieta rica em carboidratos refinados, farinhas, produtos ultraprocessados, açúcares, aumenta significativamente a quantidade de glicose no intestino. Esta glicose será metabolizada não só pelas células intestinais e pelo fígado, mas também pela bactéria patogênica E. coli no intestino. Esta bactéria produz substâncias favoráveis ao seu metabolismo, incluindo aminoácidos de cadeia ramificada e aromáticos. A presença de quantidades excessivas deste aminoácido na corrente sanguínea está associada a mais inflamação e resistência insulínica, além de maior risco de desenvolvimento de diabetes (Arneth, Arneth, Shams, 2019).

A dieta cetogênica é uma importante ferramenta tanto para redução do risco, quanto para o tratamento do diabetes. A dieta bem feita favorece a microbiota, reduz os valores de hemoglobina glicada, glicose, insulina (Dyńka et al., 2022). A avaliação dos níveis de glicose e cetonas para controle da eficácia da dieta cetogênica são feitas com aparelhos portáteis. Considera-se um bom controle no diabetes uma relação glicose/cetonas entre 3 e 6. Aprenda mais aqui.

APARELHOS PARA MONITORAÇÃO DE GLICOSE E CORPOS CETÔNICOS:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Importância do tratamento da disbiose intestinal no autismo

O transtorno do espectro do autismo (TEA) é uma condição heterogênea do neurodesenvolvimento. Caracteriza-se principalmente por déficits na comunicação e interação social, em conjunto com padrões restritos e repetitivos de comportamentos e interesses.

Muitos indivíduos afetados apresentam também disfunções gastrointestinais e outras comorbidades, incluindo distúrbios do sono, epilepsia e/ou ansiedade. Atualmente, não existem medicamentos aprovados para tratar os principais sintomas do TEA. Embora a etiologia permaneça pouco compreendida, é amplamente reconhecido que fatores genéticos e ambientais e suas interações contribuem para os fenótipos do TEA. Um desses fatores de risco ambiental é o microbioma intestinal, um regulador chave do desenvolvimento e comportamento do cérebro.

Em pesquisa publicada na revista Nature Medicine, Campbell e colaboradores (2022) fornecem evidência clínica preliminar de que a substância AB-2004, desenhada para impedir a absorção de metabólitos microbianos neuroativos, pode ajudar a melhorar os comportamentos associados ao TEA.

Metabólitos específicos derivados da microbiota intestinal (denominados metabólitos microbianos neuroativos) podem atravessar a barreira hematoencefálica e modular diretamente as redes neurais envolvidas no controle dos processos afetivos, sociais e cognitivos.

O metabólito microbiano intestinal 4-etilfenil sulfato (4EPS), em particular, parece estar particularmente elevado em um subconjunto de crianças com TEA e sintomas gastrointestinais (Needham et al., 2022).

Atualmente o AB-2004 está em fase 2 de pesquisa clínica. Absorve toxinas urêmicas e metabólitos aromáticos relacionados, incluindo aqueles derivados ou modulados pela microbiota intestinal - não só 4EPS, mas também p-cresil sulfato, 3-indoxil sulfato e hipurato. O AB-2004 pode sequestrar essas moléculas no intestino, impedindo sua absorção e circulação, sendo então excretado nas fezes.

A expectativa é que, ao direcionar diretamente os metabólitos derivados da microbiota intestinal, essa nova abordagem elimina a necessidade de um medicamento que atravesse a barreira hematoencefálica, minimizando os efeitos colaterais sistêmicos.

Na pesquisa inicial, foram recrutados 30 adolescentes com diagnóstico confirmado de TEA e sintomas gastrointestinais para participar do um ensaio clínico aberto fase 1b/2a do tratamento AB-2004. O composto foi bem tolerado e sem nenhum efeito adverso preocupante, atendendo assim aos objetivos primários do estudo. Os metabólitos alvo derivados de micróbios no plasma e na urina foram reduzidos após 2 meses, com novo aumento após a interrupção do tratamento. O uso do AB-2004 diminuiu o número de participantes com problemas gastrointestinais.

Os autores encontraram sinais de eficácia do tratamento em vários desfechos comportamentais exploratórios, especificamente irritabilidade e ansiedade. Em um subconjunto de dez participantes do estudo, os autores também encontraram mudanças nos padrões de conectividade funcional do cérebro após o tratamento com AB-2004 em regiões associadas a processos emocionais como ansiedade (ou seja, amígdala e córtex cingulado anterior).

Diaz Heijtz, R., Gressens, P. & Swann, J.R. Targeting microbial metabolites to treat autism. Nat Med 28, 448–450 (2022). https://doi.org/10.1038/s41591-022-01711-8

Estes dados representam um marco importante no estudo do eixo microbiota-intestino-cérebro, pois delineiam uma estratégia terapêutica inovadora restrita ao intestino para melhorar alguns comportamentos associados ao TEA, como irritabilidade e ansiedade. Embora esses comportamentos não sejam considerados sintomas centrais de TEA, são condições comórbidas comuns desta população e que impactam a qualidade de vida individual e familiar.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Prevenção de tratamento da infecção urinária

Infecções do Trato Urinário (ITUs) afetam mundialmente mais de 150 milhões de pessoas, estando entre as condições médicas mais comuns e recorrentes, especialmente para as mulheres, já que possuem uma uretra mais curta que os homens.

O primeiro passo para o desenvolvimento da infecção é a adesão de certas bactérias ao trato urinário. Essa adesão acontece pois as bactérias possuem fímbrias, que são como “braços” que servem para se agarrar às paredes do trato urinário. 

As fímbrias produzem um tipo de “cola” chamada adesina que fortalece a adesão, possibilitando que as bactérias se multipliquem e produzam toxinas que causam danos às células da uretra e da bexiga. Uma vez no trato urinário, as bactérias enfrentam uma formidável combinação de mecanismos de defesa que incluem o aumento do volume de urina e a produção de substâncias antimicrobianas.

No entanto, essa defesa pode ser prejudicada em momentos de estresse ou de carências nutricionais, situações que fazem a imunidade ser menos eficiente. A maioria das ITUs são tratadas com antibióticos. Contudo, se a pessoa tem infecções recorrentes precisa prevenir a infecção, melhorando a imunidade (com mais proteína, antioxidantes, vitamina D na dieta) e com o uso de D-manose e do Cranberry (arando), que também servem para o tratamento.

Como tratar infecção urinária de forma natural?

Antibióticos não devem ser usados o tempo todo. Geram distúrbios gástricos, pioram a microbiota, podem causar diarreia e, nas mulheres, maior risco de infecções vaginais por leveduras/fungos. Além disso, o uso constante de antibióticos gera resistência aos mesmos.

Extrato de cranberry (arando ou oxicoco) e D-manose possuem benefícios comprovados no tratamento de infecções do trato urinário. A D-manose é uma substância produzida no próprio corpo e também encontrada em alimentos como brócolis, berinjela, feijão, amora, maçã, pêssego e, em muito maior quantidade no cranberry, que também pode ser suplementado.

Quando as fimbrias das bactérias ligam-se à D-manose não conseguem aderir à superfície do trato urinário e são expulsas da bexiga pela urina. A D-manose também atua na ativação da proteína Tamm-Horsfall, que desempenha papel fundamental na defesa do organismo contra as infecções do trato urinário. O uso de 2g de D-manose ao dia, por 6 meses, reduz significativamente o risco de novas infecções (Kranjčec, Papeš, & Altarac, 2014).

Cranberries (particularmente na forma de suco de cranberry) têm sido amplamente utilizados por várias décadas para a prevenção e tratamento de ITUs. Contêm ácido quínico, ácido málico e ácido cítrico, substâncias que tornam a urina mais ácida e impedem que as bactérias (particularmente E. coli) adiram (grudem) às células uroepiteliais que revestem a parede da bexiga (Williams et al., 2023). Existem estudos com suco de Cranberry mas as doses variam muito entre os mesmos (de 120 a 1.000 mL/dia). Provavelmente os próprios estudos padronizarão o composto bioativo do cranberry (proantocianidina pra melhorar comparação e prescrições mais precisas).

8 hábitos para a boa saúde do trato urinário

Quem quer evitar a infecção urinária pode adotar práticas que diminuem o risco de aparecimento. Confira:

  1. Beber muita água durante todo o dia ou bebidas com ação diurética (chá verde, hibisco, cavalinha, carqueja e erva-doce) – isso ajuda a diluir a urina e aumenta a excreção urinária.

  2. Urinar sempre que sentir vontade – não segure a urina.

  3. Para mulheres, após urinar ou realizar suas necessidades fisiológicas, sempre limpar a região da frente para trás (e nunca o contrário!) e dar preferência ao uso de papel higiênico sem perfume. O uso de lenço umedecido também é uma recomendação eficaz, desde que não contenha perfume.

  4. Evitar banhos de banheira.

  5. Higienizar a área íntima antes e depois da relação sexual, e urinar após o ato.

  6. Evitar o uso de desodorantes íntimos, pois podem causar irritação.

  7. Dar preferência aos absorventes feitos de algodão.

  8. Utilizar 2g de D-manose ao dia, caso você tenha infecções urinárias recorrentes (melhor marca na Europa, com 2g de D-mannose, 50mg de Cranberry por sachê - 500 mcg de proantocianidinas). No Brasil, podemos fazer a prescrição magistral para farmácia de manipulação.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/