A maior parte dos pacientes celíacos não sabem que tem a doença

A doença celíaca é uma enfermidade de caráter permanente induzida pelo glúten, proteína encontrada no trigo, cevada e centeio. As manifestações típicas gastrointestinais incluem diarreia crônica ou recorrente, distensão abdominal, anorexia, perda de peso e astenia. Contudo, muitos pacientes não possuem estes sintomas, o que torna o diagnóstico muito difícil.

Adultos, por exemplo, raramente apresentam sintomas muito importantes gastrointestinais, podendo ser assintomáticos ou, mais frequentemente, apresentar manifestações fora do trato digestivo, como dores articulares e ósseas, cansaço fácil, depressão ou ansiedade, ataxia progressiva, menopausa precoce, parestesias (como formigamento), dermatite ou alopecia (perda de cabelo de origem autoimune), aftas de repetição, hipoplasia do esmalte dentário.

Estima-se que mais de 80% dos pacientes celíacos não conheçam o diagnóstico da doença que, sem tratamento, gera um quadro permanente de subnutrição, anemia, fraturas sem traumatismo, infertilidade ou abortos espontâneos, linfoma intestinal, câncer de intestino delgado, convulsões ou doença dos nervos das mãos e dos pés (neuropatia periférica).

Exames genéticos são importantíssimos. Sabemos que 1 em cada 100 pessoas possuem doença celíaca e que naqueles com genética positiva, 1 em cada 30 pessoas são confirmados com doença celíaca no exame de biópsia intestinal. Explico mais no vídeo abaixo:

RECEITAS SEM GLÚTEN

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

10 ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A QUALIDADE DO SONO

O sono é o estado de repouso físico e mental fundamental para a recuperação do sistema biológico, regulando os principais mecanismos e a homeostase metabólica. Recomenda-se dormir em torno de 8 horas/noite, sendo considerada restrição de sono quando uma pessoa dorme menos de 6 horas durante 4 ou mais noites consecutivas. Alguns fatores ambientais que afetam negativamente o sono reduzem a qualidade de vida e podem aumentar o risco de doenças e a mortalidade.

Dormir mal afeta o desempenho físico e mental, gera mal humor, aumenta o risco de acidentes, eleva a pressão arterial, a glicemia e a compulsão alimentar. Mas algumas estratégias melhoram muito a qualidade do sono:

10 ESTRATÉGIAS PARA MELHORIA DA QUALIDADE DO SONO

1. Tenha horários regulares de levantar e ir para a cama. ⁣

⁣2. Evite o uso de aparelhos que emitem luz azul antes de dormir. Isso pode interferir na produção de melatonina (hormônio que induz o sono). Use filtros para luz azul se não puder desligar os eletrônicos até 20h.

⁣3. Cuide do ambiente do seu quarto (escuridão, umidade, barulho, travesseiro, colchão...) Há quem diga que a situação ideal seria algo como dormir em uma caverna. A temperatura ideal fica entre 18 e 19oC.

⁣4. Evite o álcool (ele vai te deixar sonolento no começo, mas você terá um sono de péssima qualidade depois) e tome cuidado com a cafeína. A cafeína antagoniza o efeito da adenosina e mascara o cansaço inicialmente mas faz com que você tenha mais sono durante o dia.

⁣5. Consuma carboidrato à tarde ou noite pois ele aumenta a insulina e o uso de aminoácidos de cadeia longa pelo músculo, permitindo assim a entrada de mais triptofano livre pela barreira hematoencefálica. A melatonina é formada a partir do aminoácido triptofano.

⁣4. Aumente à noite o consumo de alimentos ricos em triptofano (peru, queijo, amendoim, castanha de caju, frango, ovo, ervilha, pescada, amêndoa, semente de abóbora). ⁣

5. Consuma alimentos ricos em fitomelatonina como tomate, cereja, aveia e kiwi.

⁣7. Ácidos graxos da família ômega 3, magnésio e outros nutrientes são necessários para a formação da melatonina.⁣ Suplemente, se necessário.

8. Troque a TV à noite por atividades relaxantes como massagem, banho morno, meditação, yoga mais calma, leitura de livro agradável.

9. Hidrate-se muito bem durante o dia mas evite o consumo de água após as 20h, especialmente se você tende a acordar para urinar.

10. Tire o celular e outros eletrônicos do quarto.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Sinais e sintomas de intolerância à histamina

A histamina é uma molécula sintetizada e armazenada em altas concentrações em grânulos de secreção, principalmente em basófilos e mastócitos, e também em células enterocromafins gástricas, linfonodos e timo

O QUE É HISTAMINA?

A histamina (2-[4-imidazolil]etilamina) é uma amina bioativa que é sintetizada pela descarboxilação de seu aminoácido precursor, histidina, em uma reação enzimática descrita pela primeira vez por Windaus e Vogt em 1907 envolvendo a enzima L-histidina descarboxilase.

Funcionalmente, esta amina está envolvida em vários mecanismos imunológicos e fisiológicos, estimulando a secreção de ácido gástrico, inflamação, contração de células musculares lisas, vasodilatação e produção de citocinas. Além disso, a histamina funciona como um neurotransmissor, sendo sintetizada por neurônios localizados na região posterior do hipotálamo cujos axônios se estendem pelo cérebro. Existe também histamina nos alimentos, mas algumas pessoas possuem uma capacidade prejudicada de metabolizar a histamina ingerida, desenvolvendo sintomas de intolerância histamínica.

Causas da intolerância à histamina

A principal barreira contra a histamina no intestino é a enzima DAO. Pacientes com polimorfismos do gene da DAO (como rs10156191, rs1049742, rs2268999 e rs1049793) apresentam mais sintomas de intolerância histamínica. Algumas pessoas também possuem intolerâncias temporárias à histamina ao consumirem aminas biogênicas e álcool, assim como alimentos ou suplementos que inibem a DAO.

Inibidores da DAO (Comas-Basté et al., 2020)

A disbiose intestinal com supercrescimento bacteriano também piora o problema já que certas bactérias fermentam alimentos produzindo quantidades elevadas de histamina. Entre as bactérias produtoras de histamina estão Morganella morganii (a maior formadora), H. alvei, Klebsiella spp., Citrobacter freundii, Enterobacter spp. e Serratia spp. Por isso melhorar a qualidade e a diversidade da microbiota é fundamental. Afinal, o intestino saudável é uma das mais importantes chaves para a saúde. Algumas cepas de Bifidobacterium infnatis e bifidobacterium longum tem um efeito anti-histamínico e podem ser adicionados à suplementação.

Mais sinais e sintomas de intolerância à histamina

  1. Coceira na pele, olhos, orelhas e nariz

  2. Eczema ou outros tipos de dermatite

  3. Olhos vermelhos

  4. Urticária

  5. Edema facial ou de outro tecido

  6. Aperto na garganta

  7. Dificuldade em regular a temperatura corporal

  8. Queda na pressão arterial ao se levantar rapidamente

  9. Vertigem ou tontura

  10. Pressão sanguínea baixa

  11. Frequência cardíaca rápida

  12. Palpitações cardíacas

  13. Dificuldade em adormecer

  14. Confusão mental

  15. Irritabilidade

  16. Ataques de ansiedade ou pânico

  17. Alergias sazonais

  18. Nariz frequentemente escorrendo ou congestão nasal

  19. Dores de cabeça e enxaquecas

  20. Refluxo ácido ou outros problemas digestivos (como náuseas e vômitos)

  21. Ciclo menstrual anormal ou tensão pré-menstrual intensa

  22. Perda de consciência (raro)

DIAGNÓSTICO DA INTOLERÂNCIA À HISTAMINA

Além dos sintomas acima (a pessoa deve ter pelo menos três), devem ser descartadas outras alergias alimentares (fazer exame prick test), mastocitose sistêmica e doenças gastrointestinais. O paciente deve seguir uma dieta livre em histaminas por 2 meses, anotando o que consome e sintomas. Após este período deve reintroduzir os alimentos ricos em histamina observando o que acontece. Se os sintomas voltarem a pessoa realmente apresenta intolerância à histamina. Podem também ser feitos testes genéticos para identificação dos polimorfismos da DAO.

CRISE? EVITE ALIMENTOS RICOS EM HISTAMINA!

Restringir o consumo de alimentos e bebidas ricas em histamina como álcool, laticínios (especialmente queijos envelhecidos), alimentos enlatados, em conserva, produtos defumados (salsicha, presunto, bacon ou salame), leguminosas (como grão de bico, soja, e lentilhas), vinagre, alimentos fermentados (kombucha, chucrute), salgadinhos, doces com conservantes, chocolate e cacau, chá verde, a maioria dos cítricos, peixes em conserva (como cavala e atum), amendoim, espinafre, tomate, kiwi, banana, berinjela, morangos, cerejas, pimenta em pó, canela e cravo.

Também é importante lembrar que, nos alimentos, a histamina nunca está sozinha. É muitas vezes acompanhada por quantidades significativas de outras aminas biogênicas. Isso torna os sintomas e o diagnóstico de intolerância à histamina complicados e às vezes bastante imprevisíveis. Caderina, putrescina, tiramina e cadaverina desencadeiam efeitos similares ao do excesso de histamina. Putrescina e a cadaverina, formadas a partir da decomposição de aminoácidos (como os presentes nas carnes) interferem na atividade da MAO piorando a situação de intolerância e os sintomas inflamatórios.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/