Hiperglicemia e risco de Alzheimer

A prevalência de diabetes na população é cada vez maior e deve chegar a 10% a 20% da população global até 2030. Os casos de Alzheimer devem triplicar até 2050 e estão também relacionados à resistência à insulina. Por isso, muitos cientistas chamam o Alzheimer de diabetes tipo 3.

A alta quantidade de açúcar no sangue pode criar vários problemas:

  • piora da imunidade;

  • desidratação das células;

  • esgotamento de eletrólitos críticos, como potássio, magnésio, cálcio e sódio, levando à morte celular e espasmos musculares crônicos;

  • esgotamento de cromo, cobre e zinco e outros minerais que ajudam a sensibilizar as células à insulina. Isso acelera ainda mais a resistência à insulina da membrana celular;

  • maior chance de proliferação das células cancerígenas e inibição dos mecanismos que retardam o crescimento de tumores e inibem a apoptose das células cancerígenas (morte celular programada);

  • aumento de produtos finais de glicação Avançadas (do inglês, AGEs) que danificam os tecidos;

  • esgotamento de antioxidantes como glutationa, vitamina C e vitamina E, contribuindo para o estresse oxidativo;

  • inibição do hormônio do crescimento humano (HGH) e elevação dos níveis de cortisol;

  • inibição da síntese de proteínas celulares, resultando em disfunção óssea, muscular e química das articulações;

  • promoção do crescimento de bactérias patogênicas e parasitas;

  • aumento no risco de síndrome metabólica, com obesidade, triglicerídeos elevados, níveis anormais de colesterol LDL:HDL, fatores de risco inflamatórios arteriais elevados.

  • aumento da barreira hematoencefálica, esgotando o cérebro de depósitos de minerais e permitindo que toxinas e outros metais pesados ​​se acumulem no tecido cerebral;

  • destruição de nervos que levam à dor crônica, neuropatias, distúrbios da visão e disfunção orgânica acelerada.

A resistência à insulina é uma condição “pré-diabética” que surge quando o metabolismo da insulina não funciona adequadamente. Conforme vamos envelhecendo o consumo de carboidrato provavelmente precisará ser reduzido para compensar as dificuldades metabólicas.

Para termos um cérebro saudável por toda a vida precisamos combater a resistência à insulina. Uma dieta cheia de bolo, refrigerante, açúcar, sorvete, pizza, interferem nos neurônios e afeta a função cognitiva, incluindo memória e concentração. Maior exposição à glicose também significa maior suscetibilidade a um processo conhecido como glicação.

A glicação é a ligação entre a diabetes e a doença de Alzheimer. É um processo pelo qual certas proteínas são danificadas quando expostas a altos níveis de glicose. Produtos finais de glicação avançada (AGEs) podem impedir que os neurônios funcionem adequadamente por contribuir para a formação de plascas de amilóide. Pesquisas mostram que o cérebro de pessoas com doença de Alzheimer têm maiores níveis desses AGEs, em comparação com pessoas sem a doença.

Placas de amilóide (em marrom) no cérebro de pacientes com doença de Alzheimer

A dieta cetogênica, Alzheimer e diabetes tipo 3

Com mudanças dietéticas adequadas, você pode reduzir suas chances de desenvolver diabetes tipo 2 e tipo 3, resistência insulínica cerebral e Alzheimer. A dieta cetogênica reduz ao máximo os carboidratos e aumenta o consumo de gorduras, que serão uttilizadas pelos neurônios como fonte de energia.

A dieta foi criada para o tratamento de pacientes com epilepsia refratária mas estudos recentes mostram várias outras aplicações, como tratamento de diabetes e perdas cognitivas. Uma das primeiras pesquisas na área acompanhou 23 idosos, que foram divididos em dois grupos. Um grupo seguiu uma dieta rica em carboidratos e outro uma dieta pobre em carboidratos por seis semanas. No final do estudo, aqueles que faziam dieta com baixo teor de carboidratos experimentaram melhora no desempenho da memória verbal, juntamente com reduções no peso e na circunferência da cintura.

Essas descobertas indicam que o consumo muito baixo de carboidratos, mesmo no curto prazo, pode melhorar a função da memória em adultos mais velhos com risco aumentado de doença de Alzheimer. Uma das hipóteses é que o alto nível de gordura na dieta repara os danos às células cerebrais. As cetonas produzidas a partir da gordura fornecem um combustível alternativo para o cérebro, no lugar da glicose.

Uma segunda possibilidade é que a ausência de açúcar e carboidratos refinados na dieta inicie o processo de cura e evite danos futuros, principalmente pela redução do estresse oxidativo e da neuroinflamação. Ou podem ser as duas coisas.

Se você é saudável, mas deseja envelhecer com um cérebro capaz de lembrar o nome dos netos, não precisa seguir estritamente a dieta cetogênica. Simplesmente elimine todos os carboidratos refinados desnecessários e prejudiciais à saúde, especialmente qualquer coisa com adição de açúcar, incluindo refrigerantes. Alimentos ultraprocessados como biscoitos, bolos, doces, batatas fritas, sorvetes e balas devem sair da dieta. Você já comeu bastante deles na vida. Não precisa mais. Despeça-se deles no dia a dia, consumindo-os apenas em ocasiões muito especiais.

Se sua glicemia está desregulada faça jejum intermitente e evite lanchinhos entre as refeições. Assim, seu pâncreas consegue um descanso e o corpo volta a queimar gordura como combustível. Além disso, você se sentirá menos cansado, mais animado. Muito açúcar no sangue gera fadiga, mudanças de humor, piora a memória, aumenta a compulsão alimentar, faz com que você acorde já cansado, irritado ou tenha dores de cabeça durante o dia.

Mudanças na dieta para aumentar sua vitalidade

  • Coma proteínas em cada refeição: peixe, carne, ovos, laticínios, feijão, lentilha, nozes, tofu. A maioria desses alimentos também fornece gordura, o que retarda o fluxo de glicose no sangue.

  • Evite alimentos que contenham açúcar adicionado. Diferentes nomes para açúcar no rótulo dos alimentos: glicose, sacarose, frutose, mel, xarope de frutose, xarope de glicose, xarope de malte, xarope de milho, açúcar invertido, melaço, lactose, açúcar cristal, açúcar demerara, dextrose, maltose, néctar, açúcar de confeiteiro, maltodextrina, açúcar mascavo, melado, açúcar refinado, açúcar bruto, caldo de cana…

  • Dê preferência a carboidratos de baixo índice glicêmico. O índice glicêmico é um sistema que mede a velocidade com que o componente carboidrato dos alimentos entra na corrente sanguínea e aumenta o açúcar no sangue, em uma escala de 0 a 100.

  • Faça seu exame nutrigenético e descubra quais são os suplementos mais adequados para seu caso.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

DIABETES E PROBLEMAS NA TIREOIDE SÃO COMUMENTE ENCONTRADOS JUNTOS

Disfunção da tireóide e diabetes mellitus estão intimamente ligados. Vários estudos têm documentado o aumento da prevalência de distúrbios da tireoide em pacientes com diabetes mellitus e vice-versa. É improvável que seja uma simples coincidência.

A disfunção autoimune da tireoide ocorre em 17% a 30% dos adultos com diabetes tipo 1. A disfunção da tireoide também é mais comum em pacientes com diabetes tipo 2 do que na população geral.

O diabetes mellitus preexistente é exacerbado pelo hipertireoidismo. O tratamento com insulina deve ser ajustado em pacientes com diabetes após a ocorrência de disfunção tireoidiana e a glicemia deve ser constantemente reavaliada em indivíduos com hipertireoidismo após o controle da disfunção tireoidiana.

O excesso de hormônio tireoidiano aumenta a produção hepática de glicose, diminui o uso de glicose no músculo esquelético e no tecido adiposo branco, assim como reduzindo a secreção de insulina pelo pâncreas (Venditti et al., 2019).

Medicamentos antidiabéticos na disfunção da tireoide

A liraglutida não é recomendada em pacientes com história pessoal ou familiar de câncer medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2. A liraglutida é um fármaco antiobesidade da classe dos incretinomiméticos, também conhecidos como agonistas do receptor GLP 1 (por ser parecido com o hormônio GLP-1), estimulando a liberação de insulina.

Além disso, a pioglitazona não deve ser administrada a pacientes diabéticos com oftalmopatia de Graves clinicamente ativa. Também está associado a maior risco de câncer de bexiga. Pelos seus efeitos adversos já não está autorizado em Portugal. No Brasil, o medicamento ainda é comercializado.

Alterações glicêmicas em paciente com disfunção da tireoide

O hipertireoidismo aumenta o consumo de alimentos, a absorção de glicose, a glicemia pós-prandial, a gliconeogênese, a secreção de insulina. Ao longo do tempo isto pode sobrecarregar pâncreas, prejudicar o controle glicêmico e aumentar os requerimentos de insulina.

O hipotireoidismo reduz a absorção de glicose, seu transporte e utilização, aumenta o risco de hipoglicemia, reduzindo a necessidade de insulina em pacientes diabeticos. Contudo, após a reposição de hormônio da tireoide a necessidade de insulina pode voltar a aumentar. Por isso, o acompanhamento com endocrinologista e nutricionista, além do automonitoramento s~ão fundamentais.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Tratamento de crianças com síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio funcional que afeta uma grande proporção da população em todo o mundo. Fatores genéticos e epigenéticos, estresse, qualidade da dieta, sensibilidades alimentares, exposição à toxinas são alguns dos fatores associados à SII.

A dieta deve ter características antiinflamatórias, limitando a ingestão de alimentos “ofensivos” que desencadeiem alterações intestinais e sintomas como gases, diarreia ou prisão de ventre. Dentre as estratégias preconizadas a redução do consumo de alimentos fermentáveis (FODMAPs) até melhoria parece bastante eficiente.

Estudo mostrou que simbióticos podem ser utilizados em crianças, trazendo alívio principalmente para aquelas com subtipo mais constipado.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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