COGNIÇÃO E GLÚTEN

O glúten é uma proteína encontrada em cereais como trigo, centeio, cevada, malte e aveia. A capacidade que o nosso trato gastrointestinal tem em digerir esta proteína é limitada. A predisposição genética, ou melhor, o risco genético está associado à presença do genótipo HLA-DQ2 e/ou HLA-DQ8,  detectado por meio de exame genético

Pessoas com alterações nestes genes podem desenvolver uma doença autoimune conhecida como doença celíaca. Se houver essa suspeita uma biópsia intestinal será necessária para confirmação do diagnóstico. Pacientes com doença celíaca, especialmente no início, podem apresentar deficiência de vitaminas como B12 e B9, minerais como zinco e ferro e sintomas como oscilações no funcionamento do intestino (preso ou solto), fadiga, anemia, menor crescimento ponderal (em crianças), distensão abdominal, gases, entre outros.  

Uma vez diagnosticado, o paciente inicia o tratamento com a exclusão do glúten da dieta. É importante lembrar que mesmo pessoas sem doença celíaca podem ter maior sensibilidade ao glúten ou alergia ao trigo, recomendando-se nestes casos a redução do consumo de glúten. Pessoas com alterações cognitivas ou do neurodesenvolvimento também podem se beneficiar da redução ou exclusão desta proteína da dieta:

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Depressão, ansiedade e modulação intestinal

O ‘microbioma’ é o termo para a vasta ecologia de microrganismos e seus genes, vivendo em relação simbiótica no intestino dos humanos. Um microbioma saudável é como uma extensão do genoma que fez parte do nosso desenvolvimento hereditário evolutivo, tornando-o parte fundamental do ser humano.

Existem genes no microbioma que são necessários para codificar partes fundamentais da fisiologia humana e que não fazem parte do nosso genoma. Ou seja, nosso genoma sozinho não é adequado para administrar um ser humano. O genoma e o microbioma juntos contêm todos os genes necessários para toda a nossa síntese proteica. Pesquisas mostram também que as bactérias intestinais podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento do cérebro, comportamento e humor em humanos.

A variedade de doenças e processos de doenças nos quais a microbiota está envolvida, incluindo transtornos psiquiátricos e neurodegenerativos, dor, ansiedade, estresse, síndrome do intestino irritável (SII), derrame, compulsão e obesidade (Cryan et al., 2019)

Microbioma e depressão

A depressão afeta cerca de 4,4% da população mundial. Correlaciona-se com aumento nas citocinas pró-inflamatórias, que por sua vez ativam o eixo HPA possivelmente acentuando sua hiperativação associada à depressão. Terapias eficazes para a depressão anulam a resposta inflamatória intensificada e diminuem a ativação do eixo HPA.

Há evidências crescentes de um papel para o eixo microbiota-intestino-cérebro na depressão. Vários estudos em humanos encontraram diferenças na microbiota fecal em pacientes com depressão quando comparados com controles saudáveis. O Flemish Gut Flora Project, realizado na Bélgica examinou a composição da microbiota de mais de 1.000 indivíduos. Curiosamente, aqueles que tinham depressão, ou menor escore de qualidade de vida, possuiam menor abundância relativa do gênero Faecalibacterium, além de uma carga microbiana geral reduzida. Em uma análise mais profunda, os pesquisadores descobriram que havia uma associação entre as bactérias que produzem o butirato (Faecalibacterium e Coprococcus) e indicadores de qualidade de vida mais elevados.

Um estudo de intervenção probiótica usando uma cepa de L. casei descreveu melhorias nas classificações de humor em uma coorte de idosos saudáveis ​​após o tratamento, com maior benefício para aqueles que tinham humor inferior no início do estudo. Outros estudos mostram efeitos benéficos com diferentes combinações de bactérias, incluindo L. acidophilus, L. casei, B. bifidum, L. rhamnosus, L. helveticus, B. longum, L. plantarum.

Em pesquisa publicada e 2018 (ver imagem), um grupo recebeu placebo, outro grupo recebeu 10bi UFC de L. Helveticus e B. longum (bactérias probióticas) e um terceiro grupo recebeu Galactoligossacarídeos (B-GOS), que são fibras prebióticas. Após 8 semanas, o que foi observado, foi que os sintomas depressivos foram reduzidos principalmente nos pacientes que receberam probióticos. Além disso, os indivíduos que receberam as bactérias boas tiveram uma melhor relação kinurenina/triptofano.

Outros estudos mostram que a cepa Bifidobacterium breve CCFM1025 é capaz de reduzir comportamentos associados à depressão em camundongos (Tian et al., 2020) e humanos (Tian et al., 2022). Um dos mecanismos pode ser a modificação do metabolismo do triptofano.

Rotas bioquímicas do triptofano

O triptofano é um aminoácido que pode entrar em duas rotas bioquímicas diferentes. Na primeira rota, triptofano junta-se com B6 e vira serotonina e depois melatonina. A segunda rota é a via do ácido kinulínico. Essa via serve para várias coisas importantes, mas se o triptofano segue para cá menos serotonina será produzida.

O que acontece é que se a pessoa está inflamada há maior atividade da enzima indolamina 2-oxigenase. Essa enzima desvia então o triptofano para esa via. Quanto maior a taxa kinurenina/triptofano mais kinurenina temos no cérebro e menos triptofano. Nos que receberam probiótico houve redução dessa taxa. Ou seja, as bactérias boas reduzem inflamação e mais triptofano vira serotonina (tanto no intestino quanto no cérebro). E bactéria boa também produz triptofano!

Ansiedade e modulação intestinal

Um probiótico multi-cepa [S. thermophilus (2 cepas diferentes), L. bulgaricus, L. lactis subsp. lactis, L. acidophilus, L. plantarum, B. lactis, L. reuteri] parece ter efeitos ansiolíticos. Já os B-GOS melhorou significativamente os níveis de ansiedade em indivíduos com síndrome do intestino irritável. Um trabalho intrigante identificou o Lactobacillus plantarum DR7 como um possível psicobiótico, onde alivia a ansiedade e os sintomas associados ao estresse.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Exames para mulheres adultas

Você não dirigiria seu carro por 5, 10 ou 20 anos sem fazer um checkup. Então, por que você faria isso com seu corpo? É crucial saber a condição do seu corpo para prevenir três dos maiores assassinos de adultos: doenças cardíacas, diabetes e câncer.

Monitore seus níveis de gordura corporal

Apenas avaliar peso e altura não é suficiente. Se possível faça uma bioimpedância ou outro método que avalie se o seu percentual de gordura está dentro dos parâmetros adequados. Gordura corporal em excesso aumenta o estado inflamatório geral e o risco de muitas doenças crônicas.

Para reduzir a gordura corporal faça exercícios de força e troque parte dos carboidratos por proteína de boa qualidade, como ovos, peixe, tofu. Um ovo de 50g fornece cerca de 10 por cento das necessidades proteicas de mulheres adultas. Além disso, gema contém colina, vitaminas A, D e B12, bem como luteína e zeaxantina. Embora a maioria das pessoas pense que os ovos são ricos em colesterol, a quantidade contida na gema é, na verdade, insignificante.

Para mulheres que malham e não tem problemas com inchaços, um suplemento que apoia o ganho de massa muscular é a creatina. Um consumo tão pequeno quanto 2 gramas de creatina por dia ajuda a levar mais energia aos músculos, permitindo que cresçam à medida que são forçados a trabalhar mais e por mais tempo. E, quanto mais músculos a mulher tem, mais calorias queima.

Qual é sua pressão arterial?

A doença cardíaca é a principal causa de morte em mulheres e homens adultos, em várias partes do mundo. Artérias saudáveis ​​são vitais para transportar sangue através do coração e para o resto do corpo. A pressão acima do normal impõe muita força às artérias e pode causar danos aos vasos, incluindo enfraquecimento, formação de cicatrizes, risco de formação de placas e coágulos sanguíneos e doença arterial coronariana em geral. A hipertensão arterial (tensão arterial aqui em Portugal) está associada ao desenvolvimento de doenças potencialmente fatais, como acidente vascular cerebral, insuficiência renal e diabetes tipo 2. Uma leitura ideal da pressão arterial deve ser 115/75 mmHg. Qualquer valor acima de 140/90 mmHg é considerada hipertensão, enquanto pré-hipertensão é qualquer leitura intermediária.

Existem opções medicinais e totalmente naturais para reduzir sua pressão arterial. Converse durante a consulta sobre suplementos como coenzima Q10, magnésio dimalato, extrato de alho, arginina, vitamina D3, ômega 3. Não esqueça de consumir mais frutas e verduras, pois o potássio também ajuda a regular a pressão. Outras estratégias importantes são a redução do estresse e a prática de atividade física.

Teste de sangue para glicose e colesterol

Em jejum sua glicose deve estar entre 70 e 99mg/dL. Uma medida de 100-125 é considerada pré-diabética e de 126 a mais significa que você precisa averiguar se não tem diabetes. Mesmo tendo comido há pouco tempo sua glicose nunca deverá subir acima de 200 mg/dL. A glicose em excesso enfraquece os vasos e liga-se onde não deve, piorando a visão e a saúde dos rins.

De novo, atividade física, emagrecimento e redução dos carboidratos da dieta são estratégias indispensáveis. Consuma vegetais verde escuros. Muitos pacientes diabéticos tipo 2 têm baixo teor de magnésio no sangue. O magnésio é um mineral importante para regular os níveis de açúcar no sangue e suplementos também podem ser úteis. Outro suplemento que ajuda é o picolinato de cromo, que melhora a ação da insulina no corpo.

Avaliar níveis de colesterol também é fundamental. O colesterol total deve ficar abaixo de 200 mg/dL. Substitua manteiga por azeite temperado com ervas. Você também pode incluir um suplemento de arroz vermelho em sua rotina diária para ajudar a reduzir o colesterol. Este suplemento pode funcionar como a classe de medicamentos conhecidos como estatinas, bloqueando a enzima que produz o colesterol ruim.

Tudo no corpo está conectado

Muitos estudos ligam diabetes à depressão, diabetes à maior risco de Alzheimer. Um estudo mostrou que um marcador clássico de risco cardíaco (HDL-c baixo) também está ligado à risco de depressão (Melin et al., 2019). Neste estudo o foco foram os pacientes com diabetes do tipo 1 (dependentes de insulina).

Sempre há um milhão de desculpas para não fazermos exames. Falta de tempo, medo, dinheiro curto. Mas lembre: quanto mais cedo você conhecer o estado do seu corpo, mais cedo poderá mudá-lo e ter a melhor saúde da sua vida.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/