Pessoas que não dormem bem são mais inflamadas, possuem pior imunidade, são mais estressada e têm um metabolismo mais lento (Möller-Levet et al., 2012). Uma das causas é a piora do funcionamento do sistema glinfático.
O que é o sistema glinfático?
O sistema glinfático é uma rede de vasos que age drenando resíduos tóxicos e metabólitos do sistema nervoso central (como a proteína β-amiloide – que, quando acumulada, relaciona-se à maior risco de doença de Alzheimer). O nome glinfático é resultado da união entre “sistema linfático” e “glia”. Foi descoberto em 2012 pela neurocientista dinamarquesa Maiken Nedergaard. O sistema glinfático tem sua maior atuação durante o sono (principalmente no sono profundo, o terceiro estágio do sono não-REM). Assim, quem não dorme bem tem mais toxinas circulando no cérebro. Muitas doenças neurológicas são associadas à neuroinflamação como Doença de Alzheimer, lesão cerebral traumática, esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença de Parkinson, doença de Huntington, depressão, autismo e outras.
A neuroinflamação prejudica a função glinfática e exacerba a resposta inflamatória (Mogensen et al., 2021).
Sistema glinfático e transtornos psiquiátricos
Embora os transtornos psiquiátricos tenham sido tradicionalmente explicados por alterações em neurotransmissores e conectividade neural, evidências recentes sugerem que a disfunção glinfática desempenha um papel crucial em sua patofisiologia (Wang et al., 2025).
A disfunção do sistema glinfático impacta a saúde mental por meio de três caminhos principais:
• Via de limpeza direta: Quando o fluxo perivascular diminui, a remoção de proteínas neurotóxicas (como beta-amiloide e tau), espécies reativas de oxigênio e citocinas é prejudicada, promovendo neuroinflamação e sinaptopatia.
• Via mediada pelo sono e ritmo circadiano: O sistema glinfático é mais ativo durante o sono profundo (não-REM). A insônia e a fragmentação do sono, comuns em transtornos psiquiátricos, reduzem a capacidade de limpeza, criando um ciclo vicioso de inflamação e sintomas persistentes.
• Via vascular-metabólica-imune: O endurecimento arterial e a inflamação sistêmica degradam a pulsatilidade que impulsiona o fluido glinfático, aumentando a resistência hidráulica e sustentando a neuroinflamação crônica.
Estudos de neuroimagem, utilizando principalmente o índice DTI-ALPS (que mede a difusão ao longo dos espaços perivasculares), encontraram alterações em diversas condições:
• Depressão (TMD): Pacientes apresentam redução no índice ALPS, o que se correlaciona com fadiga, sintomas cognitivos e marcadores inflamatórios sistêmicos.
• Esquizofrenia e Psicose: Alterações na limpeza glinfática já são visíveis em estágios iniciais da psicose e em pacientes que nunca usaram antipsicóticos, sugerindo que o déficit é intrínseco à doença e ligado a sintomas negativos e cognitivos.
• Transtorno Bipolar: Ciclos irregulares de sono-vigília e estresse metabólico convergem para a ineficiência glinfática, com evidências de mudanças no fluido extracelular e atrofia no polo frontal associada a essa disfunção.
• Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT): O estado de hiperalerta e o tom noradrenérgico elevado suprimem a vasomoção lenta, essencial para o fluxo glinfático, o que pode perpetuar memórias de medo e fragmentação do sono.
• Transtornos do Neurodesenvolvimento (TDAH e TEA): Disfunções glinfáticas foram observadas tanto em crianças quanto em adultos, sugerindo que falhas na troca de fluidos podem influenciar trajetórias de atenção, execução e comunicação social.
Como ter sono de qualidade?
reduzir as luzes da casa à noite,
evitar eletrônicos à noite,
jantar cedo e comida leve,
agradecer pelas coisas boas do dia,
praticar exercícios,
tomar banho morno,
consumir chás calmantes (camomila, erva doce, campim limão, erva cidreira, valeriana) à tarde, ao invés de café,
fazer massagem,



