Metilação e as consequências da hipometilação e da hipermetilação na Síndrome de Down

A metilação é um processo metabólico que ocorre em todas as células do organismo. A vida não existiria sem estes processos que consistem na transferência do grupo metil (CH3) de uma molécula a outra. A metilação é fundamental para a eliminação de toxinas, para a melhoria da função imune, para a produção de energia, para a leitura do DNA e para o controle da inflamação. Explico este processo no vídeo abaixo.

A hipometilação (a redução da metilação) aumenta o risco de má formações da espinha bífida durante a gestação e de doenças cardiovasculares. Também reduz a formação de glutationa, um composto essencial e que protege as células contra toxinas e contra radicais livres.

As vitaminas B6, B9, B12, o SAME (S-adenosil-metionina), o NAC (n-acetil cisteína), o DMG (dimetilaminoetanol) e o TMG (trimetilglicina) são exemplos de compostos que doam o grupo metil (CH3) para outros compostos, protegendo o organismo. Em crianças com síndrome de Down muitas vezes observa-se uma melhoria da linguagem e da aprendizagem após um período de suplementação de um ou vários destes compostos.

Contudo, a suplementação deve ser feita de forma criteriosa e com acompanhamento médico e nutricional. Uma consequência negativa da suplementação pode ser a hipermetilação ou metilação excessiva. A  hipermetilação do DNA pode contribuir para a neurodegeneração e retardo no desenvolvimento. 

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Referências:

Kerkel, K.; et al. (2010). Altered DNA methylation in leukocytes with trisomy 21. PLoS Genet. 6, e1001212.

Sailani, M.R.; et al. (2015). DNA-methylation patterns in trisomy 21 using cells from monozygotic twins. PLoS One 10, e0135555.

Sanchez-Mut, J.V.; et al. (2016). Human DNA methylomes of neurodegenerative diseases show common epigenomic patterns. Transl. Psychiatry 6, e718.

Bacalini, M.G.; et al. (2015). Identification of a DNA methylation signature in blood cells from persons with Down Syndrome. Aging (Albany NY) 7, 82–96

Lu, J.; et al. (2016). Global hypermethylation in fetal cortex of Down syndrome due to DNMT3L overexpression. Hum. Mol. Genet. 25, 1714–1727.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

"Danoninhos" e iogurtes infantis mais nutritivos

Todos os alimentos podem entrar na dieta. Contudo, o consumo de alimentos muito ricos em açúcar pode gerar efeitos adversos no saúde. Crianças pequenas ainda estão desenvolvendo o paladar e tem um organismo mais sensível. Por isso, existem alimentos mais interessantes do ponto de vista nutricional para elas. Neste sentido, o Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria posicionaram-se quanto à alimentação de crianças menores de 2 anos:

O danoninho, por exemplo, é um queijo fresco acrescido de muito açúcar e corantes. Mas como é um alimento que as crianças costumam aceitar bem, que tal testar versões mais saudáveis em casa? Seguem algumas receitas:

1) Danoninho de Inhame

  • 4 pedaços pequenos de Inhame cozido ou 2 pedaços médios cozidos

  • 1/2 xícara de Morangos Picados (ou amoras ou mirtilos)

  • Adoçar a gosto (mel, melaço, demerara, mascavo ou açúcar de coco)

  • ¼ de água

Bata o inhame e a fruta, no liquidificador. Vá acrescentando a água aos poucos até obter o creme desejado e adoce se preferir. Coloque na geladeira e espere gelar. 

2) Iogurte com Yacon e abacate

  • 60 g de yacon

  • Suco de meio limão (opcional)

  • 1 copo de iogurte natural

  • 1/2 abacate médio

Descasque a Yacon e corte-a em pedacinhos. Corte o abacate, remova a casca e a semente. Liquidifique. O abacate pode ser substituído por banana ou morangos congelados ou por mamão ou manga in natura.

3) Iogurte de frutas vermelhas e tâmaras.

  • 200 ml leite de coco

  • 200 gr tofu orgânico firme

  • 2 xícaras (chá) morango

  • 2 xícara (chá) mirtilos

  • 1 colher sobremesa Ágar-ágar ou gelatina sem sabor, incolor

  • 1 colher chá extrato de baunilha

  • Agave ou Açúcar Demerara a gosto

Misture o leite de coco com o ágar-ágar (até dissolver) em uma panela. Ligue o fogo baixo e mexa sem parar, quando ferver conte 2 minutos e desligue. Passe para um liquidificador com todos os outros ingredientes. Bata até a mistura ficar homogênea. Se o iogurte ficar muito gelatinoso por causa do ágar-ágar, bata novamente no liquidificador

Calda (opcional)

  • 1 xícara (chá) de mirtilos ou amoras

  • 1 xícara (chá) água

  • Gotas de stévia ou açúcar demerara a gosto

Coloque todos os ingredientes em uma panela pequena e deixe cozinhar em fogo baixo até engrossar. Leve para gela r e depois adicione no iogurte.

4) IOGURTE COM LEITE

4) segunda opção com tofu

  • 1/3xic inhame cozido

  • 50g tofu (proteína, cálcio, magnesio, ferro)*pode não colocar ou colocar 1/4xic castanha de caju.

  • 3 morangos (ou mais)

  • Leite de aveia (ou coco ou outro) para ajudar a bater no liquidificador e dar a textura e consistência que vc deseja.

  • Agave, estévia, eritritol, açúcar demerara, açúcar de coco, tâmaras, ou banana congelada doce para adoçar.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Que comida alimenta sua alma?

Na década de 80 a manteiga era a inimiga, na década de 90 os ovos eram os inimigos. Agora os carboidratos são os inimigos. Não, a ciência não está doida e sim as pessoas. A natureza não mudou mas a forma como nos relacionamos com os alimentos e com o nosso corpo vive mudando. Explicações simplistas sobre o metabolismo não contribuem para a perda de peso, nem para uma melhor relação com nosso corpo, muito menos para a nossa felicidade.

Dietas balanceadas continuam sendo importantes. Alimentos ricos em carboidratos, como cereais integrais, frutas e verduras são fontes de fibras, fitoquímicos, vitaminas e minerais. Estes nutrientes reduzem a inflamação corporal, mantém o intestino saudável e modulam a quantidade de açúcar no sangue. 

Ninguém precisa viver em dieta, seja ela low carb, low fat, low sei lá  quê. Gorduras saudáveis também não devem ser eliminadas da dieta. Gorduras são importantes para o cérebro, para a produção hormonal, para a saciedade. Quantidades adequadas de proteína, gordura, carboidratos, fibras, vitaminas e minerais são fundamentais para nossa saúde, não só física mas também psicológica. Afinal, neurotransmissores são produzidos a partir de nutrientes. E um cérebro mais saudável e menos inflamado é também menos compulsivo.

Fora tudo isso, comer também é prazer. E que comida alimenta sua alma? Você reune seus amigos e familiares em torno de uma mesa contendo o quê? Comida bonita, cheirosa, colorida faz bem à alma! Há importância no que se come mas também existe a importância do modo que comemos. E comer feliz é diferente de comer triste. Comer com prazer é diferente de comer sem prazer. Não existe nada proibido mas existem proporções adequadas de cada coisa. Você pode aprender mais sobre tais proporções educando-se ou buscando um nutricionista. Também pode aprender mais ouvindo o próprio corpo. Do que ele está precisando? Como ele se comporta quando você come mais frutas e hortaliças? Como ele se comporta quando você bebe demais, come demais, troca as frutas pelos doces? Aprenda a ouví-lo e sua dieta naturalmente vai se ajustar às suas necessidades.

Aprenda também a focar no que importa. E o que importa não é o tamanho do seu corpo. Vivemos em uma sociedade em que é "normal" as pessoas dizerem que estão insatisfeitas com o tamanho da barriga, das coxas, com as bochechas, com o nariz etc. Mas quando perdemos tempo demais pensando no corpo deixamos de fazer coisas muito mais importantes, mais interessantes, relevantes, prazerosas. E é um ciclo vicioso, pensamos no corpo, resolvemos emagrecer, fazemos dieta, passamos fome, ficamos compulsivos, engordamos novamente, ficamos insatisfeitos, fazemos dieta, passamos fome... Para resolver isso a relação com a comida precisa mudar. Crenças limitantes precisam ser reprogramadas. Quer emagrecer? Tudo bem? Mas faça isso da forma certa. Aprenda a meditar para relaxar e encontre uma terapia ou programa que te ajude a mudar o foco, da comida que alimenta o corpo para a comida que alimenta corpo e alma. 

Uma dica: comer o que alimenta a alma mas parar quando se sentir 80% cheio. Muitas vezes vamos a restaurantes e o prato é enorme. Isso é proposital. Assim, colocamos mais alimentos, comemos e pagamos mais. Nestes casos, tente colocar apenas o equivalente a metade do prato. Em casa, faça o mesmo. Coma e faça uma pausa avaliando: "Já estou satisfeito?", "Estou com fome?". Se as respostas forem sim, guarde o restante do alimento para uma próxima refeição.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/